Instituto de Estudos de Gênero

Violência e masculinidade em Chapecó-SC (1958-1974)

Este trabalho tem por objetivo problematizar a relação entre violência e masculinidade em Chapecó-SC, entre os anos de 1958 a 1974. Através de inquéritos policiais referentes aos crimes de Homicídio e estupro, investigo a construção de masculinidades e sua relação com a violência, frente a um novo modelo de cidade que surgia neste período. Procuro compreender quem eram os homens envolvidos nestes crimes, quais suas motivações, de que discursos se utilizavam e, por fim, problematizo como o periódico local Folha d'Oeste noticiava os crimes e a violência de Chapecó e região. Percebendo as masculinidades presentes nos inquéritos policiais busco evidenciar as disputas sociais, culturais, econômicas e políticas na construção dos discursos sobre o ?ser homem? na cidade de Chapecó.<br>

  • Orientador(a):Cristina Scheibe Wolff
  • Curso:História
  • Titulação:Mestrado

Outras teses e dissertações

Tese
Seduções e defloramentos: o controle normativo das práticas sexuais em Florianópolis - 1930/1940

Estudo historiográfico com base em processos de crimes sexuais registrados em Florianópolis durante os anos de 1930 e 1940. A década de 1930 foi marcada por um forte investimento estatal, representado neste trabalho pelo Poder Judiciário. O governo ditatorial, através das políticas intervencionistas procurou impor vários estereótipos de gênero, visando o controle e a normatização das práticas sexuais dos populares em Florianópolis. Nessa intervenção o Estado foi um propagandista de valores sociais, como a questão da honra, da virgindade e do casamento. Esses valores não possuíam um conceito generalista para os mais variados segmentos da população. Essa pesquisa procurou posicionar-se enquanto interlocutora dessas esferas, vislumbrando o Poder Judiciário enquanto um dispositivo propagador dos comportamentos adequados, e dos envolvidos, que ora foram cúmplices, ora não foram compreendidos pela justiça.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
A positivação de índios e mestiços na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1900-1930)

No início do século XX, ainda um período de transição do regime monárquico para o regime republicano, parte da sociedade letrada brasileira passou a valorizar a variedade regional, étnica, cultural do Brasil, tendo como objetivo apresentar um modelo mais integrador da nação de acordo com as ideias de progresso e civilização. Contudo, pensar em questões nacionais, implicava também discutir o país como nação. Um dos problemas apontados é que, em 1822, o Brasil se constituiu como Estado, antes mesmo de se construir como nação. Além da busca incessante por estudos históricos para a construção de uma nacionalidade, outro fator que estava em jogo era a "questão racial". Quais seriam os critérios adotados pela intelectualidade para caracterizar o povo brasileiro em uma coletividade? Como índios, negros e mestiços seriam integrados a este projeto nacional? Esta pesquisa procurou analisar os discursos proferidos nas revistas do IHGB, nas três primeiras décadas do século XX, evidenciando como as noções de raça, de sexualidade e de gênero se imbricam nesses discursos para a construção da nacionalidade brasileira do começo do século XX. Na confluência desses debates, ao se definir o caráter físico e moral da nacionalidade brasileira, raça e sexualidade apareceriam nos discursos reproduzidos e elaborados pela revista do Instituto como estratégias políticas simbólicas para subjugar as mulheres indígenas e mestiças. Construir um país moderno implicava controlar os corpos femininos, uma vez que possuíam a função de serem reprodutoras, seriam as responsáveis por "sujar" a nova prole brasileira.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Classificados e o sexo: anúncios de prostituição masculina em SC (1986-2005)

Este trabalho almejou, primordialmente, reconhecer como a subjetividade coletiva percebeu as representações e identificações dos anúncios de prostituição masculina em Santa Catarina, veiculados no jornal Diário Catarinense, de 1986 até 2005; e como o masculino foi ressignificado a partir dos anúncios de prostituição. Através dos anúncios, tentou-se observar quais os fatores (históricos, sociais, culturais) influenciaram as representações, buscando entender como os diferentes elementos se somaram e foram refletidos pelos Classificados. Almejou-se analisar a mudança das formas discursivas, a mudança das representações, dentro desse espaço-tempo, tentando entender quais os fatores foram importantes para as diferentes masculinidades implicadas. Buscando unificar o maior número de elementos distintos possíveis para o reconhecimento dos 'homens do anúncio', viu-se nas entrevistas orais, nas entrevistas escritas, na observação participativa, na inserção em territórios de prostituição, na análise de outras pesquisas, nos diálogos paralelos, as maneiras de melhor entender tais sujeitos.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Velhices problematizadas: redes discursivas sobre envelhecimento em Santa Catarina, no Brasil e no contexto das décadas de 1970 a 1990

