Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Gênero em ação: rompendo o teto de vidro? (Novos contextos da tecnociência)

Esta tese analisa as relações de gênero e tecnociência, no segmento específico da produção de softwares da informação e da comunicação, cujas bases assentam-se nas ciências exatas, refletindo tanto sobre os avanços no sentido da superação das desigualdades, quanto sobre a continuidade de padrões tradicionais de comportamento de homens e mulheres. Após revisitar o campo teórico a partir da gênese dos conceitos de gênero e de tecnociência, este estudo avalia até que ponto as mulheres teriam ultrapassado o "teto de vidro" neste segmento do mercado de trabalho e da academia, visto que estão exercendo funções e ocupando cargos considerados como hegemonicamente masculinos. Verifica em que medida as mulheres têm engendrado tecnociência, investigando a complexidade de suas funções, analisando as interseções entre as dimensões pública e privada que são engenhosamente por elas articuladas, e estudando em que medida essas articulações explicam a eliminação ou a reprodução das desigualdades de gênero. A investigação é realizada em empresas nascentes de base tecnológica localizadas em Florianópolis-SC. Diferentes técnicas são utilizadas nessa análise qualitativa, a exemplo de etnografia de uma incubadora que integra trinta e nove empresas (campo 1); e de visitas a empresas similares não-incubadas (campo 2). Neste estudo, de caráter interdisciplinar por excelência, utilizo as categorias de análise: gênero, difração, agency e prática, para sugerir que as mulheres que integram o corpus desta pesquisa estão de fato engendrando a tecnociência nas empresas aqui em foco, em diferenciados níveis de ação, cujos resultados confluem para o seu empoderamento e, portanto, para sua maior visibilidade no mundo da tecnociência. No entanto, o estudo evidencia, também, que a inserção das mulheres nesse mundo pode ser considerada ainda tímida e permeada de entraves, porque algumas preferem, por exemplo, ficar na retaguarda de seus sócios e atuar mais no interior das empresas, mesmo ocupando cargos mais elevados na hierarquia da pirâmide empresarial.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Movimento feminista e Estado: aproximações e afastamentos a partir do debate sobre a ilegalidade do aborto

Após a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada no Brasil em 2004, em que uma das demandas reivindicadas foi a revisão da lei punitiva às mulheres que praticam a interrupção voluntária da gravidez, verificou-se maior mobilização do movimento feminista sobre tema. Havendo abertura do poder executivo para esse debate, observamos o redirecionamento de repertórios do movimento feminista a fim de melhor aproveitar essa oportunidade política, construindo, nos primeiros anos do Governo Lula, um diálogo intenso com a recém criada Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Este trabalho propõe analisar essa aproximação e os afastamentos ocorridos até o período pré-eleitoral de 2010, partindo de teorias contemporâneas sobre movimentos sociais, como a Teoria de Novos Movimentos Sociais, Teoria de Mobilização de Recursos e Teoria de Processos Políticos e a sistematização realizada pela Research Network on Gender Politics (RNGS), cujo foco é a análise da relação dos movimentos de mulheres e feministas com organismos de políticas para mulheres (OPM) em diversos países. Foram realizadas pesquisas bibliográficas, documentais e entrevistas com representantes de movimentos feministas protagonistas nesse conflito e profissionais de órgãos públicos federais que lidaram diretamente com os debates sobre a interrupção voluntária da gravidez. Mesmo observando a heterogeneidade de posicionamentos dentro do Governo Federal, constatou-se a recorrente diminuição de diálogo do poder Executivo com o movimento feminista e menor incidência, com relação a esse tema, no legislativo, nos períodos que antecedem o período eleitoral, demonstrando que alguns temas são relegados da agenda de políticas públicas em nome da governabilidade.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Gênero e educação física: o que diz a produção teórica brasileira dos anos 80 e 90?

