CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Esta tese de doutoramento procura investigar quais eram as condições de concretização de carreiras artísticas femininas dentro do universo acadêmico brasileiro. Por não serem previstas como alunas desde a fundação da Imperial Academia de Belas Artes a principal instituição responsável pela formação de artistas as mulheres viram cerceadas suas chances de carreira durante a maior parte do século XIX. A exclusão desse universo restringia significativamente a atuação das artistas mulheres às faturas artísticas menores, tradicionalmente desvalorizadas. Eram então percebidas como amadoras, o que as diferenciava dos artistas homens, julgados em sua maioria profissionais. Apesar dos percalços, muitas mulheres expuseram seus trabalhos ao longo do XIX, após encontrarem em aulas particulares as instruções necessárias para se capacitarem como artistas. Além da formação privada, aos poucos se abriram outras oportunidades de estudos, como a Academie Julian, sediada em Paris, que atraía uma clientela internacional, inclusive feminina. Finalmente, após a proclamação da República, o ensino superior abriu suas portas às mulheres e estas puderam acessar à Academia. A tese aborda algumas trajetórias de pintoras e escultoras como Abigail de Andrade, Berthe Worms, Julieta de França, Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto e Georgina de Albuquerque, que são exemplos concretos dos modos com que algumas mulheres vivenciaram e venceram os obstáculos existentes. Munidas de sólida formação artística e contando com apoio de seus familiares (pais, maridos ou amantes), essas artistas manejaram um conjunto de dispositivos favoráveis que, somados à qualidade alcançada por muitas de suas obras, lhes permitiram lograr carreiras de êxito.
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
A tese visa analisar o empoderamento de mulheres líderes de comunidades da periferia de Florianópolis, a partir das dimensões de gênero, classe e etnia. Forma entrevistadas 15 lideranças através do "método biográfico", o que proporcionou a reconstrução da história estrutural e sociológica de um grupo social de pessoas procedentes da miscigenação de índio com branco, que viviam no entorno caboclo, como posseiros e foram expropriados de suas terras, tendo que migrar para a cidade. A pesquisa conclue que o processo de empoderamento implica primeiramente na aquisição do espaço privado da casa, base social que gera segurança e alavanca a auto-confiança, para em seguida despertar da consciência crítica, o engajamento nas lutas e conquistas e a emergência de um sujeito político com chances de decidir, deliberar e determinar sobre o processo de transformação da sociedade.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Doutorado
Este estudo teve como objetivo analisar as relações de gênero na engenharia brasileira contemporânea, focalizando as décadas de 80 e 90, anos em que o ambiente econômico e o grupo profissional dos engenheiros passaram por importantes transformações. Entende-se que a gradativa feminização do trabalho no campo da engenharia significa rompimento dos valores que tendem a discriminar as mulheres em carreiras predominantemente masculinas como é o caso da engenharia ainda hoje. Há que se considerar também que as mulheres que fizeram essa opção profissional tiveram que enfrentar padrões de gênero aceitos no interior das famílias, das escolas e do mundo do trabalho. Nesse sentido, o estudo procurou compreender quais as possibilidades de inserção das mulheres na engenharia, sob que condições constróem suas carreiras, como se percebem como estudantes e profissionais da engenharia, como são percebidas pelo coletivo masculino nos espaços escolares e nos ambientes de trabalho e, enfim, como vivenciam subjetivamente essas experiências. A investigação combinou a análise de dados estatísticos sobre formação escolar e emprego com a realização de entrevistas com profissionais de ambos os sexos e dirigentes sindicais. No sentido de captar a evolução dos padrões de gênero imbricados nas engenharias, procurou-se incluir na pesquisa de campo engenheiros(as) formados(as) nas décadas de 70, 80 e 90.
- Universidade Estadual de Campinas
- Doutorado
O objetivo desse estudo é investigar as representações de gestores/as do Sistema Único de Saúde - SUS sobre a saúde da mulher em situação de violência e a influência dessas representações nas decisões por ações de saúde para essas mulheres, dentro da perspectiva de um estudo qualitativo e descritivo. Foram escolhidos três municípios da Região Metropolitana do Recife (PE) enquadrados enquanto em Gestão Plena do SUS, ou seja, com a possibilidade de gestão autônoma sobre seus recursos e serviços de saúde. A literatura destaca: um aumento significativo da busca pelo sistema de saúde por mulheres em situação de violência, sem que este sistema apresente uma solução; a necessidade do reconhecimento das diferenças dos papéis exercidos por homens e mulheres pelas instâncias governamentais; e que este reconhecimento ainda não foi devidamente incorporado ao planejamento das administrações municipais. No entanto, este estudo aponta para algo diferente: gestores/as que falam sobre planejamento de ações a partir de uma perspectiva de gênero, que favorece decisões por ações de saúde da mulher em situação de violência, todavia, dentro de um contexto maior: da forma como essa perspectiva está ou não fazendo parte dos valores e crenças dos gestores/as e do compromisso político da gestão com o movimento feminista, principalmente, pela pressão exercida por este, no que se refere à realização de políticas públicas para as mulheres e, dentre essas políticas, para as mulheres em situação de violência.
- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
Trata-se de um estudo desenvolvido com o objetivo de compreender as relações de poder no casal heterossexual a partir da perspectiva do homem, bem como suas vinculações com a prevenção de aids. Para tanto, dez homens de orientação heterossexual que vivem relações afetivo-sexuais duradouras - legalmente formalizadas ou não -, em co-habitação com a companheira e que têm pelo menos o nível fundamental de instrução participaram. As proposições de Foucault sobre relações de poder e constituição da subjetividade formaram as bases teórico-filosóficas que deram sustentação a este estudo qualitativo, que tomou a Pesquisa Convergente-Assistencial - PCA - como referencial metodológico. Os dados foram coletados através de discussões de grupo desenvolvidas no decorrer de seis encontros, nos quais foram abordadas diversas temáticas relacionadas com sexualidade e DST/aids. Os encontros de grupo integraram uma iniciativa de educação em saúde que propiciou a convergência entre a pesquisa e a assistência preconizada pela PCA. Além destes encontros, os dados foram coletados em duas entrevistas individuais realizadas com cada um dos homens, cuja guia incluía temas relativos ao viver em casal e à vida afetivo-sexual do homem e do casal. A análise dos dados foi feita de acordo com o Discurso do Sujeito Coletivo - DSC - o que propiciou a organização de discursos a partir de grandes temáticas emergentes das discussões de grupo e dos relatos individuais, as quais mantinham estreita ligação com a questão norteadora e com os objetivos do estudo. Estas temáticas incluem o que é ser homem, a vida afetivo-sexual do casal e o uso do preservativo e, em cada uma delas, foram organizados DSC em torno de idéias centrais diferentes, os quais complementaram uns aos outros. A discussão dos DSC relativos a estas temáticas possibilitou uma melhor compreensão da problemática em estudo e evidenciou a existência de diferentes dinâmicas de circulação do poder nas relações de casal, as quais têm implicações diretas no trabalho de educação em saúde para prevenção de DST/aids. A compreensão destas dinâmicas subsidiou a proposição de um referencial teórico para utilização na educação em saúde - foco do cuidado de enfermagem - voltada para a prevenção de DST/aids. Neste referencial articulam-se os conceitos de promoção da saúde, educação em saúde, diálogo, casal heterossexual, saúde e cuidado de si, perpassados pelas relações de poder que se disseminam pelo corpo social.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
