Instituto de Estudos de Gênero

Fronteiras literárias: experiências e performances dos tradutores e intérpretes de Libras

O presente trabalho, Fronteiras Literárias: experiências e performances de tradutores e intérpretes de LIBRAS, aborda o discurso e a enunciação da experiência vivida por tradutores e transmite a construção da identidade dos mesmos. A leitura e breve análise tradutória do conto A Missa do Galo, uma versão em LIBRAS da narrativa de Machado de Assis, serviu como fio condutor para a observação das mais variadas formas de se traduzir um conto literário para a Língua Brasileira de Sinais. Esta pesquisa vê a linguagem literária em Língua de Sinais como uma ―Literatura do Corpo‖, ou seja, o ―corpo textualizado‖, a presença do corpo como uma linguagem performática. Evidenciamos essas preposições por meio das produções literárias em LIBRAS da Editora Arara Azul, dentre as quais encontra-se o conto aqui já citado. Para endossar este trabalho, além de toda uma pesquisa teórica, também foram realizadas entrevistas com tradutores surdos e intérpretes, com o intuito de averiguar questões referentes ao ato de traduzir e toda a carga semântica que vem imbricada a ele (como a constituição empírica e a formação acadêmica do tradutor, técnicas e diferenças entre tradução e interpretação, a questão da adaptação e da tradução cultural, e todo o trabalho envolvido na tradução dos contos machadianos). Além disso, as opiniões dos leitores, professores e tradutores, disponíveis nos fóruns de discussão promovidos pela Editora Arara Azul, também foram analisadas e, a partir disso, pode-se verificar que essas traduções em LIBRAS atuam como instrumento de incentivo à leitura e até a crítica literária para o público-alvo desse projeto: a população surda.


Outras teses e dissertações

Tese
Gênero e educação física: o que diz a produção teórica brasileira dos anos 80 e 90?

Ao olhar, atentamente, a produção acadêmica brasileira, relacionada com o campo de estudos de gênero e dos estudos feministas, constatei uma grande performance teórica e variadas tentativas de diálogo entre os diversos campos do saber, inclusive com o campo específico da Educação Física/Esporte(EF/Esporte). Isto tem se dado, sobretudo, nos últimos anos, considerando o caráter plural das concepções de feminino e de masculino vigente na atual sociedade globalizada, na qual o conceito de gênero tem permitido, entre outras instâncias, a compreensão de construções históricas em torno do sexo, enfatizando, os mecanismos e as instituições culturais e sociais que estão envolvidas nesta construção. Com a intenção de contribuir com esse debate, ao longo da trajetória deste estudo, discorro sobre algumas dimensões de gênero desenvolvidas para a EF/Esporte e suas contribuições na compreensão da organização social. Neste sentido, o texto que se segue, apresentado em três capítulos, intitulados: primeiro, o ponto de partida; segundo, nas teias do gênero; terceiro, gênero e educação física: refletindo sobre as pesquisas dos anos 80 e 90; diz sobre o que se convencionou chamar "estudos de gênero na/para a EF/Esporte. Como esta se apropriou desse conceito, e como tem classificado como sendo "estudos de gênero" esse ou aquele trabalho. Enfim, como se encontra o estado atual do conhecimento sobre gênero na EF/Esporte? Como base de análise e interpretação, foi utilizado o material empírico relacionado à produção científica, na forma de dissertação e tese, oriundas dos programas de pós-graduação brasileiros em Educação e Educação Física, em nível de mestrado e doutorado, décadas de 80 e 90. Para tanto, é utilizada a técnica de análise de conteúdo, levando em conta algumas categorias selecionadas, entre as quais, a) Temáticas abordadas; b) Problemática e questões priorizadas; c) Concepções/abordagens; d) Relação sujeito/objeto - sexo do pesquisador; e) lugar onde foram produzidos os estudos; f) Orientação, co-orientação e composição de bancas examinadoras; g) Escolas de pensamento, propostas e sugestões. Observei que a produção acadêmico-científica, num primeiro momento, deteve-se em analisar os estereótipos e a existência do sexismo do ponto de vista bio-psico-fisiológico, mais recentemente, os estudos apresentam uma dimensão temática ampliada, situando-se em torno de três eixos: sexualidade, política e cultura. Ficou evidenciado, ainda, na leitura das dissertações e teses, um certo avanço a respeito das questões tratadas, no entanto, acredito que há de se cuidar sobre os rumos que poderão tomar as pesquisas neste campo teórico, pois freqüentemente tem sido utilizadas perspectivas teórico-metodológicas incompatíveis entre si, e aí são cometidos, então, alguns equívocos, onde certos conceitos são tidos como equivalentes, sem, no entanto, o serem.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Uma Análise dos Discursos sobre Corpo e Gênero Contidos nas Enciclopédias Sexuais Publicadas no Brasil nas Décadas de 80 e 90

