Instituto de Estudos de Gênero

O Tempo e o Vento Adaptado

Esta dissertação tem por objetivo ler a obra O Tempo e o Vento, de Erico Veríssimo, na forma escrita e na adaptação cinematográfica. No texto original a figura gaúcho se reverte e se subverte na troca do espaço rural pelo urbano. Na adaptação, é possível uma outra leitura: o homem gaúcho permanece no meio rural, no campo no pampa. Permitindo uma nova visão da construção do Estado do Rio Grande do Sul enquanto fronteira.


Outras teses e dissertações

Tese
Os irmãos de Hilda Hilst. Transtextualidade e experiência interior

Esta pesquisa apresenta um biografema da escritora, poeta, dramaturga e pensadora Hilda Hilst (1930-2004), a partir da experiência interior que se delineou em sua escrita. São fragmentos que revelam a coesão de uma obra centrada em temas relativos aos principais questionamentos filosóficos e espirituais da humanidade, numa poesia que se revelou em cada gênero onde Hilda inaugurou diferentes linguagens, na prosa, na dramaturgia e na crônica. Sua experiência interior, aquela propalada por Georges Bataille, foi moldada nas leituras atentas, transcritas em toda forma de poesia, da sagrada à profana, a partir de muitas afinidades eletivas. Neste trabalho, uma das principais pistas para o entendimento de sua teia intertextual, foi fornecida pela própria escritora, que transferiu a leitura para a vida, quando chamou de irmãos aos escritores Franz Kafka (1883 – 1924), Ernest Becker (1924 – 1974), Samuel Beckett (1923 – 1989), Nikos Kazantzákis (1883 – 1957), Carl Gustav Jung (1875 – 1961) e Hermann Broch (1886 – 1951).

Tese
TIRANDO DO CRIME E DANDO OPORTUNIDADE : ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DE PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS EM DUAS ONGS DE FLORIANÓPOLIS-SC

Esta tese analisa discursos e práticas de educadores de duas ONGS de Florianópolis cujas ações sociopolíticas e pedagógicas têm como objetivo "retirar as crianças das ruas” (leia-se: da “criminalidade” e da “violência”), e “dar oportunidades", um discurso social bastante comum no Brasil. Estas ações podem ser entendidas como manifestações da movimentação da sociedade civil organizada que se dirigem ao enfrentamento de problemas sociais em um contexto de aparente “crise das instituições”. Além disso, são características de uma mudança de foco no enfrentamento das violências em uma direção preventiva, através de intervenções sobre categorias e configurações de sujeitos. A discussão se baseia em uma tentativa de articular os debates acerca das violências com as teorias da civilização e da pacificação social, com as análises sobre a sociedade civil em seu papel de enfrentamento destes “problemas” e também com as teorias do reconhecimento social e da redistribuição material, agência e empoderamento, como estratégias para aportar "soluções". Busca-se neste trabalho perceber nas ações de agentes de ONGs de educação infantil e educação complementar comunitária de Florianópolis as possibilidades e limites de enfrentamento das violências entre os jovens e crianças atendidos por estas instituições. Para tanto, procurou-se articular e fazer dialogar teorias antropológicas e sociológicas com os discursos e práticas dos sujeitos pesquisados acerca dos temas relativos às violências, à educação e aos movimentos sociais. Procurou-se explorar os entendimentos do conceito de “violência” e as formas como este entendimento afeta as modalidades propostas de intervenção e prevenção, buscando perceber o que as soluções propostas podem nos dizer acerca da maneira como estes agentes veem e interpretam moralmente a si, ao mundo contemporâneo e seus problemas.

Tese
"Frutos do suor": relações de exploração, produção e dependência do trabalho doméstico na corte imperial (1822-1888)

O mercado de trabalho doméstico no Rio de Janeiro entre os anos 1820 e 1880 era heterogêneo do ponto de vista do sexo, origem, condição jurídica, idade e cor. Todas estas características, somadas a pobreza desta parcela da classe trabalhadora urbana provocavam situações de vulnerabilidade social que abriam precedentes para relações marcadas pela dependência e moldadas pela escravidão. O trabalho doméstico era realizado por escravos, mas também por libertos e livres pobres, especialmente do sexo feminino. Esta tese tem como objetivo compreender aspectos das relações de exploração, produção e dependência do trabalho doméstico de livres e libertas na corte Imperial, reconhecendo as influências das categorias de gênero, raça e classe no cotidiano das trabalhadoras e seus patrões. O trabalho doméstico constituía-se em atividade econômica fundamental tanto para quem contratava quanto para quem era contratado e configurava-se em estratégia de sobrevivência de trabalhadoras pobres das áreas urbanas. As fontes utilizadas nesta pesquisa são anúncios do Jornal Diário do Rio de Janeiro e processos civis empreendidos por mulheres que foram à justiça reivindicar soldadas, ou seja, pagamentos por serviços domésticos realizados. A partir destes documentos foi possível discutir a atuação das trabalhadoras domésticas nos espaços públicos e privados, os limites entre o trabalho doméstico remunerado e não remunerado, as aproximações existentes entre os serviços das domésticas e outros ofícios urbanos e em que medida os pressupostos de afeto e proteção turvavam as fronteiras entre trabalho e dependência, colocando em questão a remuneração. As contendas jurídicas analisadas nos dão pistas acerca do que se considerava ser o trabalho de uma criada doméstica e sobre o paradoxo gerado pela oposição entre remuneração e dependência. Os entendimentos de empregada e empregador acerca dos significados destas relações poderiam ser distintos e terminavam em disputas sobre os papéis que cada um ocupava na vida do outro.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Movimento feminista e Estado: aproximações e afastamentos a partir do debate sobre a ilegalidade do aborto

