Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
De invertido a Queer: as homossexualidades masculinas em Adolfo Caminha e Caio Fernando Abreu

Este trabalho apresenta uma análise das formas de representação dos sujeitos orientados homoafetivamente e suas performances, investigando a construção de identidades a partir das narrativas de Caio Fernando Abreu na busca de compreender se, de fato, houve uma substancial mudança nas formas de representar a homossexualidade masculina ao longo do século XX e, se, em relação a obras como Bom-crioulo, a literatura contemporânea pode ser considerada mais permissiva ultrapassando os limites da apropriação do tema a simples metáfora de degeneração em discursos moralistas. Através da articulação da Teoria Queer e dos Estudos Feministas e da Análise do Discurso (Foucault), procura-se, ainda, perceber que identidades, espaços e temporalidades são possíveis ao deslocar ou manter a matriz cultural de inteligibilidade que estabelece uma relação mimética sexo-gênero-prática sexual.

Tese
O véu que (des)cobre: etnografia da comunidade árabe-mulçulmana de Florianópolis

Trata o presente trabalho, da etnografia do processo de “arabização” da comunidade árabe muçulmana em Florianópolis. Por meio dos cenários de afirmação identitária, representado por cenas da vida religiosa, familiar e política, esse grupo de imigrantes estabelece relações múltiplas com sua terra de origem e o país de acolhida; numa perspectiva denominada transnacional. Nesta trajetória o uso do véu pelas mulheres pode ser considerado como a simbolização maior deste processo de “arabização”.

Tese
Gênero em Ação: Trajetórias de Mulheres para a Área de Produção de Softwares/Computação

Esta tese analisa as relações de gênero e tecnociência, no segmento específico da produção de softwares da informação e da comunicação, cujas bases assentam-se nas ciências exatas, refletindo tanto sobre os avanços no sentido da superação das desigualdades, quanto sobre a continuidade de padrões tradicionais de comportamento de homens e mulheres. Após revisitar o campo teórico a partir da gênese dos conceitos de gênero e de tecnociência, este estudo avalia até que ponto as mulheres teriam ultrapassado o “teto de vidro” neste segmento do mercado de trabalho e da academia, visto que estão exercendo funções e ocupando cargos considerados como hegemonicamente masculinos. Verifica em que medida as mulheres têm engendrado tecnociência, investigando a complexidade de suas funções, analisando as interseções entre as dimensões pública e privada que são engenhosamente por elas articuladas, e estudando em que medida essas articulações explicam a eliminação ou a reprodução das desigualdades de gênero. A investigação é realizada em empresas nascentes de base tecnológica localizadas em Florianópolis-SC. Diferentes técnicas são utilizadas nessa análise qualitativa, a exemplo de etnografia de uma incubadora que integra trinta e nove empresas (campo 1); e de visitas a empresas similares não-incubadas (campo 2). Neste estudo, de caráter interdisciplinar por excelência, utilizo as categorias de análise: gênero, difração, agency e prática, para sugerir que as mulheres que integram o corpus desta pesquisa estão de fato engendrando a tecnociência nas empresas aqui em foco, em diferenciados níveis de ação, cujos resultados confluem para o seu empoderamento e, portanto, para sua maior visibilidade no mundo da tecnociência. No entanto, o estudo evidencia, também, que a inserção das mulheres nesse mundo pode ser considerada ainda tímida e permeada de entraves, porque algumas preferem, por exemplo, ficar na retaguarda de seus sócios e atuar mais no interior das empresas, mesmo ocupando cargos mais elevados na hierarquia da pirâmide empresarial.

Tese
A Modernidade e os Encontros Turisticos: turismo na Barra da Lagoa

Esta pesquisa tem como tema a modernidade e o turismo. O turismo pode ser compreendido como um fenômeno constituinte da modernidade, a partir das particularidades da experiência moderna. Atualmente, tem sido uma das atividades econômicas que mais cresce no mundo. Entretanto, independentemente dos aspectos econômicos relacionados ao turismo, há outras dimensões do fenômeno turístico que têm sido investigadas no campo das Ciências Humanas, onde se encontram diferentes áreas de conhecimento em suas distintas formas de percepção do fenômeno turístico. Ao mesmo tempo, a categoria de análise turismo tem sido problematizada pelos estudiosos, e o tema tem suscitado abordagens mais interdisciplinares. Nesse contexto, parte-se do entendimento do significado do turismo como fenômeno a ser compreendido a partir da condição moderna e de seus reflexos em nossas sociedades contemporâneas. Busca-se, nesse sentido, resgatar certas dimensões da modernidade, assim como as formas pelas quais o turismo tem sido tratado no debate acadêmico, visando contribuir para este debate nas Ciências Humanas, em especial, nas Ciências Sociais. Entretanto a própria problematização da categoria turismo passa pela necessidade de investigações empíricas. Nesse sentido, o turismo pode ser entendido como uma forma de experiência concretizada pelas práticas turísticas. Assim, a figura do “turista” é um elemento central da constituição do fenômeno turístico e representa elementos da experiência moderna contemporânea, associados à subjetividade. Para tratar dessas questões teóricas e empíricas, pesquisou-se uma das formas pelas quais tem-se constituído a experiência turística, que é a visitação a balneários, que apresenta uma história particular associada à modernidade e ao turismo. No caso do Brasil, o turismo nas praias é uma das principais manifestações das práticas turísticas, contexto em que cidades como Florianópolis-SC têm sido cenário de crescente fluxo de turistas e também objeto de investigação acadêmica, assim como 6 institucional. Como espaço turístico em Florianópolis, foi escolhida a praia da Barra da Lagoa. Busca-se, assim, também contribuir nos estudos sobre turismo em Florianópolis, a partir das particularidades da Barra da Lagoa como local turístico. Para tal, adotamos a concepção de “encontros turísticos”, enquanto um conjunto de elementos diversos associados aos sentimentos e envolvendo a relação com pessoas, lugares, natureza e self. Como resultado, pode-se pensar o turismo como práticas que se constituem de pequenos encontros com os sentimentos e com o self. Os “encontros turísticos” incluem os encontros do turista consigo mesmo, ou com o self. Florianópolis e a Barra da Lagoa são locais onde se manifestam essas experiências subjetivas e que têm abarcado diversos tipos de “encontros turísticos”.

Tese
Mediaçao cultural e reciprocidade no contexto das práticas turísticas em Florianópolis -SC

Nesta tese apresento uma reflexão sobre as práticas turísticas em Florianópolis/SC a partir do processo de mediação cultural. A presença do “turismo” na cidade toma corpo a partir do final dos anos de 1970, intensificando-se nas décadas seguintes e levando ao surgimento de três arranjos sócio-espaciais - territórios típicos, planejados e mistos. Nestes territórios surgem práticas turísticas que denomino “turismo” doméstico, empresarial e ecoturismo, nas quais os mediadores culturais atuam como sujeitos sociais que transitam entre os vários universos culturais, inserindo os “turistas” nas localidades e também aprendendo com estes formas de receber. No universo comunicacional propiciado pela mediação cultural, o mediador atua criativamente, gerando uma rede de diálogos em que não somente o negócio é realizado, como outras coisas são trocadas - hospitalidade, afetos, presentes e também ofensas, hostilidades, desconfianças - meios pelos quais a interação acontece. A dádiva é tomada como essencial para entender o universo dessas interações e as peculiaridades do capital turístico na Ilha de Santa Catarina, ao mesmo tempo em que aponta para a característica relacional da sociedade urbana brasileira.

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