Medicina e historia: raízes sociais do trabalho médico
O propósito deste trabalho é o de contribuir para o conhecimento da medicina enquanto prática social. A seleção deste objeto de estudo decorreu da disposição de aderir à posição firmada no campo da Medicina Preventiva e Social, de que a compreensão dos fenômenos ligados à saúde e a doença, na medida em que exprimem outras tantas dimensões das práticas sociais dos grupos humanos, pode e deve ser complementada pelo estudo do sentido dessas práticas sociais por referência aos conjuntos históricos em que se estruturam. Buscando portanto situar-se nesse campo de investigação científica, este estudo procurou inicialmente a sua justificativa particular na relativa ausência de pesquisas dirigidas à prática médica em sua dimensão de trabalho socialmente determinado, e se propôs a tarefa de procurar esclarecer as determinações estruturais do trabalho médico no modo de produção capitalista
- Autores:Ricardo Bruno Mendes Gonçalves
- Orientador(a):Dr. Guilherme Rodrigues da Silva
- Instituição:Universidade de São Paulo
- Curso:Saúde Coletiva
- Titulação:Mestrado
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Outras teses e dissertações
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- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
Esta pesquisa narra a história das condições de vida e trabalho das mulheres das minas de carvão da região carbonífera de Santa Catarina no período compreendido entre 1937 à 1964. Evidencia as relações de poder e resistência que se davam no cotidiano das minas; a participação das mulheres nas minas em outras épocas e outros lugares. Fala dos trabalbos das mulheres nas Vilas Operárias Mineiras, de seus trabalbos dentro e fora de casa, bem como de relações amorosas, casamentos, conflitos, transgressões e rupturas conjugais. Finalmente descreve e analisa o processo de masculinização das minas, elucidando uma redefinição sexual do trabalho embutida no projeto de modernização e industrialização da mineração da região carbonífera de Santa Catanna. No seio deste projeto de modernização, políticas de assistência social e de higienização, norteados por papéis de gênero, foram implementadas sobre as famílias mineiras, sendo que uma das finalidades era "convencer" e qualificar as mulheres para que permanecessem no espaço doméstico.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Análise do discurso da Igreja Católica sobre contracepção, ressaltando como foi formulada sua política populacional, já que até a década de 1960 a política demográfica do Estado brasileiro era influenciada pela idéia de evolução, positivismo, eugenismo e racismo. A intenção principal é perceber a rejeição da Igreja aos modernos métodos anticoncepcionais, que foram centrados no saber médico. Observa como os médicos controlaram esta prática a partir do momento onde a pílula anticoncepcional trouxe mudanças consideráveis tanto para a questão do planejamento familiar, como no comportamento das mulheres.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Investigação e análise sobre os investimentos na produção do novo no MST, em sua busca de transformação social e construção do "novo homem" e da "nova mulher". Este estudo é um exercício crítico de reflexão sobre a natureza dessas produções nas relações cotidianas, nas tentativas de se construir sujeitos. Busca investigar como as mudanças foram sendo construídas e, de que forma, foram investidas sobre as relações de trabalho, sociais, políticas e, também, afetivas de mulheres e homens, bem como homens e homens, mulheres e mulheres nas dobras do devir MST.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Através da análise de artigos que circularam na Revista de Ginecologia e d' Obstetrícia entre os anos de 1907-1978, foi possível observar como um grupo de médicos representou experiências exclusivamente femininas, como a menopausa, além de apreender a construção de dois campos de conhecimento sobre a mulher na medicina no Brasil. Os artigos apresentados na revista evidenciam o modo como o discurso da medicina correlacionou as funções tradicionalmente atribuídas ao gênero, à anatomia e à fisiologia da mulher. Nesse sentido, a conduta feminina foi determinada pelo funcionamento de seus órgãos de reprodução. Da puberdade até a menopausa a mulher estaria condicionada, prisioneira do seu ciclo. A partir da menopausa, com a gradativa e contínua queda da produção de hormônio pelos ovários, a mulher teria como opção os hormônios de reposição que lhe permitiria restabelecer o equilíbrio. Hoje, os estudos de gênero dão a oportunidade de desmistificar essa leitura da medicina, transcendendo as definições estáticas que serviram e ainda servem para naturalizar papéis sexuais que foram definidos por uma pretensa "natureza feminina". É preciso ultrapassar as barreiras construídas pelas ciências biológicas que constroem sujeitos e estabelecem preceitos. Logo, não é por acaso que os estudos na área das ciências humanas tem mostrado que a diferença sexual é construída historicamente.
