
ENTREVISTA - Conheça os novos núcleos e laboratórios que integram o IEG
Confira a primeira entrevista da nova série com coordenadores/as dos novos núcleos/laboratórios de pesquisa que passaram a integrar o IEG!
Conheça os novos núcleos e laboratórios que integram o IEG
Nesta edição, damos início a uma série de entrevistas com coordenadores/as dos novos núcleos/laboratórios de pesquisa que passaram a integrar o IEG. Quem estreia a programação é a coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos em Direito de Família em Perspectiva - GFAM, a Dra. Dóris Ghilardi. No próximo mês teremos novas entrevistas!
1 - Como você se aproximou do IEG, qual laboratório ou núcleo você coordena/lidera e quais os seus projetos pra ele?
Dóris Ghilardi (DG): Eu me aproximei do IEG em 2022. Uma das minhas orientandas, a Gabriela Jacinto, participou da organização do Lançamento do livro “Esperança Feminista” da Débora Diniz e da Ivone Gebara, com fala da Débora Diniz, ocorrido em 22/04/2022. Na oportunidade participei como representante do GFAM – Grupo de Pesquisa e Estudos em Direito de Família em Perspectiva. Na semana seguinte, o GFAM foi convidado para participar do IEG.
Lidero o GFAM - Grupo de Pesquisa e Estudos em Direito de Família em Perspectiva - desde 2018, oportunidade em que o criei, juntamente com a Prof. Dra. Renata Raupp Gomes. O grupo é integrado por acadêmicos da graduação e da pós graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) de Direito da UFSC e, também, por pesquisadores externos. As reuniões do grupo são quinzenais.
O foco de estudos do grupo está dividido em dois eixos: um deles a Autonomia Privada e o outro dedicado para as Vulnerabilidades. É dentro desse segundo eixo que entram as discussões sobre mulher e gênero. Esse eixo foi criado somente no final de 2019, mas já está inserido nas atividades de pesquisa e extensão do GFAM, rendendo alguns frutos, entre eles organização de livros, capítulos de livro, organização de eventos e orientação, dentre os quais estão: Organização de Livros (GHILARDI, Dóris. Tecnologias, famílias e vulnerabilidades. Florianópolis: Habitus, 2021 (ebook e livro físico); GHILARDI, Dóris; BORTOLATO, Ariani; FONTANELA, Patricia; GOMES, Renata. Desafios do Direito de Família e Sucessões na Pandemia: Relatório de Pesquisa. São Paulo: Dialética, 2022. (capítulo específico sobre violência doméstica). Capítulos: GHILARDI, Dóris; DILLENBURG, Helena; BARBOSA, Gabriela. A desigualdade de gênero entre fatos e normas. In GHILARDI, Dóris. Tecnologias, famílias e vulnerabilidades. Florianópolis: Habitus, 2021; GHILARDI, Dóris; GOMES, Renata. A Mulher na Família Constitucional 30 Anos Depois. In MARQUES, Samantha; MACIEL, Renata. A Constituição por Elas: interpretação constitucional sob a ótica das mulheres. São Paulo: Uninove, 2021. Eventos: Auxílio na organização do evento: Lançamento do livro “Esperança Feminista de Débora Diniz e Ivone Gebara, no dia 22/04/22. Evento com palestra da magistrada Ana Luiza S. Ramos sobre Violência Psicológica contra a Mulher e lançamento do Livro Desafios do Direito de Família e Sucessões na Pandemia: Relatório de Pesquisa. São Paulo: Dialética, 2022, no dia 12/05/2022. Orientação: Gabriela Jacinto. União Estável, Gênero e Novo Conservadorismo: Ameaças no Campo Legislativo. (Dissertação de Mestrado).
Entre as metas para 2022 está a intensificação de leituras e debates no grupo sobre as obras que tratam de vulnerabilidades e gênero, além da organização, ainda em andamento, sobre ações de extensão para levar essas temáticas para a comunidade.
2 - Quais têm sido suas prioridades como coordenadora do núcleo, considerando o atual momento que vive a UFSC, o país e o mundo?
(DG): Como dito acima, o GFAM é seccionado em duas vertentes, especificamente o eixo sobre as Vulnerabilidades prioriza o debate sobre a situação das crianças, dos idosos, da população LGBTQIA+, das mulheres e dos deficientes. Dentro desse núcleo, o foco está na questão das discussões acerca da necessidade de respeito e de tratamento digno dessa população.
Como coordenadora do grupo e professora sinto cada vez mais a necessidade não só de debater essas questões tão urgentes com a comunidade acadêmica, como também sensibilizá-los para uma atuação mais concreta, levando as discussões para a comunidade.
Devemos tentar estabelecer relações em que a intolerância não tem espaço. Em que a diversidade deve ser naturalizada. As vulnerabilidades precisam ser vistas como tal e protegidas. Mas essas questões não podem ficar apenas nos espaços universitários, elas precisam alcançar o público em geral.
Com base nisso, o GFAM está organizando ações de extensão para levar conhecimento jurídico para as escolas e comunidades, além de gravar pequenos vídeos sobre questões jurídicas importantes e divulgar em seus canais, como o instagram. São pequenas ações que podem fazer diferença nesse mundo caótico e doente que estamos vivendo. É preciso levar o conhecimento para fora dos muros da universidade. É preciso mostrar o trabalho sério e de qualidade que aqui é realizado.
3 - Qual a importância dos estudos de gênero e feministas na sua trajetória e nas suas pesquisas?
(DG): A importância desses estudos aparece em vários sentidos. Na minha trajetória pessoal e profissional influenciou diretamente no modo de ver as coisas e de me relacionar com outras mulheres. Fomos criadas para sermos rivais. Quando passamos a compreender de que precisamos umas das outras, que somente nos fortaleceremos quando rompermos essa lógica, seremos capazes de ir ainda mais longe.
Os estudos feministas me fizeram ver com muito mais clareza não só a opressão a que fomos submetidas secularmente e os resquícios disso até hoje, mas as vozes que foram caladas, a história que não foi contada, a invisibilidade que coube a tantas e tantas mulheres, as ameaças que permanecem diariamente, os avanços e retrocessos constantes nessa luta contra as desigualdades.
Pesquisar mais a fundo como as identidades de gênero foram organizadas e reproduzidas como papéis e comportamentos, como as posições de privilégios contribuíram para a produção do conhecimento e das instituições repensei alguns posicionamentos jurídicos.
Com esse cenário mais claro, passei a ter mais cuidado com o uso da linguagem, que passou a ser muito mais inclusivo. Passei a ver também a importância de ocupação de determinados cargos dentro da Universidade.
Na minha pesquisa, os estudos de gênero foram fundamentais para abrir um novo campo de saber, para preencher lacunas até então existentes, para conhecer e dialogar com autoras que desconhecia. Abriram meus olhos para a necessidade de o discurso não ser universal, para não perpetrar outras injustiças. Há várias realidades distintas dentro do feminismo que precisam ser observadas.
Auxiliaram, ainda, para me conectar ainda mais comigo mesma e com as minhas alunas. Ser educadora é também estar atenta às necessidades das discentes e passei a perceber isso de maneira muito mais sensível e empática. Com certeza os estudos de gênero me tornaram uma pesquisadora mais completa e atenta a realidades distintas.







