
v.7 n.2
A percepção da onipresença do corpo na cultura contemporânea tem estimulado uma extensa produção acadêmica sobre esta temática em diferentes campos do conhecimento. Particularmente, no campo das ciências sociais e humanas tais estudos têm enfatizado a intrínseca relação entre corpo, identidade e diferença, enfatizando os modos pelos quais o poder opera para constituir essas relações. Este dossiê reúne um conjunto de textos de estudiosas(os) do tema que focalizam processos educativos e culturais que se desenvolvem em diferentes instâncias do social e o fazem utilizando-se de perspectivas teóricas como Estudos Culturais, Estudos de Gênero, Pós-Estruturalismo, Estudos Gays e Lésbicos, Epistemologias Feministas e História do Corpo. Nesse sentido, estes textos se afastam de perspectivas teóricas que tomam o corpo como uma entidade biológica universal para teorizá-lo como um constructo sociocultural e lingüístico, produto e efeito de relações de poder. Uma perspectiva como esta implica refletir sobre processos que distinguem e separam corpos, dotando-os de um determinado gênero, de uma determinada raça, de uma determinada sexualidade, por exemplo. Isso não significa que eles neguem a materialidade do corpo ou digam que ela não importa. O que eles fazem é mudar o foco das análises que operam, problematizando processos e relações sociais que tomam a biologia como causa e explicação de diferenças e desigualdades sociais. Como tais processos e relações são, fundamentalmente, educativos, consideramos que este dossiê apresenta subsídios instigantes para que educadores e educadoras questionem as práticas educativas e culturais nas quais estão envolvidos, no sentido de reconhecer as implicações destas para a construção e valoração de determinados tipos de corpos e identidades e, portanto, também, para a sua desconstrução.









