CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
As relações de gênero e trabalho, produtoras de significados e sentidos, em seu duplo referencial constituinte e constituidor, produzem sujeitos e modos de vida. A articulação destas relações produz desdobramentos que remetem à divisão sexual do trabalho, foco deste estudo. Fundamentado em concepções da psicologia histórico-cultural, fundada em Vygostski, este estudo buscou analisar os sentidos produzidos por trabalhadoras/es rurais sobre a divisão sexual do trabalho em um assentamento coletivo do MST, movimento que defende objetivos amplos de transformação da sociedade, que incluem, por sua vez, mudanças nas relações de gênero. A pesquisa foi realizada em um assentamento coletivo, localizado no município de Campos Novos, em Santa Catarina. Na realização do trabalho de campo, foi utilizado, como modelo, o método etnográfico da pesquisa antropológica. Como procedimentos de coleta das informações, foram realizadas entrevistas abertas e gravadas, com mulheres e homens assentados, observando e participando de atividades no assentamento, onde os sujeitos seguem as diretrizes de trabalho coletivo, sugeridas pelo MST. Além disso, buscam organizar e dividir o trabalho a partir dos objetivos do setor de gênero do movimento. Por conta da coletivização da terra e do trabalho, mudanças significativas ocorreram. Algumas delas dizem respeito ao modo como o trabalho estava organizado nas famílias. No assentamento estudado, todas as atividades laborais passam a ser responsabilidade de todas as famílias. Com isso, a divisão sexual do trabalho sofre modificações e algumas das atividades atribuídas historicamente às mulheres e aos homens são redefinidas. Outros trabalhos, no entanto, reproduzem-se no assentamento a partir de padrões relacionais fixos, os quais naturalizam atribuições femininas e masculinas. Com relação a esta organização/divisão do trabalho, os relatos sugerem que ainda é necessário "avançar nas questões de gênero".
- Universidade Federal de Santa Catarina
A complexa inter-relação entre linguagem e gênero tornou-se foco de várias discussões teóricas. Estudos de textos literários e/ou não literários, por exemplo, propõe discutir temas relacionados à conversação de homens e mulheres. A presente dissertação investiga aspectos lexicogramaticais na peça Pygmalion (Bernard Shaw, 1913), escrita para ser produzida no palco. O meu objetivo é examinar a linguagem usada pelos personagens principais masculino e feminino aplicando os conceitos de Halliday (1985; 1994) da transitividade nas declarações por eles feitas. A investigação é baseada na idéia sugerida por Cameron (1995) de que a peça Pygmalion pode ser classificada como uma obra de gênero, além de classes sociais. A base teórica usada para a obtenção dos resultados conta com princípios de linguagem e gênero, linguagem e poder e Análise Crítica do Discurso. Os resultados mostram que as características do personagem masculino retratam os homens preocupados com problemas de ordem racional, enquanto o personagem feminino representa as mulheres como sendo mais emocionais em suas relações. A análise das escolhas léxico gramaticais sugerem que na peça, a asserção, convicção e objetividade encontradas no discurso do personagem masculino são salientadas em relação às dúvidas, à subordinação e ao arrependimento caracterizados no discurso do personagem feminino.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Esta dissertação tem como objetivo investigar as representações sociais dos/as estudantes do curso de graduação em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, em relação ao tema da homossexualidade. Realizei entrevistas semi-estruturadas e coletivas, acompanhadas da exposição do filme Delicada Atração. As categorias surgidas a partir do campo e do referencial teórico foram: outras categorias - no qual observei que os alunos não conheciam os reais significados históricos do conceito de homossexualismo, pertencentes a patologia; identidade - a principal idéia dos informantes é que a homossexualidade seria uma opção, uma escolha do sujeito, ao contrário do que apontam os Estudos Queers, através do conceito de coming out, que é entendido enquanto a escolha de se reconhecer ou não homossexual; gênero - aqui existe uma padronização dos universos masculinos e femininos, inserindo a homossexualidade no universo feminino, e por fim, que as mulheres aceitariam mais facilmente os homossexuais do que os homens. No ponto de vista teórico-metodológico no que se refere aos tratos com as questões de gênero, privilegiei os autores de formação marxista, articulados com os elementos introdutórios da Sociologia da Vida Cotidiana na perspectiva dialética; preconceito e Educação Física - a qual surgiram discussões de ambas as fases, cujas representações emergiram em forma de "brincadeira" com a questão da homossexualidade, apresentada como um disfarce para ocultar os estigmas, estereótipos e discriminações presentes nessas "brincadeiras". Outro achado da pesquisa ocorreu na 1ª fase, que a intitulei: homofobia velada, que se constitui no medo de que os homossexuais ao se aproximarem, procurariam de alguma forma estabelecer relações sexuais, ao contrário do que pude perceber entre os alunos da 7ª fase, que por terem um maior convívio com homossexuais (entre amigos e alunos), pela influência positiva que veicularam as interações na universidade, e nas suas experiências profissionais, isto não apareceu. Por fim, constatei que este tema ainda é polêmico e pouco discutido na Educação Física. Este campo de conhecimento tem trabalhado historicamente com modelos ideais e tem tratado a homossexualidade de forma homofóbica, indiferente e intolerante para com as diversas alteridades.