Instituto de Estudos de Gênero
Autoria

Obras de Jane Bichmacher de Glasman

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Tese
De Rachel a Rachel: mulher, amor e morte

A literatura hebraica moderna não nasceu em Israel e sim na Europa, principalmente oriental, a partir da Haskalá, o movimento iluminista judaico, em meados do século XVIII. No século XX ela foi migrando do solo europeu para a Palestina, que se tornou seu principal centro. Nas décadas de 20 e 30 predominava a produção poética, da qual uma das correntes, profundamente ligada ao pioneirismo, ensejou uma vasta messe cuja temática inspirava-se no labor do pioneiro que viera concretizar a aspiração de reconstruir o país através do trabalho na terra. Além disto, marcou a presença da mulher na poesia, da qual Rachel foi uma de suas principais representantes e modelo que seria seguido por décadas. A escolha da obra de Rachel como objeto de estudo deveu-se ao desejo de realizar uma leitura ampla de sua poesia, desenvolvendo aspectos pouco abordados da mesma, sob as perspectivas literária, judaica e psicanalítica, visando a gerar contribuições aos estudos de literatura hebraica, especialmente à feminina. Procuramos identificar e analisar, correlacionando, os temas mulher, amor e morte em sua obra. Ao traduzir seus poemas, foram percebidas ambigüidades e polissemias que permitiram múltiplas leituras do texto. Pretendemos desconstruir a atribuição à poesia de Rachel de um estereótipo de simplicidade, descentrando a imagem da poeta da dicção pioneira e, além de um outro olhar vinculado à etnia, resgatar e repensar sua fala de gênero, a alteridade da mulher, em termos universais e multiculturais, procurando contribuir para conferir a Rachel, a poeta que cantou o amor à terra e ao país, o lugar merecido no cânone da poesia hebraica.

  • Universidade de São Paulo

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