Instituto de Estudos de Gênero

Corações Mordidos: Imaginacao e memória

Buscando os -elementos que tecem o texto de Corações Mordidos, uma análise de cunho interpretative enfocou o romance sob dois aspectos; o temático e o formal. A partir do tema central - o duplo, foram analisados e interpretados o papel do narrador e os desdobramentos das personagens. Assinalou-se tambem a ambigüidade do tema e sua relação com o todo do romance. Usando o procedimento comparativo, num estudo intertextual procurou-se estabelecer a analogia entre o texto de Corações Mordidos e outros textos, especialmente aqueles citados na própria narrativa. Comprovou-se a técnica da construção em abismo, expressa na narrativa, pela presença do romance dentro do romance e pelo gesto da ficção se recriar em seu interior num jogo de espelhamentos. Procurou-se dar relevância ao processo de criação litrâria, que insere no espaço ficcional o auto-questionamento do texto, procedimento este que persiste na obra de Edla Van Steen.


Outras teses e dissertações

Tese
Masculinidades compósitas nas capitanias do Norte da América portuguesa ( séculos XVI e XVII)

O presente trabalho teve como principal objetivo investigar a invenção, a composição e o exercício das diferentes formas de masculinidades fomentadas durante a conquista das capitanias do Norte da América portuguesa, em finais do século XVI e início do XVII. A partir dos registros das experiências de alguns dos conquistadores pudemos desvelar relações de gênero plurais pelas capitanias de Pernambuco, Rio Grande, Piauí e Paraíba, com especial atenção para o Siará, as quais, em uma dinâmica singular, reforçaram e também questionaram o modelo ideal apregoado pelo Monarca e seus ministros. Nesse sentido, trabalhamos com diferentes formas de subjetividades, sensibilidades, apropriações, invenções e outros aspectos criativos dos sujeitos expressos em seus modos de pensar e agir. Para tanto, nos utilizamos de ampla e variada documentação, tais como registros oficiais (cartas e decretos régios, autos, regimentos, devassas, certidões, chancelarias, requerimentos, mandados, despachos, petições), livros de crônicas de viajantes e de combatentes, registros inquisitoriais, corpus de leis, periódicos, dicionários da época, entre outros.

Tese
Dicionário literário de escritoras catarinenses

O ato de escrever foi, por muitos anos, considerado de domínio masculino. Aos poucos, as mulheres foram transgredindo normas e conquistando também esse espaço; contudo, a escrita de autoria feminina não esteve muito presente na formação da literatura brasileira e, consequentemente, no cânone literário. Em Santa Catarina (e na maior parte do país), o aparecimento efetivo da literatura escrita por mulheres se dá no século XIX. Diversas foram as escritoras que publicaram seus textos (basicamente poemas) em jornais; no entanto, suas publicações em livro eram muito limitadas. A partir do século XX, principalmente após os anos 1970, motivadas pelo feminismo e seus consequentes reflexos políticos e sociais, as mulheres intensificam sua vida intelectual e começam a ter maior acesso ao mundo das publicações. A fim de demonstrar essa tese, esta pesquisa teve como objetivo organizar um dicionário literário de mulheres catarinenses, contemplando os mais diversos gêneros, como: poesia, contos, crônicas, romances, memórias e literatura infanto-juvenil. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório envolvendo pesquisa de campo em diversas cidades catarinenses. Ao todo, foram organizados 401 verbetes que incluem a biografia e bibliografia das escritoras. Os resultados comprovaram que o gênero predominante na escrita das mulheres em Santa Catarina é a poesia e que as cidades catarinenses que mais publicam são Florianópolis, Blumenau, Joinville, Itajaí e Lages.

Tese
Velhices problematizadas. Redes discursivas sobre envelhecimento em Santa Catarina, no Brasil e no contexto das décadas de 1970 a 1990

