Instituto de Estudos de Gênero

Infância. Memória Em Letras de Forma

Infância, livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado em 1945, destaca-se na história do memorialismo brasileiro por conter em seu texto aspectos inovadores, tanto do ponto de vista da técnica narrativa, quanto da posição estilística do escritor. Este trabalho procurou analisá-lo respeitando o seu caráter híbrido, o que não lhe suspende do circuito das memórias, mesmo quando se observa sua tonalidade ficcional. A gradativa consciência do mundo expõe elementos culturais e práticas educacionais que transgridem a atual concepção d e . universo infantil. Seja por sua tácita ausência ou por seu avesso, esse universo em letras de fôrma aponta também para o caráter social e histórico da literatura. Entre tantos elementos disponíveis para análise, Infância convida igualmente a pensar a história social da criança no sentido inverso, ou seja, por sua ausência.


Outras teses e dissertações

Tese
Pós-colonialismo nas telas do cinema: nas fronteiras com Amélia

O presente trabalho de pesquisa teve como objetivo analisar o filme Amélia, roteirizado e dirigido pela cineasta brasileira Ana Carolina. Foi utilizada uma abordagem com base nos estudos pós-coloniais, o que foi fundamental para uma releitura da história do encontro entre culturas diferentes marcadas por relações assimétricas de poder. Neste filme, as personagens precisam utilizar a negociação no espaço da tradução cultural, locus desse encontro tenso, permeado por contatos entre línguas diferentes. A ligação entre as personagens, intermediada pela personagem Amélia, entrelaça, no deslocamento de francesas e brasileiras, o encontro entre essas culturas, possibilitando que relações de poder e subalternidade se alternem em meio aos tensos embates. Assim, conceitos inerentes aos estudos pós-coloniais, como transculturação, tradução, subalternidade, fronteiras, dentre outros, puderam ser examinados na performance das personagens europeias, como também na das brasileiras.

Tese
A vila tem valor: hierarquia e igualdade entre jovens de grupos populares participantes de políticas públicas na cidade de Londrina (PR)

Neste trabalho analiso a maneira como jovens de grupos populares urbanos inseridos em políticas públicas na cidade de Londrina (Paraná), se constituem enquanto sujeitos a partir de reapropriações de valores hierárquicos e igualitários. Nesse contexto etnográfico, estão presentes valores ligados ao ideal do individualismo moderno (autocontrole, disciplina, racionalização da corporalidade para o trabalho, vivência intensa do presente, entre outros) e valores mais relacionais (a importância atribuída a laços de solidariedade ligados à rede de amizades e de vizinhança, por exemplo). Tais questões são problematizadas a partir, principalmente, da relação que os sujeitos estabelecem com o Estado (associado aqui às políticas públicas e à polícia), e entre si, nas quais destaco as categorias classe e gênero. Concluo que os sujeitos se reapropriam de valores do individualismo moderno de acordo com matrizes simbólicas próprias aos grupos populares urbanos e com situações e contextos específicos de suas vivências práticas.

Tese
Paternidade negada - uma contribuição ao estudo do aborto provocado

A dissertação trata da experiência masculina do aborto.

  • Universidade Federal de Minas Gerais
  • Mestrado
  • 1993
Tese
Sociopsicologia de la dimension politica en la subjetividad femenina. Un abordaje desde la perspectiva de genero

Esta investigación se ocupa de las relaciones sociales de poder y su impacto en la subjetividad de las mujeres. El concepto de poder fue discutido desde la filosofía política de Foucault, en la que el poder es siempre relacional, y la subjetividad desde el psicoanálisis, más precisamente desde la corriente de Deleuze y Guattari quienes consideran que la subjetividad está en un permanente proceso de estructuración y reestructuración. Las categorías através de las cuales se abordó el estudio de la subjetividad fueron: deseo, identificación, narcisismo, superyo. Desde los estudios feministas, y con los aportes de la teoría del género, arribamos al concepto de empoderamiento, entendido como el ejercicio de un poder autónomo, para el propio desarrollo del sujeto, sin detrimento alguno para los demás. Para comprender el interjuego entre la subjetividad femenina y las pautas de dominación social en una cultura patriarcal como la del México metropolitano moderno, se utilizó un modelo operativo denominado Modo de Organización Social. Se tomaron particularmente en cuenta los imaginarios sociales y cuatro instituciones intermedias: familia, escuela, trabajo y medios. Para mostrar el funcionamiento del modelo de análisis propuesto, se describen seis estudios de caso, en los que se analizan los cambios psicosociales llevados a cabo por las mujeres de dicha casuística, cinco de las cuales logran empoderarse. Para lograr dichas conductas empoderadas se analizó la relación de las sujetos con el dinero, obtenido por herencia y por trabajo remunerado, y con el estudio.

