CEDOC
Sobre o CEDOCObras de Jair Zandoná
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Considerar a contribuição e os desdobramentos que a série de eventos do Seminário Internacional Fazendo Gênero repercutem nos diferentes contextos e campos dedicados aos feminismos e estudos de gênero desde sua primeira edição – ocorrida ainda no século passado – vão ao encontro de seu compromisso em mobilizar debates em torno desses temas. Sediado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Fazendo Gênero tem sido pensado e organizado pelas pesquisadoras, parceiras e colaboradoras vinculadas ao Instituto de Estudos de Gênero (IEG/UFSC) e, desde sua criação, é marcado pela insígnia do esforço coletivo em promover um espaço de interlocução. Este livro congrega textos acadêmicos, artivistas, contribuições artísticas e relatos de experiência pensados a partir das discussões realizadas durante o 12º Seminário Internacional Fazendo Gênero, ocorrido de forma virtual em 2021.
- Português
- Alessandra Soares Brandão, Jair Zandoná, Organizadores: Janine Gomes da Silva e Vera Fátima Gasparetto
Pensar a literatura de Mário de Sá-Carneiro é enveredar por um contexto densamente elaborado. Há os arroubos dos modernistas portugueses - tão bem conectados - que ele e Fernando Pessoa exploraram com maestria, seja em seus projetos pessoais, seja na Revista Orpheu, projeto que desenvolveram em comum. Além disso, há o desenvolvimento de um eu-lírico melancólico, à beira de um abismo de sofrimentos. Enquanto Pessoa estava em Lisboa e Sá-Carneiro, em Paris, os dois poetas mantiveram intensa correspondência. Dessas cartas, são conhecidas as enviadas por Sá-Carneiro, as quais extrapolam os limites do pessoal e apresentam fruição poética, uma espécie de arcabouço literário, a que se articula Dispersão - conjunto de poemas publicados em 1915. A melancolia é encontrada também nas linhas consideradas como palavras do próprio Sá-Carneiro em diálogo com o amigo. É aí que a sobreposição literário/extraliterário sem evidencia; é aí que ambas as instâncias dialogam. Se as cartas têm notadamente cunho pessoal e os poemas estão no campo do ficcional, as armadilhas da escrita ali tomam corpo, levando o leitor a aproximar ficcional e biográfico, tomando-os por uma escrita confessional, corroborada pelo suicídio do poeta, dado que acaba sendo considerado o elo necessário para dar respaldo para tal leitura.
A proposta da chamada Geração da Orpheu foi, de modo geral, desestabilizar o acanhado público português. De seus integrantes, destacam-se as produções de Mário de Sá-Carneiro e de Fernando Pessoa que potencializam, cada um à sua maneira, a grande viagem literária da modernidade, da qual se evidencia o esfacelamento do sujeito. Vazio, dor, abstração, sofrimento são alguns dos sentimentos que insurgem, via sensação, e se materializam, no trânsito pela cidade - deambulação que possibilita delinear uma (possível) cartografia do sensível. Este estudo objetiva, portanto, investigar o modo como Mário de Sá-Carneiro Fernando Pessoa/Bernardo Soares, em seu Livro do Desassossego, elaboram suas Poéticas do Deslocamento, num movimento de errância entre o Eu e o Outro, a partir da construção do sensível. Nesse processo, percebemos que a sensação vertida em sentimento acompanha de modo bastante peculiar e indelevelmente as construções/percepções identitárias desses sujeitos poéticos.

- Português
- Claudia Renata Duarte, Jair Zandoná, Júlia Telésforo Osório e Tânia Regina Oliveira Ramos
