CEDOC
Sobre o CEDOC530 teses e dissertações
Estudo investigativo de questões relacionadas a gênero em representações visuais. Observa como a mulher (em contraste com o homem) é representada em ilustrações e cartuns usados em livros didáticos de inglês, editados e impressos no Brasil. Visa revelar os discursos subjacentes à questão do gênero e analisa as representações visuais quantitativa e qualitativamente, considerando a linguagem verbal (fala) e não-verbal (desenho) na contrução da identidade e do papel dos participantes representados pictoricamente. Cartuns e ilustrações, aqui denominados representações visuais, apresentam características comuns no que se refere à forma (formato e estilo) e ao conteúdo (tema e significado) e são analisados como 'narrativas visuais' conforme Camargo, 1990 com base nos conceitos de ideologia, dominação e poder, são fundamentais para a abordagem linguística adotada _ Critical Language Study (Fairclough, 1989). A identidade e o papel dos participantes nas representações visuais são estabelecidos a partirdos signos verbais e não verbais. As representações de participantes masculinos, conteúdo (qualidade) e número (quantidade), são usadas para efeito de contraste com as representações de participantes femininos. A combinação dos signos verbais e não verbais é observada para investigar como ocorre a interação desses signos no macrocosmo das representações visuais, bem como o papel por eles desempenhado na construção da identidade e no papel dos participantes. Os dados qualitativos referentes a conotações e valores positivos ou negativos implícitos nas representações visuais são usados para determinar e comparar o conteúdo, enquanto os dados quantitativos referentes a freqüência e número, fornecem suporte à discussão em termos de contraste. Cinco séries de livros didáticos de inglês editados entre 1985 e 1995, contendo um total de 2.644 páginas foram o objeto de investigação. Das 2.414 representações visuais investigadas, 1.672 representam pictoricamente participantes do sexo masculinos, enquanto 773 representam participantes do sexo feminino. A análise qualitativa das representações revela diferenças no que se refere ao estatus e prestígio subjacentes aos papéis desempenhados pelas mulheres nas situações representadas pictoricamente. Os participantes do sexo masculino são freqüentemente representados em situações e profissões que envolvem prestígio e poder, em oposição às participantes do sexo feminino, que na maior parte das representações estão envolvidas com tarefas domésticas ou desempenhando funções às quais se atribui menor estatus social. A abordagem teórica segue a visão e o modelo de Kress e Leeuween (1990) para a leitura de imagens e ressalta a importância e a função de cartuns e ilustrações, bem como a necessidade de abordá-los mais abrangente e criticamente em sala de aula, uma vez que tais representações refletem uma ideologia, aqui entendida como 'um conjunto sistemático de idéias organizadas a partir de um ponto de vista' (Kress e Hodge, 1979). O estudo revela que como produtos de uma ideologia, as representações visuais não se restringem a tornar os textos mais atraentes e leves para o aluno, mas também transmitem, disseminam e reforçam valores e ideologias dominantes; tendendo portanto, a desfavorecer e desvalorizar a mulher no que se refere à divisão de gênero.
- Universidade Federal de Santa Catarina
A presente pesquisa teve por objetivo analisar aspectos referentes às questões de gênero, classe e etnia presentes no Projeto Político Pedagógico, nas relações entre professores e alunos, e na cultura escolar cotidiana que evidenciam elementos orientadores de uma política cultural que reforçam as diferenças apontadas como objeto central dessa investigação e tragam à luz as práticas sociais escolares que reforçam preconceitos e conduzem a discriminações. Para a obtenção dos dados foram realizadas observações em sala de aula, aplicação de questionário com os alunos e entrevistas com professores/as e alunos/as da escola em estudo. A discussão teórica apresentou-se como um diálogo entre as teorias críticas e pós-críticas, na qual o pensamento dos autores Tomáz Tadeu da Silva e Henry Giroux estabeleceram- se como eixo central da discussão. Os resultados da pesquisa apontam para uma sociabilidade juvenil em transformação, na qual a escola como espaço produtor de significados tem, por um lado, reproduzido discursos e práticas discriminatórias, mas por outro lado, apresenta algumas resistências e caminhos que apontam para uma sociabilidade mais democrática e igualitária no que se refere a gênero, classe e etnia.
