CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
O foco central da tese é a atualização da censura frente ao processo de redemocratização brasileira. As fontes sugerem que a proibição dos instrumentos de censura não a excluiu do cenário nacional como vontade de poder. Frente à mudança da redemocratização, uma onda de censura propunha-se a atualizar traços de um passado idealizado da heterossexualidade normativa, do comportamento "recatado" das mulheres com relação ao sexo, de um "erotismo à brasileira" e do reforço das fronteiras de gênero expressas pelo corpo. Tal atualização corroborou para a defesa de uma "redemocratização cautelosa" na revista Veja. O primeiro capítulo discute a imprensa e sua relação com intervenções estatais sobre a prática jornalística. O segundo trata da discussão sobre a redemocratização na cultura, tendo como foco a crítica em torno do erotismo, numa década mais liberal. O terceiro discute a produção televisiva (novelas, seriados, musicais, mini-séries), obras que foram notícia na revista Veja como produtoras de um "erotismo à brasileira". No quarto capítulo mapeiam-se as vozes dissonantes que fizeram parte do debate, reportagens sobre novelas, filmes e programas que tornaram o erotismo e a censura o centro de discussão. Mesmo diante das movimentações por direitos civis, o erotismo é tomado como uma forma nefasta, argumento negativo desses ideais de liberdade e liberalidade que se faziam urgentes no momento de pós-ditadura.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Estudo sobre a prostituição, durante o período de 1960 a 1980, em Florianópolis e São José, com ênfase na análise das construções de diferenças e legitimações de desigualdades, que podem ser percebidas através do estudo de uma vila de prostituição chamada: Vila Palmira. Palco de inúmeros encontros sexuais e construções ligadas a afirmações de masculinidade, a Vila Palmira foi criada com o intuito de esconder a prostituição que se fazia presente em Florianópolis, pois os reformadores sociais pretendiam “limpar” a cidade, promover seu desenvolvimento social e prepará-la para o turismo.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
No início do século XX, ainda um período de transição do regime monárquico para o regime republicano, parte da sociedade letrada brasileira passou a valorizar a variedade regional, étnica, cultural do Brasil, tendo como objetivo apresentar um modelo mais integrador da nação de acordo com as ideias de progresso e civilização. Contudo, pensar em questões nacionais, implicava também discutir o país como nação. Um dos problemas apontados é que, em 1822, o Brasil se constituiu como Estado, antes mesmo de se construir como nação. Além da busca incessante por estudos históricos para a construção de uma nacionalidade, outro fator que estava em jogo era a "questão racial". Quais seriam os critérios adotados pela intelectualidade para caracterizar o povo brasileiro em uma coletividade? Como índios, negros e mestiços seriam integrados a este projeto nacional? Esta pesquisa procurou analisar os discursos proferidos nas revistas do IHGB, nas três primeiras décadas do século XX, evidenciando como as noções de raça, de sexualidade e de gênero se imbricam nesses discursos para a construção da nacionalidade brasileira do começo do século XX. Na confluência desses debates, ao se definir o caráter físico e moral da nacionalidade brasileira, raça e sexualidade apareceriam nos discursos reproduzidos e elaborados pela revista do Instituto como estratégias políticas simbólicas para subjugar as mulheres indígenas e mestiças. Construir um país moderno implicava controlar os corpos femininos, uma vez que possuíam a função de serem reprodutoras, seriam as responsáveis por "sujar" a nova prole brasileira.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Apresentação e discussão acerca das memórias sobre o namoro daqueles que foram jovens na década de 50 em Joinville. A juventude é lembrada pelos "velhos" através das memórias do trabalho, das diversões, das amizades e dos namoros, inseridos em um contexto econômico, político e social que influenciavam em suas posturas. A pesquisa realizada teve como objetivo discutir teoricamente como as memórias da juventude podem ser problematizadas a partir da metodologia da história oral. As narrativas foram analisadas no sentido de discutir as experiências femininas e masculinas aliadas às especificidades da cidade, como o cotidiano, as diversões, o namoro e as questões que permitiam/proibiam a constituição de um casal, os padrões de parceiro ou parceira ideal, e também de relacionamento ideal, o dia a dia do namoro, as intimidades, o noivado e o casamento. A pesquisa foi realizada através da análise de jornais e uma revista da década de 50, e de entrevistas com mulheres e homens que vivenciaram esse momento, que nas suas múltiplas significações contam outras histórias sobre a cidade de Joinville.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A partir de uma análise comparativa, proponho a compreensão da maneira como três periódicos, sendo um da Argentina e dois do Brasil, discutiram as questões relacionadas ao sexo e ao prazer, que faziam parte das reivindicações do movimento feminista pós-1960, expressas pelo slogan "O nosso corpo nos pertence". Minha intenção neste trabalho é analisar criticamente os discursos das escritoras, jornalistas e militantes que publicavam seus textos nos periódicos feministas, e também nos da grande imprensa, tendo em mente que esses escritos estiveram permeados de intencionalidade e foram produzidos em um locus específico, de mulheres que escreviam para outras mulheres. Ao lado disso, busco entender como essas representantes da imprensa feminista, parte da chamada imprensa alternativa, traziam para o seu público leitor - em sua maioria composto por mulheres - as questões pertinentes à sexualidade, ao prazer e ao corpo, que estavam sendo debatidas naquele momento pela mídia mais ampla nos dois países. O cenário das ditaduras militares completa o quadro, trazendo relações ambíguas vividas pelas feministas, de alianças políticas até o silêncio diante de alguns temas centrais do movimento, forçado pela repressão e pela ameaça do regime militar.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