Este trabalho busca analisar uma rede discursiva que se construiu durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, em torno de questões do envelhecimento. Nestas três décadas a velhice foi colocada como um problema devido ao crescimento populacional, que ampliara a expectativa de vida em contraste com os índices de natalidade. A preocupação deste crescimento, que estaria a transformar países capitalistas em países de velhos, mobilizou vários segmentos sociais no sentido de garantir qualidade de vida. O Brasil, Santa Catarina em especial, é contemporâneo deste movimento que tira o velho da invisibilidade, passando pelo processo da cidadania, e o constitui como sujeito idoso autônomo. Esta mudança do/a velho/a, da terceira idade até chegar no/a idoso/a, envolveu um investimento de alterações discursivas que deslocou e enredou poderes numa teia constituída por profissionais que falavam em nome da ciência do envelhecimento (geriatras e gerontólogos), das ciências para a velhice sadia (direito, área biológicas e do corpo) e dos próprios envelhecentes que tomavam e transformavam os discursos conforme suas conveniências e contextos. Os discursos, por vezes, se confundiam, pois, ao primar pela vida ativa (com apelo aos referenciais da juventude: beleza e virilidade, por exemplo), negavam a própria velhice, excluindo, sobretudo as camadas mais pobres. O mercado construiu panacéias, os discursos empoderaram aqueles/as que alcançavam o envelhecimento e o gênero construiu importante divisor de comportamentos de uma geração que vivia sua velhice. Constituíram a base empírica desta pesquisa: jornais de circulação em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980, especialmente O Estado e depois o Diário Catarinense; a Revista Manchete da década de 1980; produções monográficas do Curso de Especialização em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Catarina; bem como algumas entrevistas, documentos legais, relatórios e fontes institucionais não governamentais.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
Tese
Lei Maria da Penha, do papel à implementação: concepções sobre violência contra a mulher presentes nos operadores do sistema de justiça

A presente dissertação pretende situar o leitor acerca da Lei Maria da Penha e de sua inserção no rol mais amplo dos direitos de cidadania. Como sabemos a Lei Maria da Penha, expande o direito e aumenta a interferência do sistema judiciário assim como do direito penal na vida e nas relações sociais e conjugais. Este processo de ampliação de direitos se dá baseado em uma nova concepção da vida social, e, sobretudo da vida privada - e da família, desnaturalizando relações outrora impenetráveis. Porém, esta desnaturalização de conflitos presente na lei nem sempre é processada no imaginário social e cultural de nosso povo. Analisamos as formas com as quais o direito tenta resolver os casos de violência doméstica contra a mulher, amparado na Lei Maria da Penha, destacando o quanto a sua aplicação é influenciada pelas concepções de gênero, família e de parentesco que inexoravelmente influenciam no tratamento dispensado a cada caso, bem como na forma como as relações familiares são afetadas pela lei, alterando, portanto, a efetividade da Lei. Neste sentido, apresenta os riscos de uma aplicação da lei que venha a reproduzir a cultura jurídica conservadora presente na sociedade e, portanto nos operadores de direitos, caso não se compreenda a questão da violência contra a mulher e as suas formas de prevenção e punição como uma questão sócio-cultural complexa, que não se esgota na judiciarização das relações sociais. Valendo-se do paradigma do materialismo dialético, as análises feitas são qualitativas e o estudo se deu através de pesquisa bibliográfica e empírica, esta através de entrevistas semi-estruturadas, realizadas com os profissionais que atendem as mulheres em situação de violência na Delegacia da Mulher, Instituto Médico Legal e Juizado Especializado, todos da cidade de Florianópolis. Ao final se pode concluir que a interferência que começa na feitura do boletim de ocorrência segue durante o inquérito e em seguida durante o julgamento. Ou seja, os valores, costumes e preconceitos de todos aqueles que passam pelo caso ficam registrados nas ―folhas do processo‖ podendo alterar de modo significativo o resultado do litígio.

Tese
O feminismo que veio do campo: movimentos de mulheres e trajetórias de identificação (Brasil e Paraguai, 1985-2010)

Esta pesquisa teve por objetivo investigar duas organizações de mulheres inseridas em movimentos sociais do campo de dois países da região do Cone Sul da América Latina, o Brasil e o Paraguai, entre os anos de 1985 e 2010 período que compreende as fases finais de suas ditaduras militares até o final da década passada. As organizações são: o Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina (MMC), brasileiro, e a paraguaia Coordinadora Nacional de Organizaciones de Mujeres Trabajadoras Rurales e Indígenas (CONAMURI). O intuito foi observar as trajetórias de identificação com o feminismo de suas militantes, para compreender quando e como essas mulheres incorporaram, ao longo de complexos processos de apropriação e identificação, determinados conceitos feministas nos discursos e práticas de suas organizações, algo que influenciou seus ideais políticos, suas lutas e conquistas. Foi investigado, ainda, qual o feminismo praticado por elas. Este estudo foi realizado sob a perspectiva da História Comparada e dos Estudos de Gênero e utilizou, como fontes documentais, entrevistas, relatos de memórias, livros de conteúdo biográfico, além de publicações como informes, cartilhas e periódicos produzidos por esses dois movimentos sociais.<br>

  • Mestrado
Tese
Feminismos em rede? Uma história da circulação de discursos e informações entre São Paulo e Buenos Aires (1970-1985)

