
ENTREVISTA - Conhecendo a equipe do IEG
Dando continuidade a série de entrevistas com a equipe que integra o IEG, a entrevista de hoje é Adriana Barth, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFSC) e editora Assistente da Revista Estudos Feministas (REF)
Conte-nos como você se aproximou do IEG e como suas atividades dentro do Instituto se relacionam com seus estudos na UFSC.
Adriana Barth (AB): Minha aproximação com o IEG teve início em 2012.1, quando conheci a professora Miriam Pillar Grossi, à época coordenadora do NIGS e co-coordenadora do Instituto. Realizei a disciplina Prática de Pesquisa I do curso de Ciências Sociais, sob a orientação da Profa. Miriam, em uma das atividades do NIGS: o Concurso de Cartazes. Como essa edição do projeto já estava finalizando, passei a acompanhar um ciclo de debates sobre gênero, feminismos e sexualidades que estavam acontecendo naquele semestre, promovidos pelos departamentos de Pós-Graduação dos cursos de História, Antropologia, Interdisciplinar em Ciências Humanas e Ciências Sociais. Foi a partir dessa experiência que passei a compreender muitas das situações pelas quais passei durante praticamente todas as fases de minha vida, desde a forma como fui criada pela família, passando por episódios de discriminação no trabalho. Em 2012.2 consegui a bolsa permanência e me integrei à equipe do IEG na secretaria do Fazendo Gênero 10 e, desde então, venho atuando nos diversos projetos do Instituto.
Quais têm sido suas atividades e prioridades de atuação, considerando o atual momento que vive a UFSC, o país e o mundo, diante da pandemia da Covid-19?
(AB) Em outubro de 2017 passei a integrar a equipe da REF. Como editora assistente, tive a oportunidade de apreender os processos de editoração de um periódico acadêmico, mas, também, de vivenciar as dificuldades que estes vêm enfrentando em um período denominado por cientistas, em especial da área de ciências humanas, de “era da pós-verdade”, no qual o conhecimento científico vem sendo sistematicamente desvalorizado e até demonizado. A pandemia da Covid-19, de forma bem particular, me afetou muito. Apesar de não ter contraído o vírus e ter todas as condições tecnológicas para permanecer no ensino remoto, sofri de forma bastante intensa as consequências do isolamento prolongado, chegando mesmo a pensar inúmeras vezes em desistir dos estudos. A falta de contato físico, das aulas presenciais e dos diálogos com colegas em sala de aula, nos corredores e cafés contribuíram muito nesse processo. Esse relato pessoal tem como objetivo demonstrar um lado perverso do ensino remoto. Temo pelo futuro da educação e que esse “novo normal” passe a ser definitivo. No momento em que respondia esta entrevista, recebi a notícia de que o Ministro da Educação defende o homeschooling e afirma que a socialização das crianças pode ser feita na igreja. As pressões externas nesse sentido são grandes. Espero que tenhamos forças para resistir a tantos ataques à educação, em especial a pública e a superior.
Estar no IEG e de certa forma em contato com os estudos de gêneros e feministas têm causado efeitos na sua trajetória pessoal e acadêmica e profissional? Como?
(AB): Sem dúvida. Estar no IEG, e atualmente na REF, possibilitou a compreensão de muitas das situações pelas quais passei durante praticamente todas as fases da minha vida, desde o modo como fui criada pela família, passando por episódios de discriminação no trabalho. Meu Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Sociais foi construído dentro do IEG, a partir do envolvimento com a atividade que foi tema da pesquisa. Agora, no mestrado, venho desenvolvendo um estudo sobre a formação em gênero de e para estudantes da UFSC. Atuar nas atividades do IEG nos proporciona a rica experiência do fazer acadêmico para além das salas de aula e, também, aprendizagens únicas a partir da convivência com pessoas tão plurais como as que circulam pelo Instituto.









