CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Este trabalho problematiza as experimentações da sexualidade de jovens que se auto-identificam como lésbicas, gueis, travestis, heterossexuais, bissexuais e transexuais e que aderiram a uma ação de saúde, no campo das doenças sexualmente transmissíveis/ hiv e aids. Além de seu caráter de enfrentamento à epidemia, a intervenção permitiu-nos analisar os modos como os jovens produzem experimentações na sexualidade face à homofobia presente na sociedade brasileira. O estudo é orientado metodologicamente pela perspectiva da pesquisa-intervenção e os seus resultados apontam para alguns dos limites e das possibilidades das ações de saúde junto ao público juvenil. No que se refere ao acesso e à produção da cultura da diversidade sexual e consolidação dos direitos humanos, este estudo indica que as atividades do grupo de jovens possibilitaram a construção de um locus de reflexividade ética e de ocupação agonística da cidade; uma vez que estes jovens vivem no avesso de dois dispositivos de normalização; ou seja, da hetero e da homonormatividade, evidenciadas na íntima relação da normalização sexual com a desigualdade econômica. Assim, a ação buscou transformar as condições de vulnerabilidade, explorando as possibilidades de deslocamento de uma posição abjeta para a de cidadão de direitos pela via da reflexão e da ampliação das redes de sociabilidade. Este efeito foi buscando principalmente na formulação de estratégias coletivas de enfrentamento das capturas identitárias ligadas à estigmatização da pobreza na sua associação com as sexualidades ditas marginais. O Projeto Gurizada, Saindo do Armário e Entrando em Cena foi realizado pela ONG nuances - grupo pela livre expressão sexual, atuante em Porto Alegre; em cooperação com a UNESCO, o Programa Nacional de DST/AIDS e a Coordenação Estadual de DST/AIDS da Secretaria da Saúde do RS. A pesquisa-intervenção foi realizada em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional da UFRGS.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Historicamente as escolas de engenharia têm sido um campo majoritariamente ocupado por homens e as poucas mulheres que deste campo participam conseqüentemente convivem com a contradição de ser mulher num espaço simbolicamente considerado masculino. Partindo desta perspectiva, esta pesquisa tem como objetivo principal analisar como tem sido compreendida a cultura da engenharia da UFSC a partir das falas das (os) próprias (os) estudantes problematizando esta cultura com as relações de gêneros construídas no espaço onde a formação da (o) engenheira (o) se processa, neste caso a universidade. Deste modo, busca-se também compreender as motivações, as influências, as dificuldades, as perspectivas e as táticas construídas por estas poucas estudantes mulheres para lidarem com sua condição de gênero neste campo de disputa eminentemente masculino. A metodologia utilizada para se realizar a pesquisa compreendeu entrevistas semidiretivas, trabalho de campo e observação participante. A análise parte das evidências históricas e empíricas de um tipo ideal de engenheiro que a sociedade tem produzido/reproduzido e as suas limitações frente às possibilidades de mudanças que este modelo tende a acarretar na vida do estudante de engenharia, principalmente quando este pertence ao gênero feminino.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Pergunta proposta nessa pesquisa lançou uma discussão: quais os sentidos que mulheres, com possibilidades de sentir diversos tipos de atração erótica ou de se relacionar fisicamente de diversas maneiras com outras mulheres, atribuem às relações sociais que estabelecem em um gueto GLS de Florianópolis? Essa questão trouxe à cena importantes categorias de análise: homoerotismo feminino, relações sociais e gueto GLS. Tais categorias foram problematizadas nessa dissertação de mestrado e contemplam os estudos sobre constituição de subjetividades, os estudos de gênero e dos modos de vida que, por sua vez, englobam e analisam teoricamente outros aspectos que se destacaram na pesquisa de campo desenvolvida no decorrer dessa investigação. O presente trabalho vai ao encontro da proposta de repensar a ciência do ponto de vista das mulheres, de dar-lhes espaço de palavra, na tentativa de desconstruir o modelo androcêntrico que tem norteado a maioria dos estudos científicos há tempos, inclusive na área da Psicologia. Assim, o estudo dos inúmeros agenciamentos de subjetivação que atravessam o sujeito cotidianamente constitui uma perspectiva de pesquisa bastante interessante, na medida em que trabalha a idéia de identidade pessoal socialmente construída e inacabada, legitimando gênero como categoria útil para se problematizar e investigar alguns aspectos fundamentais no processo de constituição do sujeito. Ao término desta pesquisa conclui-se que as relações sociais estabelecidas entre as mulheres (com outras mulheres e homens) que transitam pelo gueto, constituem e significam esse território na mesma medida em que são por ele constituídas. O gueto, enquanto espaço de construção de subjetividades, media a própria construção dessas mulheres não apenas como pessoas com possibilidades de se relacionarem afetiva e sexualmente com outras do mesmo sexo que o seu mas, sobretudo, enquanto sujeitos no mundo. O trânsito desses sujeitos no interior do gueto indica o cerceamento das condutas dessas mesmas pessoas fora dos limites desse território. Reconhecido como lugar de proteção e legitimação de comportamentos e posturas, o gueto problematiza os domínios do espaço privado e do espaço público, (re)produzindo modos de vida bastante peculiares.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
sem resumo
- Universidade Federal de Santa Catarina
Este trabalho tem como objetivo discutir os sentidos que mulheres empregadas domésticas atribuem à maternidade, durante a vivência do processo gestacional. Cinco empregadas domésticas de um município do estado de Santa Catarina, Brasil, foram entrevistadas a partir de um roteiro semi-estruturado organizado em blocos temáticos que focalizaram a família de origem, a conjugalidade, as condições e regime de trabalho, e o processo de gestação em curso. O material obtido foi trabalhado por meio de análise temática de conteúdo. O que se pôde perceber é que essas mulheres confirmam os dados brasileiros. A presença de reduzido número de contratos formais de trabalho vulnerabiliza o grupo no que diz respeito a direitos como o da Licença Maternidade, que garante 120 dias de ausência ao trabalho, com remuneração garantida pelo Estado. A falta de consciência de seus direitos e, sobretudo, o medo das conseqüências de sua reivindicação, como a perda do emprego, torna essas mulheres vulneráveis à exploração social. O emprego doméstico ocupa um grande contingente de mulheres oriundas das camadas populares que substituem as das camadas médias na lida diária que ainda não é dividida com os homens. A realidade dessas mulheres do Sul do Brasil demonstra que o sentido da maternidade é construído de forma singular, havendo relações com o contexto sócio-histórico em que estão inseridas. Os fatores de classe sócio-econômica, etnia e gênero perpassam os sentidos que cada uma delas atribui à maternidade. As variações demonstram permanências de um modelo histórico inculcado pelos discursos médicos e religiosos: a mulher mãe que cuida, que se sacrifica, que sofre.
- Universidade Federal de Santa Catarina
