João Gilberto Noll: Perambulações
O presente trabalho busca elaborar uma leitura de três narrativas de João Gilberto Noll pertencentes a “trilogia da perambulação”: Bandoleiros, Rastros do Verão e Hotel Atlântico. Nesta leitura busca-se mostrar como o autor trabalha o ato de narrar através da desliteralização da narrativa e da contínua despersonalização da figurado narrador.
- Autores:Maria José Angeli de Paula
Outras teses e dissertações
Este trabalho traz parte da história de vida de treze mulheres encarceradas no único Presídio Feminino de Santa Catarina, em Florianópolis, acusadas e/ou condenadas por tráfico de drogas proibidas. No Brasil e no mundo, o narcotráfico por si só desperta atenção, mas poucos são os trabalhos a focar a criminalidade à luz das relações de gênero. É o que propomos: compreender em que medida a participação das mulheres no tráfico de drogas ilícitas está permeada pelo papel a elas imposto por nossa cultura12 e também como a participação delas se intersecciona com as relações afetivas com seus companheiros, pais, irmãos, filhos e com suas mães, irmãs e filhas. Tendo como ponto de partida dados quantitativos e qualitativos, a hipótese central foi: será o ingresso da mulher no tráfico de drogas induzido por seu(s) companheiro(s)? Considerando que autoridades e pesquisadores, como Alba Zaluar (1994), apontavam que as mulheres não eram as protagonistas principais no tráfico de drogas, decidimos ver se isto se confirmava na realidade, porém do ponto de vista das prisioneiras. Assim, com esta primeira hipótese, nos fundamentamos nas teorias de gênero e na revisão da literatura para abordar os seguintes aspectos: criminalidade, vida carcerária e sistema penal e prisional. Embora façamos uso de dados quantitativos, a metodologia do trabalho é qualitativa. As entrevistadas foram selecionadas de duas formas: cruzamento de dados da instituição e convite interpessoal. O roteiro foi elaborado de modo a apreender dois momentos de suas trajetórias de vida: os vários contextos de inserção e o da participação no tráfico de drogas. Em ambos os casos dialogamos com diversos autores. Os resultados são surpreendentes, tanto do ponto de vista prático quanto teórico. Primeiro descortinamos o presídio, damos cor às relações sociais do convívio e do sistema através da rotina das presidiárias na instituição, destacando vários aspectos (rituais de entrada, distribuição e uso do espaço, visitas, vigilância e castigo, etc.). Depois projetamos luz nos relacionamentos afetivos das mulheres entrevistadas para, enfim, perceber que embora o padrão androcêntrico pretenda para os homens tudo que é superior, inclusive dizer que seriam os homens os responsáveis pelo ingresso delas na criminalidade, algumas vezes isto não se confirmou, como mostram nossos dados.
A criminalização do aborto no Brasil incide sobre uma pequena parcela da ocorrência dessa prática, o que significa que poucos são os casos reportados e julgados no Sistema de Justiça. No entanto, no ano de 2007, no estado do Mato Grosso do Sul, mais de mil mulheres são acusadas da prática de aborto de uma só vez. Com o objetivo de compreender como ocorre o processamento penal do aborto no país, o presente trabalho adota este caso como “exemplo” por congregar um potencial material de pesquisa em um único evento. Para isto, foram analisados os processos penais agregados ao caso, entrevistados os diversos envolvidos (operadores da Justiça, mulheres, advogados, feministas) e também realizados acompanhamentos de sessões nos tribunais. A criminalização do aborto demonstra aqui ser muito mais que um simples evento processual do Sistema de Justiça, pois evidencia entendimentos sociais locais do que é considerado a Justiça, o crime, quem são as mulheres criminalizadas. Concluímos que a forma como se deu o julgamento destes casos de aborto serviu de reforço à criminalização desta prática no local estudado e no Brasil.