  • Universidad Nacional Autónoma de México
  • Doutorado
Tese
As armas de Marte no espelho de Vênus: a marca de gênero em ciências biológicas

Este estudo teve como objetivo analisar implicações de gênero na formação e no exercício profissional de mulheres biólogas que atuam como pesquisadoras. A abordagem teórica do tema proposto envolveu a análise histórico-filosófica da Ciência Moderna à luz da teoria feminista sobre o modelo dominante da construção do conhecimento, segundo a qual as escolas filosóficas que norteiam o pensamento científico não são neutras do ponto de vista de gênero, uma vez que teorias essencialistas sobre ser homem e ser mulher, apontam para uma pretensa dificuldade das mulheres frente aos desafios da produção de conhecimento, em função de sua suposta menoridade intelectual, sua subjetividade, a prevalência da emoção sobre a razão e a ausência da agressividade inerente à idéia de dominação exigida de um cientista diante de seu objeto de estudo. Neste sentido, a construção da identidade feminina e sua articulação como o mundo da ciência também foram objeto de análise. Considerando a importância do curso de graduação para a formação da cientista, no caso específico a bióloga pesquisadora, analisou-se também o curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia quanto à opção epistemológica e modelo de currículo. O relato das cientistas sobre sua experiência no campo profissional e de suas impressões sobre o curso que realizaram constitui a principal fonte de informação deste estudo, em consonância com a inspiração feminista que o caracteriza. Foram realizadas entrevistas com pesquisadoras biólogas formadas pelo Instituto de Biologia no período de 1973 a 2000, das quais emergiram as categorias de análise que nortearam a pesquisa: identidade feminina, identidade de cientista, concepção de Ciência, opção epistemológica e modelo de currículo do Curso de Ciências Biológicas e relações de poder no ambiente de trabalho associadas a estereótipos de gênero. Os resultados da pesquisa de campo confrontados com o referencial teórico sugerem como substancial a marca do gênero na academia, particularmente no universo onde se inserem as biólogas formadas pelo Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia. A análise dos dados permite a afirmação de que é de inspiração positivista a concepção do curso de Ciências Biológicas, assim como se caracteriza como tecnicista e conteudista o modelo de currículo adotado no curso desde sua criação e também por ocasião de suas reformas curriculares. As normas, os códigos, os valores e as condutas esperadas e estimuladas nos estudantes que se direcionam para a pesquisa científica são aqueles preconizados pelo pensamento hegemônico no mundo científico, embasados no racionalismo de Descartes e no positivismo de Comte, em que a Razão se afirma como faculdade primordial e suficiente para a apreensão dos fenômenos, como também na única possibilidade de elaboração de um método universalmente válido para desvendar a Natureza. As cientistas, em sua maioria, percebem a sua identidade feminina como uma possível ameaça à consecução de seus objetivos, uma vez que esta identidade se associa a aspectos da experiência humana que são precisamente aqueles considerados indesejáveis à prática de construção do conhecimento, como a emoção, a subjetividade, a ausência de agressividade ou competitividade e, sobretudo, a maternidade. As entrevistadas em sua maioria associam a identidade feminina à maternidade e ao cuidado, exatamente como vêm fazendo as mulheres de outras gerações. Os depoimentos refletem o conflito entre as exigências do trabalho científico e os encargos domésticos, configurando-se nas mentes dessas mulheres duas identidades separadas, antagônicas: a mulher e a cientista, sob a mesma ótica cartesiana impregnada em seu modo de ver o mundo. Quanto às relações de poder no mundo do trabalho, a pesquisa revelou que, embora sejam mais numerosas que os homens no campo das ciências biológicas, poucas são as mulheres que ocupam ou ocuparam posição de destaque enquanto cientistas nas suas respectivas instituições. As entrevistadas, em sua maioria, afirmaram não terem sido afetadas por preconceito ou discriminação explícita, atribuindo tal fato à adoção de uma postura desafiadora e confiante diante de seus pares. Esta "adequação" ao modelo masculino envolve atitudes mentais, aprendizados de técnicas e procedimentos, incremento da competitividade e principalmente, a negação daqueles elementos associados à identidade feminina que poderiam se constituir objeto de crítica ou censura de seus pares. Afirma-se, portanto, que as cientistas refletem ou assimilam certas características associadas ao masculino para se estabelecerem no ambiente científico marcado pelo viés androcêntrico já denunciado muitas vezes ao longo deste estudo. Afirma-se ainda que o grande desafio para as cientistas é a própria estrutura do campo da pesquisa científica, concebido e construído para os homens, dentro do modelo da sociedade patriarcal, que preconiza a liberdade irrestrita dos homens no mundo do trabalho, enquanto todos os encargos da vida familiar são de responsabilidade da mulher. Conclui-se, portanto, que a superação das dificuldades das mulheres no mundo da ciência e a correção das assimetrias históricas de gênero no seu campo de trabalho estão na dependência de uma mudança estrutural profunda na sociedade que altere a divisão de responsabilidades no exercício dos papéis de gênero.