Este trabalho é o resultado de uma pesquisa documental que, utilizando-se da matriz teórica e metodológica de Michel Foucault, elaborou uma análise de discurso das enciclopédias e guias sexuais editados no Brasil nas décadas de 80 e 90. Foram privilegiadas as categorias analíticas de Corpo e Gênero para a realização do mapeamento correlacionai dos enunciados, detectando-se as rupturas(descontinuidades) e permanências(continuidades) nos discursos dos documentos. Confirmando as teses foucauldianas, o corpo continua sendo objeto de investigações e intervenções através de macro e microfísicas de poderes e alvo de controles disciplinadores e reguladores que o submetem a normalizações e ^ normatizações. Vários dispositivos institucionais, jurídicos, psicológicos, sociológicos e outros, agindo visivelmente e anonimamente numa complicada engrenagem que envolve relações de forças(poder) e relações de formas discursivas(saber), vão inscrevendo marcas textuais, escritas sobre a pele e penetrando na profundidade corpórea. Esta incorporação, parte do processo de constituição da subjetividade, é agenciada pelos meios e veiculos de comunicação de massa, de maneira a atuar tanto nos corpos individuais como no grande corpo social. Nesta mesma linha de raciocínio, no tocante aos discursos de gênero (mais ausentes do que presentes) nas enciclopédias, os corpos masculinos e femininos continuam a serem tratados, extrapoladamente, de maneira biológica diferencial, o que desencadeia naturalizações de experiências construídas em campos históricos e culturais. As pulverizadas e dispersas relações poder/saber, apesar dos visíveis esforços dos movimentos feministas, ainda sustentam práticas sociais que hierarquizam as relações entre os homens e as mulheres, sujeitando-os a uma "fixa" ordem do discurso. O-'Constatad.o_Pxe.d.QminÍQ~do('"S-)-disear-so(-.s)^médicois^(.dê^base-->bÍ0lógica), e a sua estreita ligação com o(s) discurso(s) sobre sexualidade, praticamente ignoram os avanços dos discursos sobre gênero e sua perspectiva de superação de desigualdades políticas ancoradas na diferença sexual. Os discursos da psicologia e da sociologia, por exemplo, nos tipos de publicações pesquisados, são meros coadjuvantes, auxiliares técnicos para sustentação de uma lógica assimétrica de dominação masculina. Como ruptura principal, a emergência da Aids, no início da década de 80 se, por um lado, pôde ser apontada como promotora de alterações discursivas e indutora de novos intercâmbios corporais (menos físicos e mais virtuais) veio, num outro vetor, fortalecer o discurso médico higienista, na esfera sexual.

Tese
Entre igualdades e diferenças: mudanças nas legislações referentes às mulheres (1975-1985)

Esta dissertação procura analisar as legislações brasileiras que foram debatidas pelos movimentos feministas, através dos periódicos Brasil Mulher, Nós Mulheres, Mulherio e na revista Cláudia. O estudo busca perceber a problematização dos processos sociais de constituição de gênero, utilizando como componente o direito e as leis. Para mostrar as discussões que permearam as mudanças ou permanências nas legislações ocorridas nas décadas de 1970 e 1980, enfatizo as discussões em torno da inserção das mulheres no mercado de trabalho, os embates em torno das propostas por alterações na legislação do casamento, a luta por direitos iguais e o aborto. Procurando aproximar do Direito as análises feministas e/ou de gênero, discutirei as intersecções existentes entre as práticas e os discursos dos movimentos feministas e dos estudos de gênero e as mudanças legislativas no período em questão.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Cortina de ferro: quando o estereótipo é a lei e a transgressão feminina (processos crime de mulheres em Itajaí, 1960-1999)

Mulheres que cometeram infrações em Itajaí, entre 1960 a 1999, ao ultrapassar o limite jurídico proposto no Código Penal Brasileiro, foram processadas; muitas absolvidas, poucas condenadas. Essas mulheres são as personagens principais desta história não porque foram infratoras, mas porque suas ações, ao praticarem a infração, ou ao serem processadas, ou ao serem julgadas absolvidas, ou mesmo ao cumprirem a pena de reclusão, abrem possibilidades para análises sobre a transgressão. Esta história faz uma reflexão sobre o discurso penal e dialoga com as fontes principalmente encontradas nos Autos de Processos Crime desse período, sinalizando os estereótipos nos discursos que constroem sujeitos femininos, fixando uma identidade para as mulheres fora da criminalidade, e, paradoxalmente, possibilitam um entre lugar para o feminino no espaço criminal. E exatamente neste entre lugar, neste espaço não dito, que as transgressões se concretizam. Esta é uma história que não apresenta um tempo de mudanças, um tempo transformado por grandes resistências, é uma história de instantes de transgressões, instantes de movimentos, instantes de múltiplas flexibilixações.

