Clarice Lispector: Aspectos Ideologicos de Sua Classe Social
O propósito desta dissertação foi o de executar análises de contos selecionados de Clarice Lispector, nas quais fossem ressaltadas além dos "temas", o valor do significado subjacente aos textos, proposto através do "não dito" (silêncios textuais, ou os significados provenientes da forma e de técnicas estruturais). Dentro deste objetivo, a abordagem crítica procurou se deter em aspectos realistas e ideológicos dos contos. Em uma primeira parte, os conceitos de ideologia e rea lismo são colocados dentro das perspectivas de enfoque de Adorno, Macherey, Balibar e Lukãcs. De modo a demarcar um paralelo de visões estéticas, na medida que 03 primeiros teõri cos entendem o realismo como um conceito^mutável conforme a evolução do processo histórico em contraposição ao último,que apregoa um realismo fundamentado na verossimilhança, e em decorrência nega as renovações formais da literatura contempo rânea. Delimitada esta contradição teórica, procede-se a se gunda parte do trabalho, onde os contos são analisados dentro de uma perspectiva de leitura endereçada para a explora ção dos recursos de linguagem, visando através dela, recuperar o conteúdo.
- Autores:Taiza Rauen Moraes
Outras teses e dissertações
-
- Università Degli Studi di Roma La Sapienza
- Doutorado
- 1995
A importância da leitura no desenvolvimento do aluno como cidadão é o ponto de partida desta dissertação que propõe uma reflexão a respeito da questão da leitura, como prática social, e critica aquela metodologia tradicional de ensino da Literatura, focada no estudo da periodização literária, que se desenvolve, na maioria das vezes, na exigência da memorização de uma quantidade enorme de informações “literárias” (características de cada escola literária, dados biográficos de autores etc.), na insistência do confronto do aluno com obras literárias muito alheias à sua realidade e na transformação de uma obra de arte em um mero objeto de estudo. A formação do leitor é essencial para a constituição de um cidadão consciente e participativo na sociedade em que vive e, portanto, esforços devem ser realizados com o intuito de permitir que a escola compactue com essa tarefa de forma ativa. A problemática da questão da leitura e formação do leitor é trabalhada nesta dissertação no âmbito escolar, mais precisamente no ensino médio. Absorvendo as discussões propostas pela Estética da Recepção para dentro do ensino de Literatura e leitura literária na escola, proponho pensar na leitura de textos literários contemporâneos em primeiro plano, com o intuito de atrair este aluno para o mundo da leitura literária, estimulando a formação do leitor. O objetivo é primeiro quebrar aquela barreira, muitas vezes existente, entre o estudante ingressante no ensino médio e a leitura literária à medida que este aluno for percebendo que a Literatura pode trazer também assuntos relacionados ao seu dia a dia, uma linguagem mais próxima à sua realidade e temas que sejam do seu interesse. Para reforçar a validade dessa proposta, exponho alguns projetos de mudança no processo de ensino tradicional de Literatura que já foram realizados e sugestões de trabalhos envolvendo a questão da formação do leitor. Por fim, a partir da minha experiência como professora, desenvolvo duas possibilidades de trabalho, para o 1° ano do ensino médio, com obras literárias contemporâneas, com o intuito de exemplificar essa proposta de introdução da Literatura a partir da leitura de obras contemporâneas, buscando estimular o gosto pela leitura, visando à formação do leitor.
