Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Artigo
Marcadores sociais da diferença e infância: relações de poder no contexto escolar

Na primeira parte do artigo apresento contribuições de autores de diversas áreas no que se refere às relações de gênero em sala de aula, entre crianças e adolescentes. Na segunda parte, apresento resultados parciais da pesquisa de campo de minha dissertação de Mestrado, realizada numa escola pública da cidade de Campinas, Estado de São Paulo, analisando temas como a relação das crianças com as diferenças de classe, raça, gênero e outros marcadores sociais, as hierarquias de poder na sala de aula e as concepções infantis sobre heteronormatividade.

  • Cadernos Pagu, v.26
Artigo
A condição das mulheres no Islã: a questão da igualdade

No ocidente, o tema da condição das mulheres no Islã está ligado à representação que geralmente se faz do Islã e dos muçulmanos. É uma representação constituída por estereótipos, esquematizações reducionistas e por confusões conceituais. A realidade do Islã e das sociedades muçulmanas possui muito mais nuances e freqüentemente não corresponde às idéias estabelecidas. A condição de inferioridade e precariedade a que está confinada a maior parte das mulheres muçulmanas, revela principalmente a hegemonia de uma mentalidade e de um sistema patriarcal que instrumentaliza sua leitura da religião para legitimar as situações de dominação, de violência e de exclusão em relação às mulheres. Partindo desta constatação, a autora propõe uma outra leitura do Islã e uma reflexão sobre a noção de igualdade no Alcorão e Sunna, na sua relação com o contexto da revelação, as finalidades da Chari’a e as perspectivas de evolução que podem revelar o referencial islâmico. Este trabalho de base é passível de reduzir as distâncias entre os princípios de igualdade entre os sexos inscritos nas convenções internacionais e seu equivalente no Islã.

  • Cadernos Pagu, Mudanças, v.30
Tese
Corpos em Risco: etnografando bailarinos de dança contemporânea em Florianópolis com ênfase de suas trajetórias na dança, noções de corpor e corporalidade

Este estudo é orientado por três eixos: o primeiro se refere às noções de corpo e de corporalidade, o segundo gira em torno da antropologia da dança - o que remete também a concepções de arte e corpo -, e por fim, o terceiro trata mais especificamente do corpo na dança contemporânea, dos discursos e das práticas a ele atribuídos. Como metodologia, foram realizadas participações, observações e o acompanhamento de dez bailarinos em suas atividades de dança, assim como entrevistas com os mesmos e consulta ao material produzido no campo jornalístico e na própria área de dança na qual esses dançarinos se inserem - como folhetos de seus espetáculos, matérias e notas sobre eles e/ou sobre seus grupos. A pesquisa enfoca a preparação e utilização dos corpos dos bailarinos para a dança, e como eles percebem e falam sobre estas questões a partir, sobretudo, dos relatos acerca de suas trajetórias no universo da dança. A discussão sobre concepções de arte e de dança também é desenvolvida, assim como sobre as noções de dança contemporânea e a idéia de um corpo que está “dançando o contemporâneo”. Toda essa preparação para a dança mostrou como os corpos são especificamente “fabricados” pela e para a dança, e como esta é por sua vez construída através das atividades cotidianas dos bailarinos e de suas percepções. Esses corpos contemporâneos se apresentam como corpos que em geral se opõem aos do balé clássico, questionando, segundo os bailarinos, preceitos de um corpo “padronizado”, orientado por linhas retas e passos já codificados da técnica clássica, e por isso buscam se “contorcer”, se “soltar”, se “jogar no chão” aceitando a lei da gravidade. Do mesmo modo, foi possível perceber que esta preparação para a dança não revela apenas um processo, mas constitui a própria dança - a qual, portanto não se resume às apresentações dos espetáculos.

Artigo
Corpos elétricos: do assujeitamento à estética da existência

A busca da adequação aos padrões de identidade socialmente impostos tem justificado e instituído as mais variadas formas de controle corporal. Há cerca de dois séculos vivemos um processo de contínuo disciplinamento e normalização dos corpos que também tem conseqüências subjetivas, pois a subjetividade está diretamente associada à materialidade do corpo. Assim, a história da criação de corpos e identidades sociais é também uma história dos modos de produção da subjetividade. O texto parte dessa constatação para discutir uma forma de resistência ao assujeitamento: a proposta foucaultiana de uma estética da existência.

  • Estudos Feministas, vol. 14, n.3
Artigo
Qual foi o impacto do feminismo na ciência?

Neste artigo, quero fazer a afirmação provocadora de que há algumas maneiras em que mudamos a ciência, mesmo que, uma vez mais, não exatamente da maneira ampla que algumas de nós imagináramos. Para fundamentar essa afirmação, arrolarei algumas mudanças – todas elas na biologia, e todas em óbvia simpatia com os objetivos feministas, mudanças que tiveram lugar tanto com o maior acesso das mulheres à ciência quanto com o surgimento da crítica feminista da ciência.

  • Cadernos Pagu, Ciência, substantivo feminino, plural, v.27

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