Instituto de Estudos de Gênero

Estorvos e Outros Estorvos

Este trabalho pretende apontar caminhos para um reposicionamento de Chico Buarque de Holanda na rede discursiva contemporânea, num lugar diferente daquele que o reduz a "poeta social" ou herói da resistência contra a ditadura. Faço isso principalmente a partir de seu romance Estorvo, lançado em 1991, lendo-o não como "retrato do Brasil" mas precisamente como um desafio, um estorvo, à demarcação de fronteiras, nacionais ou institucionais. Essa leitura tem por base um desafio epistemológico às possibilidades de representação de uma realidade por um texto, alguns questionamentos de discursos de nação e um exame de mecanismos de defesa institucional.


Outras teses e dissertações

Tese
A política demográfica da Igreja Católica e a medicalização da contracepção (1960-1980)

Análise do discurso da Igreja Católica sobre contracepção, ressaltando como foi formulada sua política populacional, já que até a década de 1960 a política demográfica do Estado brasileiro era influenciada pela idéia de evolução, positivismo, eugenismo e racismo. A intenção principal é perceber a rejeição da Igreja aos modernos métodos anticoncepcionais, que foram centrados no saber médico. Observa como os médicos controlaram esta prática a partir do momento onde a pílula anticoncepcional trouxe mudanças consideráveis tanto para a questão do planejamento familiar, como no comportamento das mulheres.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Gênero, corpo e sexualidade: processos de significação e suas implicações na constituição de mulheres com deficiência física

As questões de gênero constituem um aspecto importante no estudo da experiência da deficiência. A imbricação dos discursos relacionados à deficiência e à feminilidade é geradora de opressão e de vulnerabilidade. O presente estudo teve como objetivo compreender o processo de constituição de mulheres com deficiência física nas dimensões de gênero, corpo e sexualidade, buscando-se identificar as mediações que foram importantes para a configuração de tais dimensões, bem como as transformações ocorridas a partir da participação das mulheres em um grupo voltado à discussão e reflexão acerca das dimensões acima explicitadas. Os sujeitos participantes da pesquisa foram oito mulheres com deficiência física, com idades entre 24 e 68 anos, integrantes de um grupo mulheres coordenado pela pesquisadora que, no período da realização da pesquisa, já ocorria a mais de quatro anos em uma associação de pessoas com deficiência física. As informações foram coletadas por meio de entrevistas individuais em profundidade e observação participante e posteriormente analisadas com base na metodologia de análise do discurso. O referencial teórico norteador da pesquisa foi baseado na Psicologia Histórico-Cultural de Vygotski e no seu diálogo com as teorias de gênero e com o modelo social da deficiência. Ancorado nestes referenciais, o estudo enfatizou a experiência da deficiência e sua articulação com as dimensões de gênero, raça, geração e classe social. Constatou-se que o processo de constituição das mulheres entrevistadas foi mediado principalmente por significações relacionadas à infantilização, à atribuição do lugar social de assexuadas, à negação da possibilidade de tomar decisões em todas as dimensões da vida, à discriminação do corpo dissonante dos padrões atuais difundidos pelos discursos médicos e midiáticos, à caracterização delas como incapazes de reproduzir as atribuições de gênero instituídas socialmente, à limitação do acesso de ir e vir e consequente isolamento social. Os discursos baseados no modelo médico da deficiência e na sexologia tradicional, presentes nos variados âmbitos sociais, também foram mediadores desse processo por considerarem a deficiência como um desvio a ser corrigido e a sexualidade como uma questão sem importância no processo de reabilitação. Embora esses discursos e significações acerca da deficiência estivessem disponíveis para todas as mulheres, elas deles se apropriaram de formas diversas, ora aceitando-os, ora resistindo a eles e criando formas distintas de pensar, sentir e agir. A participação das mulheres nas atividades da associação de pessoas com deficiência, incluindo os grupos lá realizados, contribuiu para que se reconhecessem como pessoas com deficiência, construíssem uma identidade coletiva positiva, desenvolvessem estratégias de enfrentamento do preconceito e dos demais processos de exclusão/inclusão social perversa vivenciados cotidianamente e se mobilizassem a participar dos espaços legitimados de controle social. Portanto, o estudo mostrou que a deficiência é uma categoria transversal à constituição dos sujeitos, corroborando para o aumento da vulnerabilidade e opressão social. Por outro lado, a participação em grupos de reflexão configura-se como uma estratégia de resistência a essa opressão, permitindo espaços de emancipação por meio de práticas coletivas de identificação e reciprocidade social.