  • Universidade Federal da Bahia
  • Doutorado
Tese
Mulheres Negras Soropositivas e a Interseccionalidade entre Gênero, Classe e Raça/Etnia

O presente estudo tem como objetivo analisar a tríplice desigualdade e os fatores de vulnerabilidade que contribuem para mulheres negras de Florianópolis contraírem o vírus HIV/Aids. Partiu-se da hipótese que a interseccionalidade entre as categorias gênero, classe, e raça/etnia são determinantes no desencadeamento das vulnerabilidades individuais, sociais e políticas frente à epidemia do vírus HIV/Aids que repercutem de forma particular no processo de saúde e doença das mulheres negras. Foram sujeitos da pesquisa, mulheres soropositivas autodeclarantes como pretas ou pardas, que foram acolhidas e atendidas pela Fundação Açoriana para o Controle da Aids (FAÇA), no período de Março à Maio de 2012. Utilizamos a entrevista como método para uma abordagem qualitativa, através de um roteiro norteador ressaltando os seguintes eixos temáticos: a) a percepção de identidade de gênero e raça/etnia; b) a percepção da condição de classe; c) os cuidados em saúde e percepção de exposição ao vírus HIV/Aids; d) a tripla desigualdade. Os principais resultados obtidos através das entrevistas demonstram: baixa escolaridade das mulheres negras; forte sentimento de discriminação racial, principalmente em relação ao trabalho; falta de percepção em relação a contrair o vírus por conta da confiança na estabilidade da relação e pelo imaginário da Aids, enquanto doença “do outro”; importância da realização do exames pré-natal durante a gestação; discriminação enquanto soropositivo e dificuldade de aceitação do vírus. Concluímos, com a pesquisa, que a tríplice desigualdade a que estão expostas as mulheres negras, em particular o “racismo sexista” é favorecedora do adoecimento seja ele psíquico ou físico das pessoas de cor preta ou parda, contribuindo de forma decisiva na contração do vírus HIV/Aids e que a sociedade, como um todo deve ser alertada em relação ao preconceito, à discriminação e ao “comportamento de risco” a que todos estamos expostos, ou seja entender que a Aids faz parte do cotidiano das pessoas e que ela não e somente “a doença do outro”.

