Fora do centro: sobre os limites da teoria e da experiência
In bringing together contemporary theoretical perspectives (feminist, literary, and cultural theories), this dissertation addresses issues of gender, identity, and difference with reference to the life trajectories of a group of women living in a squatter settlement in Florianópolis, Brazil. It combines analyses of narrative forms (life-histories) and ethnographic description to assess the extent to which theories about the subject and agency in feminism and poststructuralism speak to the material reality of the women interviewed. Against the textualism of many contemporary theoretical tendencies, and working within the available "scenarios of representation", this study develops a feminist self-reflexive, politically accountable, and theoretically situated reading (from several translocations) of the stories theories tell us about ourselves and the stories the women interviewed tell about their life experiences. The attempt is to provide the outlines of a critical practice that does not lose sight of the materiality of "women's experience" at the same time that it interrogates naive and romantic notions of an empiricist self and unmediated experience.
- Palavras-chavetoeiras feministas, teorias pós-estruturalistas, diferença, sujeito, experiência, histórias de vida
- Autores:Claudia J. de Lima Costa
- Orientador(a):Lawrence Grossberg
- Instituição:Universidade de Illinois em Urbana-Champaign
- Centro:Arts and Humanities School
- Curso:Estudos Culturais
- Titulação:Doutorado
- E-mail:clcosta@floripa.com.br
Outras teses e dissertações
Este é um estudo sobre uma Casa e suas moradoras, a Casa da Estudante Universitária de Curitiba, "um lar em terra estranha" organizado para abrigar jovens mulheres que estavam entrando na universidade em busca de uma formação profissional. Nosso objetivo ao realizar esta pesquisa sobre a CEUC através de seus significados e do quotidiano de suas moradoras foi, por um lado, entender como uma categoria especifica de mulheres - estudantes universitárias - começou a viver e a lidar com a experiência da individualização e, por outro lado, desvelar a construção da identidade feminina à luz de algumas representações sobre o feminino no Brasil entre a década de 50 e o inicio dos anos 60.
- Universidade Federal do Paraná
- Mestrado
Esta pesquisa contou com a participação de mulheres que passaram pela experiência do câncer ginecológico, que foram contatadas com a utilização da técnica de Rede Social, tomada, aqui, na perspectiva de Both (1976), como várias técnicas possíveis de fazer trabalhos com grupos homogêneos. A homogeneidade da qual falo diz respeito ao fato de que estas mulheres possuem em comum o diagnóstico da doença, a faixa etária e a realização da histerectomia - cirurgia de retirada do útero. O objetivo era perceber, em suas narrativas (White, 1981), de que forma a doença e a realização da histerectomia foram experienciados - tendo como pano de fundo a idéia de que a experiência da doença é um momento de margem que marca uma transição - e que a doença não é um evento primariamente biológico, mas um processo experiencial elaborado através de episódios culturais e sociais. Dentro dessa perspectiva, os alcances da biomedicina são relativizados e a preocupação central gira em torno da dinâmica da doença e do processo terapêutico.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
O trabalho resulta do interesse em pesquisar a intervenção dos assistentes sociais que atuam junto às mulheres que vivenciam situação violência por parte de seus companheiros. (Objeto de pesquisa) De que forma os pressupostos teórico-metodológicos estão orientando a intervenção dos assistentes sociais junto às mulheres que vivenciam situações de violência por parte de seus companheiros? (Objetivo) Analisar a intervenção do assistente social a partir dos pressupostos teórico-metodológicos que estão orientando o trabalho profissional junto às mulheres que vivenciam situações de violência por parte de seus companheiros. (Metodologia) A pesquisa realizada está delineada como qualitativa do tipo exploratória e bibliográfica, caracterizada por entrevistas semi-estruturadas, com perguntas abertas, dirigidas a 07 (sete) assistentes sociais que trabalham em programas, projetos ou serviços que atendem mulheres que estão vivenciando situações de violência. A seleção foi realizada através de contato telefônico com diversas instituições públicas e privadas que trabalham com esta problemática. A pesquisa foi realizada no período de julho a setembro de 2004. Entre os profissionais entrevistados, duas atuavam em escritórios sócio-jurídicos ligados a Universidades, uma em abrigo para mulheres em situação de violência e quatro em um centro de atenção à família em situação de vulnerabilidade doméstica e intrafamiliar. (Conclusão) Através deste estudo foi possível perceber que ocorreram avanços tanto no que tange ao debate, produções teóricas e implementação de programas, projetos ou serviços para as mulheres que vivenciam situações de violência, mas o Serviço Social, enquanto profissão, ainda precisa avançar no que se refere a intervenção frente a esta problemática, tanto na perspectiva de assumir com mais ênfase a discussão sobre relações de gênero, poder e violência contra a mulher, como na produção teórica sobre o fazer profissional dos assistentes sociais.