A Dissertação apresenta a questão do Aborto compreendendo-o como um direito reprodutivo das mulheres. Entende que a manutenção da criminalização tem trazido fortes conseqüências no âmbito da saúde pública levando às mulheres os agravantes das mortes e morbidades maternas diante dos abortos clandestinos. Os principais atores sociais que estão diante do debate do aborto são de um lado a Igreja e os setores religiosos combatendo qualquer tipo de aborto em qualquer etapa da gravidez por qualquer que seja a justificativa, seu principal argumento consolida-se no direito à vida do feto; e, de outro lado estão os movimentos feministas que defendem a legalização completa e descriminalização do aborto tendo como principal argumento o direito reprodutivo, de livre escolha das mulheres em levar uma gravidez até o fim ou interrompê-la quando avaliarem necessário. Metodologicamente a pesquisa adotou a abordagem qualitativa, utilizando-se dos instrumentos de entrevista semi-estruturada e posterior análise de conteúdo das respostas obtidas. Foram entrevistadas Assistentes Sociais que trabalham em hospitais públicos da Grande Florianópolis entre os meses de novembro de 2003 e março de 2004. Esse estudo traz para o contexto do Serviço Social a polêmica questão do Aborto, tendo como objetivo central verificar os procedimentos interventivos e o entendimento das Assistentes Sociais frente a possível solicitação de um aborto por parte de usuárias de serviços públicos de saúde. Foi constatado que há uma grande lacuna nas políticas públicas de saúde quando surge a demanda do aborto para esses serviços e também constatou-se que as Assistentes Sociais entrevistadas carecem de maior preparação teórico, ética e política para atenderem a essa demanda, além disso as identidades pessoais, profissionais e institucionais intercruzam-se constantemente durante o processo de intervenção.
Esta dissertação propõe problematizar a invisibilização da atuação política de mulheres, por meio da narrativa das participantes do Movimento Feminino Pela Anistia em Santa Catarina (1977). Este trabalho se insere na perspectiva da História do Tempo Presente, visto que apesar do período ditatorial ter acabado em 1985, os mecanismos de Estado e as construções de gênero que o mantinham permanecem até hoje. Diante da pouca importância atribuída às ações de resistência dessas mulheres, destaca-se o silenciamento das suas atuações na História que, por vezes, ocorre por se desconectar das construções de gênero designadas a elas. O objetivo ao entrelaçar interpretações acerca do campo de estudos da memória e do esquecimento se dá no esforço de visibilizar diversas formas de interesses permeadas pelas relações de poder e de exclusões, que são observadas na promulgação de Leis como a nº 6.683/1979, conhecida como a Lei de Anistia. Diante da narrativa das entrevistadas, no entrecruzamento de fontes (jornais, panfletos e boletins que circularam entre 1975 e 1979) e na análise de leis, amparada na reflexão proposta por Denise Rollemberg (2015) sobre o conceito de resistência, este debate amplia perspectivas para a reflexão sobre outras experiências de resistências à regimes ditatoriais, bem como visibiliza as ações de mulheres na cena política e pública. Questionar as imposições autoritárias e possibilitar que outras narrativas sobre o período repressivo brasileiro e seus efeitos em Santa Catarina possam ser expostas é a principal contribuição das historiadoras e historiadores que utilizam a história oral como metodologia de pesquisa e análise historiográfica.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Nesta tese abordam-se discursos sobre a violência perpetrada por mulheres e homens em notícias no Oeste do Paraná entre as décadas de 1960 a 1980 a partir de uma perspectiva de gênero. Situações de violência tornam-se um fato noticiável, sobretudo porque se contrapunham ao modelo de progresso e civilização proposto pelas elites da região. Com uma publicação quase sempre indesejada, aparecem centenas de mulheres e homens infames. São infames porque são pessoas que dificilmente de outra forma apareceriam com corpos, rostos, nomes e às vezes sobrenomes nas notícias cotidianas. Porém, era a vida das mulheres que mataram ou que protagonizaram situações de violência que ganhavam os grandes efeitos nas notícias. Essas mulheres são descritas como possuidoras de vidas obscuras, infelizes, raivosas, ciumentas, malfeitoras e desafortunadas e algumas como monstras. As ações destas mulheres estão em discursos quase sempre anedóticos, curiosos e trágicos, mas fizeram parte de histórias em sua maioria de luta e resistência mesmo com notícias que em seus jogos estratégicos construíam as desigualdades de gênero. Estes jogos revelam que por dentro do gênero e das situações de violência, os estigmas ganham força produzindo possibilidades da continuidade da violência quer seja entre homens, entre homens e mulheres, contra e entre mulheres.
