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As mulheres vêm aumentando sua participação em diferentes áreas da sociedade, mas ainda enfrentam obstáculos, inclusive para sua inserção no mundo da ciência. Buscando uma melhor compreensão sobre esse fenômeno, realizou-se uma pesquisa que mapeou a participação feminina no desenvolvimento de pesquisas no Brasil, a partir da análise dos currículos Lattes de 4.970 mulheres que defenderam suas teses de doutorado entre os anos de 2000 e 2013. Em relação aos procedimentos técnicos, foi utilizada uma pesquisa documental, cuja coleta de dados se deu no período de dezembro de 2013 a julho de 2014. Os resultados mostram que as mulheres conseguiram muitos avanços nessa área, mas que a desigualdade de papéis entre mulheres e homens ainda persiste dentro da ciência
- Estudos Feministas, vol. 24, n.1

Este artigo se refere aos desafios enfrentados por uma escola pública ao propor um projeto pedagógico pautado pelas diretrizes do respeito aos direitos humanos da diversidade sexual. Para tanto, utiliza dados que expõe a dificuldade de se implementar um discurso de cidadania extensivo aos grupos associados ao segmento LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Nesse sentido, o texto reflete sobre o fato de a proposta curricular não enfrentar alguns paradoxos, como os de uma noção de igualdade que não contemplava a inclusão das diferenças. Para fazê-lo, aborda três aspectos que se desdobram com o projeto pedagógico da escola: o primeiro se refere ao eixo da proposta, o qual não reconhecia o confronto entre a noção universalista de direitos e os valores locais; o segundo emergia sob a equalização do grupo discente – por meio da idéia de um sujeito universal de conhecimento – que instalava a dificuldade da proposta curricular em acessar os significados subjetivos referentes a diferentes esquemas culturais de representação das relações de gênero e das sexualidades; e, por fim, a tensão produzida pelas descontinuidades dos conteúdos curriculares ao tratar questões referentes à diversidade sexual e a dificuldade de acolhimento e reconhecimento dos direitos das populações LGBTT na unidade de ensino.
- Revista Gênero, Vol. 12, n. 1

A cultura infantil está cada vez mais permeada por um cotidiano generificado, isto é, a maior parte dos processos e produtos culturais possui conteúdos nos quais a questão de gênero é tratada, insistentemente, de forma binária e, consequentemente, excludente. O objetivo deste trabalho, assim, foi estudar o teatro infantil de Marcelo Romagnoli e da Banda Mirim, cujas peças possuem uma proposta de desmontar e questionar os estereótipos que dicotomizam a vida de meninos e meninas. Assistindo às encenações de Felizardo e de O menino Teresa, e analisando o conteúdo dos textos das peças, concluiu-se que as personagens propõem um modelo para meninas e meninos que está na contramão da cultura padronizada e oficial, estimulando novas relações sociais de gênero entre as crianças, contribuindo desse modo para a consecução dos "objetivos do milênio" propostos pela ONU e encampados pelo Brasil, sobretudo no que tange à igualdade entre os sexos.
- Estudos Feministas, vol. 19, n.3

Este texto tem como objetivo abordar a temática das relações de gênero em um espaço fundamental da socialização infantil - a escola -, refletindo sobre os principais avanços e limites para a aplicabilidade de políticas públicas neste campo. Para esta análise, foi destacada a experiência, no Brasil, do lançamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) em 2000, que recomentdam o trato da sexualidade nas escolas por meio do tema transversal - orientação sexual. Como qualquer iniciativa institucional, a operacionalização das "recomendações" enfrentou muitos obstáculos. A partir de uma reflexão sobre as tendências observadas, hoje, no debate sobre as relações de gênero e o seu impacto na educação de crianças do sexo masculino e feminino, é analisado um vídeo educativo produzido com este fim, com base nas diferenças e expectativas que as próprias crianças indicam quanto ao fenômeno estudado: a possibilidade da superação das hierarquias de gênero.
- Revista Gênero, v.8 n.1

Este artigo analisa as classificações de gênero utilizadas por professores que desenvolvem projetos de orientação sexual na cidade do Rio de Janeiro para explicar as perspectivas e os dilemas da intervenção escolar na socialização afetivo-sexual dos adolescentes. O material empírico que sustenta as argumentações é composto de 16 entrevistas em profundidade, realizadas com docentes responsáveis pelos espaços escolares onde se desenvolvem projetos de orientação sexual no ensino fundamental do Rio de Janeiro: os Núcleos de Adolescentes Multiplicadores (NAMs). Também foram realizadas "observações participantes" em um curso de formação para professores que desejam trabalhar com orientação sexual na escola. As representações de gênero apresentadas oscilam entre classificações modernas e tradicionais sobre a feminilidade e a masculinidade. Os projetos eram coordenados majoritariamente por professoras, e a participação discente também era basicamente feminina. As professoras buscavam coerência entre sua atuação nos espaços escolar e familiar. Porém, ao mesmo tempo que orientavam seus alunos para combater as desigualdades de gênero, apresentavam dúvidas e incertezas quanto à possibilidade de educar seus filhos a partir de ideais igualitários de gênero, principalmente os filhos homens. Situações domésticas contrastavam com performances em sala de aula, apresentando tensões entre negação e afirmação das masculinidades e feminilidades tradicionais.
- Estudos Feministas, vol. 17, n.1