Após a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada no Brasil em 2004, em que uma das demandas reivindicadas foi a revisão da lei punitiva às mulheres que praticam a interrupção voluntária da gravidez, verificou-se maior mobilização do movimento feminista sobre tema. Havendo abertura do poder executivo para esse debate, observamos o redirecionamento de repertórios do movimento feminista a fim de melhor aproveitar essa oportunidade política, construindo, nos primeiros anos do Governo Lula, um diálogo intenso com a recém criada Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Este trabalho propõe analisar essa aproximação e os afastamentos ocorridos até o período pré-eleitoral de 2010, partindo de teorias contemporâneas sobre movimentos sociais, como a Teoria de Novos Movimentos Sociais, Teoria de Mobilização de Recursos e Teoria de Processos Políticos e a sistematização realizada pela Research Network on Gender Politics (RNGS), cujo foco é a análise da relação dos movimentos de mulheres e feministas com organismos de políticas para mulheres (OPM) em diversos países. Foram realizadas pesquisas bibliográficas, documentais e entrevistas com representantes de movimentos feministas protagonistas nesse conflito e profissionais de órgãos públicos federais que lidaram diretamente com os debates sobre a interrupção voluntária da gravidez. Mesmo observando a heterogeneidade de posicionamentos dentro do Governo Federal, constatou-se a recorrente diminuição de diálogo do poder Executivo com o movimento feminista e menor incidência, com relação a esse tema, no legislativo, nos períodos que antecedem o período eleitoral, demonstrando que alguns temas são relegados da agenda de políticas públicas em nome da governabilidade.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Itinerários de si: entre a permanência e a mudança

O presente trabalho propõe tomar o tema da identidade a partir de uma perspectiva crítica, assumindo como objeto de análise um conjunto de fragmentos colhidos numa comunidade da rede virtual de relacionamentos Orkut que propõe o debate acerca do tema da mudança. A comunidade Eu Mudei corresponde ao espaço discursivo onde se articulam os testemunhos de sujeitos, seus processos de desubjetivação e transformação, produzindo a abertura na qual é possível ver o lugar da relação com o exterior no aparentemente simples gesto de enunciação da mudança. Trabalhada na sua banalidade, e não apesar dela, a comunidade configurou-se então como o espaço em que a ambivalência da constituição do sujeito, nesse lançar-se contínuo à mudança, realizase, tanto na abertura ao impessoal, quanto na recondução a posições identitárias. O processo pelo qual se converte uma forma de subjetividade em outra constitui um intervalo, um hiato entre dois vir a ser subjetivos, distância entre o que deixei de ser e o que sou agora. O trânsito de uma identidade a outra expõe a sua radicalidade histórica: a constituição contingencial diante das forças positivas de seu tempo que delimita, recorta e hierarquiza as formas válidas de ser sujeito. O trabalho também buscou mostrar que esse lugar de enunciação da mudança produz movimentos outros e dá abrigo a vozes que não foram capturadas e reconduzidas a posições identitárias. Nesse caso, o gesto que nos lança ao movimento de mudança articula-se potente quando o que resta coincide com o que é suficiente para continuar. Mesmo um conceito como o de identidade, só pode apontar para o uno, para o indivisível, para a unidade, porque o seu processo de produção também já remete para o múltiplo, para o de fora, para o devir. A distância imposta pela passagem de uma posição identitária para outra é suficiente para restituir ao sujeito a sua condição de força afetada pelo mundo e de pura abertura à exterioridade. Descolada dos conteúdos das proposições, as forças singulares e nômades se dão nessa passagem, nesse salto que encontra no testemunho a possibilidade de expressão de sua potência criadora.

Tese
Entre Amigos: antropologia da homossociabilidde masculina em camadas populares na periferia metropolitana da Grande Florianópolis

O tema condutor do trabalho é a “homossociabilidade masculina” e “cultura urbana” de “tradição mediterrânea”, como campo cosmológico de práticas sociais na periferia metropolitana da região da Grande Florianópolis, no Estado de Santa Catarina. O texto ampara-se no recurso da análise simbólica antropológica sobre os processos de urbanização e migração que se constituem como práticas sociais a partir de um campo moral mediterrâneo que define o tom de vida cotidiana em algumas comunidades, caracterizadas pelo crescimento urbano acelerado e pela concentração demográfica de populações imigrantes. Os principais dados de análise dos contextos de interações sociais foram coletados a partir do método etnográfico de pesquisa e analisados à luz da literatura antropológica sobre sociedades complexas e contextos urbanos, cosmologia, gênero e povos mediterrâneos da Espanha, Portugal, Grécia, Egito, Chipre e Argélia. O foco da experiência etnográfica foi centrado na convivência cotidiana do pesquisador com alguns percursos sociais de dois “chefes de família” imigrantes, oriundos de regiões de tradição rural, que se estabeleceram num dos municípios da região pesquisada. Os principais argumentos da tese problematizam os aspectos que caracterizam algumas singularidades culturais brasileiras, levando em consideração contextos de interações sociais orientados exclusivamente pela tradição mediterrânea originária, ponderando sobre o que se supõe ser “originalmente brasileiro”.

