Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Cinema LGBTQ exibido no Brasil: discursos, temáticas e tendências

Esta tese analisa o modo como as noções hegemônicas de sexo e gênero são representadas nos filmes de temática lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual, transgênero e queer exibidos no Brasil a partir dos anos 1980 aos dias atuais. Com base principalmente nas teorias feminista da representação, de Laura Mulvey (1983), do aparelho cinematográfico de Teresa de Lauretis (1994, 2003) e da conceituação de Michel Foucault sobre discurso, foi possível observar, criticamente, como estas noções foram construídas e representadas nos filmes que, em sua maioria, assisti ao longo da minha trajetória como espectador deste cinema. São analisadas cenas de sete filmes dos anos 1980, cinco dos anos 1990, seis dos anos 2000 e quatro de 2010 em diante. Excepcionalmente cenas de dois filmes dos anos 1970 são também analisadas. A maior parte das produções é estadunidense, mas há outras provenientes de diferentes países. Analisei e problematizei, através do estudo, os entrecruzamentos das categorias de gênero, sexualidade, raça/etnia, classe e gerações em conflito e negociação no jogo das forças sociais em disputa que as construções discursivas das narrativas fílmicas tematizam. Por meio da problematização na qual o cinema é identificado como uma tecnologia de gênero/política, foi possível compreender como os discursos fílmicos reafirmam os estereótipos acerca dos binarismos generificados cisheteronormativos e, concomitantemente, também apontam para outros percursos, transgressores e críticos a este sistema binário. É no discurso (por meio dele) que estas lutas vão operar e se evidenciar. E nos discursos fílmicos no cinema LGBTQ também estas lutas se evidenciam. Desta forma, os filmes realizam tanto a reafirmação dos valores dominantes quanto o questionamento destes a partir da crítica às masculinidades e feminilidades normatizadas e, assim, favorecem a ampliação das perspectivas acerca do entendimento social sobre questões de identidade, dissidências de gênero e sexualidades não normativas. Além disso, foi possível compreender, em virtude do contexto histórico e cultural a partir dos quais cada filme foi produzido, como tal tema, relacionado às questões LGBTQ, foi tratado no momento e como ele representou, na ocasião, certas noções discursivas acerca do gênero e da sexualidade.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Grupos de família: o modo de ser CEB em Lages/SC

É sabido que o campo religioso brasileiro vem se modificando aceleradamente nos últimos trinta anos. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), concretude da originalidade de um projeto eclesial vinculado à Igreja Católica Progressista, conhecida por igreja dos pobres (Steil), depois de conquistarem um lugar de destaque, para algumas análises perderam significativa visibilidade social e poder de mobilização. Contudo, outras investigações revelam que não se trata de um movimento em processo de extinção, mas de sua consolidação na estrutura da instituição. Esta tese é um estudo sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na cidade de Lages, Santa Catarina, identificadas no campo empírico por Grupos de Família/Comunidades Eclesiais de Base (GF-CEBs). Referendado em alguns autores considero determinados elementos históricos que apontam para a origem e o desenvolvimento da CEBs no Brasil, em Santa Catarina e em Lages. Através do trabalho de campo entrevisto sujeitos religiosos profissionais envolvidos e integrantes da base social dos GF-CEBs, Privilegiando no testemunho desses sujeitos alguns referenciais que revelam o modo de vida desses Grupos na contemporaneidade. Assim, procuro apreender "os sinais" que se assemelham ou que se distinguem desse jeito de viver o catolicismo das antigas CEBs. No conjunto dos "sinais" identificados foco alguns que indicam um continuum, ou seja, os Grupos de Família descendem das CEBs. Entretanto, outros revelam características que os singularizam. Entre os "sinais" distintivos enfatizo aquele Considerado um dos atos conspícuos (Malinowski) da vida dos Grupos, a Festa das Tendas, interpretada como ritual síntese de mediações, entre elas, o destaque para a mediação da dádiva.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Em nome de Deus: um estudo sobre o implementação do ensino religioso nas escolas públicas de São Paulo

O presente estudo trata do processo de implementação do ensino religioso nas escolas públicas do Estado de São Paulo, tendo como foco as relações instituídas no interior do campo estudado, bem como a identificação das estratégias individuais dos atores envolvidos na ação. Através da participação de grupos como o Conselho de Ensino Religioso do Estado de São Paulo (CONER/SP), a Associação dos Professores de Ensino Religioso de São Paulo (ASPER/SP) e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo é possível compreender como se deu este processo de inclusão do ensino religioso na rede pública de ensino.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
"Se eu passar despercebido o baile não prestou": visibilidade e resistência viada no interior de Santa Catarina