Tese
Feminismo do Sagrado: o dilema "igualdade/diferença" na perspectiva de teólogas católicas

Esta dissertação trata do conjunto de idéias que compõem a Teologia Feminista produzida no Brasil. Tem como foco o pensamento de teólogas católicas reconhecidas em sua área que concentram suas atividades no Rio de Janeiro e se propõem a fazer uma teologia a partir da ótica da mulher. A análise de sua produção, que pretende dar visibilidade às mulheres na Bíblia e na história da Igreja e feminizar os conceitos teológicos, possibilitou identificar um novo tipo de reflexão feminista em contraste com outras linhas feministas leigas. A Teologia Feminista compartilha das principais referências do "feminismo da diferença", especialmente pela ênfase que concede a uma especificidade da relação da mulher com o mundo e com Deus, o que realça a presença de elementos holistas e românticos no dinâmico e diverso ideário feminista atual.

  • Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Mestrado
Tese
Trajetória e Resistência: Uma analise antropologica das emergentes praticas discursivas das mulheres intelectuais mayas da Guatemala (1988-2008)

Esta dissertação pretende revelar como os processos econômicos, políticos e sócio-culturais, permitiram a constituição e a emergência das práticas discursivas de dez intelectuais mayas, interlocutoras neste trabalho. Além disso, coloca em evidência como os fatos de subjetivação e objetivação dessas mulheres tiveram um papel fundamental na construção de suas trajetórias bem como, de suas diversas estratégias de resistência e transgressão. Tais estratégias resultaram em uma profunda transformação pessoal, constituindo-se também em paradigmas diferentes para as próximas gerações de mulheres mayas e para a sociedade guatemalteca em geral. Adotei como ponto de partida os relatos de dez histórias de vida que tem como pano de fundo a violência extrema contra as mulheres vivida na cotidianidade guatemalteca. Destes relatos destacam-se as relações de poder, tendo como base teórica Michel Foucault, que as explica como uma força que coage, disciplina e controla os individuos através do aparato ideológico, burocrático e bélico. Essas relações de poder e suas diversas expressões serão enfatizadas a partir da intersecção com o gênero, a classe e a etnia, a fim de entender os nexos existentes entre as identidades dessas mulheres e seu trabalho político e intelectual. Epistemologicamente, a Antropologia Feminista é o eixo que guia esta etnografia, já que como ferramenta teórico-metodológica torna visível o lugar das mulheres, assim como também valoriza a questão da subjetividade e o significado da experiência individual, acadêmica e coletiva dos sujeitos da pesquisa. Paralelamente, como metodologia, revisou-se os aportes teóricos do modelo foucaulteano da “genealogia e arqueologia do saber”, para estabelecer a emergência das práticas discursivas. E, para alcançar este objetivo, se privilegiou a metodologia qualitativa, pois esta dá ênfase ao estudo dos processos sociais. Como parte da estratégia metodológica buscou-se trabalhar com a técnica de “Histórias de Vida e testemunhos”, portanto, no que se refere aos procedimentos metodológicos, cabe mencionar que a etnografia aqui não é apenas pensada como um conjunto de técnicas, mas sim como uma articulação entre dados empíricos e teóricos que acaba por fornecer, na fase final do trabalho, um texto de cunho antropológico. A importância deste estudo sobre as mulheres indígenas torna-se mais uma ferramenta para que se identifiquem eventos cotidianos de resistência e transgressão nos espaços rituais, políticos, acadêmicos, territoriais, sociais, étnicos e religiosos. Finalmente percebe-se que embora, as protagonistas desta etnografia se desenvolvam em um sistema dominante neoliberal, elas emergem com uma série de práticas discursivas, com as quais propõem e participam da construção de uma sociedade mais equitativa, enriquecendo e transformando o conteúdo simbólico, político e social das mulheres indígenas da Guatemala e, nesse sentido, das mulheres indígenas do mundo. Mulheres intelectuais mayas que como menciona Edwar Said (1996) desmistificam, que criticam, que estão sempre alertas à manipulação do poder e, sobretudo, lutam por sua independência intelectual, tanto através de seus espaços privados quanto públicos, onde elas transitam permanentemente.

