Instituto de Estudos de Gênero

De Rachel a Rachel: mulher, amor e morte

A literatura hebraica moderna não nasceu em Israel e sim na Europa, principalmente oriental, a partir da Haskalá, o movimento iluminista judaico, em meados do século XVIII. No século XX ela foi migrando do solo europeu para a Palestina, que se tornou seu principal centro. Nas décadas de 20 e 30 predominava a produção poética, da qual uma das correntes, profundamente ligada ao pioneirismo, ensejou uma vasta messe cuja temática inspirava-se no labor do pioneiro que viera concretizar a aspiração de reconstruir o país através do trabalho na terra. Além disto, marcou a presença da mulher na poesia, da qual Rachel foi uma de suas principais representantes e modelo que seria seguido por décadas. A escolha da obra de Rachel como objeto de estudo deveu-se ao desejo de realizar uma leitura ampla de sua poesia, desenvolvendo aspectos pouco abordados da mesma, sob as perspectivas literária, judaica e psicanalítica, visando a gerar contribuições aos estudos de literatura hebraica, especialmente à feminina. Procuramos identificar e analisar, correlacionando, os temas mulher, amor e morte em sua obra. Ao traduzir seus poemas, foram percebidas ambigüidades e polissemias que permitiram múltiplas leituras do texto. Pretendemos desconstruir a atribuição à poesia de Rachel de um estereótipo de simplicidade, descentrando a imagem da poeta da dicção pioneira e, além de um outro olhar vinculado à etnia, resgatar e repensar sua fala de gênero, a alteridade da mulher, em termos universais e multiculturais, procurando contribuir para conferir a Rachel, a poeta que cantou o amor à terra e ao país, o lugar merecido no cânone da poesia hebraica.

  • Orientador(a):Profª Drª Nancy Rozenchan
  • Instituição:Universidade de São Paulo
  • Curso:Letras
  • E-mail:janeglasman@terra.com.br

Outras teses e dissertações

Tese
Mudança Discursiva e Publicidade: dissimulando o sexismo

Neste trabalho, examinam-se o discurso e as marcas de gênero em anúncios publicitários que divulgam utilidades domésticas. O estudo baseia-se em anúncios publicados entre janeiro e dezembro de 2002 na revista CLAUDIA, dos quais três foram selecionados por indicarem distintas práticas discursivas. Como principal suporte teórico, utilizou-se o modelo da Análise Crítica do Discurso ACD , abordagem social do discurso lingüisticamente orientada que tem, entre seus principais objetivos, investigar formas de poder e de ideologia que se manifestam através de fenômenos sociais, sobretudo aqueles relacionados às minorias. A ACD tem lançado mão, entre outros, do conceito de gênero como categoria analítica ao formular questões sobre representações sociais expressas verbal ou visualmente, empregando o termo semiótica social para abordar o cruzamento de códigos diversos. Assim, nos últimos anos, a ACD vem subsidiando estudos que analisam questões de gênero na publicidade, prática discursiva que acompanha as transformações globais desde os anos 50 do século XX. Consoante a natureza inter e transdisciplinar da ACD e o tema desta pesquisa, o material bibliográfico teórico incluiu também textos acerca de Pós-Modernidade, feminismo, gênero, publicidade, ideologia e economia na sociedade contemporânea. Os antecedentes da investigação podem ser encontrados em outros estudos que já versaram sobre a questão das marcas de gênero em revistas populares. A hipótese que norteia o trabalho é a de que os anúncios escolhidos refletem uma mudança discursiva em andamento, análoga a transformações que estão ocorrendo em práticas sociais em nosso país, especificamente entre mulheres das classes A e B, tema que não foi abordado na literatura consultada. Para se testar a hipótese, analisam-se os elementos lexicogramaticais e visuais das páginas impressas, relacionando-os a questões de gênero, ao contexto da sociedade pós-industrial e à proposta da revista. O estudo conclui que, em maior ou menor grau, esses anúncios apenas dissimulam um discurso sexista, reforçando, para a venda de produtos, a tradicional relação entre mulher e trabalho doméstico.

