CEDOC
Sobre o CEDOC530 teses e dissertações
Esta pesquisa estudou as relações de trabalho produtoras dos sujeitos e as relações de gênero no assentamento Sepé Tiaraju (MST) localizado no município catarinense de Campos Novos. O objetivo foi compreender como ocorrem as relações de gênero na interface do trabalho entre os sem-terra. A articulação entre o trabalho coletivo e o trabalho doméstico organiza a vida no assentamento e remete às relações de gênero, configuração que se desdobra em uma específica divisão sexual do trabalho. Por que há divisão sexual do trabalho onde tudo é coletivo? Por que são as mulheres que continuam a realizar de modo predominante o trabalho doméstico? Os procedimentos de coleta de informações utilizados para responder as questões de pesquisa foram entrevistas abertas gravadas com homens e mulheres, aplicação de um questionário e observação das atividades dos sem-terra que seguem diretrizes do trabalho coletivo, sugerido pelo MST. Fundamentado nas concepções marxistas, esta pesquisa buscou analisar as relações de trabalho no assentamento que combina o trabalho coletivo e o trabalho doméstico e as relações de gênero que esta organização constitui. No capítulo um são feitas as caracterizações sociais e econômicas de Campos Novos e do assentamento Sepé Tiaraju. Campos Novos se insere como produtor de matérias primas destinadas à exportação a serviço da acumulação do capital. O Sepé Tiaraju também produz excedentes para viabilizar sua existência no âmbito da sociedade capitalista. No capítulo dois se aprofunda teoricamente as relações de trabalho produtoras da existência. O trabalho no assentamento combina os cinco setores coletivos com o trabalho doméstico e no capítulo três se analisam as relações de gênero na interface dos processos de trabalho no assentamento. Homens e mulheres realizam dupla jornada de trabalho. Os sem-terra não inauguram um assentamento totalmente coletivo, pois combinam antigas formas individuais de trabalho com novas, provocando a emergência de conflitos de gênero. Os principais resultados podem ser assim anunciados: 1) Os sem-terra organizam o trabalho coletivamente, fato que tem provocado transformações na vida dos assentados. 2) As responsabilidades pelo trabalho são de todas as famílias. Fato que tem modificado a divisão sexual do trabalho e alterado algumas atividades atribuídas historicamente aos homens e às mulheres. 3) Outros trabalhos, porém, perpetuam no assentamento determinados padrões relacionais cristalizados, os quais sugerem uma naturalização do trabalho masculino e feminino. Pois, a organização da vida coletiva dos assentados se inscreve nos limites e possibilidades da sociedade capitalista.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Neste trabalho são discutidas as transformações relacionadas ao processo de conversão da agricultura convencional para agricultura orgânica. Agricultores e agricultoras familiares residentes na localidade de Vargem do Braço em Santo Amaro da Imperatriz/SC foram os informantes da pesquisa que repercutiu na produção desta dissertação. Nela são mencionados os motivos indicados pelos entrevistados para a mudança de sistema produtivo, entre eles a intoxicação de agricultores pela aplicação de herbicidas e a localização das propriedades rurais no interior de uma unidade de conservação ambiental, o Parque da Serra do Tabuleiro. Esta especificidade é problematizada assim como suas implicações para os agricultores residentes no lugar. As dificuldades com que os agricultores se depararam ao longo da transição para o cultivo orgânico, como a intensificação do trabalho e a comercialização dos produtos, são relatadas. Ao longo do processo, alguns valores receberam destaque, família, trabalho e terra, que articulados caracterizam tanto a agricultura familiar tradicional quanto a moderna, ambas consideradas relevantes neste trabalho. As relações de gênero e geração são abordadas demonstrando como se desenvolvem de forma complementarmente desigual.
- Universidade Federal de Santa Catarina
sem resumo
- Universidade Federal de Santa Catarina
A crescente participação da mulher na esfera pública (mercado de trabalho, política) nas últimas décadas tem modificado as relações sociais de gênero. O campo jurídico não escapou a esse fenômeno e às transformações ocasionadas pela "invasão" das mulheres e de novos valores que questionam a concepção conservadora de sujeito Moderno/sujeito do Direito. Nesta pesquisa, foi analisada a inserção da mulher na carreira jurídica através de sua prática profissional e de sua militância nas organizações, com o objetivo de observar quais as contribuições que a mulher está trazendo para uma mudança de concepção e aplicação de um Direito racional e formal e ver se sua prática no campo jurídico provoca a desconstrução da concepção moderna de sujeito. O grupo que compõe a amostra desta análise empírica, num total de 24 mulheres, é formado por participantes de três organizações de mulheres de carreira jurídica: a Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero; a Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ) e a Comissão da Mulher Advogada da OAB-Secção São Paulo.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Como um campo interdisciplinar de investigação, os estudos de gênero incorporam as contribuições das mais diferentes áreas do conhecimento científico. A psicologia, uma das ciências que atuam nesse campo, tem apresentado análises que permitem o avanço da compreensão das questões subjetivas e sociais associadas ao gênero como categoria relevante para o estudo da constituição do sujeito e da ordem social (Scott, 1990). O objetivo dessa tese é compreender as características da produção científica de pesquisadoras que protagonizaram a incorporação dos estudos de gênero na psicologia, à luz de uma análise antropológica e psicossocial sobre esse campo (Bordieu, 1983; Cardoso de Oliveira, 1988). Foram entrevistadas 16 mulheres que pesquisam no meio acadêmico da psicologia questões relativas aos estudos de gênero, descritos os núcleos de pesquisa e disciplinas em que atuam e investigados anais de eventos nacionais de três importantes associações científicas da psicologia, procurando identificar os trabalhos referentes ao campo intelectual feminista (Zanotta-Machado, 1997). As mulheres entrevistadas fazem parte de uma geração que viveu o impacto do paradigma modernizante proposto pelo feminismo durante a década de 70 (Goldberg, 1989) e que privilegiou, em sua carreira acadêmica, a pesquisa sobre a violência, o trabalho, a família, a educação, a sexualidade e a saúde reprodutiva. Os núcleos de pesquisa em que trabalham enfocam temáticas que favorecem a relação dos fenômenos sócio-culturais com aqueles relacionados à subjetividade, quase sempre articulando questões de gênero, etnia, classe e geração. Nos eventos nacionais analisados, identifica-se a década de 90 como o auge histórico da incorporação dos estudos de gênero ao meio científico da psicologia. A diversidade de temas e teorias é uma constante dessa produção, desenvolvida com base num intenso diálogo interdisciplinar. De modo geral, os estudos de gênero na psicologia brasileira inserem-se na psicologia social, por razões históricas, políticas e conceituais, dentre elas, a tendência desta última pensar o sujeito humano em seu contexto e superar o isolamento científico da psicologia em relação às demais ciências sociais. Tais estudos também podem ser considerados parte de uma reação crítica mais ampla ao modelo tradicional da psicologia, à suposição da universalidade do sujeito e ao pressuposto da objetividade do conhecimento científico (Flax, 1994). Os caminhos percorridos pelos estudos de gênero na psicologia brasileira, enfim, são produzidos pelas circunstâncias sócio-culturais em que se inserem suas protagonistas e pelas características inerentes à historicidade desse campo científico.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
