
Entrevista: Boletim Outubro/Novembro
Conheça Olívia Varela, estudante de Letras - Inglês e bolsista do Instituto de Estudos de Gênero.
Na edição Outubro/NOVEMBRO do Boletim de Notícias, damos continuidade a série de entrevistas com a equipe que integra o IEG, as pessoas que trabalham nos bastidores, ajuda na elaboração e que são imprescindíveis para a realização dos projetos. Nosso objetivo é visibilizar o pensamento das/os bolsistas, mostrando suas ideias, sonhos e reflexões sobre os estudos de gênero e feministas.
Conte-nos como você se aproximou do IEG e como suas atividades dentro do Instituto se relacionam com seus estudos na UFSC.
Sou aluna da licenciatura em Letras - Inglês na UFSC e sempre tive interesse na área da linguística, especialmente na Análise do Discurso. Esse interesse foi desenvolvido durante o período em que cursei Antropologia (também na UFSC), onde estudei Antropologia da Linguagem. Em 2022, surgiu a oportunidade de participar da pesquisa de PIBIC orientada pela Professora Débora de Carvalho Figueiredo, intitulada "Discurso jurídico, representação e gênero II: análise discursiva crítica de decisões judiciais do TJSC", com foco na Análise Crítica do Discurso aplicada ao discurso jurídico. Como a professora é uma das coordenadoras do Instituto e nossa pesquisa estava relacionada à área de gênero, comecei a conhecer o IEG por meio de conversas com ela. Durante a elaboração da pesquisa, a professora solicitou que nós, bolsistas, participássemos do Fazendo Gênero 13, tanto apresentando o pôster da pesquisa quanto como monitoras e ouvintes. Desde então, mantive-me informada sobre o Instituto e participei do evento.
Meus interesses sempre estiveram ligados aos estudos de gênero e sexualidade, e foi exatamente por essa conexão que a pesquisa com a professora Débora me atraiu. Eu estava tão motivada a participar que, mesmo precisando da bolsa, decidi ser voluntária, já que não fui selecionada inicialmente como bolsista. Isso acabou mudando após seis meses de pesquisa, quando minha amiga e colega de pesquisa precisou deixar o cargo de bolsista por ter conseguido um emprego. Assim, a finalização da pesquisa foi realizada por mim como bolsista principal, mas teria feito o projeto de qualquer forma, pois me identifico profundamente com essa área de estudo. Pretendo continuar pesquisando sobre esses temas no mestrado e manter meu vínculo com o Instituto.
Estar no IEG, em contato com os estudos de gêneros e feministas, causaram efeitos na sua trajetória pessoal, acadêmica e profissional? Como?
Com certeza. Antes de me envolver com pesquisas e estudos nessa área, eu me sentia desmotivada e perdida quanto ao meu futuro acadêmico, como se faltasse algo que me despertasse o interesse e que se conectasse com minhas convicções. A partir do momento em que comecei a fazer parte ativamente dessa área como acadêmica, percebi que passei a ver o mundo de outra maneira, como se pudesse finalmente causar um impacto positivo na sociedade, discutindo, refletindo, produzindo e compartilhando ideias, além de fomentar debates essenciais para nossa sociedade. Isso se torna ainda mais importante considerando o momento histórico em que vivemos, marcado pelo crescente conservadorismo.
Fale um pouco sobre os seus projetos - concluídos ou em curso - dos quais você mais se orgulha.
Estou no final da minha licenciatura em Letras - Inglês e, ao refletir sobre minha trajetória até aqui, sinto-me muito grata e orgulhosa pelos projetos nos quais estive envolvida. Atualmente, sou bolsista do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da UFSC, onde tenho a oportunidade de colaborar na secretaria do Instituto e na organização de eventos e atividades.
Um dos maiores orgulhos que tenho é da minha primeira pesquisa, realizada entre setembro de 2022 e setembro de 2023, intitulada "Discurso jurídico, representação e gênero II: análise discursiva crítica de decisões judiciais do TJSC". Esse projeto me proporcionou uma imersão na Análise Crítica do Discurso aplicada ao campo jurídico, com foco nas representações de gênero em decisões judiciais. Fundamentada em teorias linguísticas, discursivas críticas, teorias de gênero e teorias jurídicas feministas, nossa pesquisa tinha como objetivo central compreender, por meio das escolhas léxico-gramaticais, a representação e construção dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher pelo TJSC. Tive a honra de apresentar essa pesquisa na SEPEX 2024 e exibir o pôster no Congresso Fazendo Gênero 13, o maior evento de estudos de gênero da América Latina. Foi uma experiência marcante para mim, pois consolidou minha paixão pela pesquisa e pela luta por justiça social.
Atualmente, participo de uma pesquisa de PIBIC intitulada "Educação Linguística Crítica em Tempos Reacionários: Investigando as Políticas de Ensino de Línguas Brasileiras e Seus Impactos Locais", iniciada em setembro de 2023. Recentemente, concluímos a primeira etapa, finalizada em setembro de 2024. Esse projeto tem sido essencial para entender até que ponto (e de que forma) as políticas de ensino de línguas adicionais (e, mais especificamente, de língua inglesa) possibilitam ou fomentam práticas docentes pautadas pelo desenvolvimento da consciência crítica, com o horizonte voltado para a justiça social. Utilizamos como base a pedagogia crítica de ensino de línguas e teorias sobre políticas linguísticas críticas. Apresentar essa pesquisa no II Encontro de Políticas Linguísticas Educacionais da UFSC foi uma experiência enriquecedora, que me motiva a seguir com minha pesquisa, acreditando sempre no poder da educação crítica e emancipatória.