Tese
Serviço Social e Violência contra a Mulher: questões para o debate

O trabalho resulta do interesse em pesquisar a intervenção dos assistentes sociais que atuam junto às mulheres que vivenciam situação violência por parte de seus companheiros. (Objeto de pesquisa) De que forma os pressupostos teórico-metodológicos estão orientando a intervenção dos assistentes sociais junto às mulheres que vivenciam situações de violência por parte de seus companheiros? (Objetivo) Analisar a intervenção do assistente social a partir dos pressupostos teórico-metodológicos que estão orientando o trabalho profissional junto às mulheres que vivenciam situações de violência por parte de seus companheiros. (Metodologia) A pesquisa realizada está delineada como qualitativa do tipo exploratória e bibliográfica, caracterizada por entrevistas semi-estruturadas, com perguntas abertas, dirigidas a 07 (sete) assistentes sociais que trabalham em programas, projetos ou serviços que atendem mulheres que estão vivenciando situações de violência. A seleção foi realizada através de contato telefônico com diversas instituições públicas e privadas que trabalham com esta problemática. A pesquisa foi realizada no período de julho a setembro de 2004. Entre os profissionais entrevistados, duas atuavam em escritórios sócio-jurídicos ligados a Universidades, uma em abrigo para mulheres em situação de violência e quatro em um centro de atenção à família em situação de vulnerabilidade doméstica e intrafamiliar. (Conclusão) Através deste estudo foi possível perceber que ocorreram avanços tanto no que tange ao debate, produções teóricas e implementação de programas, projetos ou serviços para as mulheres que vivenciam situações de violência, mas o Serviço Social, enquanto profissão, ainda precisa avançar no que se refere a intervenção frente a esta problemática, tanto na perspectiva de assumir com mais ênfase a discussão sobre relações de gênero, poder e violência contra a mulher, como na produção teórica sobre o fazer profissional dos assistentes sociais.

Tese
Veja, os anos 80 em revista: leitura e memória cultural

Esta dissertação tem como propósito maior a construção de uma memória de leitura que possui na revista semanal Veja a sua fonte principal. Esta revista, como importante veículo midiático, esteve presente na vida do autor deste trabalho e foi a sua grande fonte de interesse e leitura durante a década de oitenta, em um período formador de sua aptidão para a escrita e leitura. A justificativa desta proposta encontra-se no interesse e na importância que a memória tem na formação de qualquer indivíduo bem como na refabulação que este vai fazer em relação a tantas coisas por ela registradas. Assim, o objetivo aqui foi o de voltar às publicações da revista Veja nos anos oitenta, de janeiro de 1980 até dezembro de 1989, e reencontrar a materialidade escrita, os inúmeros textos e reportagens que construíram esta memória. Para tanto, houve a seleção de alguns tópicos especiais, as seções da revista mais ligadas à cultura de forma geral, para com elas elaborar esta dissertação que tem em cada capítulo uma ou algumas temáticas nascidas da compilação de várias seções da revista.

Tese
Corpos queer escapam: interdições e resistências dos corpos e do gênero em filmes argentinos do início do século XXI

