Antecedentes e consequências da esterilização feminina
Muitos estudos apontam índices crescentes de solicitação de reversão após a esterilização feminina o que pode indicar opção mal avaliada, possivelmente por falta de informação e de acesso a outros métodos. A legislação brasileira exige que os serviços de saúde que realizam a esterilização ofereçam atendimento multiprofissional, informação e acesso a todos os métodos contraceptivos. Observações anteriores da prática em um serviço estruturado conforme a legislação, indicavam que muito raramente as mulheres mudavam sua opção inicial. Objetivo. Buscou-se identificar representações sociais dos diversos métodos, existentes em um grupo destas mulheres, com a finalidade de entender os motivos de rejeição a eles. Além disso, foram pesquisadas a satisfação com a opção e as repercussões da esterilização sobre a vida dessas mulheres.
- Palavras-chaveempoderamento, saúde, contraceptivos, fertilidade
- Orientador(a):SCHOR; Néia
- Instituição:Universidade de São Paulo
- Centro:Departamento de Saúde Materno-Infantil, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
- Curso:Saúde Pública
- Titulação:Doutorado
Outras teses e dissertações
Este trabalho objetiva compreender os usos da nomeação mulher trabalhadora rural como estratégia identitária de empoderamento e de obtenção de direitos pelas mulheres no Sertão Central de Pernambuco. É uma pesquisa de orientação etnográfica na qual se destaca, além das interações com as pessoas do lugar e das entrevistas, a análise de documentos de domínio público produzidos pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central de Pernambuco. Este estudo se filia à produção do Núcleo de Estudos e de Pesquisa em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos (PUC/SP) e alinha-se às investigações da Psicologia Social discursiva com ênfase no debate sobre práticas discursivas e posicionamento. Do ponto de vista teórico, foram consideradas ainda as reflexões feministas sobre categorias identitárias e processos de empoderamento. O argumento que norteia este estudo é de que ser mulher trabalhadora rural não é uma essência rígida e imutável ou tampouco algo intrínseco às mulheres que vivem e trabalham na área rural. Ser mulher trabalhadora rural é uma posição assumida a partir do lugar no qual a pessoa se situa. Entretanto, tanto a posição quanto o lugar são produtos sociais. A ênfase recai nos contextos interacionais e discursivos nos quais as mulheres se posicionam como trabalhadoras rurais. De forma ampla, é possível apontar que a nomeação mulher trabalhadora rural contribui para o empoderamento das mulheres e a obtenção de diversas ordens de direitos. Tal nomeação é imbricada com a ação coletiva das mulheres, sendo utilizada de diferentes maneiras e com objetivos diversos. Dependendo do contexto, ora elas se posicionam como mulheres, ora como trabalhadoras rurais, ora como moradoras da área rural do Sertão de Pernambuco. As mulheres transgridem os espaços socialmente delimitados para elas e desenvolvem novas posturas e interesses diante das suas vidas e do mundo a sua volta. Entretanto, apesar da consolidação de um vigoroso movimento de mulheres na região e das redes tecidas em âmbitos estadual, regional, nacional e internacional, em nível local, a família e a comunidade parecem resistir ao empoderamento das mulheres. A liberdade de ir e vir independentemente dos interesses familiares e o exercício da sexualidade fora da união conjugal não são conquistas plenamente consolidadas para todas as mulheres. Além disso, muitas mulheres não dispõem de documentos sobre o uso e a propriedade da terra, o que possivelmente indica pouco acesso e controle restrito das mulheres sobre os recursos materiais.
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
- Doutorado
Esta investigación se ocupa de las relaciones sociales de poder y su impacto en la subjetividad de las mujeres. El concepto de poder fue discutido desde la filosofía política de Foucault, en la que el poder es siempre relacional, y la subjetividad desde el psicoanálisis, más precisamente desde la corriente de Deleuze y Guattari quienes consideran que la subjetividad está en un permanente proceso de estructuración y reestructuración. Las categorías através de las cuales se abordó el estudio de la subjetividad fueron: deseo, identificación, narcisismo, superyo. Desde los estudios feministas, y con los aportes de la teoría del género, arribamos al concepto de empoderamiento, entendido como el ejercicio de un poder autónomo, para el propio desarrollo del sujeto, sin detrimento alguno para los demás. Para comprender el interjuego entre la subjetividad femenina y las pautas de dominación social en una cultura patriarcal como la del México metropolitano moderno, se utilizó un modelo operativo denominado Modo de Organización Social. Se tomaron particularmente en cuenta los imaginarios sociales y cuatro instituciones intermedias: familia, escuela, trabajo y medios. Para mostrar el funcionamiento del modelo de análisis propuesto, se describen seis estudios de caso, en los que se analizan los cambios psicosociales llevados a cabo por las mujeres de dicha casuística, cinco de las cuales logran empoderarse. Para lograr dichas conductas empoderadas se analizó la relación de las sujetos con el dinero, obtenido por herencia y por trabajo remunerado, y con el estudio.
