Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Expressões juvenis na cultura escolar: um olhar para a escola pública

A presente pesquisa teve por objetivo analisar aspectos referentes às questões de gênero, classe e etnia presentes no Projeto Político Pedagógico, nas relações entre professores e alunos, e na cultura escolar cotidiana que evidenciam elementos orientadores de uma política cultural que reforçam as diferenças apontadas como objeto central dessa investigação e tragam à luz as práticas sociais escolares que reforçam preconceitos e conduzem a discriminações. Para a obtenção dos dados foram realizadas observações em sala de aula, aplicação de questionário com os alunos e entrevistas com professores/as e alunos/as da escola em estudo. A discussão teórica apresentou-se como um diálogo entre as teorias críticas e pós-críticas, na qual o pensamento dos autores Tomáz Tadeu da Silva e Henry Giroux estabeleceram- se como eixo central da discussão. Os resultados da pesquisa apontam para uma sociabilidade juvenil em transformação, na qual a escola como espaço produtor de significados tem, por um lado, reproduzido discursos e práticas discriminatórias, mas por outro lado, apresenta algumas resistências e caminhos que apontam para uma sociabilidade mais democrática e igualitária no que se refere a gênero, classe e etnia.

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Tese
Paradigmas emergentes e os novos objetos de investigação: o exemplo do gênero

A presente dissertação visa identificar a presença dos novos paradigmas associados à agenda pós-moderna na área de Educação, focalizando especificamente os estudos de gênero. Realizamos um levantamento das pesquisas voltadas aos novos objetos associados a tais paradigmas em trabalhos apresentados na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), no período de 1995 a 2000. A partir desse material mapeamos os novos objetos enfatizados pelos (as) pesquisadores (as) e sua freqüência. Privilegiamos os trabalhos que tratam do gênero, procurando identificar as chaves de interpretação utilizadas pelos (as) autores (as). Percebemos a influência, principalmente, dos paradigmas pós-moderno e pós-estruturalista como perspectiva teórica de análise. Para compreender a crise de paradigmas e suas rupturas, iniciamos o trabalho realizando alguns apontamentos sobre a constituição do pensamento moderno, da ciência, percorrendo as fraturas das propostas medievais, as novas possibilidades que foram se constituindo com o Renascimento e o Iluminismo e a consolidação da Modernização e Modernidade. Nesse percurso, indicamos a crise do pensamento moderno e as propostas da agenda pós-moderna, que se propõem a substituí-lo, inclusive a emergência dos novos objetos de pesquisa. Entre os novos objetos restringimos nosso foco de investigação às reflexões sobre o gênero no campo educacional. Pudemos perceber que a maioria dos trabalhos que tratam do gênero apresenta uma forte inspiração pós-estruturalista. Muitos o compreendem a partir de um enfoque puramente descritivo, como um recorte isolado, enfatizam a discursividade como constituinte das relações de gênero ou, em determinados momentos, isolam seu objeto de estudo, desvinculando-o das múltiplas determinações que o constituem. Percebemos que à medida que o objeto de estudo é fragmentado, a possibilidade de conhecê-lo é empobrecida, uma vez que essa fragmentação desconsidera as várias relações que o constituem e o resultado da investigação, dessa forma, é sempre insuficiente. Nosso intuito foi o de apontar que, por terem isolado seus objetos de suas determinações mais amplas, as análises deixaram de percorrer caminhos que, certamente promoveriam o seu enriquecimento.

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Tese
Produtivo ou reprodutivo: o trabalho das mulheres nas agroindústrias familiares - um estudo na região Oeste de Santa Catarina

Nas propriedades rurais há uma clara divisão do trabalho, ficando com o homem, o papel de "chefe da família" e de responsável pela unidade de produção e cabendo à mulher um papel secundário nesta organização mesmo realizando as mesmas tarefas do marido. As agroindústrias familiares absorvem a mão-de-obra de mulheres e jovens, principalmente porque muito dessa produção era originária da "cozinha". Entretanto, quando esses produtos passam a ser feitos comercialmente, vão sendo apropriados pelos homens. Com relação às mulheres, o trabalho que antes era feito nas lavouras, passa a ser realizado próximo à casa, permitindo compatibilizar melhor esta atividade com os afazeres domésticos e demais responsabilidades tidas como femininas. A proximidade entre esses trabalhos, o "produtivo" e o "reprodutivo", acaba por confundi-los, fazendo com que as tarefas ligadas às agroindústrias sejam consideradas quase como uma extensão do doméstico. Esse novo modelo, baseado na agroindustrialização artesanal não eliminou as desigualdades entre gênero e geração na agricultura familiar.