Meu objeto de estudo são os feminismos do que foi classificado como Segunda Onda Feminista, mais especificamente os do Cone Sul. E foi através desses feminismos que a questão do trabalho doméstico como um problema me chamou a atenção. A relação entre mulheres e trabalho doméstico, ainda que afirmada pelos feminismos e pelos estudos de gênero como culturalmente construída, tem seu principal aporte na idéia de naturalização dessas funções. A família e em especial a maternidade se mostram como as principais legitimadoras de tal relação, que traz em si o peso de séculos de reafirmação de que “ser mulher” é ter cuidado, reclusão, dedicação, paciência; é se voltar à esfera privada, é ser esposa e ser mãe. Nesta pesquisa me propus a escrever uma história da discussão em torno do trabalho e do emprego domésticos nos feminismos de Segunda Onda do Cone Sul, utilizando como fonte as produções impressas desses feminismos, sobretudo periódicos. São jornais feministas produzidos – ou que circularam – na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. É importante destacar que o meu recorte temporal é dado pelas fontes utilizadas e que, através delas, busco estabelecer uma discussão a respeito da problematização do trabalho doméstico nos feminismos de Segunda Onda no Cone Sul, partindo de uma perspectiva historiográfica, inserida nos estudos feministas e de gênero, com o apoio de bibliografia tanto contemporânea aos documentos utilizados quanto atual. A dissertação se divide em duas partes, a primeira referente às problematizações a respeito do trabalho doméstico feminino, aquele da dona de casa, e a segunda referente às problematizações do emprego doméstico feminino, referente à empregada doméstica. Na pesquisa pude observar que grande parte das problematizações a respeito da questão, nos periódicos consultados, são comuns nos diferentes países e, de forma geral, envolvem questões complexas como as esferas pública e privada, questões de gênero e intragênero, de raça e/ou etnia e de manutenção de valores tradicionais.
Esta investigación se ocupa de las relaciones sociales de poder y su impacto en la subjetividad de las mujeres. El concepto de poder fue discutido desde la filosofía política de Foucault, en la que el poder es siempre relacional, y la subjetividad desde el psicoanálisis, más precisamente desde la corriente de Deleuze y Guattari quienes consideran que la subjetividad está en un permanente proceso de estructuración y reestructuración. Las categorías através de las cuales se abordó el estudio de la subjetividad fueron: deseo, identificación, narcisismo, superyo. Desde los estudios feministas, y con los aportes de la teoría del género, arribamos al concepto de empoderamiento, entendido como el ejercicio de un poder autónomo, para el propio desarrollo del sujeto, sin detrimento alguno para los demás. Para comprender el interjuego entre la subjetividad femenina y las pautas de dominación social en una cultura patriarcal como la del México metropolitano moderno, se utilizó un modelo operativo denominado Modo de Organización Social. Se tomaron particularmente en cuenta los imaginarios sociales y cuatro instituciones intermedias: familia, escuela, trabajo y medios. Para mostrar el funcionamiento del modelo de análisis propuesto, se describen seis estudios de caso, en los que se analizan los cambios psicosociales llevados a cabo por las mujeres de dicha casuística, cinco de las cuales logran empoderarse. Para lograr dichas conductas empoderadas se analizó la relación de las sujetos con el dinero, obtenido por herencia y por trabajo remunerado, y con el estudio.
- Universidad Nacional Autónoma de México
- Doutorado
Esta pesquisa tem como ponto focal a análise das relações de gênero na comunidade garimpeira de Datas, localizada no Estado de Minas Gerais. A análise da divisão sexual do trabalho, dos conflitos envolvendo honra e gênero e da cosmologia característica da atividade garimpeira em Datas aponta para uma configuração das relações de gênero na qual a assimetria de poder entre os sexos apresenta uma maior flexibilidade, devido ao fato da mulher também garimpar, participando assim das possibilidades da sorte e de valores e atributos hegemonicamente atribuídos à masculinidade.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Embora a parentalidade homossexual não seja recente, as reflexões e sistematizações sobre o tema no âmbito acadêmico no Brasil são incipientes. Este trabalho pretende contribuir para o enfrentamento de algumas questões que atravessam o tema, enriquecendo a discussão e despertando novos elementos.
- Universidade Estadual de Campinas
- Doutorado
- 2002