- Universidad Nacional Autónoma de México
- Doutorado
Esta dissertação tem por objetivo mostrar a participação das mulheres nos movimentos reivindicativos de bairro que fazem parte do PREZEIS - Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social, da cidade de Recife, e onde estão inseridas as mulheres dessa pesquisa, representa bem mais que simples reivindicações materiais de sobrevivência junto ao Estado. Essa participação é significativa, sobretudo em nível da própria participante enquanto pessoa, visto que nesses espaços experimentam uma nova sociabilidade, que por sua vez vão favorecer, através dos seus elementos formadores, à aquisição de novos conhecimentos, trocas de experiências, revitalização da autoestima, maior conscientização. Elementos que fazem com que essas mulheres se percebam e passem a agir como um sujeito remodelado, com outra visão de mundo e das pessoas. A formação desse "novo sujeito", proveniente da interconexão da esfera pública e privada, acaba contribuindo para alterações nas relações de gênero no espaço do lar.
- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
O trabalho relata a elaboração, implementação e a avaliação de um marco conceitual de abordagem cultural para assistir mulheres e recém-nascidos que estavam vivenciando o processo do nascimento. A elaboração do marco conceitual fundamentou-se na perspectiva do nascimento como um rito de passagem e foi desenvolvida para dar direção ao "Processo de Caminhar Juntos", atuando como um guia de orientação para permitir o constante diálogo entre teoria e prática. O "Processo de Caminhar Juntos" representa a aplicação de quatro fases que ocorrem de maneira complementar e concomitante durante toda a prática assistencial. Nesta perspectiva, a enfermeira atua buscando a constante ação/reflexão com os co-participantes do estudo, para a obtenção de ritos de cuidado culturalmente congruentes que contribuam para o processo de viver saudável. Sua implementação ocorreu em Florianópolis - SC e estendeu-se de abril a agosto de 1993. Durante esse período, enfermeira, mulheres e recém-nascidos começaram a interagir na instituição-maternidade, logo após o momento pós-parto e, posteriormente, deslocaram-se aos domicílios, até que os recém-nascidos completaram um mês de vida. Na análise dessa prática a autora validou a possibilidade e importância de desenvolver um marco conceitual de referência cultural. Os resultados mostraram que o marco conceitual elaborado e implementado na prática foi adequado permitindo, além de sua validação, seu aprofundamento. O processo de enfermagem desenvolvido permitiu que se consolidasse a proposta de integração dos aspectos culturais, além de contribuir para a ampliação do significado de se preservar, acomodar e reorganizar os ritos de cuidado populares e profissionais durante a prática assistencial.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
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- Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP
- Doutorado
As questões de gênero no movimento sindical.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A tese visa analisar o empoderamento de mulheres líderes de comunidades da periferia de Florianópolis, a partir das dimensões de gênero, classe e etnia. Forma entrevistadas 15 lideranças através do "método biográfico", o que proporcionou a reconstrução da história estrutural e sociológica de um grupo social de pessoas procedentes da miscigenação de índio com branco, que viviam no entorno caboclo, como posseiros e foram expropriados de suas terras, tendo que migrar para a cidade. A pesquisa conclue que o processo de empoderamento implica primeiramente na aquisição do espaço privado da casa, base social que gera segurança e alavanca a auto-confiança, para em seguida despertar da consciência crítica, o engajamento nas lutas e conquistas e a emergência de um sujeito político com chances de decidir, deliberar e determinar sobre o processo de transformação da sociedade.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Doutorado
O conhecimento da incidência e das características do aborto provocado, sobretudo o ilegal, é de grande interesse tanto para a Saúde Pública, como para a Demografia. Não obstante, poucos são os estudos na América Latina e no Brasil, que se propõem a investigar sua ocorrência. Ocorre que a conotação de "crime", que lhe é atribuída, dificulta sobremaneira sua abordagem. A presente pesquisa foi realizada entre 2.000 mulheres em idade fértil - 15 a 49 anos -, residentes no sub-distrito de Vila Madalena, São Paulo, Brasil, com o objetivo central de aprofundar o conhecimento do aborto provocado, relacionando-o a variáveis sociais, econômicas e demográficas, reconhecidamente ligados à sua ocorrência, e, especialmente à fecundidade. Em caráter experimental, utilizou-se a Técnica de Resposta ao Azar (TRA) que, segundo a literatura internacional, propicia