Instituto de Estudos de Gênero

A representação do real em Rubem Fonseca (provisório)

Minha dissertação faz uma leitura de um mo(vi)mento de escrita e da produção ficcional de Rubem Fonseca, autor brasileiro, na medida em que este assume seu antagonismo diante da cena social, de forma a propor textos ficcionais focados em seu tempo, nas grandes cidades e nos sujeitos que nelas circulam. Assim, sugiro uma aproximação entre a condição de engajamento do autor, que transpõe esse compromisso a personagens e situações ficcionais que problematizam a verdade sobre sociedades e sujeitos ambíguos, e uma importante noção apresentada a nós por Michel Foucault em A coragem da verdade: a parresía cínica. Para isso seleciono, dentro da ainda ativa produção ficcional de Rubem Fonseca, três narrativas presentes na reunião de contos Feliz ano novo, publicada originalmente em 1975 e integralmente censurada no ano seguinte: o conto que dá nome à obra, Feliz ano novo; Passeio noturno (parte I); e Intestino grosso; por apresentarem personagens e situações característicos do que podemos enquadrar nas definições de parresía cínica e especialmente do cinismo moderno. Para articulação do estudo, evoco então a conceituação apresentada por Michel Foucault para a noção de parresía, importante forma de veridição que surge na antiguidade e abarca em si uma caracterização fundamental sobre a forma como se dá, nesse momento, a constituição do sujeito em relação a si e ao outro através de seus atos e de seu dizer. No entanto, é especialmente na modalidade cínica de parresía que busco escopo para este estudo, uma prática que abarca a bíos como objeto de preocupação estética. Diante da elucidação desses conceitos, aproximo a discussão a nosso tempo lembrando a proposição de Peter Sloterdijk sobre como se constitui o cínico moderno, a nova configuração do modo de existência desse sujeito diante de um tempo de diferentes e múltiplas dissimulações, de forma a buscar nos personagens e situações ficcionais delineados nos contos de Rubem Fonseca a articulação entre elementos da parresía cínica moderna e da desenvolvida na antiguidade.


Outras teses e dissertações

Tese
O Fluxo da consciência e o tempo em A Maçã no escuro

O presente trabalho estuáa a abordagem de Robert Kumphrey sobre O Fluxo da Consciência na literatura e tenta, aplicã- la na leitura do romance - A Maçã no Escuro de Clarice Lispec tor publicado em 1961. A dissertação divide-se em duas partes: a primeira, a abordagem teórica, se propõe a estudar O Fluxo da Consciência na Psicologia e na Ficção; as técnicas e os artifícios usados na literatura d.e Fluxo da Consciência e a problemática do tempo através das teorias de Hans Meyerhoff, Mendilow e Jean Pouillon, pois esse tópico é indispensável, uma vez que o fluxo da consciência na literatura de Clarice Lispector se dá principalmente pela preocupação que seus personagens têm com o tempo. Ná segunda, considerada como uma tentativa de leitura tem-se uma visão geral da obra, a manifestação do tempo no romance e, finalmente, mostra-se que o fluxó da consciência no romance se dá mais a nível de conteúdo, especialmente, àquele apreendido no mundo interior do p r o t a g o n i s t a 1 A. título de« conclusão' relatam-se'os principais pontos tanto da parte teórica quanto da aplicação.

Tese
Lembranças íntimas de minha vó. Partos e parteiras em Treze de Maio (SC)

Este trabalho tem por objetivo dar visibilidade à prática cultural das [parteiras], através da [memória feminina], entre os anos 1930 e 1960, no município Treze de Maio (SC), bem como analisar a substituição desta prática cultural, por um [conhecimento médico-científico].

Tese
A caminhada é longa... e o chão tá liso: o Movimento hip hop em Florianópolis e Lisboa