A Praia Brava, localizada no Município de Itajaí, é atualmente, uma das poucas praias do litoral centro - norte catarinense que ainda apresenta características da sua formação inicial de Restinga e Mata Atlântica, características que a tornaram conhecida na região como um símbolo de ecologia, atraindo pessoas que ali procuram se divertir, trabalhar ou morar. Porém, esta é uma “valorização” que diz respeito aos dias de hoje, já que num passado próximo, ela era mal vista, um local que, por vários motivos, passava a ser “evitado”. A praia por suas fortes ondas, não atraia o interesse de veranistas, que procuravam outros balneários da região para passar os dias ou meses de verão, como por exemplo, Cabeçudas e Balneário Camboriú. Este referencial também estava correlacionado à prostituição e por ter abrigado durante algum tempo (1960 – 1980) uma área de casas noturnas e bares que, de alguma maneira, sustentavam a idéia de perigo e malandragem. Porém, a partir de meados da década de 1980, outro referencial passa a ser vinculado nesse local. O uso da praia como palco de campanhas ambientalistas e eventos esportivos, desencadeando um processo que promoveu, principalmente, durante os anos 1990, a sua ocupação por moradias e empreendimentos comerciais, dando a ela uma outra configuração, a de um local voltado para fins urbanos e de lazer. É na mudança deste discurso que identifico e discuto motivos que fizeram com que o local esquecido e marginalizado de outrora, viesse a se transformar na “Praia do momento”. É ainda nos embates entre ambientalistas, moradores, empreendedores e Poder Público Municipal que procuro visualizar os jogos de interesses e relações de poder, inseridas nesse espaço praiano.
A década de 1960 é considerada emblemática. Além das mudanças culturais, o Brasil atravessava um momento político bastante delicado, ocasionado pela implementação da ditadura civil-militar, em 1964. Para a Igreja Católica, a década de 1960 também representa mudanças. A realização do Concílio Vaticano II (1962-1965) trouxe consigo transformações estruturais. Uma nova forma de delimitar o papel social de sacerdotes, religiosos e religiosas e as possibilidades de uma atuação mais próxima aos fiéis impunham reflexões e reelaborações a respeito dos sentidos atribuídos à vida religiosa. Neste conturbado contexto, propomos discutir os espaços políticos e sociais de atuação das religiosas, com o objetivo de perceber a participação destas em movimentos organizados ou ações isoladas de resistência ao regime autoritário. Para tanto, atentamos, primeiramente, à compreensão dos elementos que caracterizavam a vida religiosa feminina e como estes foram reinterpretados durante o período proposto, em função das mudanças institucionais na Igreja Católica. A seguir, dedicamo-nos à observação e análise da presença e participação de religiosas em movimentos de cunho político-social, que de alguma maneira poderiam ser classificados como resistentes ou de oposição ao regime ditatorial. Foram observadas as possibilidades de atuação e, especialmente de resistência das freiras em relação à ditadura militar, a partir da compreensão das especificidades da vida religiosa feminina. Partimos de uma perspectiva pautada pelos estudos de gênero e pelo conceito de resistência, tal qual esboçado pela historiografia francesa e por Jacques Semelin. Como fontes, nos amparamos especialmente no estudo de periódicos diversos, documentos oficiais da Igreja Católica, leis, decretos e inquéritos policiais.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Nesta dissertação, parte-se da idéia de que os conceitos de saúde e doença, além dos limites entre estados considerados normais ou patológicos, têm grande interface com a cultura na qual estão sendo veiculados. Tomo como objeto etnográfico tanto o discurso dos agentes da biomedicina ocidental como o discurso leigo referente aos chamados “remédios do estilo de vida”; a partir deste rótulo veiculado pelos meios de comunicação de massa, selecionei os medicamentos de maior visibilidade, a saber, as pílulas Viagra, Prozac e Xenical, mas sem desprezar pílulas fabricadas por laboratórios concorrentes, com o mesmo objetivo. Procuro demonstrar que, dentro do sistema biomédico, diferentes significados podem ser atribuídos às idéias de doença/saúde, cura e medicamento; esta diferença fica dependente de quem emite o discurso, do lugar social a partir do qual está falando, com quem e com quais fins. Tento colocar em prática a idéia de que os discursos de todos os agentes que circulam dentro do sistema biomédico são passíveis de análise simbólica e discursiva. Isto vale para os usuários das pílulas, como para os médicos e indústrias farmacêuticas. Enquanto o discurso dos agentes da biomedicina concentra-se em uma definição e divulgação das doenças obesidade, depressão e disfunção erétil, os usuários que entrevistei tendem a apresentar um discurso não-patologizado, que prioriza uma história de si. Apesar desta diferença, os diferentes discursos não devem ser analisados de uma forma maniqueísta, visto que estão em constante tensão e se influenciam mutuamente. Trabalho com a hipótese de que expressões nativas como qualidade de vida e estilo de vida, constantemente utilizadas pelos usuários dos medicamentos e pelos agentes da biomedicina ocidental, remetem a um mesmo campo semântico. Tal campo semântico seria delimitador de uma fronteira cultural nas sociedades urbanas ocidentais contemporâneas.