Tese
Políticas e subjetividades: itinerários do ativismo soropositivo

A partir de minha participação em um encontro de ativistas do movimento soropositivo do estado do Paraná, percebi que a gramática política adotada por eles, os quais se auto-referem como “ativistas”, assume um contorno singular em relação à sua práxis. Esse contorno se dá a partir de treinamentos de ativismo e liderança voltados para o engajamento das pessoas vivendo com HIV/aids na luta contra a epidemia. No conjunto daquilo que se denomina “ativismo” está implícito que todo soropositivo deve ser também um “ativista”. Nesse processo, narrativas biográficas assumem papel relevante na estruturação do sujeito “ativista” e também como instrumento político. Com base em relatos biográficos e itinerários de vida e observações etnográficas veiculados nesse contexto, busquei compreender algumas das especificidades da política “ativista” e da constituição desse sujeito. Pude perceber que os treinamentos constituem lugar de emergência de subjetividades ligadas ao HIV/aids e que entrelaçadas com a corporalidade indicam que o “ativismo” mais do que uma categoria importante constitui uma realidade e um modo de relação entre as pessoas vivendo com HIV/aids do movimento.

Tese
Memórias sobre namoros em Joinville na década de 1950

Apresentação e discussão acerca das memórias sobre o namoro daqueles que foram jovens na década de 50 em Joinville. A juventude é lembrada pelos "velhos" através das memórias do trabalho, das diversões, das amizades e dos namoros, inseridos em um contexto econômico, político e social que influenciavam em suas posturas. A pesquisa realizada teve como objetivo discutir teoricamente como as memórias da juventude podem ser problematizadas a partir da metodologia da história oral. As narrativas foram analisadas no sentido de discutir as experiências femininas e masculinas aliadas às especificidades da cidade, como o cotidiano, as diversões, o namoro e as questões que permitiam/proibiam a constituição de um casal, os padrões de parceiro ou parceira ideal, e também de relacionamento ideal, o dia a dia do namoro, as intimidades, o noivado e o casamento. A pesquisa foi realizada através da análise de jornais e uma revista da década de 50, e de entrevistas com mulheres e homens que vivenciaram esse momento, que nas suas múltiplas significações contam outras histórias sobre a cidade de Joinville.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Novas Tecnologias Reprodutivas Conceptivas à luz da bioética e das teorias de gênero: casais e médic@s no Sul do Brasil

Esta tese foi desenvolvida a partir de uma perspectiva interdisciplinar, na área das ciências humanas. Ela toma em conta várias contribuições que vêm do campo biomédico, da biologia e das tecnologias genéticas e moleculares, porém, seu ângulo de análise é o sócio-antropológico. Focamos, à luz dos estudos de gênero, e da bioética feminista, as representações dos médicos que trabalham com tecnologias reprodutivas conceptivas, e dos casais heterossexuais, que fizeram tratamento para engravidar, através do uso da inseminação artificial (IA), da fertilização in vitro (FIV), ou da injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). O trabalho desenvolve prioritariamente, os seguintes aspectos: a) as representações de casais e médicos sobre maternidade, paternidade, filiação, e os sentidos envolvidos na busca pelo filho como uma demanda à biomedicina. A abordagem de gênero nos permite problematizar a construção da categoria casal infértil, a ética querer do casal, e a contraposição entre útero e espermatozóide. Discutimos como as representações sobre paternidade estão associadas a um conjunto de valores em mudança, e como a maternidade biológica é reforçada no contexto tecnológico, pela busca do filho do próprio sangue; b) as representações dos casais e médicos sobre natureza e cultura e a forma como esta dicotomia opera as/ e nas diferenças de sexo e gênero (masculino e feminino), no contexto do "tratamento" através de NTRc. Em grandes linhas, observa-se se a reprodução assistida acrescenta alguma mudança à apriorística de que a natureza é dominada pela cultura tecnológica, o gênero pelo sexo, o feminino pelo masculino e o natural pelo artificial, no processo de construção da "natureza fértil"; c) os aspectos éticos/bioéticos, levantados a partir do envolvimento dos vários atores, os riscos apresentados pela bibliografia consultada, e os que surgiram durante o processo de "tratamento", tanto para os casais, como para os médicos e as crianças. Problematizamos o fato de que o "querer do casal", seja apresentado como legitimador de todas as formas de intervenção, e o modo como o médico é constituído em autoridade moral a decidir sobre a continuidade, ou a interrupção do "tratamento"; d) o conceito de gênero nos permite desconstruir a universalidade do corpo fértil, e a fixidez da natureza, além de recolocar os conteúdos das relações sociais de gênero, a partir da maternidade, paternidade e filiação, no contexto das NTRc. Além disso, agrega-se capacidade analítica ao próprio conceito, na medida que localiza-se a esfera tecnológica em relação com a cultura da maternidade e da família com filhos e, na medida que vemos intercalarem-se as esferas da natureza e da cultura.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado

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