Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Velhice e Conjugalidade: um estudo de Gênero com casais idosos em Florianópolis

Com o expressivo número de idosos nas sociedades atuais, inuitos têm sido os trabalhos desenvolvidos com a intenção de ampliar o conhecimento sobre esta etapa d.a vida. e sobre aqueles/as que dela fazem parte. Foi este o objetivo central da presente pesquisa, que buscou analisar a velhice e as representações dos/as idosos/as sobre suas relações de gênero na situação de vida conjugal. Partindo do pressuposto de que a participação da mulher idosa em grupos voltados para a terceira idade poderia favorecer a redução de assimetrias na conjugalidade gerôntica, foram entrevistadas cinco mulheres com experiência em grupos de idosos e seus respectivos maridos. Para uma comparação com estes sujeitos, foram entrevistados também dois casais cujas mulheres não haviam participado de qualquer grupo de atividades para idosos. A análise das informações obtidas na pesquisa não indicou qualquer diferença significativa na vivência conjugal entre os cinco casais em que as mulheres haviam participado de grupos e os outros dois casais, nos quais as mulheres não tiveram tal experiência. As diferenças percebidas referiam-se sim, às singularidades e particularidades de cada casal, não sendo possível fazer generalizações. As relações de gênero manifestaram-se em falas sobre a vida conjugal e sobre as outras relações de parentesco. Como resultado da pesquisa, pôde-se identificar concepções de feminilidade e masculinidade, considerações sobre sexualidade, relações familiares, além das significações da velhice para as mulheres e homens entrevistados.

Tese
Fazendo ponto: trajetórias de adolescentes em situação de exploração sexual em Lages-SC

Esta dissertação tem como objetivo principal revelar as trajetórias de adolescentes que vivenciam práticas de exploração sexual na cidade de Lages, Santa Catarina. Faço algumas reflexões teóricas sobre o conceito de violência e exploração sexual-infanto juvenil, prostituição de crianças e adolescentes e a doutrina da proteção integral à infância prescrita no Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, reflito sobre a questão do sujeito, baseada na psicologia histórico-cultural, fundada em Vygotski; sobre a questão do gênero; a adolescência como categoria de análise; a infância e a adolescência na perspectiva de gênero. Como procedimentos de coleta das informações, foram realizadas entrevistas abertas e gravadas. Seguindo os pressupostos da pesquisa etnográfica, entrevistei 13 adolescentes, 12 meninas e um menino. O trabalho de campo foi realizado a partir do Programa Sentinela de Lages, voltado especificamente para o atendimento de crianças e adolescentes em situação de exploração sexual. Além de tentar estabelecer uma relação dialógica com @s informantes no Programa Sentinela, procurei observar os principais locais de trabalho e lazer dest@s adolescentes, conversando com el@s na rua onde “fazem ponto” e visitando-@s em seus domicílios.Apresentei as trajetórias de cada adolescente e analisei as entrevistas individualmente, numa discussão com os autores que fundamentaram minhas reflexões iniciais, ou que fui buscando no desenrolar da pesquisa. Os contextos sócio-familiares dest@s adolescentes, a violência de gênero, a maternidade, e o significado da exploração sexual infanto-juvenil compõem as categorias de análise destas entrevistas.A análise dos significados que os sujeitos deram às suas trajetórias e práticas, levou-me a refletir sobre as situações de extrema pobreza e vulnerabilidade vividas pelas populações e famílias marginalizadas, nas periferias das cidades.