  • Universidade Católica de Pelotas
Tese
A honra e a vida: debates jurídicos sobre aborto e infanticídio nas primeiras décadas do Brasil Republicano (1890-1940)

A primeira grande legislação aprovada no período republicano, antes ainda do primeiro aniversário da República brasileira, foi o Codigo Penal dos Estados Unidos do Brazil. Publicada em 1890, substituiu o Codigo Criminal do Império do Brazil, de 1830. A aprovação do Código Penal de 1890 introduziu pela primeira vez na legislação criminal brasileira a criminalização da mulher que cometesse aborto. Além disso, outras "modalidades" de aborto (provocado por terceiros, resultando na morte da mulher grávida, por exemplo) e o infanticídio tiveram as penas previstas aumentadas, se comparadas com o Código Criminal anterior. Durante seu período de vigência (1890-1940), o Código republicano foi muito discutido e criticado pelos juristas brasileiros, importantes personagens políticos do início da República, e diversos projetos de revisão objetivaram sua substituição, embora sem sucesso. Esses projetos, além dos pareceres que os avaliaram e dos comentários de juristas, que, muitas vezes, analisavam e discutiam cada artigo da legislação, possibilitam perceber os debates em torno dos crimes de aborto e infanticídio. O objetivo dessa dissertação é analisar a legislação penal sobre aborto e infanticídio no início da República. Pensá-la em relação à legislação anterior - o Codigo Criminal do Império, de 1830 -, o que mudou, por que mudou, como essas mudanças foram percebidas e quais as implicações dessas mudanças, são questões que estruturam e norteiam este trabalho. Para pensar sobre essas questões, parte-se de uma perspectiva da história social, com o intuito de perceber quais as relações entre a legislação e as mudanças políticas, sociais e culturais pelas quais o Brasil passava na virada do século XIX para o XX - como o fim do trabalho escravo, o fim do período Imperial e o início da República, a profissionalização e aumento do poder da medicina, as transformações nas concepções de cidadão e cidadania, as mudanças no papel social e na importância da maternidade e da infância, a preocupação com o crescimento e o gerenciamento da população, etc. Além disso, há o cuidado em perceber o aborto e o infanticídio, e as visões sobre esses crimes, especialmente do ponto de vista jurídico, como práticas atravessadas por questões de gênero, de classe e de biopolítica. A partir das fontes analisadas - o texto da legislação, os comentários de juristas a ela, os projetos de revisão ao Código e seus pareceres - pôde-se identificar a existência de dois paradigmas na visão jurídica sobre os crimes de aborto e infanticídio: o da honra e o da vida.Esses dois paradigmas - o que admitia esses crimes em casos de defesa da honra e o que os considerava um atentado à vida, ainda que incipiente, do feto ou do recém-nascido - coexistiram no discurso dos juristas brasileiros durante a vigência do Código de 1890. Percebeu-se, porém, que ao longo desse período, o paradigma da honra perdeu força, enquanto o da vida se consolidou, mantendo sua influência na mentalidade de muitos, inclusive no campo jurídico, até os dias atuais.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Homens e as políticas de "empoderamento" das mulheres - A emergência do "gênero" entre sindicalistas de esquerda em Florianópolis

Esta pesquisa com dirigentes sindicalistas, realizada no ano de 1998, busca analisar as relações de gênero em setores de esquerda do movimento sindical de Florianópolis vinculados à CUT: a Central Única dos Trabalhadores de Santa Catarina, (CUT/SC); o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis, (SINERGIA) e a Escola Sul da CUT. Trata-se de entidades que têm discutido, debatido e implementado propostas relativas ao gênero ao que eu denominei nesta pesquisa como sendo as "questões políticas de gênero", ou seja, as discussões como leis sobre o aborto e "união civil", assédio sexual, violência e as políticas de "empoderamento" das mulheres, particularmente, a política de "quotas". Além dessas questões também foram considerados os processos de construção social das diferentes masculinidades. Para tanto foram utilizados recursos da abordagem etnográfica (observação participante e entrevistas), com as quais buscou-se reconstruir as trajetórias (individuais e nos movimentos sociais) desses dirigentes.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
  • 1999
Tese
Pedro e Luiza: história de uma correspondência