Tese
Relatos e Imaginário: um estudo possível da homossexualidade através de uma leitura de Freud e Lacan

Este trabalho de dissertação se propõe a discorrer sobre a homossexualidade feminina, fundamentando-se em uma leitura da teoria psicanalítica. Foi estruturado sobre duas técnicas de pesquisa. A primeira, bibliográfica, utilizou textos de Freud, especialmente, e Lacan, para discorrer sobre a constituição da sexualidade humana a partir das diferenças sexuais. Na segunda, pesquisa de campo, o autor obteve entrevistas de três mulheres homossexuais em Florianópolis, com relatos de suas experiências de vida. As interpretações imaginárias dos sujeitos entrevistados, fimdamentaram-se em constructos psicanalíticos, embora este não tenha sido um estudo clinico. A psicanálise foi utilizada como uma possível leitura sobre a temática da homossexualidade, porque, diferentemente de outros paradigmas, construiu-se a partir da teorização sobre a sexualidade humana. Para a psicanálise, a pulsão não tem objeto previamente definido e a posição sexuada dos sujeitos, sendo produto de suas identificações, nada deve à biologia. Neste sentido, o autor acredita que seu trabalho possa prestar alguma contribuição para as discussões sobre homossexualidade.

Tese
A positivação de índios e mestiços na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1900-1930)

No início do século XX, ainda um período de transição do regime monárquico para o regime republicano, parte da sociedade letrada brasileira passou a valorizar a variedade regional, étnica, cultural do Brasil, tendo como objetivo apresentar um modelo mais integrador da nação de acordo com as ideias de progresso e civilização. Contudo, pensar em questões nacionais, implicava também discutir o país como nação. Um dos problemas apontados é que, em 1822, o Brasil se constituiu como Estado, antes mesmo de se construir como nação. Além da busca incessante por estudos históricos para a construção de uma nacionalidade, outro fator que estava em jogo era a "questão racial". Quais seriam os critérios adotados pela intelectualidade para caracterizar o povo brasileiro em uma coletividade? Como índios, negros e mestiços seriam integrados a este projeto nacional? Esta pesquisa procurou analisar os discursos proferidos nas revistas do IHGB, nas três primeiras décadas do século XX, evidenciando como as noções de raça, de sexualidade e de gênero se imbricam nesses discursos para a construção da nacionalidade brasileira do começo do século XX. Na confluência desses debates, ao se definir o caráter físico e moral da nacionalidade brasileira, raça e sexualidade apareceriam nos discursos reproduzidos e elaborados pela revista do Instituto como estratégias políticas simbólicas para subjugar as mulheres indígenas e mestiças. Construir um país moderno implicava controlar os corpos femininos, uma vez que possuíam a função de serem reprodutoras, seriam as responsáveis por "sujar" a nova prole brasileira.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Trajetórias e leituras feministas no Brasil e na Argentina (1960-1980)

Estudo das leituras e dos livros feministas com ênfase em uma determinada geração de leitoras identificadas com os feminismos em discussão durante as ditaduras militares e os períodos de redemocratizações entre as décadas de 1960 e 1980 no Brasil e na Argentina. A partir da análise de uma série de depoimentos (memórias) e produções textuais sobre os feminismos – livros, artigos, reportagens e resenhas publicadas em jornais e revistas – o presente trabalho procura compreender as ressonâncias das leituras nas constituições dos feminismos e nas identificações pessoais das leitoras com os movimentos feministas em ambos os países, assim como (re)constituir um repertório de leituras consideradas feministas que brasileiras e argentinas elaboram e reiteram como “clássicas” do movimento. Ou seja, esta tese tem por objetivo refletir sobre a produção de um cânone de leituras feministas historicamente elaborado por uma “comunidade de leitoras feministas” onde ganham destaque O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, e Mística Feminina, de Betty Friedan, entre os textos mais citados tanto nas falas quanto nas produções escritas. Uma que vez que a maioria das feministas entrevistadas e autoras dos textos produzidos entre os anos 1960 e 1980 estavam ligadas às instituições de ensino e/ou organizadas em movimentos feministas, considerou-se a ação institucionalizadora das leituras na esfera acadêmica, legitimando produções textuais e ajudando a formar grupos de pesquisa. Concluiu-se que a menção a um texto e/ou autora não é aleatória, mas está inscrita em um processo complexo que remonta aos paradigmas compartilhados por uma comunidade específica de leitoras.

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