Antecedentes e consequencias da esterilização feminina
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- Palavras-chaveempoderamento, saúde, contraceptivos, fertilidade
- Instituição:Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP
- Titulação:Doutorado
- Ano de publicação:2020
- Número de páginas:241
Outras teses e dissertações
Este trabalho objetiva compreender os usos da nomeação mulher trabalhadora rural como estratégia identitária de empoderamento e de obtenção de direitos pelas mulheres no Sertão Central de Pernambuco. É uma pesquisa de orientação etnográfica na qual se destaca, além das interações com as pessoas do lugar e das entrevistas, a análise de documentos de domínio público produzidos pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central de Pernambuco. Este estudo se filia à produção do Núcleo de Estudos e de Pesquisa em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos (PUC/SP) e alinha-se às investigações da Psicologia Social discursiva com ênfase no debate sobre práticas discursivas e posicionamento. Do ponto de vista teórico, foram consideradas ainda as reflexões feministas sobre categorias identitárias e processos de empoderamento. O argumento que norteia este estudo é de que ser mulher trabalhadora rural não é uma essência rígida e imutável ou tampouco algo intrínseco às mulheres que vivem e trabalham na área rural. Ser mulher trabalhadora rural é uma posição assumida a partir do lugar no qual a pessoa se situa. Entretanto, tanto a posição quanto o lugar são produtos sociais. A ênfase recai nos contextos interacionais e discursivos nos quais as mulheres se posicionam como trabalhadoras rurais. De forma ampla, é possível apontar que a nomeação mulher trabalhadora rural contribui para o empoderamento das mulheres e a obtenção de diversas ordens de direitos. Tal nomeação é imbricada com a ação coletiva das mulheres, sendo utilizada de diferentes maneiras e com objetivos diversos. Dependendo do contexto, ora elas se posicionam como mulheres, ora como trabalhadoras rurais, ora como moradoras da área rural do Sertão de Pernambuco. As mulheres transgridem os espaços socialmente delimitados para elas e desenvolvem novas posturas e interesses diante das suas vidas e do mundo a sua volta. Entretanto, apesar da consolidação de um vigoroso movimento de mulheres na região e das redes tecidas em âmbitos estadual, regional, nacional e internacional, em nível local, a família e a comunidade parecem resistir ao empoderamento das mulheres. A liberdade de ir e vir independentemente dos interesses familiares e o exercício da sexualidade fora da união conjugal não são conquistas plenamente consolidadas para todas as mulheres. Além disso, muitas mulheres não dispõem de documentos sobre o uso e a propriedade da terra, o que possivelmente indica pouco acesso e controle restrito das mulheres sobre os recursos materiais.
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
- Doutorado
Muitos estudos apontam índices crescentes de solicitação de reversão após a esterilização feminina o que pode indicar opção mal avaliada, possivelmente por falta de informação e de acesso a outros métodos. A legislação brasileira exige que os serviços de saúde que realizam a esterilização ofereçam atendimento multiprofissional, informação e acesso a todos os métodos contraceptivos. Observações anteriores da prática em um serviço estruturado conforme a legislação, indicavam que muito raramente as mulheres mudavam sua opção inicial. Objetivo. Buscou-se identificar representações sociais dos diversos métodos, existentes em um grupo destas mulheres, com a finalidade de entender os motivos de rejeição a eles. Além disso, foram pesquisadas a satisfação com a opção e as repercussões da esterilização sobre a vida dessas mulheres.
