Pratica medica e o corpo feminino
Pode se afirmar que a reprodução de ideias valores e juízos em relação à condição da mulher na sociedade tem sido componente fundamental da medicalização do feminismo. Essa reprodução realiza se em vários momentos e dimensões da prática médica
- Palavras-chavemasculino, feminino, humanos, exames médicos, feminismo, mulheres, obstetrícia, relações médico-paciente, serviços de saúde
- Autores:Elisabeth Meloni Vieira
- Instituição:Universidade de São Paulo
- Titulação:Mestrado
- Ano de publicação:1990
- Número de páginas:267
Outras teses e dissertações
Este trabalho teve como objetivo identificar as semelhanças na vida de mulheres em situação de abuso e dependência de álcool, sobretudo ao que se refere às suas características sociodemográficas e às relacionadas ao consumo de álcool. Trata-se de um estudo exploratório descritivo realizado com um total de 214 mulheres que ingressaram no Serviço de Estudos e Atenção a usuários de Álcool e outras Drogas (SEAD) do Hospital Universitário, Universidade de Brasília - DF, no período de 1990 a 2001. Os dados foram coletados a partir de informações do questionário de acolhimento do serviço e de entrevistas semi-estruturadas realizadas com um grupo de dez mulheres que se encontravam em tratamento. Encontrou-se que, em geral, a clientela feminina atendida no serviço tem cerca de 40 anos de idade, baixa escolaridade, é dona de casa ou trabalha como empregada doméstica, tem renda pessoal baixa, consome álcool em níveis considerados de alto risco para a saúde, viveu ou ainda vive em ambiente familiar de conflito ou até mesmo violento. Concluiu-se pela necessidade de um atendimento específico às mulheres alcoolistas com a adoção de estratégias diferenciadas e criativas que leve em conta sua história de vida e suas reais necessidades.
- Universidade de Brasília
- Mestrado
Esta dissertação tem por objetivo discutir a difícil aliança das mulheres com o Direito Penal. Os marcos teóricos que fundamentam esta discussão são a o conceito de gênero, a Criminologia Crítica e a Criminologia Feminista. O feminismo tem denunciado que o direito é androcêntrico e criador de gênero, e que, portanto, as mulheres não são vistas como sujeitos de direitos. A Criminologia Critica, por sua vez, desmistificou o direito penal igualitário, demonstrou a deslegitimidade do sistema penal e a falsidade do discurso jurídico penal como garantidor dos direitos humanos e a necessidade da mínima intervenção penal. A Criminologia Feminista denuncia que embora crítica, a Criminologia Crítica também não incorpora a contribuição da teoria feminista. As criminólogas feministas analisam as possibilidades e impossibilidades do discurso feminista aliar-se com o Direito Penal na defesa dos direitos humanos das mulheres. O eixo fundamental da dissertação propõe discutir, à luz destes marcos teóricos, se o discurso feminista criminalizante no Brasil pode ser uma boa estratégia para a defesa dos direitos das mulheres. Ou seja, se as mulheres devem recorrer ao Direito Penal.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
- 1998
A partir do estudo etnográfico junto a um grupo de Promotoras Legais Populares (PLPs) atuantes no Serviço de Informação à Mulher (SIM), esta dissertação analisa novas formas de participação política de mulheres das camadas populares urbanas. O universo pesquisado é constituído por mulheres dos grupos populares porto-alegrenses, formadas no curso de capacitação legal oferecido pela Organização Não-Governamental (ONG) feminista gaúcha Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero. Tal curso objetiva instrumentalizá-las para a defesa dos direitos humanos das mulheres. A pesquisa situa-se na cidade de Porto Alegre/RS, no final da década de 90. Tal contexto apresenta uma configuração política particular, a qual oferece inúmeros canais para a participação política popular, em especial para as mulheres dos grupos populares urbanos. Esta análise concentra-se no sentido êmico atribuído à participação política - entendida como uma forma de mudança estratégica e contextual tanto do ideário feminista quanto dos códigos que regem o campo político pelo qual estas mulheres circulam.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
- 2000
O objetivo deste trabalho é estudar o movimento feminista que se constituiu, a partir da segunda metade das década de 70, em São Paulo. Pretendo analisar, por um lado, as peculiaridades de suas práticas, de sua ideologia, do perfil e composição do seu quadro de militantes, de sua dinâmica e de sua trajetória no cenário político brasileiro. Por outro lado, pretendo analisar as representações e formulações feministas sobre a condição feminina - e indiretamente masculina - e suas implicações nas práticas políticas, sociais e culturais acionadas pelo movimento. Para tanto, realizei uma pesquisa no grupo SOS-MULHER (criado em outubro de 1980 e fechado em novembro de 1983), escolhido como campo privilegiado de investigação pelo fato de apresentar uma dimensão sintética das concepções, da ideologia e das formas de organização do movimento feminista.
