Instituto de Estudos de Gênero

A arte a partir do queer

O presente estudo tem como principal objetivo a constituição de arte do erótico como objeto de estudos, a partir da perspectiva queer. Através de conceitos como ambiguidade, fetichismo, manifesto e desafio, se problematiza o feminino. Parte-se do suposto de que existe um regime epistemológico visual que trabalha mediante tecnologias do corpo e de visualidade, para a configuração de um código binário sexista. Dessa forma, propõe-se uma metodologia queer para a pesquisa prática das artes visuais, em cujo processo se faz necessária a realização de genealogias, (en)codificações culturais, e, experimentações plástico-conceituais. O eixo condutor da tese são as experiências práticas y teóricas idealizadas e executadas mediante um tipo de insistência pela autora como artista e pesquisadora no decorrer dos estudos de doutourado (PPGICH/UFSC), no Brasil, e, no Estudo Espanhol

  • Instituição:Universidade Federal de Santa Catarina
  • Titulação:Doutorado
  • Ano de publicação:2011
  • Número de páginas:367

Outras teses e dissertações

Tese
Recortes da moda, Coopa-Roca um conceito de arte

A dissertação propõe uma reflexão sobre a moda, na medida em que ela produz códigos e expressa identidades permeadas por símbolos e condicionadas pela cultura, pelo meio social e pelos valores estéticos de cada época. Essa abordagem nos remete ao estudo da moda em suas interfaces no campo da arte, do feminino e da cultura. Nesse sentido, enfocamos o trabalho da Coopa-Roca, uma cooperativa de mulheres artesãs da favela da Rocinha no Rio de Janeiro, como uma possibilidade artística, uma vez que está envolvida por questões plásticas e estéticas ao lado de implicações com a moda e com a arte popular brasileira, com as questões dos fazeres artesanais femininos e da reciclagem dos materiais. Uma produção envolvida por imagens e significados próprios a um estilo ou a busca de um estilo brasileiro.

  • Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Mestrado
Tese
Profissão artista: pintoras e escultoras brasileiras entre 1884 e 1922

Esta tese de doutoramento procura investigar quais eram as condições de concretização de carreiras artísticas femininas dentro do universo acadêmico brasileiro. Por não serem previstas como alunas desde a fundação da Imperial Academia de Belas Artes a principal instituição responsável pela formação de artistas as mulheres viram cerceadas suas chances de carreira durante a maior parte do século XIX. A exclusão desse universo restringia significativamente a atuação das artistas mulheres às faturas artísticas menores, tradicionalmente desvalorizadas. Eram então percebidas como amadoras, o que as diferenciava dos artistas homens, julgados em sua maioria profissionais. Apesar dos percalços, muitas mulheres expuseram seus trabalhos ao longo do XIX, após encontrarem em aulas particulares as instruções necessárias para se capacitarem como artistas. Além da formação privada, aos poucos se abriram outras oportunidades de estudos, como a Academie Julian, sediada em Paris, que atraía uma clientela internacional, inclusive feminina. Finalmente, após a proclamação da República, o ensino superior abriu suas portas às mulheres e estas puderam acessar à Academia. A tese aborda algumas trajetórias de pintoras e escultoras como Abigail de Andrade, Berthe Worms, Julieta de França, Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto e Georgina de Albuquerque, que são exemplos concretos dos modos com que algumas mulheres vivenciaram e venceram os obstáculos existentes. Munidas de sólida formação artística e contando com apoio de seus familiares (pais, maridos ou amantes), essas artistas manejaram um conjunto de dispositivos favoráveis que, somados à qualidade alcançada por muitas de suas obras, lhes permitiram lograr carreiras de êxito.

  • Universidade de São Paulo
  • Doutorado
Tese
Sentidos atribuídos por adolescentes ao consumo de bebidas alcoólicas no meio oeste catarinense

A presente pesquisa de dissertação de Mestrado em Psicologia - UFSC, fundamentada na teoria histórico-cultural em Psicologia, teve como objetivo investigar os sentidos atribuídos por adolescentes da região Meio-Oeste catarinense ao consumo de bebidas alcoólicas. Embora existam inúmeros trabalhos relacionados ao tema em questão, cabe ressaltar que não foram encontrados, durante o período da pesquisa, estudos que tivessem estreita relação com o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes em município de pequeno porte. A maioria dos trabalhos encontrados aborda o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes relacionados a outros tipos de drogas, tanto lícitas (tabaco e medicamentos), quanto ilícitas (maconha, cocaína, êxtase). Essa situação remete a pensar não somente sobre os aspectos relacionados à adolescência como período importante do desenvolvimento humano, mas também sobre as diversas situações a ela relacionadas, dentre elas os sentidos atribuídos ao consumo de bebidas alcoólicas. Para a realização da pesquisa, foram entrevistados seis adolescentes com idades entre 15 a 19 anos. As entrevistas semi-estruturadas foram organizadas em torno dos eixos temáticos: adolescência, consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes e consumo de bebidas alcoólicas na família de origem. Os dados obtidos nas entrevistas foram submetidos à análise do conteúdo do discurso, levando em consideração os apontamentos existentes na literatura científica. Foi possível identificar que o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes é associado à facilitação para a sua socialização e ao enfrentamento de situações novas. Outro aspecto apontado relaciona-se à solidão e à falta de companhia feminina, no caso dos meninos. Ainda, no que se refere aos meninos, aparece o consumo de bebidas alcoólicas associado à identificação com o modelo masculino e à sociabilidade masculina. Também evidencia-se a relação entre o consumo e o fato de os pais beberem habitualmente, bem como se identificou tal consumo associado a sofrimento e à fuga da realidade. Apesar dos vários estudos e pesquisas nesse campo, o estereótipo de uma adolescência conturbada e de um adolescente rebelde ainda persiste, merecendo, dessa forma, um olhar mais cuidadoso.