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Tese
Tecendo a urdidura comum com os fios específicos: sentidos de gênero em mulheres chefes de família das camadas populares

Este trabalho resultou de estudo realizado com três mulheres chefes de família residentes em um bairro popular de uma cidade catarinense. Considerando a complexa construção ao longo da história de tudo o que se refere ao masculino e ao feminino, este trabalho pretendeu investigar de que forma constroem-se os sentidos de gênero na trajetória de vida destas mulheres. As entrevistas confirmam os dados estatísticos gerais: famílias chefiadas por mulheres sem marido são as mais pobres, são cada vez mais jovens e o grau de analfabetismo é elevado. Dentre o material analisado, constatou-se a forte presença de uma moral sexual conservadora e a importância delegada pelas entrevistadas à maternidade. Refletir como estes sentidos posicionam os sujeitos na trama das relações sociais e, portanto, nas relações de gênero, implica considerar que são nestas relações que os sujeitos constituem-se em homens e mulheres. Como metodologia de pesquisa para a coleta das narrativas, foram realizadas entrevistas recorrentes e em profundidade, e para a análise, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo temática. Privilegiar processos discursivos remete a indagações sobre a subjetividade e suas formas científicas de interpretá-las, entre estas, o lugar da psicologia na construção e manutenção dos discursos sobre "ter ou fazer" o gênero.

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Tese
Trabalho e relações de gênero no assentamento Sepé Tiaraju

Esta pesquisa estudou as relações de trabalho produtoras dos sujeitos e as relações de gênero no assentamento Sepé Tiaraju (MST) localizado no município catarinense de Campos Novos. O objetivo foi compreender como ocorrem as relações de gênero na interface do trabalho entre os sem-terra. A articulação entre o trabalho coletivo e o trabalho doméstico organiza a vida no assentamento e remete às relações de gênero, configuração que se desdobra em uma específica divisão sexual do trabalho. Por que há divisão sexual do trabalho onde tudo é coletivo? Por que são as mulheres que continuam a realizar de modo predominante o trabalho doméstico? Os procedimentos de coleta de informações utilizados para responder as questões de pesquisa foram entrevistas abertas gravadas com homens e mulheres, aplicação de um questionário e observação das atividades dos sem-terra que seguem diretrizes do trabalho coletivo, sugerido pelo MST. Fundamentado nas concepções marxistas, esta pesquisa buscou analisar as relações de trabalho no assentamento que combina o trabalho coletivo e o trabalho doméstico e as relações de gênero que esta organização constitui. No capítulo um são feitas as caracterizações sociais e econômicas de Campos Novos e do assentamento Sepé Tiaraju. Campos Novos se insere como produtor de matérias primas destinadas à exportação a serviço da acumulação do capital. O Sepé Tiaraju também produz excedentes para viabilizar sua existência no âmbito da sociedade capitalista. No capítulo dois se aprofunda teoricamente as relações de trabalho produtoras da existência. O trabalho no assentamento combina os cinco setores coletivos com o trabalho doméstico e no capítulo três se analisam as relações de gênero na interface dos processos de trabalho no assentamento. Homens e mulheres realizam dupla jornada de trabalho. Os sem-terra não inauguram um assentamento totalmente coletivo, pois combinam antigas formas individuais de trabalho com novas, provocando a emergência de conflitos de gênero. Os principais resultados podem ser assim anunciados: 1) Os sem-terra organizam o trabalho coletivamente, fato que tem provocado transformações na vida dos assentados. 2) As responsabilidades pelo trabalho são de todas as famílias. Fato que tem modificado a divisão sexual do trabalho e alterado algumas atividades atribuídas historicamente aos homens e às mulheres. 3) Outros trabalhos, porém, perpetuam no assentamento determinados padrões relacionais cristalizados, os quais sugerem uma naturalização do trabalho masculino e feminino. Pois, a organização da vida coletiva dos assentados se inscreve nos limites e possibilidades da sociedade capitalista.

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