O que faz os corpos serem alvo do interesse e do controle por parte de tantas instituições na determinação da sua sexualidade, da sua identificação de gênero e da aparência do seu sexo biológico? É com o auxílio do potencial de inserção social que o cinema possui que problematizo, nesta tese, as interdições e as resistências dos corpos e do gênero, a violência sofrida pelas pessoas que se encontram à margem da sexualidade e da corporeidade dominantes e os discursos que insistem em tratar as identidades trans e intersexuais como distúrbios e/ou anomalias. As fontes principais utilizadas são os filmes: XXY (2007), dirigido por Lucía Puenzo, El último verano de la Boyita (2009), da cineasta Julia Solomonoff, e Mía (2011), do diretor Javier Van de Couter. Ao longo da escrita as discussões sobre os filmes são tangenciadas pela relação entre História e cinema, os estudos de gênero, queer e decoloniais, entre outros. Busquei, neste trabalho, apresentar uma visão crítica a respeito do audiovisual e o seu impacto social, econômico e, sobretudo, na construção das subjetividades. Esta é uma tese que parte da perspectiva da História para fazer a análise dos filmes, entendendo-os como documentos formados por camadas de discursos, imagens, códigos sociais e culturais, e construções de gênero que concorrem para a constituição dos sujeitos. A análise feita a partir dos filmes mencionados demonstra que os corpos queer ? esses corpos ?estranhos? e inconformes ? estão reiteradamente à mercê da disputa de narrativas que intentam estabelecer conhecimentos hegemônicos a seu respeito. Por outro lado, é possível notar que tais corpos e sujeitos mantêm a sua resiliência no sentido de desnormatizar o desejo, o sexo e os modelos binários das conformações corpóreas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Maternidade e HIV/AIDS: um olhar psicanalítico

Esta dissertação procurou estabelecer, a partir da teoria e escuta psicanalíticas, relações entre as vivências simultâneas da maternidade e da infecção pelo HIV, em mulheres atendidas em ambulatório especializado no tratamento e prevenção do HIV/Aids, que tiveram o diagnóstico durante a gestação ou até o terceiro mês de vida do bebê. Tanto a maternidade como a doença são construções histórico-culturais, com valorações antagônicas e associadas a representações socialmente compartilhadas, produzindo efeitos de subjetivação. Enquanto que a maternidade é associada à transmissão da vida e a um ideal de amor e doação, conferindo maior valoração à mulher que se torna mãe, o vírus HIV e a Aids são associados ao adoecimento e à morte. Pessoas infectadas pelo HIV, especialmente mulheres, são consideradas promíscuas e estigmatizadas, existindo a fantasia de que mulheres que têm relações estáveis estão a salvo da infecção. No Ocidente, sob a influência de diversos saberes e do cristianismo, foi estabelecida uma dicotomia entre a maternidade e o erotismo. Assim, se a sexualidade era legitimada nos homens, a sua expressão nas mulheres era vista como sinal de desvio de conduta, visão que ainda hoje produz efeitos nas práticas e valores morais compartilhados socialmente. Freud, ao atribuir à sexualidade um lugar central na constituição do sujeito, associada aos desejos inconscientes e voltada essencialmente à obtenção de prazer, dá-lhe outro estatuto, desvinculando-a da finalidade reprodutiva, ao mesmo tempo em que restitui à mulher seu corpo erotizado. Apesar dos esforços das instituições sociais para conter a sexualidade por meio de normas, ela extravasa os limites estabelecidos. A busca de prazer coloca as mulheres em condição de maior vulnerabilidade, em decorrência das assimetrias, culturalmente justificadas e validadas, nas relações de gênero. Essa assimetria coloca grande parte das mulheres em uma posição de submissão frente ao homem, o que se evidenciou nas falas das mulheres atendidas no ambulatório. Para muitas pessoas, ainda prevalece a visão dicotômica entre a mulher recatada e a que vivencia sua 10 sexualidade livremente. As mulheres que contraem o vírus através da prática sexual, sem que tenham uma relação estável, são desqualificadas, enquanto que aquelas que foram infectadas pelos maridos, são vistas como vítimas de uma fatalidade. Assim, grande parte das mulheres atendidas, infectadas pelo vírus, temia que sua condição fosse descoberta e relutava em contar ao companheiro sobre essa condição. Tinham medo de serem abandonadas, receavam não mais poder dar expressão à sua sexualidade e muitas delas, em suas fantasias, temiam sofrer violência física. Além desses receios, comuns a outras mulheres, as gestantes expressavam medo de transmitir o vírus ao filho, o que as fazia viver um conflito, e muitas achavam que não poderiam ser boas mães, uma vez que não poderiam amamentar. Assujeitadas aos valores vigentes, elas próprias sentiam-se destituídas de valor. Propiciar a essas mulheres um espaço de fala e escuta, possibilitou a muitas delas a oportunidade de re-elaboração subjetiva de fantasias relacionadas à condição de soropositivas, proporcionando-lhes a busca de novas formas de lidar com a realidade e com o outro.