Tese
As mulheres na imprensa alternativa: gênero e feminismo nas páginas do jornal Movimento

Esta investigação teve como objetivo analisar os discursos acerca de questões ligadas aos feminismos - o trabalho das mulheres e o aborto - e os discursos de gênero veiculados pela imprensa alternativa brasileira entre 1975 e 1981, período não só marcado pela ditadura civil militar, mas também pela efervescência dos movimentos sociais. Para isso, selecionei como fonte o periódico semanal Movimento, fundado em 1975 por um grupo de jornalistas liderados por Raimundo Pereira, em razão de o jornal ser considerado um dos mais importantes alternativos da época. Para realização dessa proposta, foram avaliados ao todo 150 exemplares do jornal e selecionadas como objeto de análise: as capas que abordavam problemáticas feministas, as reportagens que tratavam de temáticas ligadas às mulheres e as cartas de leitores e de leitoras relacionadas diretamente às reportagens escolhidas. Metodologicamente me apropriei de ferramentas da disciplina da Análise do Discurso (AD), na acepção de Eni Orlandi (1994, 2011), buscando perceber como os discursos veiculados por Movimento sobre temáticas dos feminismos funcionaram tanto para atacar, como para divulgar o ideário feminista naquele contexto. Ainda em relação ao ponto de vista teórico, a categoria gênero, de acordo com Joan Scott (1990), foi de grande importância para a elaboração da pesquisa e também para as análises realizadas, assim como os apontamentos feitos por Tânia Regina de Luca (2005), acerca dos cuidados que se deve ter em transformar a imprensa em fonte histórica. Os resultados da pesquisa indicam que o Movimento, no que se refere ao trabalho das mulheres, deixou de lado problemáticas importantes, como a dupla jornada de trabalho. Para tanto, o jornal utilizava dos mesmos discursos das esquerdas da época que não reconheciam a exploração entre os sexos, somente entre as classes. No que diz respeito ao aborto e aos direitos reprodutivos, o jornal atuou de duas maneiras: reforçando a ideia de que o corpo das mulheres era um campo de experimentação, no caso, o uso da pílula anticoncepcional, não reconhecendo a autonomia das mulheres. Já em relação ao aborto, o jornal se aproximou do ideário feminista, defendendo a legalização do aborto e reconhecendo nisso um direito das mulheres. Além disso, foi possível verificar que os feminismos obtiveram espaço dentro do jornal, principalmente com cartas publicadas, e que o semanário foi um divulgador de algumas bandeiras dos feminismos, mesmo não tendo intenção explícita. Com essa proposta, busco contribuir para a construção da história dos feminismos no Brasil, que, diante do que representou a ditadura civil-militar, teve muitas de suas histórias não expostas.<br>

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Memórias de parteiras: entrelaçando gênero e história de uma prática feminina do cuidar

O presente estudo procurou resgatar através da memória de parteiras um fazer que historicamente está associado a uma prática feminina, tentando uma aproximação desse fazer com o que se tem proposto atualmente como "humanização do parto". Trata-se de um estudo qualitativo que utilizou a História Oral Temática como método de apreensão dos dados. Seguindo uma tendência de vários oralistas da atualidade, as narrativas coletadas através das entrevistas foram apresentadas na íntegra, textualizadas pela autora, na tentativa de manter toda a força e singularidade contidas nesses discursos. Da pesquisa participaram sete colaboradoras, sendo três do Estado de Santa Catarina e quatro do norte do estado de Minas Gerais. A colônia foi composta por mulheres que durante o período compreendido entre as décadas de quarenta e a década de oitenta dedicaram-se ao ato de partejar, quer seja em âmbito domiciliar ou hospitalar, independente da forma como aprenderam a fazer partos. Tendo como objetivo desvelar o ideário contido nas narrativas à luz de um referencial de gênero, o estudo analisou alguns aspectos codificados como "lugares de significados" que foram: o perfil das parteiras; como e onde partejavam; a vocação; o cuidado, a humanização e a ética. Os dados obtidos evidenciam um fazer já bastante atrelado ao saber/fazer médico, mesclando-se com conhecimentos de senso comum adquiridos com outras mulheres, principalmente no caso das parteiras que não passaram por um aprendizado formal, além de que a maioria delas, direta ou indiretamente estavam ligadas à Enfermagem. Evidencia-se, principalmente quanto à remuneração e à valorização do fazer das parteiras, a confirmação de alguns estereótipos relacionados às relações de gênero, em que o trabalho feminino (cuidado), muito ligado ao espaço privado, doméstico é desvalorizado. Supera-se a visão da parteira como mulher ignorante, além de se tornar evidente que humanização passa pelo engajamento das trabalhadoras em saúde em torno de novas perspectivas político-filosóficas do cuidado exercido por não médicos durante o parto.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
Tese
Paixões e Máscaras (Uma Interpretação de três narrativas de Hilda Hilst)