O ato de escrever foi, por muitos anos, considerado de domínio masculino. Aos poucos, as mulheres foram transgredindo normas e conquistando também esse espaço; contudo, a escrita de autoria feminina não esteve muito presente na formação da literatura brasileira e, consequentemente, no cânone literário. Em Santa Catarina (e na maior parte do país), o aparecimento efetivo da literatura escrita por mulheres se dá no século XIX. Diversas foram as escritoras que publicaram seus textos (basicamente poemas) em jornais; no entanto, suas publicações em livro eram muito limitadas. A partir do século XX, principalmente após os anos 1970, motivadas pelo feminismo e seus consequentes reflexos políticos e sociais, as mulheres intensificam sua vida intelectual e começam a ter maior acesso ao mundo das publicações. A fim de demonstrar essa tese, esta pesquisa teve como objetivo organizar um dicionário literário de mulheres catarinenses, contemplando os mais diversos gêneros, como: poesia, contos, crônicas, romances, memórias e literatura infanto-juvenil. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório envolvendo pesquisa de campo em diversas cidades catarinenses. Ao todo, foram organizados 401 verbetes que incluem a biografia e bibliografia das escritoras. Os resultados comprovaram que o gênero predominante na escrita das mulheres em Santa Catarina é a poesia e que as cidades catarinenses que mais publicam são Florianópolis, Blumenau, Joinville, Itajaí e Lages.
Esta tese tem como objetivo investigar os itinerários terapêuticos da terceira revelação, ou espiritismo, na França e no Brasil. A investigação é feita em contextos urbanos, a dizer a cidade de Paris e a região metropolitana de Brasília. Os itinerários do espiritismo e da saúde, no plural, traduzem a idéia de uma circulação de representações e igualmente de práticas, que não são estanques e acabadas, mas sim modificadas social, histórica e culturalmente. O espiritismo nasceu como ciência e filosofia na França. Foi apropriado enquanto religião no Brasil. Como será apresentado, seus saberes e fazeres estão em permanente (re)construção. A tese perpassa os embates entre o espiritismo e a ciência nesses dois países. No Brasil, tendo se consolidado como religião, rótulo que lhe garante respaldo constitucional, o “espiritismo de mesa branca” teve de enfrentar, ainda, o “baixo espiritismo”. Essa questão é pertinente para mostrar que as práticas espíritas analisadas foram (e ainda são) marginalizadas. Situaram-se historicamente nos confins da ilegalidade. Atualmente, são amiúde tidas como fraudes. Essas expressões, embora sejam obsoletas, são também utilizadas para evidenciar uma dicotomia fluida: há mobilidade religiosa e mesmo incorporação de outras dimensões de cura espiritual nesse país. Finalmente, a discussão esquadrinha os conflitos entre o espiritismo e especificamente a medicina. As representações e as práticas espíritas abarcam, por conseguinte, o domínio da saúde, cuja acepção tampouco é resoluta. Nesse domínio, a perquirição estende-se à noção de espiritualidade. Ao lado do saber médico convencional, há o conhecimento ordinário (Michel Maffesoli, 2007), segundo o qual tanto a saúde como a doença abrangem, além da dimensão bio-psico-social, a espiritual. Esse deslocamento de significados permeia questões não somente religiosas e científicas, como também políticas, éticas e jurídicas e questiona a definição mesma de cura. De acordo com o espiritismo, não é somente o corpo que adoece. O espírito também deve ser tratado. Nesse sentido, há diversos indicadores da eficácia de diagnósticos e tratamentos espirituais. Nesta tese, são apresentados relatos de cura de pacientes e narrativas de médiuns que frequentam instituições espíritas, além de entrevistas com médicos, membros de associações médico-espíritas, pesquisas na medicina a respeito das relações entre saúde e espiritualidade e um parecer emitido pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil. O que dizem esses sujeitos a respeito do objeto de pesquisa apresentado? Como explicar os casos considerados como bemsucedidos? Trata-se de sugestão, efeito placebo, eficácia simbólica? Quais são as divergências e as convergências entre a saúde e o espiritismo? São esses itinerários que esta tese intenta percorrer. E é a partir desses trajetos que pretendemos abrir novas perspectivas de compreensão do outro e de nós mesmos.
