
Dia Internacional dos Povos Indígenas - 9 de agosto
“Os povos indígenas têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito determinam livremente sua condição política e buscam livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.”
Arte não morre
Arte tem a leveza do vôo dos pássaros
Não se enxerga o caminho do vôo com olhos
Apenas sentimos e observamos o pássaro passando
O artista vê aquele momento belo e quando lhe encontra passa horas conversando sobre pequenos detalhes, assim foi o parente do povo Dessana Avô Feliciano Lana...
para outra dimensão e de lá está sorrindo...
Saudações eternas!
(Rosi Waikhon - artivista indígena - doutoranda no PPGAS/UFSC)
Desde 1995, o dia 9 de agosto é marcado como o Dia internacional dos Povos Indígenas. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), após ser pressionada pela atuação de diversos povos indígenas pelo mundo, que lutavam contra as históricas invasões e ataques em seus territórios. A criação da data, então, estimulou a formação de grupos de trabalho para formular uma declaração da ONU em relação aos povos indígenas, que foi aprovada numa Assembleia Geral da Organização em 2007. A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas tem o objetivo geral de garantir as condições dignas de existência aos povos indígenas, bem como a garantia aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; os direitos de autodeterminação de suas formas de vida e da preservação de suas culturas. No Brasil, segundo dados do censo do IBGE feito em 2010, há 305 etnias diferentes que, juntas, somam 274 línguas indígenas. A diversidade indígena étnica, cultural, linguística e territorial é enorme e, mais do que respeitada, ela deve ser preservada na sua máxima essência!

É em estado constante de gratidão.
Assim fui começando a aprender a desenvolver o viver.
Dizem alguns que a nossa vida já vem feita para aquilo e nós podemos fazer sutis mudanças ao longo do percurso com a força de nossas decisões.
É o que falam alguns pois falam tantas coisas mas da vida mesmo desconfio que pouco se sabe pois é uma relação única para cada experiência.
Talvez no lado de lá, de onde ela vem, tenham certos ingredientes que se arranjam por lá e "descem" para cá, constituindo as criaturas e suas composições.
Já do lado de cá começa outra grande saga, onde outros tantos fatores passam a influenciar e a compor. A consciência certamente é algo que tenha que ser desenvolvida tanto quanto o componente orgânico ou biológico, seria a consciência um órgão vital como o coração ou a coluna cervical.
Eu fui arrematado pelas artes. Elas chegaram primeiro e me fisgaram firmemente do meio da violência, tomando todo o meu ser me dando sustância para ir além. Ela foi que me deu a dose certa de que precisava.
Uma loucura saudável, junto com uma paixão amorosa pela vida mesmo onde não pareça ter, as funções mais elementares da natureza como uma pedra, um pedaço de madeira morta e aquele azul do horizonte que vez ou outra é tingido com algum pássaro solitário que passa longe muito alto.
Me chegando decidida a me ter para si a arte me construiu para ela, e dotou de todas as forças de que ia precisar para lhe servir. Nasci com muita sorte é verdade. Nasci em um dia especial caindo dentro de um cesto bem trançado e indestrutível pois nasci no panacu do meu avô Makunaima. Minhas tias foram as montanhas que juntavam fios de ventos entre seus vales para aliviar o meu calor.
As minhas tias montanhas recolhiam as águas que passavam das chuvas e mandavam aos igarapés para eu me banhar. Queriam todos eles que soubesse que nas fendas de nossa terra tem um espelho para ampliar o infinito, que há mapas bem claros para se caminhar com os mais velhos caso eu quisesse visitar as constelações, conhecer os parentes antigos que foram morar no céu exatamente para que nós, os mais novos, pudéssemos ter uma vida digna a ponto de conhecer e reconhecer que o sofrimento um dia é cristalizado e transformado em caminho de luz para a eternidade que fica bem no coração isso que alguns ainda sentem. É uma sensação que não se descreve a gratidão. É leve e te deixa manso, pleno e pequeno, mas grande e completo, com orgulho mas tudo saudável. Isso de gratidão é uma medicina forte, coisa de silêncio e elevação. Quando atingimos o nível da gratidão chegamos bem perto da completude da vida. O maior trabalho da nossa vida talvez seja sentir isso de que não consigo descrever mas dá uma vontade danada de partilhar, de dizer, de contar.... Por isso as horas e horas imerso a desenhar.
Chora não criança, deixa essa dor passar e vamos passear para curar!
(Jaider Esbell - Índio Makuxi-Roraima. Escritor, artista e produtor cultural independente).