Ao olhar, atentamente, a produção acadêmica brasileira, relacionada com o campo de estudos de gênero e dos estudos feministas, constatei uma grande performance teórica e variadas tentativas de diálogo entre os diversos campos do saber, inclusive com o campo específico da Educação Física/Esporte(EF/Esporte). Isto tem se dado, sobretudo, nos últimos anos, considerando o caráter plural das concepções de feminino e de masculino vigente na atual sociedade globalizada, na qual o conceito de gênero tem permitido, entre outras instâncias, a compreensão de construções históricas em torno do sexo, enfatizando, os mecanismos e as instituições culturais e sociais que estão envolvidas nesta construção. Com a intenção de contribuir com esse debate, ao longo da trajetória deste estudo, discorro sobre algumas dimensões de gênero desenvolvidas para a EF/Esporte e suas contribuições na compreensão da organização social. Neste sentido, o texto que se segue, apresentado em três capítulos, intitulados: primeiro, o ponto de partida; segundo, nas teias do gênero; terceiro, gênero e educação física: refletindo sobre as pesquisas dos anos 80 e 90; diz sobre o que se convencionou chamar "estudos de gênero na/para a EF/Esporte. Como esta se apropriou desse conceito, e como tem classificado como sendo "estudos de gênero" esse ou aquele trabalho. Enfim, como se encontra o estado atual do conhecimento sobre gênero na EF/Esporte? Como base de análise e interpretação, foi utilizado o material empírico relacionado à produção científica, na forma de dissertação e tese, oriundas dos programas de pós-graduação brasileiros em Educação e Educação Física, em nível de mestrado e doutorado, décadas de 80 e 90. Para tanto, é utilizada a técnica de análise de conteúdo, levando em conta algumas categorias selecionadas, entre as quais, a) Temáticas abordadas; b) Problemática e questões priorizadas; c) Concepções/abordagens; d) Relação sujeito/objeto - sexo do pesquisador; e) lugar onde foram produzidos os estudos; f) Orientação, co-orientação e composição de bancas examinadoras; g) Escolas de pensamento, propostas e sugestões. Observei que a produção acadêmico-científica, num primeiro momento, deteve-se em analisar os estereótipos e a existência do sexismo do ponto de vista bio-psico-fisiológico, mais recentemente, os estudos apresentam uma dimensão temática ampliada, situando-se em torno de três eixos: sexualidade, política e cultura. Ficou evidenciado, ainda, na leitura das dissertações e teses, um certo avanço a respeito das questões tratadas, no entanto, acredito que há de se cuidar sobre os rumos que poderão tomar as pesquisas neste campo teórico, pois freqüentemente tem sido utilizadas perspectivas teórico-metodológicas incompatíveis entre si, e aí são cometidos, então, alguns equívocos, onde certos conceitos são tidos como equivalentes, sem, no entanto, o serem.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
O reino da impura sorte: mulheres e homens, garimpeiros em Minas Gerais

Esta pesquisa tem como ponto focal a análise das relações de gênero na comunidade garimpeira de Datas, localizada no Estado de Minas Gerais. A análise da divisão sexual do trabalho, dos conflitos envolvendo honra e gênero e da cosmologia característica da atividade garimpeira em Datas aponta para uma configuração das relações de gênero na qual a assimetria de poder entre os sexos apresenta uma maior flexibilidade, devido ao fato da mulher também garimpar, participando assim das possibilidades da sorte e de valores e atributos hegemonicamente atribuídos à masculinidade.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Gênero, deficiência, cuidado e capacitismo: uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre violências contra mulheres com deficiência

Estudos sobre violências contra mulheres com deficiência são, geralmente, mais restritos por exigirem conscientização para a abordagem conjunta entre gênero, deficiência e violência. As poucas produções no campo dos Estudos sobre Deficiência que versam sobre o tema afirmam que as explicações atuais sobre violência de gênero e deficiência são insuficientes para avaliar as várias situações que levam as mulheres com deficiência a experienciarem formas de violência. O objetivo geral da pesquisa foi fazer uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre violências contra mulheres com deficiência. A pesquisa de campo envolveu a articulação entre vários campos teóricos e de pesquisa, inclusive da análise de narrativas de três mulheres com deficiência física na cidade de Belo Horizonte. O eixo central se baseia na articulação entre as teorias feministas, queer e crip, tendo como eixo o campo das violências contra mulheres com deficiência, considerando, sobretudo, o potencial de uso de categorias de articulação e de intersecionalidades como gênero, deficiência, capacitismo, violência e cuidado. Como categoria múltipla e relacional, as violências contra mulheres com deficiência também devem abranger uma pluralidade de componentes sociais e de contextos socioculturais atravessados por relações de poder imbricadas entre si. A depender do contexto social, as violências contra mulheres com deficiência ora são uma expressão das relações de gênero, ora são motivadas pela condição de deficiência ou, ainda, são o produto da polarização entre as categorias de gênero e deficiência e suas interfaces analíticas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado

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