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
Esta investigación se ocupa de las relaciones sociales de poder y su impacto en la subjetividad de las mujeres. El concepto de poder fue discutido desde la filosofía política de Foucault, en la que el poder es siempre relacional, y la subjetividad desde el psicoanálisis, más precisamente desde la corriente de Deleuze y Guattari quienes consideran que la subjetividad está en un permanente proceso de estructuración y reestructuración. Las categorías através de las cuales se abordó el estudio de la subjetividad fueron: deseo, identificación, narcisismo, superyo. Desde los estudios feministas, y con los aportes de la teoría del género, arribamos al concepto de empoderamiento, entendido como el ejercicio de un poder autónomo, para el propio desarrollo del sujeto, sin detrimento alguno para los demás. Para comprender el interjuego entre la subjetividad femenina y las pautas de dominación social en una cultura patriarcal como la del México metropolitano moderno, se utilizó un modelo operativo denominado Modo de Organización Social. Se tomaron particularmente en cuenta los imaginarios sociales y cuatro instituciones intermedias: familia, escuela, trabajo y medios. Para mostrar el funcionamiento del modelo de análisis propuesto, se describen seis estudios de caso, en los que se analizan los cambios psicosociales llevados a cabo por las mujeres de dicha casuística, cinco de las cuales logran empoderarse. Para lograr dichas conductas empoderadas se analizó la relación de las sujetos con el dinero, obtenido por herencia y por trabajo remunerado, y con el estudio.
- Universidad Nacional Autónoma de México
- Doutorado
Esta dissertação tem por objetivo mostrar a participação das mulheres nos movimentos reivindicativos de bairro que fazem parte do PREZEIS - Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social, da cidade de Recife, e onde estão inseridas as mulheres dessa pesquisa, representa bem mais que simples reivindicações materiais de sobrevivência junto ao Estado. Essa participação é significativa, sobretudo em nível da própria participante enquanto pessoa, visto que nesses espaços experimentam uma nova sociabilidade, que por sua vez vão favorecer, através dos seus elementos formadores, à aquisição de novos conhecimentos, trocas de experiências, revitalização da autoestima, maior conscientização. Elementos que fazem com que essas mulheres se percebam e passem a agir como um sujeito remodelado, com outra visão de mundo e das pessoas. A formação desse "novo sujeito", proveniente da interconexão da esfera pública e privada, acaba contribuindo para alterações nas relações de gênero no espaço do lar.
- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
O trabalho relata a elaboração, implementação e a avaliação de um marco conceitual de abordagem cultural para assistir mulheres e recém-nascidos que estavam vivenciando o processo do nascimento. A elaboração do marco conceitual fundamentou-se na perspectiva do nascimento como um rito de passagem e foi desenvolvida para dar direção ao "Processo de Caminhar Juntos", atuando como um guia de orientação para permitir o constante diálogo entre teoria e prática. O "Processo de Caminhar Juntos" representa a aplicação de quatro fases que ocorrem de maneira complementar e concomitante durante toda a prática assistencial. Nesta perspectiva, a enfermeira atua buscando a constante ação/reflexão com os co-participantes do estudo, para a obtenção de ritos de cuidado culturalmente congruentes que contribuam para o processo de viver saudável. Sua implementação ocorreu em Florianópolis - SC e estendeu-se de abril a agosto de 1993. Durante esse período, enfermeira, mulheres e recém-nascidos começaram a interagir na instituição-maternidade, logo após o momento pós-parto e, posteriormente, deslocaram-se aos domicílios, até que os recém-nascidos completaram um mês de vida. Na análise dessa prática a autora validou a possibilidade e importância de desenvolver um marco conceitual de referência cultural. Os resultados mostraram que o marco conceitual elaborado e implementado na prática foi adequado permitindo, além de sua validação, seu aprofundamento. O processo de enfermagem desenvolvido permitiu que se consolidasse a proposta de integração dos aspectos culturais, além de contribuir para a ampliação do significado de se preservar, acomodar e reorganizar os ritos de cuidado populares e profissionais durante a prática assistencial.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
