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Sobre o CEDOCObras sobre “modernidade”
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Neste texto propomos uma interpretação crítica da dicotomia histórica entre público e privado como dinâmica fundamental da modernidade. A partir de uma perspectiva de género, discutimos as fronteiras construídas entre espaço coletivo de cidadania e de sociabilidade e espaço individual de intimidade e desigualdade. Argumentamos a favor de uma relação de cumplicidade, ainda que tensa, entre as duas esferas, observando que a vida privada foi, em grande medida, moldada pelas mudanças operadas na vida pública. Recorrendo a diferentes definições de "público", notamos que, à medida que as sociabilidades tradicionais, essencialmente masculinas, estudadas entre outros por Ariès ou Sennett, sofriam uma erosão, crescia o sentimento de intimidade, aumentando igualmente a inclusão do privado no público através do alargamento da cidadania, em consequência das lutas travadas na esfera pública por vários movimentos de emancipação, como o operário ou o feminista. À medida que a pessoa era retirada da comunidade, do clã, do grupo de parentesco, em que eram "naturais" as desigualdades, no sentido aristotélico do termo, ia-se reencontrando progressivamente como indivíduo portador de cidadania. Se o espaço privado se tornou central na definição de uma identidade, ele é também crescentemente atravessado por mecanismos públicos de regulação. Nesse sentido, o movimento de ascensão do privado, que nas últimas décadas tem ocupado espaço de debate, deve ser cuidadosamente reinterpretado.
- Estudos Feministas, vol. 20, n.1

Este trabalho aborda as tradições do pensamento sociológico para compreender e explicar a modernidade e seus fenômenos econômicos, sociais e políticos, que transformaram a sociedade moderna ocidental. As discussões em torno dos desafios colocados para a Sociologia para a reformulação das tradições científicas na contemporaneidade foram alavancadas pelas críticas feministas, colocando questionamentos de ordem histórica, epistemológica e metodológica.
- Cadernos Pagu, Mudanças, v.30

A década de 1920 foi marcada por ansiedades masculinas: homens de elite e classe média pareciam extremamente preocupados com a "invasão" do espaço público por mulheres. Este artigo estuda a resposta dada por estes homens ao fenômeno, com ênfase especial à extrema sexualização atribuída por estes contemporâneos às jovens mulheres e às comparações feitas entre seus comportamentos e o de prostitutas, afro-brasileiras e "selvagens".
- Cadernos Pagu, Cara, cor, corpo, v.23

O presente artigo analisa a marginalização da mulher, sobretudo da mulata, no momento de consolidação da modernidade e da democracia no Brasil com o advento da República. Para isso, tomaremos o romance de Lima Barreto "Clara dos Anjos", finalizado em 1922, como objeto de análise.
- Caderno Espaço Feminino, v.10 n.12_13

A correspondência é uma importante modalidade da escrita auto-referencial feminina. Através dela, é possível entrever maneiras de viver, códigos comportamentais e idéias que circulavam numa determinada época, tendo acesso aos espaços discursivos de um lugar e de um tempo, e à posição das autoras-personagens das cartas em relação em relação aos mesmos. O escrever cartas, exercício realizado na esfera íntima, é um dos poucos meios de expressão permitidos às mulheres do século XIX, circunscritas aos espaços domésticos e impedidas de se pronunciar publicamente. Neste trabalho, analisaremos a correspondência de duas mulheres brasileiras da Belle Époque: Flora de Oliveira Lima e Eufrásia Teixeira Leite. Nascidas na mesma época - meados do século XIX - e pertencentes à elite - do açúcar e do café, respectivamente -, elas tiveram uma formação parecida e são exemplares no que se refere a uma geração de mulheres que vai ser educada e experimentará o mundo de uma forma bem singular para os padrões da época.
- Revista Gênero, v.5 n.1