Este trabalho busca perceber como se constituíram as redes de informações e a circulação de discursos e teorias entre as feministas do Brasil e da Argentina do período que se seguiu à revolução cultural, social e política que teve como marco simbólico o ano de 1968, até o final da Década da Mulher (1975 a 1985), instituída pela Organização das Nações Unidas em resposta às reivindicações do movimento de mulheres naquele período. Torna-se importante compreender como as feministas se articulavam e de onde extraíam as informações e a base teórica para um feminismo que começava a aparecer nos dois países, seguindo uma tendência mundial de manifestações e reivindicações que foi chamada a “segunda onda” feminista. Para isso analiso os testemunhos orais e escritos de algumas das protagonistas dos grupos feministas daqueles anos e também os discursos publicados nos periódicos feministas deste recorte temporal. Como resultado principal é possível notar trocas mesmo que indiretas entre brasileiras e argentinas, mas principalmente a influência de teorias produzidas na Europa e nos Estados Unidos, apesar da especificidade brasileira na constituição dos grupos feministas pela maioria de mulheres ligadas aos partidos políticos de esquerda. Traçando uma história comparativa do feminismo nos dois países, podemos perceber que a imagem das almejadas redes, ainda incipientes nos anos 1970, vai se tornar mais nítida a partir de meados dos anos 1980, não apenas entre Brasil e Argentina, mas num âmbito transnacional mais amplo.

Tese
Religião e Modernidade: uma análise de gênero do trânsito religioso de homens no contexto da Universidade Metodista de Sâo Paulo

Essa pesquisa estabelece uma relação entre gênero, religião e modernidade, demonstrando quais as implicações deste fenômeno para a religiosidade contemporânea. Nosso objetivo principal é o de compreender o fenômeno do trânsito religioso de homens no contexto da Universidade Metodista de São Paulo, para isso a pesquisa está desdobrada em três momentos: na compreensão das principais características da modernidade e sua influência na constituição da religiosidade dos sujeitos; na análise da representação social da masculinidade e seu processo de constituição das identidades de gênero; e na verificação da ocorrência do trânsito religioso entre homens e mulheres por intermédio da pesquisa quantitativa, e as principais motivações sócio-religiosas para a ocorrência deste fenômeno entre os homens.

  • Universidade Metodista de São Paulo
  • Mestrado
Tese
Cinco Histórias: Sete Vidas. Narrativas biográficas de Clarice Lispector

Esta dissertação investiga o conceito de biografia em cinco textos escritos por mulheres sobre a vida da escritora Clarice Lispector, com o propósito de discutir as possibilidades discursivas e de leitura deste gênero literário. Um dos questionamentos primeiros do trabalho foi: se os textos são tão diferentes e deles surgem várias Clarices, se não há uma homogeneidade, são biografiasl Buscou-se, a partir daí, estabelecer uma posição de leitura que prestigiasse a versatilidade do gênero biográfico e o interrogasse, especulando sua postura transgressora. O biógrafo pode assim ser visto como alguém que arromba a porta do quarto alheio, puxa gavetas, abre portas; desarruma móveis e roupas. O biógrafo pode também ser visto como alguém que, apesar de desordeiro, e por ter tirado as coisas do lugar, impõe a si limites.

Tese
Vivendo no veneno: análise de narrativas contadas por jovens sobre homicídios em Santa Catarina

Esta dissertação consiste em uma análise de narrativas sobre homicídios que envolvem jovens em Santa Catarina. Nas últimas décadas o universo de homens com idades de 15 a 24 anos concentra a maior parte de vítimas nas situações de homicídio no Brasil. Os interlocutores da pesquisa são jovens que se encontravam em regime de “privação de liberdade” (internação) para o cumprimento de medidas socioeducativas. No tocante a perspectiva teórica, foca-se a dimensão vivencial das situações nomeadas como “violências”. Trata-se de uma maneira de pensar os homicídios praticados entre jovens a partir dos sujeitos sociais que emergem nas narrativas. Os interlocutores descreveram alguns casos de homicídios como “justificáveis”, passíveis de explicação e outros como “sem motivos”. Nas histórias sobre mortes, os sujeitos falaram também sobre suas próprias vidas no contexto do tráfico de drogas: a nada fácil “vida fácil”, os altos e baixos, o risco constante, a relação com a morte, as situações em que “é matar pra não morrer”. Em um âmbito mais geral, o diálogo entre teoria e dados etnográficos permitiu situar as vidas desses jovens como vidas: “arriscadas”, “desperdiçadas”, “matáveis”, vividas “no veneno”.

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