Esta dissertação evidência o estudo dos desenhos a bico de pena do artista/folclorista Franklin Cascaes e o que eles informam acerca do contexto histórico cultural das comunidades pesqueiras da Ilha de Santa Catarina. Procuramos demonstrar também a crítica que Franklin Cascaes faz a modernidade em curso na Ilha de Santa Catarina. Buscamos demonstrar a relação de Franklin Cascaes com O Primeiro Congresso Catarinense de História e com o Grupo Sul na tentativa discursiva de positivação da colonização açoriana da Ilha de Santa Catarina e litoral catarinense.
Partindo dos programas da disciplina Literatura Brasileira de universidades federais e algumas fundações do país, a presente pesquisa tenta averiguar em que medida a crise de que se acusam os cursos de Letras e ,nele o ensino da Literatura Brasileira,tem procedência. Verificou-se que uma das grandes constantes que orienta os -programas e, por conseguinte ,o ensino da disciplina em foco, e a incorporação a crítica dos parâmetros da historiografia da Literatura Brasileira. À constatação desta problema tica deu origem a uma. serie de reflexões sobre o ensino específico, da Literatura Nacional que estabeleceu contato com a educação institucionalizada e a sociedade em que esta se insere.
Este estudo versa sobre o travestismo e a construção de identidades. O objeto de estudo são travestis que habitam e fazem trottoir em Campina Grande - cidade do agreste paraibano - não apenas como construções estéticas (Perlongher, 1987) ou como a invenção do feminino (Hélio Silva, 1993) mas como sujeitos que constroem para si mesmo um universo móvel de possibilidades - seja do gênero (Segato, 1995) ou do espaço (Clifford, 2000) como fazendo parte do urbano e complexo na sociedade atual. O que se desenvolve aqui é a importância e presença da mobilidade em praticamente todos os aspectos da vida dos travestis: no gênero, na circulação no espaço, na estética corporal, na casa em que habita, enfim num todo que é construído por vários retalhos. Foram feitas e gravadas entrevistas não diretivas, com roteiro estruturado de assuntos previamente sugeridos para a conversa. Foi desenvolvido um diário de campo com as observações colhidas em rua, na casa dos informantes e nas festas que eles realizavam e que frequentavam. Foi no total de vinte e quatro entrevistados. As informações colhidas deram conta de questões do cotidiano, da cidade em que estavam naquele momento - Campina Grande -, das cidades que perambulavam pelo país e pelo mundo, de mudanças no corpo, enfim, dados que dizem muito sobre a construção de identidade nos travestis.
- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
- 2002
Esta pesquisa tem como ponto focal a análise das relações de gênero na comunidade garimpeira de Datas, localizada no Estado de Minas Gerais. A análise da divisão sexual do trabalho, dos conflitos envolvendo honra e gênero e da cosmologia característica da atividade garimpeira em Datas aponta para uma configuração das relações de gênero na qual a assimetria de poder entre os sexos apresenta uma maior flexibilidade, devido ao fato da mulher também garimpar, participando assim das possibilidades da sorte e de valores e atributos hegemonicamente atribuídos à masculinidade.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