Busco nesta tese intitulada “A caminhada ´e longa ... e o ch˜ao t´a liso: O Movimento hip hop em Florian´opolis e Lisboa” refletir sobre a complexidade estruturante da produc¸ ˜ao musical de grupos de rap no Brasil e em Portugal que refletem sobre os espac¸os (geogr´aficos e sociais) ocupados, por homens e mulheres, nos centros urbanos de cidades como Florian´opolis e Lisboa em suas produc¸ ˜oes musicais. Desta forma, busco analisar as pr´aticas est´etico musicais dos rappers dentro do Movimento hip hop, principalmente a partir das relac¸ ˜oes constru´ıdas com as cidades nas quais est˜ao e sobre a qual buscam refletir a partir de suas vivˆencias nestes espac¸os urbanos. Al´em das relac¸ ˜oes estabelecidas em trabalho de campo, e que me oportunizaram uma observac¸ ˜ao mais detalhada, utilizo as m´usicas produzidas por estes rappers como importantes referˆencias para minhas an´alises, principalmente a partir das narrativas que estas m´usicas contˆem. Estas pr´aticas musicais me possibilitaram: (1) refletir sobre a relevˆancia da produc¸ ˜ao musical na determinac¸ ˜ao dos fluxos que os rappers estabelecem a partir de suas cidades, Florian´opolis e Lisboa; (2) identificar as diferentes formas de compreens˜ao do processo de alargamento do espac¸o ocupado pelo Movimento hip hop; (3) perceber aspectos que unem ou distanciam a produc¸ ˜ao musical do rap no Brasil e em Portugal; (4) analisar as formas de representac¸ ˜ao da cidade para refletir sobre a formac¸ ˜ao de diferentes estilos de rap. Perceber a produc¸ ˜ao e circulac¸ ˜ao destes grupos na cidade ´e refletir sobre a pr´opria cidade a partir das diferentes coletividades que a povoam e dos usos que fazem dela. Me amparando nesta Etnografia defino quatro estilos de rap: rap de quebrada, rap floripa e rap gospel – Florian´opolis, e o rap crioulo – Lisboa com os quais interagi no trabalho de campo e com eles procurei melhor perceber os usos e apropriac¸ ˜oes do espac¸os urbanos a partir de suas pr´aticas est´etico-musicais, bem como das representac¸ ˜oes que controem sobre estes espac¸os a partir de suas vivˆencias.

Tese
O "Negroe o mundo alemão": Cidade, memória e açoes afirmativas em tempo de Globalização

Tendo como mote as políticas de ações afirmativas na sociedade brasileira, nesta tese articulam-se estudos de etnicidade, memória, cidade e globalização. Entende-se que as discursividades étnicas ganham vulto no pensamento social contemporâneo, ao mesmo tempo em que alguns Estados nacionais começam a desencadear mudanças no sentido de promover a diversidade cultural e étnica por meio da garantia de políticas públicas, provocando indagações sobre as fronteiras simbólicas das identidades nacionais. Essas discursividades, quando acionadas pelos sujeitos e os grupos para demarcar lugares de pertencimento, assumem no contexto da cidade estatuto de narrativas étnicas, inserindo-se nos jogos da memória e polemizando com outras representações e imagens acerca das identidades locais e regionais. Portanto, as implicações dessas narrativas étnicas sobre o espaço da cidade e a constituição das identidades regionais são os eixos centrais deste trabalho. Para interpretar a relação entre o local, o regional, o nacional e o global realizou-se a pesquisa etnográfica na cidade de Novo Hamburgo, no Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul/Brasil. A partir das comunidades negras locais buscou-se compreender como suas narrativas étnicas dialogam com a memória da imigração alemã no Vale e as representações em torno da identidade regional gaúcha.

Tese
Violência e masculinidade em Chapecó-SC (1958-1974)

Este trabalho tem por objetivo problematizar a relação entre violência e masculinidade em Chapecó-SC, entre os anos de 1958 a 1974. Através de inquéritos policiais referentes aos crimes de Homicídio e estupro, investigo a construção de masculinidades e sua relação com a violência, frente a um novo modelo de cidade que surgia neste período. Procuro compreender quem eram os homens envolvidos nestes crimes, quais suas motivações, de que discursos se utilizavam e, por fim, problematizo como o periódico local Folha d'Oeste noticiava os crimes e a violência de Chapecó e região. Percebendo as masculinidades presentes nos inquéritos policiais busco evidenciar as disputas sociais, culturais, econômicas e políticas na construção dos discursos sobre o ?ser homem? na cidade de Chapecó.<br>

  • Mestrado
Tese
Os irmãos de Hilda Hilst. Transtextualidade e experiência interior

Esta pesquisa apresenta um biografema da escritora, poeta, dramaturga e pensadora Hilda Hilst (1930-2004), a partir da experiência interior que se delineou em sua escrita. São fragmentos que revelam a coesão de uma obra centrada em temas relativos aos principais questionamentos filosóficos e espirituais da humanidade, numa poesia que se revelou em cada gênero onde Hilda inaugurou diferentes linguagens, na prosa, na dramaturgia e na crônica. Sua experiência interior, aquela propalada por Georges Bataille, foi moldada nas leituras atentas, transcritas em toda forma de poesia, da sagrada à profana, a partir de muitas afinidades eletivas. Neste trabalho, uma das principais pistas para o entendimento de sua teia intertextual, foi fornecida pela própria escritora, que transferiu a leitura para a vida, quando chamou de irmãos aos escritores Franz Kafka (1883 – 1924), Ernest Becker (1924 – 1974), Samuel Beckett (1923 – 1989), Nikos Kazantzákis (1883 – 1957), Carl Gustav Jung (1875 – 1961) e Hermann Broch (1886 – 1951).