a obtenção de informação mais fidedigna. A avaliação da viabilidade dessa técnica é outro objetivo da pesquisa. Pela TRA pôde-se estimar que 41 em cada 1.000 mulheres, provocaram um aborto em 1987, enquanto apenas 8 em 1000 mulheres admitiram, por abordagem direta, terem provocado um aborto nesse período. Os resultados confirmam, por um lado, omissões voluntárias de informação e, por outro, a conveniência de se trabalhar com a TRA. A análise de diferenciais dos abortos ocorridos no transcorrer da vida reprodutiva, identificou as não casadas, as sem nascidos vivos, as com menor nascimentos que o desejado, as que possuem entre 15 e 19 anos de idade, as que verbalizaram aceitar a prática do aborto provocado em qualquer circunstância, como sendo as categorias de mulheres que ao engravidarem, recorrem com maior intensidade ao abortamento provocado. Mediante o estabelecimento de paralelismos entre TRA e abordagem direta, pôde-se evidenciar que as mulheres que mais omitem informação são, em geral, as que mais abortam. A elaboração dos modelos multivariados, por sua vez, permitiu evidenciar que, não possuir restrições à prática do aborto e não ser casada, são potenciais fatores de risco. Ao que tudo indica, enquanto as mulheres não casadas, particularmente as solteiras, recorrem ao aborto para se livrarem de uma gravidez indesejada, as casadas o buscam para manter o número de filhos dentro dos limites desejados ou para espaçar um nascimento de outro. Há razões para se suspeitar que a prática do aborto se intensificará em nosso meio, num futuro próximo. Ao que parece, nem a renda familiar nem a escolaridade, interveem na opção da mulher pelo aborto. Enfim, apesar das dificuldades existentes em se trabalhar o tema aborto, os resultados conseguidos nesta pesquisa, deste ponto de vista, superaram a expectativa, fundamentalmente, em função do sucesso da TRA.
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
Este estudo investigou qual o nível de conhecimento em relação à AIDS e quais as atitudes apresentadas pelas mulheres acima de 50 anos que podem favorecer o aumento da vulnerabilidade na exposição ao HIV. As participantes são mulheres, com idade a partir de 50 anos, freqüentadoras do Núcleo de Estudos da Terceira Idade - NETI, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Os objetivos foram verificar o conhecimento que estas mulheres possuem sobre as formas de contágio e os métodos de prevenção da infecção pelo HIV e a compreensão apresentada pelas mulheres sobre a AIDS e sua relação com a prática da sexualidade, bem como oferecer subsídios para políticas públicas e indicações para ações de prevenção voltadas para este segmento da população. Para alcançar os objetivos propostos, optou-se por realizar uma pesquisa descritivo-exploratória com abordagem qualitativa. Foi utilizada a entrevista semi-estruturada, enquanto instrumento para a coleta dos dados. Sobre a sexualidade, ficou perceptível que: 78% das entrevistadas adotam a posição de que homens e mulheres devem estar bem informados em relação ao sexo; a liberação sexual é percebida negativamente pelo grupo estudado; a satisfação sexual é vista como fundamental para 50% das mulheres, e; 72% delas afirmam conversar sobre sexualidade com familiares, 26% conversam com o marido / companheiro e 7% com os profissionais da área da saúde. Sobre o conhecimento e atitudes sobre a doença, constatou-se que: a AIDS é vista como uma doença sexualmente transmissível, perigosa e fatal para 57% das entrevistadas; a televisão é o principal meio de obtenção das informações sobre a doença para 89% das mulheres; as formas de infecção mais citadas são a relação sexual sem a utilização de preservativo e o contato com sangue infectado; as formas de prevenção mais abordadas foram a utilização de preservativo, de seringas descartáveis e a transfusão com sangue testado; o teste para detecção do HIV é percebido como menos necessário para as mulheres grávidas; 59% das mulheres afirmam corretamente que o número de casos de AIDS em casais heterossexuais que estão juntos há muito tempo e/ou que mantém uma relação fixa está aumentando; 70% delas não se percebe em risco de se infectar pelo HIV, e; a relação heterossexual fixa e/ou de longa duração é o tipo de relação menos vista pelas mulheres como vulnerável à infecção pelo HIV e em especial pelas entrevistadas casadas. Concluiu-se que a falha no conhecimento em relação à AIDS e as atitudes de risco frente à doença apresentadas pelas mulheres na pesquisa, decorrem da permanência da concepção de grupos de risco, da dinâmica de poder inerente às relações de gênero em nossa sociedade, bem como da falta de políticas públicas de prevenção à AIDS que atinjam com eficácia este segmento da população, explicitando nitidamente o risco de infecção vivido pelas mulheres que mantém relações heterossexuais fixas e/ou de longa duração.
- Universidade Federal de Santa Catarina
