Instituto de Estudos de Gênero
Autoria

Obras de Rosemeri Moreira

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Livro
GÊNERO E INSTITUIÇÕES ARMADAS

Este livro trata de mulheres armadas: policiais, soldados, guerrilheiras. A discussão proposta vai além da narrativa de incorporação das mulheres nesses espaços, tidos como construtores da masculinidade, nos quais sua presença foi sistematicamente negada e/ou ocultada. Trata-se de uma reflexão que envolve o gênero, uma vez que a instituição da guerra, das armas e a violência de uma maneira geral são associados ao masculino e negadas ao feminino. Chamo atenção para o caráter feminista e militante deste livro, pois ele contribui para romper o esquecimento imposto às mulheres que participaram e participam dos espaços e eventos militares, guerreiros, guerrilheiros e, ao mesmo tempo, para desconstruir estereótipos de gênero. Escritos por pesquisadoras de diferentes formações (História, Pedagogia, Direito e Sociologia), os capítulos estão enlaçados a partir da discussão de como as delimitações do binarismo do gênero foram negociadas, transgredidas e/ou ressignificadas a partir da presença de mulheres na esfera considerada da ação militar: seja na polícia, no exército ou na guerrilha. Vale a pena ler cada capítulo refletindo sobre o ocultamento dessas guerreiras, quanto é, claro sobre a centralidade da guerra e da violência na nossa sociedade em que queremos da paz.

  • Português
  • Rosemeri Moreira
Artigo
Igualdade de gênero nos meandros das missões de paz e na carreira diplomática
  • Estudos Feministas, vol. 19, n.1
Artigo
A construção da "maternidade científica" no Brasil republicano
  • Estudos Feministas, vol. 18, n.3
Tese
Sobre mulheres e polícias: a construção do policiamento feminino de São Paulo (1955-1964)

O objeto da pesquisa em questão constitui-se no processo de criação da Polícia Feminina na cidade de São Paulo, em 1955. Processo que permitiu o acesso de mulheres à função de agentes da violência legítima do Estado, em um contexto de debate sobre os modelos de policiamento que existiam no país: o policiamento civil e o militar. O recorte temporal baliza o período 1955-1964, abarcando desde o processo de construção dos enunciados fundadores do policiamento de “tipo” feminino; a configuração políticas das polícias paulistas do período pós-guerra e pós-vargas; o processo inicial de recrutamento e a transformação das mulheres em policiais femininas; além do desenvolvimento das atividades da chamada Polícia Feminina no espaço urbano paulistano, até o início dos governos militares, em 1964. Para tanto, foram utilizadas como fontes: diários oficiais, leis, decretos-lei, diretrizes, portarias, boletins gerais da PMESP, correspondência oficial, álbuns e pastas de fotografias, periódicos e filmes, localizados no museu da PMESP; no arquivo do Senado Federal; no Arquivo Público do Estado de São Paulo; na Biblioteca da Cinemateca Brasileira e no Museo Policial da Província de Buenos Aires. Além dessas fontes, foram produzidas entrevistas com três homens policiais da reserva remunerada e uma mulher policial participante do primeiro “Corpo de Policiamento Especial Feminino”. A principal questão da pesquisa é sobre a articulação do gênero na trama discursiva que possibilitou o imbricamento entre as concepções “mulher” e “policial”, uma vez que eram/são percebidos como culturalmente opostos. Para tanto, o texto enfoca em primeiro lugar a discussão sobre o processo da criação discursiva do modelo de “Polícia Feminina”, abarcando a historicidade e os lugares das falas, o pensamento jurídico-criminológico do período referente às mulheres e presente na formação das polícias, e ainda o contexto político de embate entre as principais polícias paulistas no pósguerra. Em segundo lugar, o texto se atém na edificação do corpo da policial feminina, feito através da legislação construída e por meio dos processos de recrutamento e dos cursos de formação a elas destinados. O terceiro capítulo é uma reflexão sobre a adaptação, acomodação e confrontação, entre a imagem idealizada da policial e a prática cotidiana na cidade de São Paulo. E, por fim, a partir da figura central da Cmt. Hilda Macedo é discutida a divulgação e o desenrolar das atividades da Polícia Feminina paulista, e a inserção do policiamento feminino, no processo de internacionalização das polícias, próprio ao contexto da Guerra Fria.

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