Analise de rede discursiva que se construiu durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, em torno de questões do envelhecimento. O Brasil, Santa Catarina em especial, é entendido como contemporâneo deste movimento que tirou o "velho" da invisibilidade, passando pelo processo da cidadania, e o constitui como sujeito idoso "autônomo". Os discursos empoderaram aqueles/as que alcançavam o envelhecimento. O gênero constituiu importante divisor de comportamentos de uma geração que vivia sua velhice. Constituíram a base empírica desta pesquisa: jornais de circulação em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980, especialmente O Estado e depois o Diário Catarinense; a Revista Manchete da década de 1980; produções monográficas do Curso de Especialização em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Catarina; bem como algumas entrevistas, documentos legais, relatórios e fontes institucionais não governamentais.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
A seção feminina do PCB no exílio: debates entre o comunismo e o feminismo (1974-1979)

Esta dissertação tem como tema central a reconstrução da Seção Feminina (SF) do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no exílio, compreendendo o período que vai de 1974 a 1979, anos de sua reestruturação formal e da transferência da estrutura partidária ao país com uma linha política própria ratificada pela direção partidária, respectivamente. Tal trabalho inscreve-se na História das Mulheres com uma perspectiva de gênero, tendo como objetivos compreender como se desenvolveram os processos de retomada do "trabalho feminino" interrompido pela ditadura e de reestruturação do aparato partidário específico, atentando para as relações estabelecidas entre o partido, as mulheres auto-organizadas em seu interior e o movimento feminista setentista. Da mesma forma visou compreender o processo de elaboração coletiva da nova linha partidária que serviria para dar o adequado suporte à militância daquelas mulheres, expressa nos documentos Informe sobre a Condição da Mulher no Brasil e a Luta para transformá-la e Plataforma de luta pela Igualdade de Direitos da Mulher. Para tanto, foram utilizadas como fontes de pesquisa, além desses dois documentos, o conjunto da documentação de circulação interna produzida e acumulada pela SF do Comitê Central, a documentação oficial do PCB daquele período, bem como a documentação relativa aos espaços externos em que a SF atuou. Ao longo dele foi possível perceber o protagonismo das pecebistas na recuperação desse instrumento de luta, que visava a transformação da relação de desigualdade entre homens e mulheres dentro e fora do partido. O conjunto das experiências acumuladas pela SF e suas organizações de base foi bastante heterogêneo e contraditório, pois resultou da interação de diversos fatores, fundamentalmente, da inexistência de uma linha política definida até 1979. Verificou-se que as formas como as seções femininas do partido se relacionaram com o feminismo brasileiro organizado nos locais em que se estabeleceram e com o feminismo dos países hóspedes foi determinante para a organização de sua militância nos espaços de exiladas brasileiras, para a elaboração da linha política mencionada e para o desenvolvimento de uma consciência de tipo feminista.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Veja o feminismo em páginas (re) viradas (1968-1989)

O objetivo dessa dissertação é narrar uma parte da história da emergência dos movimentos feministas no Brasil entre 1968 e 1989, período não só de ditadura política, mas de efervescência no que se refere à mobilização de movimentos sociais. Para isso selecionei como fonte a semanal Veja, fundada em 1968 pela editora Abril. Para efetivação dessa proposta, escolhi para análise: as capas que abordam problemáticas feministas; a seção de entrevistas, denominada Páginas Amarelas, por ter cedido espaço a uma série de feministas e não-feministas; e por último a coluna de humor Millôr, pela frequência com que o jornalista responsável pela coluna, Millôr Fernandes, refletia sobre o tema feminismos. Metodologicamente me aproprio de ferramentas interessantes à história da disciplina análise do discurso, buscando perceber como os discursos veiculados sobre feminismos funcionaram como um instrumento de divulgação do ideário feminista. As seções selecionadas como documentos permitiram a divisão dos capítulos de forma sistemática: no capítulo 1 exploro as capas com o intuito de articular o debate proposto pela revista com o contexto adjacente; no capítulo 2 analiso a seção Páginas Amarelas, espaço reservado a entrevistas com uma série de feministas e celebridades que comentaram os feminismos; e no capítulo 3 reflito sobre a coluna de humor Millôr que entendo ter contribuído para a visibilidade das reivindicações feministas. Com essa proposta busco colaborar para a construção da história dos feminismos no Brasil que, em função do que representou a ditadura civil-militar, teve muitas de suas histórias não-contadas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Cenas de humor explícito: sacanagem nas tirinhas Waldirene a AM (1986-1990)

