Mulheres usuárias de álcool: subsídios para assistência
Este estudo tem como objetivo compreender através da ótica da mulher usuária de álcool, como se processou o contato com o álcool em sua vida, como percebia a vida antes e após a evolução para uso nocivo/dependência, os possíveis problemas desencadeados e os mecanismos de superação destes, a busca de tratamento e as mudanças processadas em suas vidas. Para realizar este estudo, optou-se por fazer uma pesquisa qualitativa, utilizando como estratégia metodológica a História de Vida. Foram realizadas 13 entrevistas semi estruturadas, gravadas para análise. O estudo aconteceu no Ambulatório de Tratamento e Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP Escola Paulista de Medicina/EPM, na cidade de São Paulo. Através da revisão da literatura, foi elaborado um histórico sobre o alcoolismo, seus conceitos, prevalência e a relação entre alcoolismo e gênero. Esta pesquisa parte da constatação de que existem poucos estudos qualitativos abordando o tema que relaciona mulher e alcoolismo. Após inúmeras leituras das entrevistas transcritas, surgiram 11 categorias: A Influência da família no primeiro contato com o álcool na infância, Influência de colegas e namorados no primeiro contato com o álcool na adolescência, Influência do companheiro no primeiro contato com o álcool na fase adulta, Conflitos emocionais influenciando o primeiro contato com o álcool, Aumento do consumo do álcool com intuito de superar conflitos emocionais Manutenção de atividades prazerosas como trabalho e lazer antecedendo o uso nocivo e a dependência ao álcool, Perdendo o controle sobre a bebida e o surgimento de comprometimentos clínicos, sociais e familiares, A percepção dos prejuízos motivando a busca de tratamento especializado, A necessidade em voltar a acreditar em si mesma, Acolhimento e respeito na chegada ao tratamento especializado, Reaprendendo a viver: lidando com a dependência. Os resultados desse estudo sugerem que a mulher usuária de álcool, inserida em tratamento especializado, necessita de atenção especial por parte dos (as) profissionais de saúde no que tange aos aspectos emocionais. Sugere também que o atendimento a essa clientela, quando realizado em grupo, se for homogêneo, possa facilitar a expressão de conflitos. O estudo também mostra a importância do resgate de familiares e filhos para participação no tratamento; manutenção de ambiente acolhedor no que diz respeito ao tratamento; atenção aos comprometimentos clínicos; promoção de resgate da auto-estima e da cidadania com objetivo de manutenção do processo de tratamento.
- Autores:Maria do Perpétuo Socorro de Sousa Nóbrega
- Orientador(a):Profa. Dra. Eleonora Menicucci de Oliveira
- Instituição:Universidade Federal de São Paulo
- Curso:Pós-graduação em Enfermagem
- Titulação:Mestrado
- E-mail:perpetuasn@terra.com.br
