CEDOC
Sobre o CEDOC530 teses e dissertações
Esta pesquisa tem como ponto focal a análise das relações de gênero na comunidade garimpeira de Datas, localizada no Estado de Minas Gerais. A análise da divisão sexual do trabalho, dos conflitos envolvendo honra e gênero e da cosmologia característica da atividade garimpeira em Datas aponta para uma configuração das relações de gênero na qual a assimetria de poder entre os sexos apresenta uma maior flexibilidade, devido ao fato da mulher também garimpar, participando assim das possibilidades da sorte e de valores e atributos hegemonicamente atribuídos à masculinidade.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Estudos sobre violências contra mulheres com deficiência são, geralmente, mais restritos por exigirem conscientização para a abordagem conjunta entre gênero, deficiência e violência. As poucas produções no campo dos Estudos sobre Deficiência que versam sobre o tema afirmam que as explicações atuais sobre violência de gênero e deficiência são insuficientes para avaliar as várias situações que levam as mulheres com deficiência a experienciarem formas de violência. O objetivo geral da pesquisa foi fazer uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre violências contra mulheres com deficiência. A pesquisa de campo envolveu a articulação entre vários campos teóricos e de pesquisa, inclusive da análise de narrativas de três mulheres com deficiência física na cidade de Belo Horizonte. O eixo central se baseia na articulação entre as teorias feministas, queer e crip, tendo como eixo o campo das violências contra mulheres com deficiência, considerando, sobretudo, o potencial de uso de categorias de articulação e de intersecionalidades como gênero, deficiência, capacitismo, violência e cuidado. Como categoria múltipla e relacional, as violências contra mulheres com deficiência também devem abranger uma pluralidade de componentes sociais e de contextos socioculturais atravessados por relações de poder imbricadas entre si. A depender do contexto social, as violências contra mulheres com deficiência ora são uma expressão das relações de gênero, ora são motivadas pela condição de deficiência ou, ainda, são o produto da polarização entre as categorias de gênero e deficiência e suas interfaces analíticas.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A inserção profissional de mulheres no campo científico contemporâneo ainda é delineada por uma realidade paradoxal: por um lado, se no Brasil elas já representam a maioria das matrículas no ensino superior, por outro, ainda são quase ausentes nos nichos tradicionalmente masculinos; também, se elas já permanecem na carreira científica, ainda não conseguiram acumular capital científico a ponto de serem igualmente expressivas nas esferas decisórias da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação nacional. Deste modo, percebe-se que a participação feminina mais incisiva na universidade não tem implicado na eliminação de mecanismos discriminatórios no campo científico. Tendo em vista tal problemática, esta pesquisa objetiva analisar como as relações de gênero fazem-se presentes na consolidação do campo científico cearense, trazendo como referência a abordagem biográfica, a interpretação das trajetórias de três mulheres cientistas: Irlys Barreira, pertencente às humanidades, mais especificamente à sociologia; Marlúcia Santiago, física, atuante nas ciências supostamente “exatas”; e Regine Vieira, bióloga e poetiza, com os seus trânsitos entre o ramo de saberes biológicos e o campo literário. Embora as três tenham suas carreiras científicas consolidadas e consagradas, em suas narrativas pôde ser percebida a permanência de mecanismos discriminatórios - que ainda se fazem presentes nas trajetórias de mulheres nos mais distintos ramos profissionais - sintetizados na dificuldade em conciliar vida acadêmica e vida familiar, especialmente quando estas mulheres possuem filhos. Assim, imersas na constante disputa entre o tempo para a família e o tempo para a ciência, e dedicando um esforço diferenciado e desigual em relação ao esforço dedicado por seus pares-concorrentes homens, arquitetaram certas estratégias para consolidar suas carreiras: elas forjaram uma performance de intensa produtividade, superando, inclusive, a média nacional de publicações realizadas por homens e mulheres pesquisadores de suas respectivas áreas; também, em suas trajetórias, observa-se a importância estratégica dos laboratórios por elas coordenados, por meio dos quais desenvolvem suas pesquisas, contribuem para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação. Ademais, é também por meio dos laboratórios que se articulam no seio da política científica captando recursos, estabelecendo parcerias, articulando-se com pesquisadores de outras instituições no país ou fora dele. São mulheres que tecem as redes da ciência por meio de suas viagens, de suas obras, de suas linhagens, fazendo-se presentes e reconhecidas. Ao biografá-las, este estudo tenta contribuir para a ruptura do silêncio e invisibilidade que tem envolvido as mulheres nos estudos sociológicos, antropológicos, filosóficos e históricos da ciência.