A presente dissertação se centraliza (II - Sendas da SeduçãoTextual) na interpretação de três narrativas de Hilda Hilst, inseridas no livro: Tu não te moves de ti. São elas: Tadeu ( da razão), Matamoros ( da fantasia) e Axelrod (da proporção). A primeira parte, denominada "Prelúdio", se detém - principalmente - na figura da escritora. Construo um mosaico com fragmentos de imagens captadas pór diversos olhares críticos. Para melhor compreender o presente, foi necessário reconstruir o passado, daí a busca dos antecedentes, da origem. Na terceira parte, procuro discutir alguns temas (como razão, fantasia, realidade e proporção) que estão presentes, de forma visceral, nos textos estudados. Faz parte - ainda - do trabalho, uma entrevista realizada - na Casa do Sol - com a escritora, em Agosto de 1992.

Tese
Onze estações e um devoto de São Jorge: discursos psicológicos num serviço de Saúde Mental

A psicologia da comunidade e a psiquiatria social, implicadas na construção de sistemas assistenciais, convergem para a Saúde Mental. Este trabalho avalia suas bases teóricas e implicações epistemológicas e lingüísticas dos conceitos nela usados. Faz uma etnologia deste saber, em pesquisa de campo realizada num centro de atenção psicossocial (CAPS), mantido por prefeitura municipal, no Sul do Brasil, através dos discursos coletados entre técnicos, administradores e clientes. Analisa modelos, conceitos e metáforas da loucura, da doença mental e de seu tratamento, enquanto representações, incluindo representações dos profissionais sobre o trabalho em equipe multidisciplinar, terapia ocupacional, convívio social com a psicose, prevenção, trabalho com grupos e com famílias, bem como representações de familiar de paciente, sobre a influência dos mortos, possessão, busca da cura pela religião, convívio, tolerância e rejeição ao doente mental. Contextualiza os discursos locais no arquitexto da Saúde Mental, da psicologia e da psiquiatria. Aponta interpretações e experiências aplicáveis a serviços similares, nos quais o técnico em Saúde Mental, ouvindo, valorizando e buscando o sentido das metáforas implicadas no seu discurso - e nos discursos com que cotidianamente interage - possa melhorar sua relação com os pacientes e seus familiares.

Tese
Cotidiano do amor em Porto Alegre: disputas sobre honra, sexualidade e relações afetivas nos processos de defloramento (1890-1922)

O presente estudo tem por objetivo pensar como noções de honra sexual foram construídas e mobilizadas no cotidiano das relações sociais em Porto Alegre no final do século XIX e início do século XX. Através de processos criminais de defloramento, analiso a construção da honra sexual numa perspectiva relacional, procurando compreender como relações de gênero, classe e raça desempenhavam um papel nessa construção. Parto, portanto, do entendimento de que a honra sexual é colocada em destaque e em disputa pelos diferentes sujeitos sociais, priorizando em especial o cotidiano dos (das) trabalhadores(as) pobres e suas redes de sociabilidade. Além disso, busco constatar, nos discursos das pessoas identificadas como vítimas ou acusados, suas aspirações no que concerne às relações afetivas, assim como o universo de valores e condutas em disputa no cotidiano da cidade, privilegiando as diferenças de classe e dando conta da dinâmica e da estratégia do sistema de alianças matrimoniais.<br>

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Expressões juvenis na cultura escolar: um olhar para a escola pública

A presente pesquisa teve por objetivo analisar aspectos referentes às questões de gênero, classe e etnia presentes no Projeto Político Pedagógico, nas relações entre professores e alunos, e na cultura escolar cotidiana que evidenciam elementos orientadores de uma política cultural que reforçam as diferenças apontadas como objeto central dessa investigação e tragam à luz as práticas sociais escolares que reforçam preconceitos e conduzem a discriminações. Para a obtenção dos dados foram realizadas observações em sala de aula, aplicação de questionário com os alunos e entrevistas com professores/as e alunos/as da escola em estudo. A discussão teórica apresentou-se como um diálogo entre as teorias críticas e pós-críticas, na qual o pensamento dos autores Tomáz Tadeu da Silva e Henry Giroux estabeleceram- se como eixo central da discussão. Os resultados da pesquisa apontam para uma sociabilidade juvenil em transformação, na qual a escola como espaço produtor de significados tem, por um lado, reproduzido discursos e práticas discriminatórias, mas por outro lado, apresenta algumas resistências e caminhos que apontam para uma sociabilidade mais democrática e igualitária no que se refere a gênero, classe e etnia.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

Inscreva-se para receber nosso boletim

Inscrever-se