Tese
Adolescência, gênero e AIDS: dando voz aos jovens

Este trabalho teve como objetivo investigar junto a adolescentes do Ensino Fundamental de três Escolas do Município de Florianópolis, qual o entendimento que possuem sobre adolescência, gênero e AIDS, procurando, dessa forma, dar voz a esses/as jovens. Para tanto, foram aplicados questionários com perguntas abertas e fechadas, nas 5ª e 7ª séries de duas escolas seriadas, e a jovens de idades entre 15 a 20 anos no Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (EJA), bem como foram realizados grupos de discussões focais nas 7ª séries dessas escolas. Foram utilizados procedimentos de análise das informações obtidas nas respostas dadas aos questionários e às falas expressas nos grupos focais, agrupando-as a partir das temáticas investigadas. Constatou-se a importância da escuta do que pensam os/as adolescentes e jovens a respeito da adolescência, das relações de gênero e das DST/AIDS como um recurso a mais para efetivação da participação social desse grupo nas políticas públicas de saúde e promoção de cidadania. A análise das colocações dos/as estudantes investigados/as confirmaram que não é possível propor uma estratégia única na aplicação de políticas de prevenção às DSTs. É necessário pensar contextos e realidades específicas em um trabalho permanente de prevenção, de educação sexual e de tomada de consciência com relação à sexualidade e aos significados atribuídos a ela e às relações de gênero pelos jovens.

Tese
A violência institucional como método para lidar com a miséria social: a trajetória dos sem terra do assentamento Dom Élder Câmara/PR

Esta dissertação traz a narrativa de alguns membros de uma comunidade sem terra sobre as violências sofridas, durante a maior onda de repressão organizada contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná. Estas violências cometidas na maioria das vezes pelo aparato repressivo do Estado, que guardava relações de cumplicidade com as violências cometidas também pelas milícias privadas, se concretizaram no período de 1998 a 2000, sob os auspícios do governador Jaime Lerner. Neste período foi desencadeada uma operação de guerra para a realização de dezenas de reintegrações de posse, contando com um modus operandi, que em sua execução violava uma série de direitos humanos. A discussão aqui apresentada foi desenvolvida numa perspectiva psicopolítica e interdisciplinar, que buscou contextualizar a trajetória da luta pela terra no Brasil e no Paraná, com enfoque especial sobre o final da década de 90, momento em que se intensificou a escalada de violência contra os agricultores sem terra neste Estado. A partir deste contexto, iniciou-se um diálogo entre os conceitos de violência de Estado em seus desdobramentos e a criminalização do MST, em interface com a psicanálise freudiana em seus conceitos de narcisismo das pequenas diferenças, amor, amparo e sentimento de culpa. Essas discussões foram realizadas a partir da fala de homens, mulheres, jovens e crianças sem terra, acerca das lembranças, vivências e significações, desses episódios marcados por dor e sofrimento. Foram trazidas também algumas questões relativas ao vínculo destes trabalhadores com o MST, um grupo político fortemente marcado por valores e ideais coletivos. O fato de pertencerem a uma comunidade onde puderam trocar experiências em nível psicopolítico com seus companheiros de infortúnio, colocou-os numa situação ímpar, que possibilitou canalizar de formas diferenciadas sentimentos como culpabilidade e agressividade, direcionando-os em favor da vida.

Tese
Construção da Italianidade entre descendentes de imigrantes no município de Urussanga, Santa Catarina

Esta dissertação foi construída a partir de pesquisa etnográfica realizada em Urussanga, Santa Catarina, com descendentes de imigrantes italianos que colonizaram o município, e sujeitos de outras origens étnicas. A proposta foi analisar, em diferentes famílias residentes em áreas rurais e urbanas de Urussanga, como os sujeitos significavam sua ascendência italiana e seus arranjos étnicos, de gênero, classes e gerações. A pesquisadora participou de festividades municipais que celebravam as origens coloniais da localidade e realizou entrevistas etnográficas com sujeitos de idades que variavam entre 20 e 89 anos, num total de 22 participantes. Foram entrevistados 14 mulheres e 8 homens, ocupando diferentes posições sociais no município, com níveis variados de escolaridade. De um modo geral, os sujeitos que participaram da pesquisa, estavam envolvidos no reforço da italianidade no município, este possuindo laços com cidade da região do Vêneto na Itália. Algumas famílias construíam projetos de vidas em conjunto, baseados na identidade italiana. Foi muito forte a relação entre a religiosidade e a identificação dos sujeitos com sua origem italiana. Apesar da permanência de modos de vida fundados nos costumes tradicionais, foi possível perceber mudanças nas relações geracionais e de gêneros, acompanhando o processo de urbanização e o investimento na escolaridade dos jovens no município.

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