O objetivo deste trabalho foi investigar e problematizar como homens nascidos entre os anos 1950 e 1970, que vivem em cidades do interior de Santa Catarina, constituíram-se, identificaram-se e foram reconhecidos socialmente como viados; além das formas como geriram, negociaram e agenciaram a visibilidade em torno de suas homossexualidades, resistindo à heteronormatividade. A pesquisa insere-se no campo de estudos sobre as sexualidades e, a partir de marcos da teoria feminista e queer, adota uma perspectiva interdisciplinar, interseccional e desconstrutiva, interrogando e problematizando o que se nomeia construção da identidade homossexual . O corpus da pesquisa foi composto por nove sujeitos, oito homens brancos e um negro, com idades entre 42 e 66 anos, de diferentes extratos de classes médias (oriundos de famílias da classe trabalhadora) e católicos (muitos deles praticantes). Como metodologia, além da revisão bibliográfica e de levantamento de trabalhos acadêmicos sobre homossexualidades em cidades do interior do Brasil, associei a história oral, através de entrevistas não-diretivas produzidas a partir de histórias de vida, com práticas da pesquisa etnográfica. Explorando suas experiências de vida considerando, entre tantos outros fatores importantes, o gênero, a raça e a classe, bem como a pessoalidade e a fofoca, tão presente em contextos interioranos identifiquei que as estratégias de gestão de visibilidade homossexual se deram mediante permanentes negociações centradas por diferentes formas de discrição e por cautelas, evidenciando, ao mesmo tempo, uma conformação e o desafio à heteronormatividade. Avançando na investigação, procurei compreender melhor o regime de visibilidade homossexual com o qual os sujeitos dialogaram, destacando, com base nas memórias construídas, alguns aspectos do contexto histórico correspondente: a) o cenário social, cultural e moral de suas infâncias e juventudes vinculado ao período da ditadura militar no Brasil (1964-1985), b) o impacto do pânico sexual e moral desencadeados pelo surgimento da AIDS, nas décadas de 1980 e 1990, c) a ascendência moral e a relação ambígua que mantêm com a religiosidade católica e d) a importância da televisão, principalmente em cidades do interior, como principal fonte de informação e lazer. Com base nas fontes que emergiram no trabalho de campo, investiguei e destaquei a importância dos shows de auditório e das telenovelas como produtores e difusores de representações homossexuais estereotipadas (incorporadas por personas bichas e viadas, e também pelas transformistas) e de representações modelares (através de personas e personagens gays discretos), que disputaram por espaço e deram sustentação a um regime de visibilidade homossexual que, de modo geral, prevaleceu nos anos 1970-2000. A partir da constatação de um regime de representação bastante restritivo, especulei sobre possíveis processos de subjetivação, identificação e gestão da visibilidade homossexual, ressaltando a necessidade de pensá-los de forma dialógica, encadeada, complexa e misturada. E destaquei que a sujeição à heteronormatividade e às forças de controle e normalização dela irradiadas, deu-se simultaneamente à adoção de práticas de resistência e agência plurais, dinâmicas e negociadas, com destaque àquelas nas quais as identidades de gênero revelaram-se ambíguas, transitivas e, ao lado de práticas indicativas de uma fluidez de desejos, colocaram em xeque o próprio binômio hétero-homossexualidade no contexto estudado.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Bicha tu tens na barriga, eu sou mulher: etnografia sobre travestis em Porto Alegre

Este trabalho versa sobre aspectos do cenário social brasileiro. Especificamente, o olhar se direciona para questões que envolvem a inscrição social dos sujeitos que se denominam e/ou são denominados travestis. O “objeto” desta investigação antropológica é, portanto, o travestismo, aqui concebido como um fato social, cultural e histórico. Dediquei-me a perseguir a forma e o movimento de algumas práticas e ideias presentes no cotidiano das pessoas que estão diretamente envolvidas com o fenômeno do travestismo. Como delimitação, durante a pesquisa de campo realizada em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, parti da observação de dois tipos de relações: as relações entre as travestis e as relações entre elas e seus companheiros. No que se refere as relações entre as travestis, o esforço se deu no sentido de compreender como a construção da identidade de gênero se vincula a experiência de socialização com as demais participantes do grupo a que pertencem. Perceber também, 'como se dá a interação entre elas, a natureza dessa interação e as diferentes formas de construção da subjetividade e da estética femininas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado

Inscreva-se para receber nosso boletim