As questões de gênero no movimento sindical.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A tese visa analisar o empoderamento de mulheres líderes de comunidades da periferia de Florianópolis, a partir das dimensões de gênero, classe e etnia. Forma entrevistadas 15 lideranças através do "método biográfico", o que proporcionou a reconstrução da história estrutural e sociológica de um grupo social de pessoas procedentes da miscigenação de índio com branco, que viviam no entorno caboclo, como posseiros e foram expropriados de suas terras, tendo que migrar para a cidade. A pesquisa conclue que o processo de empoderamento implica primeiramente na aquisição do espaço privado da casa, base social que gera segurança e alavanca a auto-confiança, para em seguida despertar da consciência crítica, o engajamento nas lutas e conquistas e a emergência de um sujeito político com chances de decidir, deliberar e determinar sobre o processo de transformação da sociedade.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Doutorado
Este estudo foi desenvolvido na Linha de Pesquisa Educação, Cultura e Poder, vinculada ao eixo Educação, Cultura e Sociedade do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau. A temática desta investigação são os percursos educacionais de artistas plásticas e professoras de Artes que atuam na dupla função, como docentes e como produtoras de Arte. Busca-se investigar e compreender como ocorreram os percursos educacionais dessas mulheres, para poder entender o porquê destas duplas escolhas profissionais. A pesquisa ocorreu em duas instituições: a Associação Blumenauense de Artistas Plásticos - BLUAP e o Departamento de Artes da FURB - Universidade Regional de Blumenau, locus onde se concentra o maior número dessas profissionais. As agentes envolvidas perfazem um total de sete, sendo docentes com formação específica em Artes e atuantes artistas plásticas. Parte-se do pressuposto de que o caminho do qual resulta o cruzamento entre Arte e docência proporciona às mulheres artistas e professoras a saída possível aos mecanismos de dominação simbólica embutidas nas relações educacionais e de gênero. Para a coleta do material empírico, utilizou-se o recurso metodológico de memória e história oral, com o uso de entrevistas. O embasamento teórico central deve-se aos estudos de Pierre Bourdieu, no entendimento das disposições artísticas e dominação masculina. Os dados analisados revelam a importância da influência da família na constituição do habitus primário desenvolvido na primeira infância a partir do nascimento. Destaca-se, também, o papel das mães na mobilização de estratégias e estímulos para a construção das disposições para a Arte e para o magistério transmitidas desde cedo no ambiente familiar. Percebeu-se uma educação que reforçava o modelo preconizado pela sociedade posta sob a dominação masculina, enfatizando gostos e escolhas relacionados ao gênero feminino no que diz respeito à Arte e ao magistério. A formação profissional destas mulheres, por sua vez, esteve também ligada ao que se considerava ideal para a formação de mulheres, e isto as aproximou para escolhas como a Arte e a docência em Arte, representações do que era o adequado e o possível na visão das famílias e da sociedade em geral. Assim, as mães se encarregaram de transmitir e reforçar este modelo de educação, que teve como conseqüência, escolhas profissionais ligadas a estes dois campos: o campo artístico e o educacional. Estes resultados permitem referendar a hipótese inicial deste estudo, pois os dados demonstraram que as escolhas profissionais representaram para estas artistas plásticas e professoras de Arte, a saída possível aos mecanismos de dominação impostos socialmente.
Através da análise de artigos que circularam na Revista de Ginecologia e d' Obstetrícia entre os anos de 1907-1978, foi possível observar como um grupo de médicos representou experiências exclusivamente femininas, como a menopausa, além de apreender a construção de dois campos de conhecimento sobre a mulher na medicina no Brasil. Os artigos apresentados na revista evidenciam o modo como o discurso da medicina correlacionou as funções tradicionalmente atribuídas ao gênero, à anatomia e à fisiologia da mulher. Nesse sentido, a conduta feminina foi determinada pelo funcionamento de seus órgãos de reprodução. Da puberdade até a menopausa a mulher estaria condicionada, prisioneira do seu ciclo. A partir da menopausa, com a gradativa e contínua queda da produção de hormônio pelos ovários, a mulher teria como opção os hormônios de reposição que lhe permitiria restabelecer o equilíbrio. Hoje, os estudos de gênero dão a oportunidade de desmistificar essa leitura da medicina, transcendendo as definições estáticas que serviram e ainda servem para naturalizar papéis sexuais que foram definidos por uma pretensa "natureza feminina". É preciso ultrapassar as barreiras construídas pelas ciências biológicas que constroem sujeitos e estabelecem preceitos. Logo, não é por acaso que os estudos na área das ciências humanas tem mostrado que a diferença sexual é construída historicamente.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