Tese
Mulheres em situação de abuso ou dependência de álcool: explorando semelhanças

Este trabalho teve como objetivo identificar as semelhanças na vida de mulheres em situação de abuso e dependência de álcool, sobretudo ao que se refere às suas características sociodemográficas e às relacionadas ao consumo de álcool. Trata-se de um estudo exploratório descritivo realizado com um total de 214 mulheres que ingressaram no Serviço de Estudos e Atenção a usuários de Álcool e outras Drogas (SEAD) do Hospital Universitário, Universidade de Brasília - DF, no período de 1990 a 2001. Os dados foram coletados a partir de informações do questionário de acolhimento do serviço e de entrevistas semi-estruturadas realizadas com um grupo de dez mulheres que se encontravam em tratamento. Encontrou-se que, em geral, a clientela feminina atendida no serviço tem cerca de 40 anos de idade, baixa escolaridade, é dona de casa ou trabalha como empregada doméstica, tem renda pessoal baixa, consome álcool em níveis considerados de alto risco para a saúde, viveu ou ainda vive em ambiente familiar de conflito ou até mesmo violento. Concluiu-se pela necessidade de um atendimento específico às mulheres alcoolistas com a adoção de estratégias diferenciadas e criativas que leve em conta sua história de vida e suas reais necessidades.

  • Universidade de Brasília
  • Mestrado
Tese
Quem mora no livro didático? Representações de gênero nos livros de Matemática na virada do milênio

Esta dissertação foi desenvolvida com o objetivo de analisar as representações de gênero nos livros didáticos de Matemática para 5ª e 6ª séries na virada do milênio. Foram analisados livros didáticos do início das décadas de 1990 e de 2000. Para a realização da pesquisa adotou-se a abordagem qualitativa por entender que esta se adequava à elucidação da pergunta-problema. A pesquisa é do tipo documental, sendo que os livros didáticos se constituem no campo empírico. Buscou-se conhecer como os gêneros estão representados neste instrumento de ensino por entender que os livros didáticos constituem-se num importante material de apoio para professores e professoras e principalmente para alunos e alunas, bem como, numa morada onde os gêneros se manifestam em diversas situações. Entende-se ainda que as representações de gênero nos livros didáticos contribuem para a construção das identidades de gênero das crianças e adolescentes. Os dados estão divididos em onze categorias definidas com base na incidência de enunciados e ilustrações que representam homens e mulheres em situações similares. Os resultados foram agrupados em dois capítulos. O primeiro foi destinado às representações de gênero no espaço público. Pôde-se perceber que tais representações ocorrem, na maioria das vezes, em papéis dicotomizados. Não se privilegia a interação entre os gêneros e tampouco a construção dos mesmos por meio desta interação. O segundo capítulo da apresentação dos resultados foi destinado à socialização das crianças por meio da família, das brincadeiras e das situações escolares. Percebeu-se que há interação entre as crianças dos distintos gêneros, porém educar e cuidar das crianças é tarefa feminina. A representação de gênero no cuidado com a família também ocorre em papéis dicotomizados. A principal diferença observada nas representações de gênero nos livros didáticos dos dois períodos (1990 à 1993 e 2000 à 2003) analisados foi o aumento do número de enunciados e ilustrações com tais representações no segundo período, porém com pouca diferença na forma e nas situações nas quais homens e mulheres são representados. Este fato demonstra que os livros didáticos não incorporaram as transformações sociais e, por conseqüência, as mudanças nas relações de gênero ocorridas nesta virada de milênio.

  • Centro Federal de Educação Tecnológica - Paraná
  • Mestrado
Tese
Produtivo ou reprodutivo: o trabalho das mulheres nas agroindústrias familiares - um estudo na região Oeste de Santa Catarina

Nas propriedades rurais há uma clara divisão do trabalho, ficando com o homem, o papel de "chefe da família" e de responsável pela unidade de produção e cabendo à mulher um papel secundário nesta organização mesmo realizando as mesmas tarefas do marido. As agroindústrias familiares absorvem a mão-de-obra de mulheres e jovens, principalmente porque muito dessa produção era originária da "cozinha". Entretanto, quando esses produtos passam a ser feitos comercialmente, vão sendo apropriados pelos homens. Com relação às mulheres, o trabalho que antes era feito nas lavouras, passa a ser realizado próximo à casa, permitindo compatibilizar melhor esta atividade com os afazeres domésticos e demais responsabilidades tidas como femininas. A proximidade entre esses trabalhos, o "produtivo" e o "reprodutivo", acaba por confundi-los, fazendo com que as tarefas ligadas às agroindústrias sejam consideradas quase como uma extensão do doméstico. Esse novo modelo, baseado na agroindustrialização artesanal não eliminou as desigualdades entre gênero e geração na agricultura familiar.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

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