- Universidade Estadual de Campinas
- Mestrado
- 1986
Este trabalho objetiva compreender os usos da nomeação mulher trabalhadora rural como estratégia identitária de empoderamento e de obtenção de direitos pelas mulheres no Sertão Central de Pernambuco. É uma pesquisa de orientação etnográfica na qual se destaca, além das interações com as pessoas do lugar e das entrevistas, a análise de documentos de domínio público produzidos pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central de Pernambuco. Este estudo se filia à produção do Núcleo de Estudos e de Pesquisa em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos (PUC/SP) e alinha-se às investigações da Psicologia Social discursiva com ênfase no debate sobre práticas discursivas e posicionamento. Do ponto de vista teórico, foram consideradas ainda as reflexões feministas sobre categorias identitárias e processos de empoderamento. O argumento que norteia este estudo é de que ser mulher trabalhadora rural não é uma essência rígida e imutável ou tampouco algo intrínseco às mulheres que vivem e trabalham na área rural. Ser mulher trabalhadora rural é uma posição assumida a partir do lugar no qual a pessoa se situa. Entretanto, tanto a posição quanto o lugar são produtos sociais. A ênfase recai nos contextos interacionais e discursivos nos quais as mulheres se posicionam como trabalhadoras rurais. De forma ampla, é possível apontar que a nomeação mulher trabalhadora rural contribui para o empoderamento das mulheres e a obtenção de diversas ordens de direitos. Tal nomeação é imbricada com a ação coletiva das mulheres, sendo utilizada de diferentes maneiras e com objetivos diversos. Dependendo do contexto, ora elas se posicionam como mulheres, ora como trabalhadoras rurais, ora como moradoras da área rural do Sertão de Pernambuco. As mulheres transgridem os espaços socialmente delimitados para elas e desenvolvem novas posturas e interesses diante das suas vidas e do mundo a sua volta. Entretanto, apesar da consolidação de um vigoroso movimento de mulheres na região e das redes tecidas em âmbitos estadual, regional, nacional e internacional, em nível local, a família e a comunidade parecem resistir ao empoderamento das mulheres. A liberdade de ir e vir independentemente dos interesses familiares e o exercício da sexualidade fora da união conjugal não são conquistas plenamente consolidadas para todas as mulheres. Além disso, muitas mulheres não dispõem de documentos sobre o uso e a propriedade da terra, o que possivelmente indica pouco acesso e controle restrito das mulheres sobre os recursos materiais.
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
- Doutorado
- 2004
Esta tese procura reconstituir, através de uma periodização ditada pelos grandes momentos de inflexão do processo político desde os anos 60, a gênese e a evolução do projeto feminista liberalizante gerado num contexto peculiar caracterizado pelo entrelaçamento entre modernização da sociedade e consolidação do regime autoritário. À luz da distinção entre movimento feminista e movimento de liberação das mulheres, o estudo trata de apreender os diferentes significados que foram associados à palavra "feminismo" por brasileiras, dentro e fora do país, ao longo dos anos 70. É analisada em particular a trajetória do Centro da Mulher Brasileira do Rio de janeiro, da sua fundação em 1975 até 1979, e são mapeadas as diferentes orientações ideológicas presentes no seu interior, em contraposição àquelas que se expressaram no mesmo período, no feminismo brasileiro do exílio. Sugerindo também a diferenciação entre estudos sobre mulher e estudos feministas, o trabalho retraça o itinerário percorrido pela área de pesquisas sobre mulher no Brasil, dentro da mesma periodização, visando captar a articulação específica que aqui se construiu entre a mesma e o movimento feminista.
- Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Mestrado
Em nosso dia a dia a linguagem nos desafia e constitui, habilita e desabilita. Os Sistemas de Organização do Conhecimento (SOCs) dependem do mesmo processo de agência atribuído à linguagem, reverberando os mesmos preconceitos e marginalizações que a cultura cria. Estudos críticos sobre representação de gênero e conceitos subjacentes têm sido amplamente produzidos para destacar silêncios ou exclusões de certos discursos que fundamentam uma reflexão sobre os aspectos constituintes da Organização do Conhecimento Social e Crítico do Conhecimento (OSCC). O referencial teórico se fundamenta no conceito de dispositivo proposto por Foucault (1926-1984) e no caráter performativo da linguagem sugerido por Butler. Os objetivos específicos incluem: (i) explorar as contribuições de Butler e Foucault como uma abordagem capaz de perceber SOCs como dispositivos performativos; (ii) identificar elementos explicativos do SOCs que incluam as categorias de análise propostas; (iii) examinar as estratégias que norteiam a construção do SOCs; (iv) Intentar uma dimensão teórica que incorpore e atualize a reflexão teórica dos princípios para construção e atualização do SOCs. A estratégia metodológica aponta para uma triangulação de métodos: a primeira fase - método exploratório - apresenta uma abordagem teórica, uma seleção de termos nacionais e internacionais dentro do tema feminista. A segunda fase - método descritivoanalítico - oferece uma comparação dos termos recolhidos na primeira fase da investigação com as terminologias temáticas de Homosaurs; Library of Congress Subject Headings; Tesaurus de gênero: lenguaje con equidad; Tesauro de Mujeres e Tesauro para estudos de gênero e mulheres. Por fim, na terceira fase, apresenta-se uma análise comparativa entre os instrumentos de representação citados, além de perceber e apontar o viés reducionista com que os SOCs empreendem seu mainstream. A pesquisa aponta o processo de cristalização de discursos sexistas e racistas nos Sistemas de Organização do Conhecimento (SOCs), que não acompanham as mudanças socioculturais. Dessa forma, é preciso defender uma OSCC capaz de promover uma virada decolonial no campo da OC, destacando a importância de reconhecer as realidades interseccionais provenientes da articulação entre raça, gênero e classe.
- Universidade Federal de Minas Gerais
- Doutorado
Trata-se de estudo de caso sobre implantação de propostas de reorganização da assistência ao parto em maternidades da cidade de São Paulo, orientados pela idéia de humanização e de medicina perinatal baseada na evidência científica. Foi usada metodologia qualitativa, combinando-se técnicas de observação direta dos serviços em duas maternidades financiadas pelo SUS, durante o ano de 2000, depoimentos orais com informantes privilegiados e análise documental. Os achados sugerem que entre os fatores que podem tornar possível ou limitada esta humanização do parto estão a adequação do acesso aos leitos, da comunicação entre os sujeitos, do manejo da dor e dos tempos no parto; assim como a presença ou não de uma cultura de reconhecimento pelos profissionais tanto da evidência científica quanto dos direitos das mulheres
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
- 2001
O trabalho pensa o afeto, o amor e a sexualidade entre mulheres. Para tanto, as análises são norteadas a partir de três categorias: o dionisíaco, o hedonismo e a ambivalência existencial. As exigências da pesquisa impuseram a seleção de sujeitos e espaços específicos que constituem a análise e são detalhados no trabalho.
- Universidade Federal do Rio Grande do Norte
- Mestrado
- 2002