Este trabalho procura fazer uma reflexão crítica sobre a correspondência mantida entre D. Pedro II e a condessa de Barral nos anos de 1859-1890. A correspondência entre os dois se caracteriza como um gênero híbrido, diárioscartas/ cartas-diários, literatura de viagens, autobiografia, narrativa romanesca, notícia, variedades e crônica de costumes. Trata-se de um estudo que enfoca e questiona a maneira como os sujeitos se colocaram na correspondência, já que transgrediram a tradição de seu grupo social e sua época; e procura analisar as singularidades dos discursos que esses personagens elaboraram através do diálogo epistolar. Parte-se da compreensão de que as interpretações sobre a correspondência foram fortemente influenciadas pela predominância de um discurso histórico marcado pelo paradigma científico moderno, que além de perpetuar a separação entre sexualidade e afetividade, privilegiou a racionalidade em detrimento dos sentimentos, do imaginário social e das sensibilidades. Em decorrência dessa mentalidade cientificista, as relações paralelas ao estudo das instituições formais, como a amizade, o amor, o erotismo, por exemplo, foram negligenciadas. E muito mais do que negligenciada, a amizade entre homens e mulheres foi alvo de uma longa e negativa tradição filosófica que influencia até hoje muitas interpretações das relações entre os sexos. Investiga a relação entre a correspondência e as biografias produzidas, procura analisar as relações entre a escrita epistolar, a construção e a transformação de si, mostrando as singularidades do vínculo criado por eles ao mesmo tempo em que discute as possibilidades e limites das questões do erotismo, do amor e da amizade no quadro de suas significações históricas e culturais, como produtos sociais e discursivos que são.

Tese
Leituras de Capitu: novas narrativas, outros olhares

Os olhos de ressaca da personagem Capitu além de atrair, arrastar, seduzir e fascinar Bentinho, o narrador-personagem de Dom Casmurro, também atraem, arrastam, seduzem e convidam outros autores a escreverem diferentes textos a seu respeito, tornando-a assim, uma personagem múltipla. Textos como o de Lygia Fagundes Telles e Paulo Emilio Salles Gomes, Capitu, José Endoença Martins, Enquanto Isso em Dom Casmurro, o de Fernando Sabino, Amor de Capitu, o de Domício Proença Filho, Capitu – memórias Póstumas, o de Maria Velho da Costa, Madame, o texto de Dalton Trevisan, “Capitu sou eu” e o de Moacyr Goes Filho, Dom constroem personagens chamadas, ou apelidadas de Capitu, em diferentes épocas, inspiradas no romance de Machado de Assis. Os romances Capitu, Amor de Capitu e Capitu – memórias póstumas são leituras de Capitu que mais se aproximam da personagem de origem. Porém, nas obras Enquanto Isso em Dom Casmurro, Madame, “Capitu sou eu” e Dom, Capitu é inserida em outros contextos e apresenta identidades bem diferentes. É nesses textos que se centra a análise deste trabalho, que investiga as diversas representações ou releituras da personagem Capitu em diferentes gêneros textuais: romance, teatro, conto e cinema. As críticas literárias e as leituras de Capitu enaltecem, ainda que por vezes de forma ambígua e paródica, a personagem de Dom Casmurro. Essas referências à personagem atravessam os séculos, colocando-a sempre em evidência, seja na incessante leitura que dela faz a crítica literária, seja na forma como a ficção a recria em diferentes gêneros. Esse é o grande mistério da famosa Capitu: o de atrair escritores, críticos e pesquisadores, contribuindo decisivamente para a canonização do seu criador, Machado de Assis.

Tese
Why can´t women talk like a man?

