CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
O que faz os corpos serem alvo do interesse e do controle por parte de tantas instituições na determinação da sua sexualidade, da sua identificação de gênero e da aparência do seu sexo biológico? É com o auxílio do potencial de inserção social que o cinema possui que problematizo, nesta tese, as interdições e as resistências dos corpos e do gênero, a violência sofrida pelas pessoas que se encontram à margem da sexualidade e da corporeidade dominantes e os discursos que insistem em tratar as identidades trans e intersexuais como distúrbios e/ou anomalias. As fontes principais utilizadas são os filmes: XXY (2007), dirigido por Lucía Puenzo, El último verano de la Boyita (2009), da cineasta Julia Solomonoff, e Mía (2011), do diretor Javier Van de Couter. Ao longo da escrita as discussões sobre os filmes são tangenciadas pela relação entre História e cinema, os estudos de gênero, queer e decoloniais, entre outros. Busquei, neste trabalho, apresentar uma visão crítica a respeito do audiovisual e o seu impacto social, econômico e, sobretudo, na construção das subjetividades. Esta é uma tese que parte da perspectiva da História para fazer a análise dos filmes, entendendo-os como documentos formados por camadas de discursos, imagens, códigos sociais e culturais, e construções de gênero que concorrem para a constituição dos sujeitos. A análise feita a partir dos filmes mencionados demonstra que os corpos queer ? esses corpos ?estranhos? e inconformes ? estão reiteradamente à mercê da disputa de narrativas que intentam estabelecer conhecimentos hegemônicos a seu respeito. Por outro lado, é possível notar que tais corpos e sujeitos mantêm a sua resiliência no sentido de desnormatizar o desejo, o sexo e os modelos binários das conformações corpóreas.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Esse estudo analisa o suicídio por uma perspectiva de gênero no contexto do município de Castro, Paraná, Brasil, entre 1890 e 1940, a partir da documentação policial. Em vários dos inquéritos analisados, percebe-se que determinações sociais de gênero geraram violência e trouxeram sofrimento para muitas pessoas e isso fez com que algumas preferissem a morte em lugar de uma vida oprimida. Diferentes áreas do conhecimento têm produzido reflexões sobre o suicídio, geralmente levando em conta as percepções culturais expressas nos discursos sobre ele. Nessa tese, reflito sobre como o ato de por fim à vida tem sido pensado para em seguida buscar compreender se um tema tão difícil para a sociedade pode ser pensado pela história de uma forma em que a pessoa, sua dor e seu ato sejam o foco e não apenas o que se disse sobre o suicídio nos discursos institucionais. Os arquivos policiais permitem uma abordagem sobre o suicídio que se pauta nas experiências ali presentes, nas emoções reveladas nas narrativas das testemunhas, que eram pessoas próximas àquelas que suicidaram ou nas palavras escritas por essas próprias pessoas ao se despedirem da vida.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Este trabalho tem como objectivo analisar as mudanças nos últimos cinquenta anos na sociedade matrilinear Makhuwa do distrito de Angoche, província de Nampula, norte costeiro de Moçambique, e compreender como afectaram o quadro institucional e as relações sociais entre mulheres e homens, no respeitante ao acesso a e controlo ou partilha de recursos, divisão de trabalho e participação nos processos de tomada de decisão. O estudo foi norteado por uma perspectiva feminista situada que combina a análise sincrónica – a organização da sociedade, os dramas e as relações sociais num determinado momento (2003) - e a diacrónica, focando as relações de género, através duma visão holística, evidenciando as acções e as estratégias desenvolvidas por mulheres e homens em diferentes momentos históricos e situações, as percepções e representações simbólicas, as tendências de mudanças, as rupturas e as continuidades, a imprevisibilidade.
- Universidade de Coimbra
- Doutorado
Neste trabalho, procuro mostrar o quanto a escritora Hilda Hilst foi capaz de realizar uma prosa auto-consciente, fazendo com que seu texto diferisse do exigido pelo mercado editorial em sua época. O corpus deste estudo é composto por cinco narrativas, Fluxo-Floema, Contos d’escárnio. Textos grotescos, Cartas de um sedutor, O caderno rosa de Lori Lamby, Estar sendo. Ter sido. Nelas busco verificar a capacidade que os personagens narradores-escritores têm de ocupar um lugar de sujeito a partir da escrita literária. Ao analisar estas vozes narrativas, observo até que ponto elas reproduzem o discurso hegemônico quando relatam sua história amalgamada ao processo de escrita; para isto, ocupo-me de Ruisis, Lori, Clódia, Eulália e Cordélia, as mulheres que embasaram a escrita dessas personagens masculinas.
Nos Passos de Antonieta: Escrever uma vida propõe mostrar a trajetória de Antonieta de Barros, sua vida e sua obra. Reflete e retrata, dentro do contexto 1901-1952, em Santa Catarina, a atuação da professora, da escritora, mulher e negra na política e na literatura, vislumbrando a importância de seus escritos: crônicas, discursos e projetos, além da influência de suas idéias no pensamento sóciopolítico- educacional na Ilha de Santa Catarina do século XX. Utiliza-se de fotos, documentos, imagens, meio eletrônico e menções em livros e jornais, os vestígios e rastros, para contar os passos de Antonieta. Um resgate histórico-cultural da escrita feminina na Literatura Catarinense, verificando, portanto, a atuação da professora-escritora em todas as instâncias da vida pública.