Trata o presente trabalho, da etnografia do processo de “arabização” da comunidade árabe muçulmana em Florianópolis. Por meio dos cenários de afirmação identitária, representado por cenas da vida religiosa, familiar e política, esse grupo de imigrantes estabelece relações múltiplas com sua terra de origem e o país de acolhida; numa perspectiva denominada transnacional. Nesta trajetória o uso do véu pelas mulheres pode ser considerado como a simbolização maior deste processo de “arabização”.
Esta dissertação é uma análise de narrativas de experiência pessoal de eventos considerados violentos. Trata-se de uma interpretação da forma pela qual habitantes de Florianópolis (SC) que se consideram como vítimas de alguma das modalidades das violências expressam suas experiências. Busca-se analisar o significado de eventos violentos e como as pessoas vivenciam, pensam, interpretam, concedem sentido e o expressam em suas narrativas, em que se pode encontrar a expressão da identidade do sujeito narrador, assim como a formulação de contra-identidades dos sujeitos que se considera serem responsáveis pelas violências sofridas. Procura-se também entender como tais eventos e o medo associado a eles alteram o cotidiano e a sociabilidade dos indivíduos, e como os habitantes da cidade concedem significado às suas experiências das violências.
Entre as décadas de 1960- 1970 muitas organizações políticas e movimentos de resistência à ditadura civil-militar brasileira ganharam força, como foi o caso da organização clandestina Ação Popular- AP. Esta dissertação tem como objetivo analisar, através de escritas autobiográficas, alguns aspectos da militância de cinco mulheres atuantes na Ação Popular durante a oposição à ditadura civil-militar brasileira. Para tanto, utilizamos como fonte os livros autobiográficos escritos por Loreta Valadares No corpo e na alma de Derlei Catarina de Luca, Geração 60 geração esperança de Maria Lúcia Resende, 1968 o tempo de escolhas de Catarina Meloni e Pouso em pouso em busca do repouso prometido de Solange Silvany Rodrigues Lima, para compreendermos como essas mulheres ex-militantes narraram e construíram suas memórias de militância desse período, uma vez que a memória é um elemento essencial na constituição da identidade individual, coletiva e institucional. Ao refletirmos e problematizarmos, por um viés dos estudos de gênero, as memórias produzidas sobre a tortura como consequência da prisão e da clandestinidade por Loreta Valadares, Catarina Meloni, Solange Silvany Rodrigues Lima, Derlei Catarina de Luca e Maria Lúcia Resende Garcia, estamos focalizando gestos e trazendo novas problematizações para o âmbito pessoal e político. Ao longo da pesquisa percebemos que entre as mulheres ex-militantes da Ação Popular, assim como de outras organizações, existe uma barreira que vem sendo rompida quanto ao tornar pública suas narrativas, já que o número de autobiografias escrita por homens é muito maior do que a escrita por mulheres, acreditamos que esta dificuldade é resultado de uma sociedade que invisibiliza as mulheres, onde a voz autorizada a narrar os acontecimentos relacionados a resistência à ditadura civil-militar, ainda é a dos homens. Por isto, este trabalho, se junta a outros, no esforço de visibilizar as narrativas autobiográficas das mulheres ex-militantes.
- Mestrado
Este trabalho analisa textos publicados pela escritora Marina Colasanti durante a década de 80, no Brasil. Este período histórico compreende o final do regime militar e o início de um processo de redemocratização do país, bem como da visibilidade de um discurso feminista mais concreto e da consolidação do movimento feminista brasileiro. Os textos de Colasanti selecionados para esta análise obedecem à seguinte seqüência: artigos compilados nos livros A nova mulher e Mulher daqui pra frente; o livro Intimidade Pública, que consiste nas respostas de Colasanti às cartas de leitoras que escreveram para a revista Nova e, finalmente, uma pequena seleção de contos destinados ao público infantil, juvenil e adulto. Através da articulação dos diálogos que estes textos mantêm entre si, buscou-se compreender como Colasanti procurou discutir certos comportamentos sociais já internalizados, que vinham, há séculos, sugerindo um espaço secundário para a mulher em diversos âmbitos sociais. Assim, a pluralidade textual de Colasanti caracteriza-se, dentro do período analisado, como um espaço privilegiado de representação, interpretação e articulação da experiência social feminina.
