
O significado da identidade visual do Fazendo Gênero 14
O site do Fazendo Gênero 14 está no ar! Confira o significado lindo da arte que simboliza essa edição do Seminário Internacional Fazendo Gênero
Essa imagem nasce do mesmo chão de onde vem o chamado: corpos-territórios na luta por vidas. Os pés tocam a terra e dela brotam raízes que são vivas: o corpo que pertence, que se reconhece como parte da terra. Corpo que é território, território que é corpo.
Ali, no encontro entre pele e chão, estão as memórias, as ancestralidades, os saberes que permanecem. Como nos ensinam as mulheres indígenas, não existe vida separada da terra-floresta, das águas, dos animais e dos encantados. A imagem nos lembra que tudo está conectado, com delicadeza e força.
As raízes se espalham e desenham caminhos de ligação, de continuidade, de resistência. São vínculos que o colonialismo tentou romper, que seguem vivos e emergem. Cada raiz afirma que nossas existências são plurais, entrelaçadas, interdependentes, coexistentes.
Quando os territórios são violados, os corpos também são. Essa verdade atravessa o nosso tempo, marcado por tantas violências contra mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. Por isso, o corpo que avança - um passo à frente - é um gesto político, pois seguir caminhando é insistir na vida.
A floresta ao fundo faz parte do todo. Sustenta, respira, acompanha. Assim como nós somos parte dela. É nesse entrelaçamento que os (eco)feminismos diversais se afirmam como prática de cuidado, de conexão e de reconstrução.
Reflorestar vira ação. Reflorestar os corpos-territórios. Reflorestar as mentes, os afetos, os vínculos. Reflorestar como forma de cura — da Terra, dos seres e das relações.
Essa imagem é um chamado e uma representação. Chama mulheres e diversidades vivas a seguirem semeando alianças, saberes e espiritualidades. A reconstruir o que foi rompido. A fazer nascer, mesmo em meio às violências, outras formas de existir.
Onde há raiz, há vida que continua. Onde há corpos-territórios em luta, há sempre possibilidade de futuro.
A arte que dá forma visual a esse chamado foi criada à mão por Kamilla Sell (Kami), artista convidada pelo Fazendo Gênero 14 para conceber a identidade desta edição.
Em seu traço, Kami traduz o diálogo com o tema “Corpos-territórios: (eco)feminismos diversais na luta por vidas”, mobilizando referências de sua jovem história, ativismo, trajetória, pertencimentos e paisagens afetivas, que atravessam sua criação.
Criação que entrelaça delicadeza e força, memória e movimento, deixando inscrita nesta edição uma marca que convida ao gesto, à ação. Seu trabalho inscreve, na imagem do FG14, uma poética do enraizamento, da conexão e da resistência, transformando arte em linguagem política e sensível, capaz de anunciar os futuros que desejamos semear coletivamente.









