CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Investigação e análise sobre os investimentos na produção do novo no MST, em sua busca de transformação social e construção do "novo homem" e da "nova mulher". Este estudo é um exercício crítico de reflexão sobre a natureza dessas produções nas relações cotidianas, nas tentativas de se construir sujeitos. Busca investigar como as mudanças foram sendo construídas e, de que forma, foram investidas sobre as relações de trabalho, sociais, políticas e, também, afetivas de mulheres e homens, bem como homens e homens, mulheres e mulheres nas dobras do devir MST.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Esta dissertação procura analisar as legislações brasileiras que foram debatidas pelos movimentos feministas, através dos periódicos Brasil Mulher, Nós Mulheres, Mulherio e na revista Cláudia. O estudo busca perceber a problematização dos processos sociais de constituição de gênero, utilizando como componente o direito e as leis. Para mostrar as discussões que permearam as mudanças ou permanências nas legislações ocorridas nas décadas de 1970 e 1980, enfatizo as discussões em torno da inserção das mulheres no mercado de trabalho, os embates em torno das propostas por alterações na legislação do casamento, a luta por direitos iguais e o aborto. Procurando aproximar do Direito as análises feministas e/ou de gênero, discutirei as intersecções existentes entre as práticas e os discursos dos movimentos feministas e dos estudos de gênero e as mudanças legislativas no período em questão.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Esta dissertação propõe problematizar a invisibilização da atuação política de mulheres, por meio da narrativa das participantes do Movimento Feminino Pela Anistia em Santa Catarina (1977). Este trabalho se insere na perspectiva da História do Tempo Presente, visto que apesar do período ditatorial ter acabado em 1985, os mecanismos de Estado e as construções de gênero que o mantinham permanecem até hoje. Diante da pouca importância atribuída às ações de resistência dessas mulheres, destaca-se o silenciamento das suas atuações na História que, por vezes, ocorre por se desconectar das construções de gênero designadas a elas. O objetivo ao entrelaçar interpretações acerca do campo de estudos da memória e do esquecimento se dá no esforço de visibilizar diversas formas de interesses permeadas pelas relações de poder e de exclusões, que são observadas na promulgação de Leis como a nº 6.683/1979, conhecida como a Lei de Anistia. Diante da narrativa das entrevistadas, no entrecruzamento de fontes (jornais, panfletos e boletins que circularam entre 1975 e 1979) e na análise de leis, amparada na reflexão proposta por Denise Rollemberg (2015) sobre o conceito de resistência, este debate amplia perspectivas para a reflexão sobre outras experiências de resistências à regimes ditatoriais, bem como visibiliza as ações de mulheres na cena política e pública. Questionar as imposições autoritárias e possibilitar que outras narrativas sobre o período repressivo brasileiro e seus efeitos em Santa Catarina possam ser expostas é a principal contribuição das historiadoras e historiadores que utilizam a história oral como metodologia de pesquisa e análise historiográfica.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Nesta tese abordam-se discursos sobre a violência perpetrada por mulheres e homens em notícias no Oeste do Paraná entre as décadas de 1960 a 1980 a partir de uma perspectiva de gênero. Situações de violência tornam-se um fato noticiável, sobretudo porque se contrapunham ao modelo de progresso e civilização proposto pelas elites da região. Com uma publicação quase sempre indesejada, aparecem centenas de mulheres e homens infames. São infames porque são pessoas que dificilmente de outra forma apareceriam com corpos, rostos, nomes e às vezes sobrenomes nas notícias cotidianas. Porém, era a vida das mulheres que mataram ou que protagonizaram situações de violência que ganhavam os grandes efeitos nas notícias. Essas mulheres são descritas como possuidoras de vidas obscuras, infelizes, raivosas, ciumentas, malfeitoras e desafortunadas e algumas como monstras. As ações destas mulheres estão em discursos quase sempre anedóticos, curiosos e trágicos, mas fizeram parte de histórias em sua maioria de luta e resistência mesmo com notícias que em seus jogos estratégicos construíam as desigualdades de gênero
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Neste trabalho realizei uma investigação acerca da trajetória da Organização Não Governamental Themis ? Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero (1993-2013) ? fundada em Porto Alegre, em 1993, por três mulheres que militavam em movimentos feministas e em diferentes movimentos de promoção de direitos humanos. O objetivo da pesquisa foi o de compreender as estratégias de intervenção feminista na crítica ao direito hegemônico entabuladas pela Themis e analisar sua singularidade no contexto histórico dos movimentos feministas no período da redemocratização brasileira.Dentre as estratégias concebidas pela Themis, foquei a análise em perseguir suas as conexões estabelecidas entre a noção de "direitos das mulheres" à de direitos humanos, enquanto, simultaneamente, colocavam-se os direitos das mulheres como indissociáveis dos atravessamentos das relações sociais de classe, de raça, de gênero e de sexualidade. Amparei a análise das práticas da Themis nas suas três frentes de atuação prática e teórica: i) a formação de Promotoras Legais Populares, como prática de educação popular e de política de acesso à justiça por mulheres das periferias de Porto Alegre; ii) a advocacia feminista, ou seja, o fornecimento de assessoria jurídica gratuita aos casos considerados como de "direitos das mulheres"; iii) os estudos de gênero e direito, discursos em formatos diversos produzidos pela organização nos últimos 20 anos. Em decorrência dessas três frentes, as ideias concebidas pelo feminismo interseccional deram a inspiração teórica da pesquisa. Em suma, a pesquisa contribui com as análises históricas da construção e do desenvolvimento de estratégias de intervenção feministas no campo jurídico e jurisdicional por meio da análise de um período particularmente prolífico ao surgimento das ONGs na história brasileira, isto é, a fase da redemocratização. A análise das condições de emergência dos feminismos em suas dissidências e da ONG Themis evidencia aspectos relevantes da construção da atuação institucional de setores dos feminismos brasileiros, como, por exemplo, as especificidades de atuação das ONGs nesse cenário e o desenvolvimento de perspectivas e práticas políticas feministas de crítica ao direito e ao conceito de direitos humanos.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
