CEDOC
Sobre o CEDOCObras sobre “paternidade”
20 resultados

Este artigo aborda as modalidades de intencionalidade da paternidade construídas por mulheres e homens que realizaram testes de DNA ordenados por tribunais, em Portugal, para apuramento da paternidade biológica de crianças sem 'pai oficial'. Partindo de uma perspectiva feminista, analisa-se o impacto das ideologias de género na mediação da intenção de desempenhar o papel de pai, na negociação de relações de parentesco e nos processos sociais e morais de classificação e hierarquização dos indivíduos. Conclui-se que a incorporação do conhecimento do resultado do teste de DNA nas práticas quotidianas de homens e mulheres constitui uma co-produção complexa entre as relações sociais de género, a cultura, a tecnologia e o sistema jurídico.
- Estudos Feministas, vol. 19, n.3

Centrando-me nas concepções sobre paternidade presentes em diversos âmbitos – mídia, o acadêmico e ONGs – levanto, neste texto, algumas questões. Pensando nas noções de gênero como mediadoras das concepções sobre paternidade, pergunto-me sobre a importância da paternidade na elaboração das concepções sobre masculinidade. Indago-me também sobre as concepções e relações de gênero reveladas através do estudo da masculinidade.
- Cadernos Pagu, Trajetórias do gênero, masculinidades..., v.11

Atualmente, no Brasil, existe uma onda de testes de paternidade DNA (nos laboratórios públicos e em clínicas particulares) que levanta reflexões interessantes quanto à interseção das esferas médica e jurídica e sua influência sobre as relações de gênero e de parentesco na sociedade contemporânea. Para analisar esse fenômeno, acompanhamos nas diferentes instâncias jurídicas em Porto Alegre (na Defensoria da República, nas Audiências de Conciliação, na Vara de Família e no Serviço Médico do Tribunal) pessoas envolvidas em disputas jurídicas em torno da identidade paterna. Investigamos também como recentes mudanças nas leis de reconhecimento paterno são acionadas pelas diferentes personagens do cenário. A partir desses dados, levantamos a hipótese de que, longe de inspirar maior tranqüilidade, a simples existência do teste atiça as dúvidas. Tendo repercussões profundas sobre a nossa maneira de ‘saber’ quem é pai, a situação descrita nesse paper traz novos desafios para uma antropologia do conhecimento, voltada para a análise das crenças (inclusive científicas) ocidentais.
- Estudos Feministas, vol. 12, n.2

O propósito desse artigo é analisar como a adoção é retratada em alguns livros infantis. O texto literário é considerado como um importante documento etnográfico capaz de esclarecer elementos culturais presentes na maneira como as pessoas vivem e pensam a adoção de crianças. Qual ideal de família permeia o imaginário social do qual esses livros são ao mesmo tempo produto e agente de difusão/reprodução? Textos e ilustrações presentes nesses livros receberam igual atenção e constatou-se que as histórias obedecem a uma mesma estrutura básica, que reveste a adoção de uma atmosfera idealizada de afetividade, aceitação e ausência de conflitos.
- Cadernos Pagu, v.26

O texto traz uma discussão a respeito das representações sobre esterilidade e desejo por filhos entre homens que procuravam um ambulatório de reprodução humana em busca de informações e métodos de planejamento familiar ou em busca de tratamento para a esterilidade. Esses dados são comparados com os de uma pesquisa anterior com mulheres que procuravam o mesmo ambulatório em busca de tratamento para esterilidade. O texto mostra, entre outras coisas, como a esterilidade fere tanto a masculinidade quanto a feminilidade, ainda que de maneiras distintas. E como a paternidade é concebida como um plano para o futuro, que abriga a possibilidade de mudanças; enquanto a maternidade é concebida como a realização de um sonho desde sempre existente no passado feminino.
- Cadernos Pagu, Desafios da equidade, v.17_18