A complexa inter-relação entre linguagem e gênero tornou-se foco de várias discussões teóricas. Estudos de textos literários e/ou não literários, por exemplo, propõe discutir temas relacionados à conversação de homens e mulheres. A presente dissertação investiga aspectos lexicogramaticais na peça Pygmalion (Bernard Shaw, 1913), escrita para ser produzida no palco. O meu objetivo é examinar a linguagem usada pelos personagens principais masculino e feminino aplicando os conceitos de Halliday (1985; 1994) da transitividade nas declarações por eles feitas. A investigação é baseada na idéia sugerida por Cameron (1995) de que a peça Pygmalion pode ser classificada como uma obra de gênero, além de classes sociais. A base teórica usada para a obtenção dos resultados conta com princípios de linguagem e gênero, linguagem e poder e Análise Crítica do Discurso. Os resultados mostram que as características do personagem masculino retratam os homens preocupados com problemas de ordem racional, enquanto o personagem feminino representa as mulheres como sendo mais emocionais em suas relações. A análise das escolhas léxico gramaticais sugerem que na peça, a asserção, convicção e objetividade encontradas no discurso do personagem masculino são salientadas em relação às dúvidas, à subordinação e ao arrependimento caracterizados no discurso do personagem feminino.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
Tese
Perseverança e resistência: a engenharia como profissão feminina

Este estudo teve como objetivo analisar as relações de gênero na engenharia brasileira contemporânea, focalizando as décadas de 80 e 90, anos em que o ambiente econômico e o grupo profissional dos engenheiros passaram por importantes transformações. Entende-se que a gradativa feminização do trabalho no campo da engenharia significa rompimento dos valores que tendem a discriminar as mulheres em carreiras predominantemente masculinas como é o caso da engenharia ainda hoje. Há que se considerar também que as mulheres que fizeram essa opção profissional tiveram que enfrentar padrões de gênero aceitos no interior das famílias, das escolas e do mundo do trabalho. Nesse sentido, o estudo procurou compreender quais as possibilidades de inserção das mulheres na engenharia, sob que condições constróem suas carreiras, como se percebem como estudantes e profissionais da engenharia, como são percebidas pelo coletivo masculino nos espaços escolares e nos ambientes de trabalho e, enfim, como vivenciam subjetivamente essas experiências. A investigação combinou a análise de dados estatísticos sobre formação escolar e emprego com a realização de entrevistas com profissionais de ambos os sexos e dirigentes sindicais. No sentido de captar a evolução dos padrões de gênero imbricados nas engenharias, procurou-se incluir na pesquisa de campo engenheiros(as) formados(as) nas décadas de 70, 80 e 90.

  • Universidade Estadual de Campinas
  • Doutorado
Tese
Bruxarias, alquimias, mercadorias: o caso Paulo Coelho

Não parece haver dúvida de que os mass media representam um dos fenômenos mais marcantes da chamada modernidade. É por esse motivo que, depois de um levantamento teórico acerca da Grande Indústria Cultural e dos fatores internos que a caracterizam, este trabalho procura se concentrar na explicação dos aspectos que condicionam a narrativa de mercado (best seller), principalmente a recorrência a aspectos míticos, a atualidade informativo-jornalística, o pedagogismo e a retórica culta ou consagrada. Por fim, como exemplo mais representativo do nosso tempo e do nosso país, exploraremos o fenômeno Paulo Coelho. Nesta empreitada, a dissertação evita as análises meramente sociológicas e aventura no território do textual e do literário em si.

Tese
Descrirreconstrucao. Memoria e Cultura Em Pedro Nava

Pedro Nava, em suas "memórias”, sustenta a força e a riqueza de sua narrativa em uma “leitura” do mundo. Desde fotografias e documentos, passando por velhos bilhetes e cartas do tempo de escola, até os espaços _ as ruas, as ruínas, a cidade. Toda esta matéria se mostra para o memorialista como repleta de significados perdidos que o narrador _ mediado por seu “saber”, a experiência _ vai desvendar c nos devolver através do seu texto. A reconstrução deste mundo pleno de sentidos empreendida pela memória não é uma tentativa de “descrição” do passado “tal qual aconteceu”, mas _nas palavras do próprio Nava_ uma descriirecomtrn$ão: a recriação poética através da narrativa de um passado vivo e multifacctado. As memórias de Nava sao entao um esforço de memória cultural, na medida em que se trata de uma inteligibilidade do tempo mediada pelo acúmulo e transmissão da experiência coletiva _ a cultura. Uma memória que quer testemunhar sobre os fazeres dos homens empenhados em seu convívio com outros homens, em suas práticas e significações sociais, que dão sentido ao mundo e ao tempo.

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