Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
O feminismo que veio do campo: movimentos de mulheres e trajetórias de identificação (Brasil e Paraguai, 1985-2010)

Esta pesquisa teve por objetivo investigar duas organizações de mulheres inseridas em movimentos sociais do campo de dois países da região do Cone Sul da América Latina, o Brasil e o Paraguai, entre os anos de 1985 e 2010 período que compreende as fases finais de suas ditaduras militares até o final da década passada. As organizações são: o Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina (MMC), brasileiro, e a paraguaia Coordinadora Nacional de Organizaciones de Mujeres Trabajadoras Rurales e Indígenas (CONAMURI). O intuito foi observar as trajetórias de identificação com o feminismo de suas militantes, para compreender quando e como essas mulheres incorporaram, ao longo de complexos processos de apropriação e identificação, determinados conceitos feministas nos discursos e práticas de suas organizações, algo que influenciou seus ideais políticos, suas lutas e conquistas. Foi investigado, ainda, qual o feminismo praticado por elas. Este estudo foi realizado sob a perspectiva da História Comparada e dos Estudos de Gênero e utilizou, como fontes documentais, entrevistas, relatos de memórias, livros de conteúdo biográfico, além de publicações como informes, cartilhas e periódicos produzidos por esses dois movimentos sociais.<br>

  • Mestrado
Tese
Mulheres no púlpito: as pastoras luteranas e o pastorado (década de 1970 a 2000)

A presente dissertação tem como objetivo dar historicidade ao processo de formação das pastoras luteranas no período de 1970 a 1990. Uma das principais questões é perceber o diálogo das estudantes da Escola Superior de Teologia (EST), localizada em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, com as teorias feministas que foram surgindo a partir de meados da década de 70, momento em que esta faculdade começa a aceitar mulheres no estudo teológico. Uma outra questão é observar como estas estudantes de Teologia, a partir de sua presença nesta faculdade, foram se construindo como pastoras.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Habitando as margens: a patologização das identidades trans e seus efeitos no Brasil a partir do caso Mário da Silva (1949-1959)

Este estudo tem como objetivo geral investigar o paradigma de patologização das identidades trans, que atingiu sua máxima expressão na década de 1950, atrelado à criação e popularização da categoria diagnóstica de ?transexual? na literatura científica. Para analisar os discursos e práticas institucionais médico-científicos em relação às pessoas trans e gênero-diversas entre 1949-1959 no Brasil, tomo como ponto de partida (e chegada) o caso de Mário da Silva, rapaz que, em 1959, protagonizou a primeira cirurgia de redesignação sexual da qual se tem registro no país. Aqui, dedico-me à história de Mário da Silva para identificar os efeitos do paradigma patologizante nas políticas e práticas médico-jurídicas brasileiras. Os objetivos secundários desta pesquisa são: 1 ? Investigar em que medida o discurso patologizante impactou a produção do saber médico-legal brasileiro no que se refere às identidades trans na ocasião da cirurgia de Mário da Silva; 2 ? Identificar os métodos, estratégias, recursos e discursos empregados por pessoas trans como resposta ou mesmo resistência ao paradigma patologizante.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Memórias em disputa e jogos de genêro: o Movimento Feminino pela Anistia no Ceará (1976-1979)

Estudo das memórias do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), no Ceará, com ênfase em narrativas de ex-integrantes, entre os anos de 1976 e 1979. O trabalho procura compreender as questões de gênero na forma como as mulheres recuperam suas ações políticas e trajetórias de vida, com foco na elaboração de subjetividades a partir de experiência coletiva. O Movimento Feminino pela Anistia foi criado em 1975, em âmbito nacional, com o objetivo de lutar pela anistia dos perseguidos pela ditadura militar em 1964. Seus quadros reuniam, de acordo com as normas estatutárias, somente mulheres, com núcleos pelo País e milhares de participantes. Apesar de formado, em grande parte, por familiares de presos e exilados políticos, o MFPA agrega mulheres ansiosas por retomarem militâncias políticas interrompidas ou realizadas somente de forma clandestina, além de ter reunido pessoas movidas pela solidariedade. A convivência entre militantes com diferentes motivações gera uma ação política sui generis, em constante instrumentalização do gênero, com disputa entre as memórias reconstruídas no presente e tornando mais complexa a atividade do Movimento que, apesar de fundado sobre valores tradicionais ligados à figura da mulher como defensora da família e pacificadora da sociedade, extrapola tais vivências. Há polarização, especialmente concentrada, entre as que se identificam como familiares de presos políticos e as que se reivindicam como #mais politizadas#. As razões da disputa são analisadas ao longo do trabalho. Tampouco as memórias do MFPA são produzidas somente pelo grupo de mulheres formado para esta pesquisa. Está presente em discursos nas solenidades e manifestações do movimento de anistiados no Estado, na mídia e na documentação dos órgãos de segurança do regime ditatorial. Os discursos são permanentemente comparados e confrontados com documentos de história oral desta pesquisa, em análise que amplia as formas de compreender a luta pela anistia no Brasil, recuperando a ação das mulheres como personagens fundamentais.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Da rebelião nas fronteiras à conquista do campo: a teologia feminista na Concilium, Revista Internacional de Teologia (1985 - 1996)

A presente tese tem como objetivo dar historicidade à emergência e ao percurso do "campo teologia feminista" na Concilium, Revista Internacional de Teologia. Fundada em 1965, durante um considerável período de sua história, esta revista apresentou suas edições através de fascículos que contemplavam as diversas disciplinas teológicas tradicionais. Em 1985, surgiu no interior deste periódico o fascículo "Teologia Feminista", que foi publicado até o ano 1996, num total de seis edições. Estes fascículos são analisados nesta tese não apenas como um "espaço de mulheres", mas sim como um "campo" no qual a teologia feminista, através das teólogas (os) e mulheres de diversas áreas de conhecimento que ali se fizeram ouvir, passou das fronteiras ao palco, adquiriu o "cetro", um "lugar" de legitimidade e, portanto, de fala autorizada. Os discursos fabricados neste "microcosmo" dão a ler estratégias, lutas, embates, relações de poder, jogos de verdade, desejos, enfim um movimento em meio ao qual foram construídas identidades tanto do "ser teóloga feminista" como do "saber teologia feminista", dando visibilidade também a representações sobre "femininos" e "masculinos". Este jogo de identidade/identificação ocorre na relação estabelecida com os "Outros" com os quais a teologia/teólogas feministas dialogam, seja esse diálogo de aproximação - neste caso, com os movimentos e estudos feministas - ou de contestação - como ocorre com relação à Igreja e à teologia tradicionais.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado

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