- Universidade Federal do Ceará
- Doutorado
Este estudo qualitativo teve como objetivo descrever estratégias, crenças, valores e rituais compartilhados por meninas adolescentes que, diante da gravidez indesejada decidem fazer um aborto. Partindo da observação do significativo número de atendimentos obstétricos, incluindo curetagens pós aborto, em pacientes adolescentes no cotidiano do meu trabalho de enfermeira em uma maternidade da periferia de Betim, Minas Gerais, busquei compreender os significados desta vivência dentro do contexto cultural de meninas desta localidade. Através de observação participante e de entrevistas com nove informantes, dois moradores e sete adolescentes, foi identificado que o aborto é muito conhecido, existindo uma rede de informações sobre o mesmo e que esta experiência é um processo complexo, relatado numa sequência de acontecimentos que começa pela descoberta da gravidez, pela decisão de levá-la adiante ou abortar, fazer o aborto e viver suas complicações.
- Universidade Federal de Minas Gerais
- Mestrado
- 1999
O conhecimento da incidência e das características do aborto provocado, sobretudo o ilegal, é de grande interesse tanto para a Saúde Pública, como para a Demografia. Não obstante, poucos são os estudos na América Latina e no Brasil, que se propõem a investigar sua ocorrência. Ocorre que a conotação de "crime", que lhe é atribuída, dificulta sobremaneira sua abordagem. A presente pesquisa foi realizada entre 2.000 mulheres em idade fértil - 15 a 49 anos -, residentes no sub-distrito de Vila Madalena, São Paulo, Brasil, com o objetivo central de aprofundar o conhecimento do aborto provocado, relacionando-o a variáveis sociais, econômicas e demográficas, reconhecidamente ligados à sua ocorrência, e, especialmente à fecundidade. Em caráter experimental, utilizou-se a Técnica de Resposta ao Azar (TRA) que, segundo a literatura internacional, propicia a obtenção de informação mais fidedigna. A avaliação da viabilidade dessa técnica é outro objetivo da pesquisa. Pela TRA pôde-se estimar que 41 em cada 1.000 mulheres, provocaram um aborto em 1987, enquanto apenas 8 em 1000 mulheres admitiram, por abordagem direta, terem provocado um aborto nesse período. Os resultados confirmam, por um lado, omissões voluntárias de informação e, por outro, a conveniência de se trabalhar com a TRA. A análise de diferenciais dos abortos ocorridos no transcorrer da vida reprodutiva, identificou as não casadas, as sem nascidos vivos, as com menor nascimentos que o desejado, as que possuem entre 15 e 19 anos de idade, as que verbalizaram aceitar a prática do aborto provocado em qualquer circunstância, como sendo as categorias de mulheres que ao engravidarem, recorrem com maior intensidade ao abortamento provocado. Mediante o estabelecimento de paralelismos entre TRA e abordagem direta, pôde-se evidenciar que as mulheres que mais omitem informação são, em geral, as que mais abortam. A elaboração dos modelos multivariados, por sua vez, permitiu evidenciar que, não possuir restrições à prática do aborto e não ser casada, são potenciais fatores de risco. Ao que tudo indica, enquanto as mulheres não casadas, particularmente as solteiras, recorrem ao aborto para se livrarem de uma gravidez indesejada, as casadas o buscam para manter o número de filhos dentro dos limites desejados ou para espaçar um nascimento de outro. Há razões para se suspeitar que a prática do aborto se intensificará em nosso meio, num futuro próximo. Ao que parece, nem a renda familiar nem a escolaridade, interveem na opção da mulher pelo aborto. Enfim, apesar das dificuldades existentes em se trabalhar o tema aborto, os resultados conseguidos nesta pesquisa, deste ponto de vista, superaram a expectativa, fundamentalmente, em função do sucesso da TRA.
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