- Universidade Federal de Santa Catarina
O objetivo desse estudo é investigar as representações de gestores/as do Sistema Único de Saúde - SUS sobre a saúde da mulher em situação de violência e a influência dessas representações nas decisões por ações de saúde para essas mulheres, dentro da perspectiva de um estudo qualitativo e descritivo. Foram escolhidos três municípios da Região Metropolitana do Recife (PE) enquadrados enquanto em Gestão Plena do SUS, ou seja, com a possibilidade de gestão autônoma sobre seus recursos e serviços de saúde. A literatura destaca: um aumento significativo da busca pelo sistema de saúde por mulheres em situação de violência, sem que este sistema apresente uma solução; a necessidade do reconhecimento das diferenças dos papéis exercidos por homens e mulheres pelas instâncias governamentais; e que este reconhecimento ainda não foi devidamente incorporado ao planejamento das administrações municipais. No entanto, este estudo aponta para algo diferente: gestores/as que falam sobre planejamento de ações a partir de uma perspectiva de gênero, que favorece decisões por ações de saúde da mulher em situação de violência, todavia, dentro de um contexto maior: da forma como essa perspectiva está ou não fazendo parte dos valores e crenças dos gestores/as e do compromisso político da gestão com o movimento feminista, principalmente, pela pressão exercida por este, no que se refere à realização de políticas públicas para as mulheres e, dentre essas políticas, para as mulheres em situação de violência.
- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
No Brasil, o debate sobre organismos geneticamente modificados (OGMs) e alimentos transgênicos, que têm sido objeto de discussão sobretudo no espaço acadêmico universitário e na retórica argumentativa de ativistas de Organizações Não-Govemamentais (ONGs) e profissionais autônomos, traz a público posições divergentes a respeito da relação custo/benefício do uso da transgenia na área agrícola. O presente trata estudo das representações sociais do risco associados aos OGMs e aos alimentos transgênicos, com o propósito de levantar e examinar, entre diferentes pontos de vista, os mais significativos para considerar o risco e os alimentos dentro do escopo da “abordagem cultural do risco” (de Mary Douglas & Aaron Wildavsky, 1982) e da “teoria da alimentação” (de Claude Fischler, 1992). Discorre-se sobre os principais argumentos proferidos no Seminário Transgênicos: contextualizando o debate: prós e contras e para além dos prós e contras, realizado no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal de Santa Catarina (CFH/UFSC). A pesquisa apóia-se em dados qualitativos para a análise a partir de um corpus tomado através de entrevistas individuálizadas junto a agrônomos e representantes de ONG’s. Conclui-se que as conseqüências associadas à transgenia de plantas estão centralizadas no deslocamento da noção de propriedade para novos domínios transformando a descoberta científica na invenção comercial e, nesse movimento, transpondo as noções das propriedades da natureza e da cultura dos alimentos
Trata-se de estudo de caso sobre implantação de propostas de reorganização da assistência ao parto em maternidades da cidade de São Paulo, orientados pela idéia de humanização e de medicina perinatal baseada na evidência científica. Foi usada metodologia qualitativa, combinando-se técnicas de observação direta dos serviços em duas maternidades financiadas pelo SUS, durante o ano de 2000, depoimentos orais com informantes privilegiados e análise documental. Os achados sugerem que entre os fatores que podem tornar possível ou limitada esta humanização do parto estão a adequação do acesso aos leitos, da comunicação entre os sujeitos, do manejo da dor e dos tempos no parto; assim como a presença ou não de uma cultura de reconhecimento pelos profissionais tanto da evidência científica quanto dos direitos das mulheres
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
- 2001
Estudo historiográfico com base em processos de crimes sexuais registrados em Florianópolis durante os anos de 1930 e 1940. A década de 1930 foi marcada por um forte investimento estatal, representado neste trabalho pelo Poder Judiciário. O governo ditatorial, através das políticas intervencionistas procurou impor vários estereótipos de gênero, visando o controle e a normatização das práticas sexuais dos populares em Florianópolis. Nessa intervenção o Estado foi um propagandista de valores sociais, como a questão da honra, da virgindade e do casamento. Esses valores não possuíam um conceito generalista para os mais variados segmentos da população. Essa pesquisa procurou posicionar-se enquanto interlocutora dessas esferas, vislumbrando o Poder Judiciário enquanto um dispositivo propagador dos comportamentos adequados, e dos envolvidos, que ora foram cúmplices, ora não foram compreendidos pela justiça.