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Este estudo investigou qual o nível de conhecimento em relação à AIDS e quais as atitudes apresentadas pelas mulheres acima de 50 anos que podem favorecer o aumento da vulnerabilidade na exposição ao HIV. As participantes são mulheres, com idade a partir de 50 anos, freqüentadoras do Núcleo de Estudos da Terceira Idade - NETI, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Os objetivos foram verificar o conhecimento que estas mulheres possuem sobre as formas de contágio e os métodos de prevenção da infecção pelo HIV e a compreensão apresentada pelas mulheres sobre a AIDS e sua relação com a prática da sexualidade, bem como oferecer subsídios para políticas públicas e indicações para ações de prevenção voltadas para este segmento da população. Para alcançar os objetivos propostos, optou-se por realizar uma pesquisa descritivo-exploratória com abordagem qualitativa. Foi utilizada a entrevista semi-estruturada, enquanto instrumento para a coleta dos dados. Sobre a sexualidade, ficou perceptível que: 78% das entrevistadas adotam a posição de que homens e mulheres devem estar bem informados em relação ao sexo; a liberação sexual é percebida negativamente pelo grupo estudado; a satisfação sexual é vista como fundamental para 50% das mulheres, e; 72% delas afirmam conversar sobre sexualidade com familiares, 26% conversam com o marido / companheiro e 7% com os profissionais da área da saúde. Sobre o conhecimento e atitudes sobre a doença, constatou-se que: a AIDS é vista como uma doença sexualmente transmissível, perigosa e fatal para 57% das entrevistadas; a televisão é o principal meio de obtenção das informações sobre a doença para 89% das mulheres; as formas de infecção mais citadas são a relação sexual sem a utilização de preservativo e o contato com sangue infectado; as formas de prevenção mais abordadas foram a utilização de preservativo, de seringas descartáveis e a transfusão com sangue testado; o teste para detecção do HIV é percebido como menos necessário para as mulheres grávidas; 59% das mulheres afirmam corretamente que o número de casos de AIDS em casais heterossexuais que estão juntos há muito tempo e/ou que mantém uma relação fixa está aumentando; 70% delas não se percebe em risco de se infectar pelo HIV, e; a relação heterossexual fixa e/ou de longa duração é o tipo de relação menos vista pelas mulheres como vulnerável à infecção pelo HIV e em especial pelas entrevistadas casadas. Concluiu-se que a falha no conhecimento em relação à AIDS e as atitudes de risco frente à doença apresentadas pelas mulheres na pesquisa, decorrem da permanência da concepção de grupos de risco, da dinâmica de poder inerente às relações de gênero em nossa sociedade, bem como da falta de políticas públicas de prevenção à AIDS que atinjam com eficácia este segmento da população, explicitando nitidamente o risco de infecção vivido pelas mulheres que mantém relações heterossexuais fixas e/ou de longa duração.
- Universidade Federal de Santa Catarina
Tendo em vista que, em nossa cultura, a cama de casal ocupa um espaço de convivência diária para a maioria dos casais, pode ser considerada como um demarcador privilegiado de relações conjugais. Essa pesquisa procura conhecer como casais heterossexuais vivenciam o compartilhar da cama de casal. O amor romântico, as relações de gênero, os espaços de convivência e a intimidade são aportes teóricos para esse trabalho. O tema foi abordado de forma qualitativa, utilizando práticas da pesquisa etnográfica, como o estranhamento, a relativização, o diário de campo e a escolha dos informantes. Foram realizadas entrevistas livres, gravadas, com quatro casais, dois em Joinville e dois em Itapiranga, ambos municípios de colonização alemã. Em Joinville, foram realizadas também duas entrevistas com apenas um dos cônjuges. A cama de casal mostrou-se para os entrevistados um espaço que tem como função principal o descanso. A aproximação física foi apontada como propiciadora de momentos de intimidade, de aconchego, de construção do relacionamento e de diálogo. A cama de casal não é o único espaço para o sexo, nem para o descanso. A possibilidade de momentos de individualidade foi destacada por alguns casais para a saúde do relacionamento. Outros casais optavam por compartilhar todos os momentos. Sair da cama para dormir na sala ou em outro quarto é uma prática de alguns casais, em casos de desentendimentos ou problemas de saúde. Geralmente foram as mulheres entrevistadas a sair da cama de casal.
- Universidade Federal de Santa Catarina