Tese
Vivendo além das fronteiras: O Guarda-Roupa Alemão de Lausimar Laus

Esta dissertação apresenta uma leitura a partir do viés dos estudos culturais de O guardaroupa alemão, um romance de Lausimar Laus (1916-1979), publicado em 1970. Nesse romance, a autora reconstitui parte da história da cidade de Blumenau, colonizada por imigrantes alemães, valorizando os conflitos culturais e identitários pertinentes aos deslocamentos espacial e cultural dessa população. A leitura, a qual esse trabalho se propõe, parte de uma relação entre três pontos de análise: a contextualização histórica, política e social do evento migratório germânico para a região de Blumenau, as questões culturais referentes à identidade e ao espaço de formação de culturas híbridas e, por fim, o cruzamento das categorias de gênero e experiência na constituição da subjetividade. Esses três momentos de análise buscam interpretar O guarda-roupa alemão enquanto uma representação simbólica marcada por diferenças culturais.

Tese
Normalidade e Patologia na Psiquiatria e na Psicanálise: o papel dos periódicos científicos brasileiros

Esta tese de doutoramento, realizada no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas, aborda a complexidade do campo psi, analisando o modo como a psiquiatria clínica e a psicanálise se constituem como saberes situados na fronteira entre as ciências humanas e as ciências biomédicas. O objetivo é analisar as práticas discursivas da psicanálise e da psiquiatria clínica no Brasil, em seus contextos epistemológicos, históricos e institucionais, a partir dos seguintes periódicos: Revista Brasileira de Psicanálise e Revista de Psiquiatria Clínica. Foram escolhidas duas revistas científicas, sendo uma de cada área. Essas revistas são as mais antigas em seu domínio e mantém regularmente suas publicações de modo continuado até os dias atuais (2012), possibilitando uma maior compreensão dos contextos institucionais nos quais surgiram, consolidam-se e se transformam esses saberes no Brasil. Ambas nasceram no período histórico de contestação aos valores estabelecidos no Ocidente, um período que coincide com o da ditadura militar no Brasil. Assim, serão analisadas essas revistas desde a primeira edição, que corresponde ao ano de 1967, no caso da Revista Brasileira de Psicanálise, e ao ano de 1972, no caso da Revista de Psiquiatria Clínica, até as edições publicadas em 2009. O pressuposto inicial sobre os conteúdos da Revista Brasileira de Psiquiatria Clínica é que o discurso da clínica psiquiátrica está construído sobre o binômio normalpatológico, portanto, centrado no biológico. A clínica é de observação do paciente, com o objetivo de diagnose, remissão de sintomas e cura, tendo como principal terapêutica a prescrição de medicamentos e de condutas adequadas. O pressuposto inicial sobre os conteúdos da Revista Brasileira de Psicanálise é que o discurso da clínica psicanalítica está centrado no psicológico e construído sobre o binômio conscienteinconsciente. A clínica é focada na relação de transferência e contratransferência, em que o terapeuta integra a terapêutica, que potencialmente proporciona ao paciente o olhar sobre si mesmo, por meio de uma terapia pela palavra. Uma leitura crítica dessas revistas pode nos auxiliar a entender como ocorreu esse processo de obscurecimento de um saber (a psicanálise) e da hegemonia de outro (a psiquiatria), no Brasil, a partir da década de 1980, e apontar os limites e as dificuldades implícitas nessa visão reducionista da subjetividade, que hoje se transformou em majoritária. O trabalho trata de contextualizar os documentos escritos no marco dos processos históricos do país e das mudanças ocorridas nas duas áreas de estudo. Propõe-se a analisar criticamente esses discursos a partir dos aportes teóricos de Michel Foucault e Georges Canguilhem, e da leitura de especialistas atuais nesses autores, para mostrar de que modo os processos de subjetivação e normalização do sofrimento psíquico e dos comportamentos são desenvolvidos pela psiquiatria clínica e a psicanálise no período estudado. A leitura das revistas evidencia que o discurso psiquiátrico construído em torno de uma visão biológica do normal e patológico limitou a complexidade epistêmica inserida no campo psi pela psicanálise.

Tese
Mulheres agricultoras: visão feminina do projeto microbacias

Percepção feminina na agricultura e o projeto microbacias.

  • Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Mestrado
  • 2020

Inscreva-se para receber nosso boletim

Inscrever-se