Instituto de Estudos de Gênero
Autoria

Obras de Adriano Henrique Nuernberg

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Artigo
Gênero e deficiência: interseções e perspectivas

O campo de estudos feministas e de gênero tem avançado à medida que se articula com outras categorias de análise, tais como geração, classe, raça/etnia, orientação sexual, região e religião. Uma questão, contudo, permanece à revelia do esforço de interseção dessas categorias, a saber, a deficiência. Para tanto, busca-se aqui avaliar algumas das possibilidades de análise de fenômenos sociais e culturais nas quais se considera oportuno o diálogo entre os estudos feministas e de gênero com o campo de estudos sobre deficiência. Espera-se proporcionar maior visibilidade para o debate dessa questão, avaliando seu potencial analítico e político em vista da sua contribuição para as políticas públicas.

  • Estudos Feministas, Vol. 20, n.3
Tese
Gênero no contexto da produção científica brasileira em psicologia

Como um campo interdisciplinar de investigação, os estudos de gênero incorporam as contribuições das mais diferentes áreas do conhecimento científico. A psicologia, uma das ciências que atuam nesse campo, tem apresentado análises que permitem o avanço da compreensão das questões subjetivas e sociais associadas ao gênero como categoria relevante para o estudo da constituição do sujeito e da ordem social (Scott, 1990). O objetivo dessa tese é compreender as características da produção científica de pesquisadoras que protagonizaram a incorporação dos estudos de gênero na psicologia, à luz de uma análise antropológica e psicossocial sobre esse campo (Bordieu, 1983; Cardoso de Oliveira, 1988). Foram entrevistadas 16 mulheres que pesquisam no meio acadêmico da psicologia questões relativas aos estudos de gênero, descritos os núcleos de pesquisa e disciplinas em que atuam e investigados anais de eventos nacionais de três importantes associações científicas da psicologia, procurando identificar os trabalhos referentes ao campo intelectual feminista (Zanotta-Machado, 1997). As mulheres entrevistadas fazem parte de uma geração que viveu o impacto do paradigma modernizante proposto pelo feminismo durante a década de 70 (Goldberg, 1989) e que privilegiou, em sua carreira acadêmica, a pesquisa sobre a violência, o trabalho, a família, a educação, a sexualidade e a saúde reprodutiva. Os núcleos de pesquisa em que trabalham enfocam temáticas que favorecem a relação dos fenômenos sócio-culturais com aqueles relacionados à subjetividade, quase sempre articulando questões de gênero, etnia, classe e geração. Nos eventos nacionais analisados, identifica-se a década de 90 como o auge histórico da incorporação dos estudos de gênero ao meio científico da psicologia. A diversidade de temas e teorias é uma constante dessa produção, desenvolvida com base num intenso diálogo interdisciplinar. De modo geral, os estudos de gênero na psicologia brasileira inserem-se na psicologia social, por razões históricas, políticas e conceituais, dentre elas, a tendência desta última pensar o sujeito humano em seu contexto e superar o isolamento científico da psicologia em relação às demais ciências sociais. Tais estudos também podem ser considerados parte de uma reação crítica mais ampla ao modelo tradicional da psicologia, à suposição da universalidade do sujeito e ao pressuposto da objetividade do conhecimento científico (Flax, 1994). Os caminhos percorridos pelos estudos de gênero na psicologia brasileira, enfim, são produzidos pelas circunstâncias sócio-culturais em que se inserem suas protagonistas e pelas características inerentes à historicidade desse campo científico.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado

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