Tese
Itinerários de si: entre a permanência e a mudança

O presente trabalho propõe tomar o tema da identidade a partir de uma perspectiva crítica, assumindo como objeto de análise um conjunto de fragmentos colhidos numa comunidade da rede virtual de relacionamentos Orkut que propõe o debate acerca do tema da mudança. A comunidade Eu Mudei corresponde ao espaço discursivo onde se articulam os testemunhos de sujeitos, seus processos de desubjetivação e transformação, produzindo a abertura na qual é possível ver o lugar da relação com o exterior no aparentemente simples gesto de enunciação da mudança. Trabalhada na sua banalidade, e não apesar dela, a comunidade configurou-se então como o espaço em que a ambivalência da constituição do sujeito, nesse lançar-se contínuo à mudança, realizase, tanto na abertura ao impessoal, quanto na recondução a posições identitárias. O processo pelo qual se converte uma forma de subjetividade em outra constitui um intervalo, um hiato entre dois vir a ser subjetivos, distância entre o que deixei de ser e o que sou agora. O trânsito de uma identidade a outra expõe a sua radicalidade histórica: a constituição contingencial diante das forças positivas de seu tempo que delimita, recorta e hierarquiza as formas válidas de ser sujeito. O trabalho também buscou mostrar que esse lugar de enunciação da mudança produz movimentos outros e dá abrigo a vozes que não foram capturadas e reconduzidas a posições identitárias. Nesse caso, o gesto que nos lança ao movimento de mudança articula-se potente quando o que resta coincide com o que é suficiente para continuar. Mesmo um conceito como o de identidade, só pode apontar para o uno, para o indivisível, para a unidade, porque o seu processo de produção também já remete para o múltiplo, para o de fora, para o devir. A distância imposta pela passagem de uma posição identitária para outra é suficiente para restituir ao sujeito a sua condição de força afetada pelo mundo e de pura abertura à exterioridade. Descolada dos conteúdos das proposições, as forças singulares e nômades se dão nessa passagem, nesse salto que encontra no testemunho a possibilidade de expressão de sua potência criadora.

Tese
Expressões juvenis na cultura escolar: um olhar para a escola pública

A presente pesquisa teve por objetivo analisar aspectos referentes às questões de gênero, classe e etnia presentes no Projeto Político Pedagógico, nas relações entre professores e alunos, e na cultura escolar cotidiana que evidenciam elementos orientadores de uma política cultural que reforçam as diferenças apontadas como objeto central dessa investigação e tragam à luz as práticas sociais escolares que reforçam preconceitos e conduzem a discriminações. Para a obtenção dos dados foram realizadas observações em sala de aula, aplicação de questionário com os alunos e entrevistas com professores/as e alunos/as da escola em estudo. A discussão teórica apresentou-se como um diálogo entre as teorias críticas e pós-críticas, na qual o pensamento dos autores Tomáz Tadeu da Silva e Henry Giroux estabeleceram- se como eixo central da discussão. Os resultados da pesquisa apontam para uma sociabilidade juvenil em transformação, na qual a escola como espaço produtor de significados tem, por um lado, reproduzido discursos e práticas discriminatórias, mas por outro lado, apresenta algumas resistências e caminhos que apontam para uma sociabilidade mais democrática e igualitária no que se refere a gênero, classe e etnia.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
Tese
Mulheres e o mar: uma etnografia sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina

Esta é uma tese sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina, Sul do Brasil, sendo que procurei observar como, onde, porque e até que ponto estas mulheres se reconhecem, são reconhecidas, e como estariam buscando o reconhecimento de seus direitos como pescadoras. Afirmar que estas mulheres atuam como embarcadas na pesca artesanal implica dizer que trabalham em embarcações pequenas, entre três e nove metros de comprimento, se deslocando ao mar e retornando à terra diariamente em períodos que oscilam de três a dezesseis horas, dependendo se trabalham com peixes, camarão, siri, berbigão. Diferenças que compõem os saberes-fazeres da denominada pesca artesanal em que as pescadoras se deparam com elementos agentes que interferem diretamente o cotidiano da pesca e a sua relação com o mar, fonte de renda, mas também de fuga e terapia. Por serem mulheres, estas pescadoras se deparam continuamente com o não reconhecimento delas por parte do Estado e de seus técnicos, assim como nas próprias pesquisas acadêmicas e na sociedade de forma ampla. Emergem, no decorrer da tese, questões relacionadas às suas vidas, como o aprendizado e o trabalho, o gosto pela pesca, corpos e corporalidade, a circularidade entre diferentes saberes na relação entre pescadoras e extensão rural. O fulcro da tese diz respeito a questões sobre reconhecimento e (in)visibilidade de mulheres na pesca, observando que em meio aos constantes (a)sujeitamentos, elas vêm se construindo como sujeitos, pescadoras, em que o riso, o bom humor e a jocosidade são táticas de sobrevivência e de duração.

Inscreva-se para receber nosso boletim

Inscrever-se