CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Neste trabalho, analiso a emergência do sujeito travesti em Fortaleza (CE), seu surgimento como nova personagem público-midiatizada e estigmatizada, na passagem do tempo das perucas para o tempo dos hormônios, este último, chamado de tempo farmacopornográfico (virada da década de 1970 para 1980). Problematizo esse processo de subjetivação farmacopornográfico a partir de uma análise foucaultiana e de gênero-queer das fontes históricas (jornais, revistas, obras literárias, antropológicas e narrativas orais de travestis). Se, no tempo das perucas, o termo travesti designava uma prática eventual, restrita aos espaços privado e/ou público-temporário, no tempo farmacopornográfico, a palavra também passou a nominar um novo sujeito sexual, que ganhou inteligibilidade heteronormativa, em grande parte, graças aos meios de comunicação, como um "tipo" de homossexual marcado pela ambiguidade. Tal emergência foi acompanhada por discursos e práticas de excitação-fascínio e de controle-estigma. Nessa trama-tempo marcada por embates, as travestis produziram contra-discursos que contribuíram para rearranjar as normas de gênero, sexualidade, corpo e do público-privado em Fortaleza.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Este trabalho objetiva analisar os discursos produzidos quanto à questão da violência sexual e das condutas sexuais desviantes no âmbito da criminalidade na cidade de Fortaleza durante as primeiras décadas do século XX. Considerando as mudanças sociais, políticas e culturais que estavam em andamento na cidade desde o fim do século XIX, assim como a legislação republicana sobre esse tipo de violência, neste trabalho, busquei problematizar as disputas discursivas sobre as condutas sexuais alvos de intervenção policial e judicial na cidade, e de que modo, se construíram e/ou reforçaram hierarquias de gênero quanto aos temas da violência, da moral e da sexualidade. Para tal, tomei os discursos dos médicos, dos representantes da lei e dos populares que fizeram parte dos processos criminais, como bases para refletir sobre esses temas e sobre as diferentes relações de poder existentes no cotidiano criminal da cidade.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Esta dissertação tem como objetivo analisar discursos sobre juventude na esquerda armada latino-americana entre 1965 e 1973. Para isso busco como fontes textos produzidos por duas organizações de guerrilha, Movimiento de Liberación Nacional - Tupamaros (MLN-T), do Uruguay, e Ação Libertadora Nacional (ALN), do Brasil, e documentos teóricos de referência para ambas as organizações, que foram escritos por Ernesto Che Guevara. Através da análise dessa documentação e da utilização das categorias de análise gênero e juventude procuro refletir acerca de um ideal de sujeito revolucionário ambicionado por ambas as organizações e que foi materializado nos escritos e na imagem de Che Guevara. A partir da relação entre juventude e gênero nesses discursos procura-se perceber como se construiu e quais eram os ideais de masculinidade e virilidade para os militantes que se pretendiam revolucionários e qual o lugar das mulheres nesses discursos.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A presente dissertação tem como objetivo problematizar as experiências afetivas e/ou sexuais entre mulheres na Ala Feminina do Presídio Regional de Joinville e perceber como estas experiências podem desconstruir normativas de gênero e sexualidades. Além disso, tem a intenção de analisar como os discursos sobre gênero e sexualidades foram tratados nesta instituição prisional, apontando para permanências e rupturas. As fontes utilizadas foram entrevistas orais realizadas no ano de 2013, que contaram com o aporte da Metodologia de História Oral e a análise de Livros de Ocorrência da Ala Feminina que compreendiam os anos de 2003-2010. Para as análises do Livro de Ocorrências utilizei a análise do discurso como ferramenta. Além destas fontes, recortes de jornais da cidade foram utilizados de modo a complementar a pesquisa. Através das análises das fontes foi possível evidenciar o presídio como um local a possibilitar que muitas mulheres se permitissem a outras experiências em relação ao gênero e sexualidade; já que houve a possibilidade, destas se distanciarem de normas impostas culturalmente. Para algumas das entrevistadas foi, no presídio, longe das cobranças sociais que estas se permitiram romper com a posição de dona de casa e mãe, se relacionar afetivamente e/ou sexualmente com outras mulheres, adotar padrões estéticos masculinos que outrora se sentiram impelidas a negar devido ao preconceito que sofriam em seu cotidiano, entre outras rupturas, que estas atribuem ao fato de estarem vivendo em um ?mundo de mulheres?. Problematizar estas experiências desencadeadas neste espaço prisional pode representar uma fissura na constituição de saberes e verdades que regulam as relações de gênero e a sexualidade. Nesse sentido vejo a importância deste trabalho ao oferecer novos subsídios para compreensão do gênero e da sexualidade, bem como contribuir com temáticas pouco exploradas pela história como a homossexualidade de mulheres.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Durante a ditadura civil-militar muitos brasileiros/as deixaram o Brasil no intuito de preservar a vida, escapar da repressão ou perseguição, banidos, por autoexílio, para acompanhar familiares, entre outras circunstâncias que estiveram presentes. O objetivo desta dissertação é verificar de que maneira as relações de gênero e os laços (familiares, afetivos e os conjugais) estiveram presentes nas memórias do exílio político da ditadura civil-militar do Brasil (1964-1979). Desta forma, busco perceber a partir destas duas lentes as importantes relações hierárquicas constituídas ou rompidas no deslocamento exilar e na vida cotidiana do novo contexto. O recorte temporal estabelecido para a pesquisa foi de 1964 com o golpe de estado até 1979 com a Lei de Anistia. O processo de (auto) exclusão vivido de maneira heterogênea se tornou alvo de inúmeras memórias que emergiram durante ou após este período. Desta forma, são fontes para esta dissertação os dois livros do Projeto Memórias do Exílio, autobiografias publicadas, e entrevistas de história oral realizadas para esta pesquisa. Ao longo da pesquisa foi possível perceber a construção hierárquica na qual é pautada a categoria exílio, a influência das relações de gênero para o deslocamento exilar, e as rupturas que o exílio possibilitou com a estadia no exterior. Um ponto muito importante que catalisou novas leituras, mudanças de perspectivas, e transformações comportamentais foi o contato com o feminismo realizado no exterior durante o exílio, e que atravessa todas as análises desta dissertação.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
