CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Atualmente assistimos à proliferação global de um tipo específico de conflito violento: elevadas concentrações da violência armada em uma escala micro, que ocorrem em grande medida nas áreas periféricas de grandes centros urbanos, e que têm como atores principais (vítimas diretas e perpetradores) jovens de classes sociais marginalizadas. O Brasil, e o Rio de Janeiro em particular, constitui um claro exemplo deste tipo de conflito. Apesar de não viver uma guerra declarada, a cidade tem uma das mais elevadas taxas de mortes por armas de fogo do munto. Este contexto de conflito (armado) violento tem impactos específicos nas vidas de mulehres e homens. No entanto, uma vez que não são consideradas o principal "grupo de risco", os mecanismos existentes são freqüentemente insuficientes para entendermos a complexidade das formas de envolvimento do sexo feminino na violência armada, bem como os impactos que esta violência tem nas suas vidas. Com este artigo, pretendo analisar silêncios e invisibilidades neste cenário: os papéis de mulheres e meninas no contexto específico do Rio de Janeiro, bem como os impactos que a violência perpetrada com armas de foto tem nas suas vidas.
- Revista Gênero, v.8 n.2
Este trabalho resultou de estudo realizado com três mulheres chefes de família residentes em um bairro popular de uma cidade catarinense. Considerando a complexa construção ao longo da história de tudo o que se refere ao masculino e ao feminino, este trabalho pretendeu investigar de que forma constroem-se os sentidos de gênero na trajetória de vida destas mulheres. As entrevistas confirmam os dados estatísticos gerais: famílias chefiadas por mulheres sem marido são as mais pobres, são cada vez mais jovens e o grau de analfabetismo é elevado. Dentre o material analisado, constatou-se a forte presença de uma moral sexual conservadora e a importância delegada pelas entrevistadas à maternidade. Refletir como estes sentidos posicionam os sujeitos na trama das relações sociais e, portanto, nas relações de gênero, implica considerar que são nestas relações que os sujeitos constituem-se em homens e mulheres. Como metodologia de pesquisa para a coleta das narrativas, foram realizadas entrevistas recorrentes e em profundidade, e para a análise, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo temática. Privilegiar processos discursivos remete a indagações sobre a subjetividade e suas formas científicas de interpretá-las, entre estas, o lugar da psicologia na construção e manutenção dos discursos sobre “ter ou fazer” o gênero.
- Português
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA ORAL
- Revista Gênero, vol 9 n. 1
O objetivo deste artigo é apresentar uma análise da especificidade da participação feminina em organizações da esquerda revolucionária. Neste trabalho, pela análise das trajetórias de vida de ex-militantes que fizeram parte das organizações de esquerda armada, procuro compreender as nuanças da particularidade da militância feminina durante o regime civil-militar, período este compreendido entre meados da década de 1960 e 1974. O que perpassa a análise é o quão importantes foram tais atitudes, uma vez que as mulheres estavam alijadas do processo de participação política, até mesmo por uma questão de status sexual hierárquico que estabelecia e legitimava a desigualdade em vários aspectos, tais como os direitos, os deveres e os espaços de circulação e atuação. Ao abraçarem a causa coletiva, elas romperam com o seu papel social estabelecido e principalmente com o seu mundo cotidiano. No bojo deste processo, foram quebradas normas e tabus, toda uma gama de valores que a sociedade carregava e que afetava de forma incisiva a vida da mulher brasileira neste período.
- Revista Gênero, v.8 n.2