A ditadura militar desponta no cenário brasileiro, em 1964, afeita a redesenhar parâmetros políticos, econômicos e morais. Desta forma, o regime que ficou marcado por sua rigidez autoritária, não visava apenas alterar a estrutura política mas, também, moldar os aspectos culturais e morais do País, à seus próprios parâmetros, alinhados com a esfera mais conservadora da sociedade brasileira. Neste sentido, uma política sexual reacionária atingiu a esfera pública brasileira mas não deixou, contudo, de consentir a ocorrência de determinado discurso sexual que esteve presente em algumas produções de entretenimento cultural, tanto durante quanto depois do marco estabelecido como final ao período. Esta pesquisa, todavia, se insere nos anos imediatamente subsequentes ao final da ditadura. Seu intuito foi de identificar e analisar que tipo de discurso sexual esteve presente no espaço público do jornal O Estado, e quais sujeitos apareciam como alvo deste, durante os anos de 1986 até 1990. Para tanto, são utilizadas como fontes as tirinhas Waldirene A AM, de autoria do cartunista Sérgio Bonson e parte do conteúdo presente no 2° Caderno do periódico. O material foi selecionado em decorrência da associação entre humor e sexo, e de estereótipos relacionados ao gênero, acionados pelo próprio discurso sexual. A categoria, sacanagem é desenvolvida neste trabalho com o intuito de responder a peculiaridade que aponto ter encontrado nesta relação entre humor e sexo ao longo do período em análise. A resposta para insurgência do discurso sexual nas tirinhas Waldirene A AM e no jornal, parece muito mais relacionada ao conservadorismo da sociedade na qual estavam inseridas, do que a pretensa trangressão que a presença da sacanagem pode vir a pressupor.

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  • Mestrado
Tese
Iluminar a inteligência e educar a afetividade: uma história do gênero masculino no oeste catarinense

História da problematização do gênero masculino no Oeste Catarinense nas décadas de 1950 e 1960. Em meados do século XX a região estava associada a uma imagem de lugar "não civilizado", violento, carente da presença do poder público, "fora da lei" e de forte presença de "coronéis" e "caudilhos". Neste momento, um conjunto de enunciados, temas e conceitos procuraram constituí-la em oposição a esta imagem, ou seja, como uma região progressista, civilizada e com uma população trabalhadora e igualmente progressista e civilizada. Neste quadro, o masculino mostra-se bastante representativo, pois parecia ser necessário definir um modelo de masculinidade, adequado ao ideal de civilização que se pretendia implantar e, ao mesmo tempo, que contribuísse para a sua implantação. Portanto este trabalho analisa, a partir de pesquisas em jornais impressos, textos históricos, literários e memorialísticos e através de pesquisa oral e iconográfica as imagens, os temas, os enunciados e os conceitos que construíram o gênero masculino na região e o tornam representativo e constitutivo desta nova realidade do Oeste Catarinense.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Memórias sobre uma dama valente: Carmen de Lara Castro e a ditadura Stronista (1967-1989)

Esta dissertação tem como objetivo narrar à trajetória de Carmen de Lara Castro (1919-1993), mulher paraguaia que durante a ditadura foi deputada nacional (1968-1978) e criou, com ajuda de outras pessoas engajadas na oposição a Stroessner, a Comisión de Defensa de Los Derechos Humanos del Paraguay (CODEHUP), fundada no ano de1967. Em função de sua luta, Carmen de Lara Castro faz parte da memória paraguaia, sendo recordada em livros, em entrevistas e periódicos. Diante disso, este trabalho pretende refletir e analisar como Carmen de Lara Castro é lembrada e narrada em entrevistas orais, problematizando sua trajetória como militante pelos Direitos Humanos - papel muito mais destacado pelas narrativas orais - e como política opositora do regime junto ao Partido Liberal. Para isso utilizo como fontes, principalmente, memórias orais e documentos do Centro de Documentación y Archivo para la Defensa de los Derechos Humanos (CDyA) - alcunhado de Archivo del Terror. Metodologicamente esta dissertação baseou-se nos estudos de gênero, nos estudos sobre memórias e nas ferramentas da história oral. Já o recorte temporal abarca os anos de 1967 a 1989, respectivamente o início da CODEHUP e da carreira parlamentar de Carmen de Lara Castro e o final da ditadura stronista.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado

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