CEDOC
Sobre o CEDOCObras sobre “identidades”
9 resultados

Os processos advindos da dispersão dos povos e culturas através dos continentes, ocorridos entre o final do século XIX e os dias de hoje são tematizados ao longo deste livro. Processos que envolvem, entre outros aspectos, a experiência de mulheres, homens e crianças frente aos deslocamentos populacionais através dos espaços geográficos, a construção de identificações plurais e o compartilhar de imaginários que aspiram à diversidade. Estas reflexões foram realizadas por pesquisadoras e pesquisadores oriundos de diferentes áreas do conhecimento. No seu conjunto os textos proporcionam um rico panorama teórico e metodológico de fenômenos centrais e constitutivos do mundo contemporâneo sob o enfoque dos estudos de gênero.
- Português
- Carmen Silvia de Moraes Rial, Joana Maria Pedro e Silvia Maria Fávero Arend

A concepção de identidade pós-estruturalista, em uma perspectiva etnometodológica, trouxe profundas mudanças na maneira como se estabelecem as relações entre gênero e linguagem. Gênero passa a ser entendido como uma construção social que precisa ser (re)negociada a cada nova interação e, por não existir fora do discurso, não tem um status fixo e estável. Para entender como as identidades de gênero são interacionalmente negociadas, e aqui especificamente os aspectos relacionados à maternidade, apresento a importância da Análise da Conversa, através da análise qualitativa de interações naturalísticas entre uma psicóloga e candidatos/as à vasectomia e à laqueadura, em um posto de saúde do SUS, na região Sul do Brasil. O que mostro, através da análise de três excertos, é que pequenas fissuras nas performances de maternidade fazem colidir a noção de uma maternidade estável, o que nos dá uma ideia prática do conceito de agentividade.
- Estudos Feministas, vol. 20, n.1

Desde o final do século XIX, as práticas esportivas se tornaram um terreno de lutas simbólicas e práticas intensas sobre definições de feminilidade, sobre "o que é uma mulher" e quais as atividades que um corpo marcado como feminino pode ou deve realizar. Durante mais de uma década, venho realizando pesquisa sobre a prática esportiva de mulheres no Brasil, com um olhar para o mundo equestre. Apresentarei um resumo dessas pesquisas que vêm focalizando diferentes grupos de amazonas: inicialmente, um grupo de amazonas de origem social de elite que se dedicam ao salto (hipismo clássico), num segundo momento, jovens de origem popular que lutam para inserir-se no meio muito masculino do turfe e, finalmente, uma nova fase de pesquisa que se abre para o mundo tradicional do "rodeio campeiro" e suas pioneiras. Através de depoimentos de mulheres e de trabalho de cunho etnográfico e interacionista, procuro entender como as práticas dessas mulheres fazem parte de processos de construção identitária particulares, como lidam com meios que continuam sendo predominantemente masculinos e desenvolvem, nesses contextos, estratégias de autoafirmação, individuais ou coletivas. Apesar das pressões normativas e dos obstáculos culturais e/ou materiais que encontram no caminho, identifico nas suas práticas e modos de ser elementos de desafio às formas mais convencionais de viver o corpo e a subjetividade.
- Estudos Feministas, vol. 19, n.3

Neste artigo, apresentamos os resultados de uma pesquisa empírica sobre a construção identitária de estudantes de medicina em espaços não formais da universidade, em uma sociedade de consumo. Fundamentaram o estudo noções do pós-estruturalismo, principalmente sobre a natureza construída das identidades de gênero pelos discursos. Os resultados sinalizam a importância de se reconhecer que as experiências e subjetividades são passíveis de mudanças e de se integrar a problematização dos discursos dominantes aos currículos formais, facilitando uma maior igualdade de gênero, etnia e classe social.
- Cadernos Pagu, Mudanças, v.30

Discussões teóricas e estudos empíricos recentes mostram que, nas sociedades contemporâneas, as identidades sexuais e de gênero realmente vividas extrapolam as rígidas dicotomias homem/mulher e masculino/feminino que fazem parte do projeto da ordem social moderna. Este trabalho apresenta uma pesquisa em andamento sobre experiências de vida de travestis e transexuais atualmente radicadas na cidade de Curitiba, que tem por objetivo obter uma maior compreensão dos processos de construção de identidade nesta população "transgênero". Identificamos como particularmente importantes os processos de interação social através dos quais as nossas informantes se autodefinem e são "definidas" pelos outros. Constatamos que as fortes dicotomias sobre gênero que ainda operam na cultura atual fornecem tanto os termos com os quais as travestis e transexuais se autodefinem, quanto as bases para a estigmatização à qual continuam sujeitas.
- Revista Gênero, v.4 n.1