- Universidade Federal de Santa Catarina
A presente dissertação visa identificar a presença dos novos paradigmas associados à agenda pós-moderna na área de Educação, focalizando especificamente os estudos de gênero. Realizamos um levantamento das pesquisas voltadas aos novos objetos associados a tais paradigmas em trabalhos apresentados na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), no período de 1995 a 2000. A partir desse material mapeamos os novos objetos enfatizados pelos (as) pesquisadores (as) e sua freqüência. Privilegiamos os trabalhos que tratam do gênero, procurando identificar as chaves de interpretação utilizadas pelos (as) autores (as). Percebemos a influência, principalmente, dos paradigmas pós-moderno e pós-estruturalista como perspectiva teórica de análise. Para compreender a crise de paradigmas e suas rupturas, iniciamos o trabalho realizando alguns apontamentos sobre a constituição do pensamento moderno, da ciência, percorrendo as fraturas das propostas medievais, as novas possibilidades que foram se constituindo com o Renascimento e o Iluminismo e a consolidação da Modernização e Modernidade. Nesse percurso, indicamos a crise do pensamento moderno e as propostas da agenda pós-moderna, que se propõem a substituí-lo, inclusive a emergência dos novos objetos de pesquisa. Entre os novos objetos restringimos nosso foco de investigação às reflexões sobre o gênero no campo educacional. Pudemos perceber que a maioria dos trabalhos que tratam do gênero apresenta uma forte inspiração pós-estruturalista. Muitos o compreendem a partir de um enfoque puramente descritivo, como um recorte isolado, enfatizam a discursividade como constituinte das relações de gênero ou, em determinados momentos, isolam seu objeto de estudo, desvinculando-o das múltiplas determinações que o constituem. Percebemos que à medida que o objeto de estudo é fragmentado, a possibilidade de conhecê-lo é empobrecida, uma vez que essa fragmentação desconsidera as várias relações que o constituem e o resultado da investigação, dessa forma, é sempre insuficiente. Nosso intuito foi o de apontar que, por terem isolado seus objetos de suas determinações mais amplas, as análises deixaram de percorrer caminhos que, certamente promoveriam o seu enriquecimento.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Nas propriedades rurais há uma clara divisão do trabalho, ficando com o homem, o papel de "chefe da família" e de responsável pela unidade de produção e cabendo à mulher um papel secundário nesta organização mesmo realizando as mesmas tarefas do marido. As agroindústrias familiares absorvem a mão-de-obra de mulheres e jovens, principalmente porque muito dessa produção era originária da "cozinha". Entretanto, quando esses produtos passam a ser feitos comercialmente, vão sendo apropriados pelos homens. Com relação às mulheres, o trabalho que antes era feito nas lavouras, passa a ser realizado próximo à casa, permitindo compatibilizar melhor esta atividade com os afazeres domésticos e demais responsabilidades tidas como femininas. A proximidade entre esses trabalhos, o "produtivo" e o "reprodutivo", acaba por confundi-los, fazendo com que as tarefas ligadas às agroindústrias sejam consideradas quase como uma extensão do doméstico. Esse novo modelo, baseado na agroindustrialização artesanal não eliminou as desigualdades entre gênero e geração na agricultura familiar.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Este trabalho resultou de estudo realizado com três mulheres chefes de família residentes em um bairro popular de uma cidade catarinense. Considerando a complexa construção ao longo da história de tudo o que se refere ao masculino e ao feminino, este trabalho pretendeu investigar de que forma constroem-se os sentidos de gênero na trajetória de vida destas mulheres. As entrevistas confirmam os dados estatísticos gerais: famílias chefiadas por mulheres sem marido são as mais pobres, são cada vez mais jovens e o grau de analfabetismo é elevado. Dentre o material analisado, constatou-se a forte presença de uma moral sexual conservadora e a importância delegada pelas entrevistadas à maternidade. Refletir como estes sentidos posicionam os sujeitos na trama das relações sociais e, portanto, nas relações de gênero, implica considerar que são nestas relações que os sujeitos constituem-se em homens e mulheres. Como metodologia de pesquisa para a coleta das narrativas, foram realizadas entrevistas recorrentes e em profundidade, e para a análise, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo temática. Privilegiar processos discursivos remete a indagações sobre a subjetividade e suas formas científicas de interpretá-las, entre estas, o lugar da psicologia na construção e manutenção dos discursos sobre "ter ou fazer" o gênero.
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