
ENTREVISTA - Joana Pedro integra a coordenação do IEG
Nessa entrevista, Joana nos conta sua trajetória como uma das fundadoras do IEG, fala da sua experiência e coloca sua sabedoria à frente do IEG, juntamente com Débora Figueiredo e Teresa Kleba Lisboa.
A historiadora Joana Maria Pedro, professora aposentada da UFSC, integra desde o dia 28/09/2020 a coordenação do IEG, ocupando temporariamente o posto enquanto a professora Miriam Grossi está integrando o Conselho Deliberativo do CNPq, representando a área de Humanas. Nessa entrevista, Joana nos conta sua trajetória como uma das fundadoras do IEG, fala da sua experiência e coloca sua sabedoria à frente do IEG, juntamente com Débora Figueiredo e Teresa Kleba Lisboa. Confira:
Conte-nos como você se aproximou do IEG, em que frente e laboratório atual e quais seus projetos para a coordenação do IEG?
Joana Maria Pedro - Eu me aproximei do grupo que hoje constitui o IEG quando estava fazendo doutorado em História Social na USP e minha tese intitulada “Mulheres honestas e mulheres faladas: uma questão de classe”, defendida em 1992, permitiu-me participar de eventos que estavam ocorrendo na UFSC, que discutiam “Mulheres” e “gênero”. Foi desta maneira que em 1994, por exemplo, participei de mesa redonda e de várias atividades do primeiro Fazendo Gênero, que ocorreu no CCE, organizado pela Zahidé Muzart e Susana Funk. Antes disso, eu tinha participado do evento Mulher e Literatura que ocorreu em Florianópolis.
Em 1996 a Profa. Miriam Grossi e eu organizamos o II Fazendo Gênero e depois publicamos um dossiê em periódico, bem como um livro com textos apresentados no evento. Em 1999, eu era a Diretora do CFH quando as professoras Miriam Grossi e Claudia Lima Costa vieram conversar sobre a possibilidade de assumir, na UFSC, a editoria da Revista Estudos Feministas, que desde 1992 estava sediada no Rio de Janeiro. Na época eu disse, claro que sim! Arranjamos um local, uma funcionária, a Carmem Vera Ramos, e a REF passou a ser feita numa parceria entre CFH e CCE. Depois que voltei do pós-doutorado, passei a fazer parte da Editoria de Artigos da REF e em 2004, assumi, junto com a Profa. Luzinete Simões Minella a Coordenação Editorial da Revista. Ainda em 2004, assumiu comigo esta coordenação a Profa. Susana Funk. Fiquei nesta condição até 2005, voltando para a Editora de Artigos. Foi nesta ocasião que, atendendo a uma demanda, de longa data, da Profa. Mara Lago, começamos a propor um projeto para criar o IEG. Lembro que o projeto foi escrito por várias mãos, muitas pessoas contribuíram com o texto. Uma vez pronto encaminhamos para tramitar no CFH e o projeto foi aprovado. Assim, junto com as professoras Mara Lago e Zahidé Muzart, assumimos a primeira Coordenação Geral do IEG, em 2005.
Em 2010, junto com as professoras Carmen Silvia Rial e Silvia Maria Favero Arend organizei o Fazendo Gênero 9: Diásporas, diversidades e deslocamentos. Organizei, também, junto com a Profa. Luzinete Simões Minella, o primeiro Curso de Curta Duração em “Gênero e Feminismo”, em abril de 2008. Em dezembro de 2009, foi lançado o primeiro site do IEG e uma série de atividades com convidadas internacionais.
No momento estou na Coordenadoria de Artigos da Revista Estudos Feministas, na Comissão Científica, na Comissão de Movimentos Sociais e na Comissão de Espaço Físico do Fazendo Gênero 12 e, também, na comissão Pró-Moçambique, que organiza fundos para auxiliar lideranças de movimentos sociais a participar do Mundo de Mulheres que irá ocorrer em 2021, em Moçambique.
Resumindo, desde que passei a me dedicar às discussões sobre Mulheres, Gênero, Feminismos e Sexualidades, tenho participado com as colegas, que hoje compõe o IEG, de inúmeras atividades.
Participo, também, juntamente com as professoras Cristina Scheibe Wolff, Janine Gomes da Silva e Soraia Carolina de Mello do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH).
Para a coordenação do IEG, meus projetos, juntamente com as demais coordenadoras, é de buscar melhorar a infraestrutura: espaço e condições de trabalho, e para isso, precisamos de recursos. Em vista disso, um das propostas, talvez seja, a criação de uma associação ou de outros mecanismos como emenda parlamentar, projetos para instituições internacionais, etc.
Outro projeto é o de ampliar a relação do IEG com movimentos sociais, buscando dar maior capilaridade ao que se discute no IEG e aprender com as pessoas que compõem estes movimentos. Nossa contribuição é buscar garantir que a cidadania esteja ao alcance de todas as pessoas, para que o sexo, o gênero, a sexualidade, a raça/etnia, a classe, a geração, não sejam usados como forma de preconceito e discriminação.
Quais têm sido suas prioridades de pesquisa, ensino e extensão, considerando o atual momento que vive a UFSC, o país e o mundo, diante da pandemia da Covid-19?
JMP - Eu me aposentei em 2019 e tenho mantido minhas pesquisas, aulas e orientação de TCC, Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Atuo no quadro do Programa de Pós-Graduação em História e no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas. Minha pesquisa atual discute “Feminismo e Democracia no Cone Sul''. Com a pandemia, estou dando aulas na pós-graduação, orientando e realizando palestras, mesas redondas, cursos, utilizando plataformas on- line. Claro que estas atividades não substituem as presenciais, principalmente em relação a pesquisa, que exige visita a arquivos e bibliotecas. Tenho tentado contornar estes problemas adiantando a coleta de dados, com pesquisas que possam ser feitas em dados disponíveis on-line.
Pessoalmente, a pandemia tem significado dedicação maior e cuidados com minha mãe, que mora comigo e que está com 91 anos, e com meu companheiro que está com 81 anos. Enfim, somos uma casa de pessoas idosas. Sendo eu, com 70 anos, a menos idosa, sou encarregada de supermercado, farmácia, levar no médico ou fazer exames. Fico sempre preocupada com a possibilidade de contaminação, não por mim, mas pelas pessoas que eu cuido. Então, a pandemia tem significado cuidados redobrados.
Qual a importância dos estudos de gêneros e feministas na sua trajetória e nas suas pesquisas?
JMP - Eu passei a me interessar pela discussão da História das Mulheres quando já era professora na UFSC e estava envolvida numa pesquisa sobre preconceito racial. Foi com a temática da História das Mulheres que eu fui fazer doutorado na USP e, a partir de então, passei a me dedicar a estas discussões: História das Mulheres, do feminismo, do gênero, das sexualidades dissidentes da cisheteronormatividade. Posso dizer que desde 1988 tenho me dedicado a estas temáticas, publicando artigos, livros, capítulos de livro, coletâneas, etc. Penso que hoje as pessoas me identificam com a temática, ainda que eu tenha dado aulas sobre muitos assuntos. Embora oficialmente aposentada, continuo atuando porque tenho certeza de que esta é uma luta longa, que vai precisar de toda ajuda que puder contar.









