Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Reconhecimento, multiculturalismo e direitos. Contribuições do debate feminista a uma teoria crítica da sociedade

Em discussões recentes, algumas teóricas feministas (Iris Young, Nancy Fraser e Seyla Benhabib) têm posto em evidência as pretensões de reconhecimento das identidades de grupos culturais, étnicos, raciais, sexuais, etários, assim por diante. Essas pretensões têm revelado a existência de sociedades multiculturais e também implicado uma crescente demanda por políticas e direitos de afirmação das diferenças por parte dos movimentos sociais. Retomando a vertente crítica dessas teorias, o presente trabalho procura mostrar em que medida é possível mediar tais pretensões por reconhecimento no âmbito do Estado democrático de direito. Nesse sentido, parece promissora a idéia de uma esfera política pública que é capaz de dar vazão a esses movimentos e, ao mesmo tempo, oferecer um critério democrático de legitimidade política.

  • Universidade de São Paulo
  • Mestrado
Tese
Mulheres usuárias de álcool: subsídios para assistência

Este estudo tem como objetivo compreender através da ótica da mulher usuária de álcool, como se processou o contato com o álcool em sua vida, como percebia a vida antes e após a evolução para uso nocivo/dependência, os possíveis problemas desencadeados e os mecanismos de superação destes, a busca de tratamento e as mudanças processadas em suas vidas. Para realizar este estudo, optou-se por fazer uma pesquisa qualitativa, utilizando como estratégia metodológica a História de Vida. Foram realizadas 13 entrevistas semi estruturadas, gravadas para análise. O estudo aconteceu no Ambulatório de Tratamento e Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP Escola Paulista de Medicina/EPM, na cidade de São Paulo. Através da revisão da literatura, foi elaborado um histórico sobre o alcoolismo, seus conceitos, prevalência e a relação entre alcoolismo e gênero. Esta pesquisa parte da constatação de que existem poucos estudos qualitativos abordando o tema que relaciona mulher e alcoolismo. Após inúmeras leituras das entrevistas transcritas, surgiram 11 categorias: A Influência da família no primeiro contato com o álcool na infância, Influência de colegas e namorados no primeiro contato com o álcool na adolescência, Influência do companheiro no primeiro contato com o álcool na fase adulta, Conflitos emocionais influenciando o primeiro contato com o álcool, Aumento do consumo do álcool com intuito de superar conflitos emocionais Manutenção de atividades prazerosas como trabalho e lazer antecedendo o uso nocivo e a dependência ao álcool, Perdendo o controle sobre a bebida e o surgimento de comprometimentos clínicos, sociais e familiares, A percepção dos prejuízos motivando a busca de tratamento especializado, A necessidade em voltar a acreditar em si mesma, Acolhimento e respeito na chegada ao tratamento especializado, Reaprendendo a viver: lidando com a dependência. Os resultados desse estudo sugerem que a mulher usuária de álcool, inserida em tratamento especializado, necessita de atenção especial por parte dos (as) profissionais de saúde no que tange aos aspectos emocionais. Sugere também que o atendimento a essa clientela, quando realizado em grupo, se for homogêneo, possa facilitar a expressão de conflitos. O estudo também mostra a importância do resgate de familiares e filhos para participação no tratamento; manutenção de ambiente acolhedor no que diz respeito ao tratamento; atenção aos comprometimentos clínicos; promoção de resgate da auto-estima e da cidadania com objetivo de manutenção do processo de tratamento.

  • Universidade Federal de São Paulo
  • Mestrado
Tese
Quem mora no livro didático? Representações de gênero nos livros de Matemática na virada do milênio

Esta dissertação foi desenvolvida com o objetivo de analisar as representações de gênero nos livros didáticos de Matemática para 5ª e 6ª séries na virada do milênio. Foram analisados livros didáticos do início das décadas de 1990 e de 2000. Para a realização da pesquisa adotou-se a abordagem qualitativa por entender que esta se adequava à elucidação da pergunta-problema. A pesquisa é do tipo documental, sendo que os livros didáticos se constituem no campo empírico. Buscou-se conhecer como os gêneros estão representados neste instrumento de ensino por entender que os livros didáticos constituem-se num importante material de apoio para professores e professoras e principalmente para alunos e alunas, bem como, numa morada onde os gêneros se manifestam em diversas situações. Entende-se ainda que as representações de gênero nos livros didáticos contribuem para a construção das identidades de gênero das crianças e adolescentes. Os dados estão divididos em onze categorias definidas com base na incidência de enunciados e ilustrações que representam homens e mulheres em situações similares. Os resultados foram agrupados em dois capítulos. O primeiro foi destinado às representações de gênero no espaço público. Pôde-se perceber que tais representações ocorrem, na maioria das vezes, em papéis dicotomizados. Não se privilegia a interação entre os gêneros e tampouco a construção dos mesmos por meio desta interação. O segundo capítulo da apresentação dos resultados foi destinado à socialização das crianças por meio da família, das brincadeiras e das situações escolares. Percebeu-se que há interação entre as crianças dos distintos gêneros, porém educar e cuidar das crianças é tarefa feminina. A representação de gênero no cuidado com a família também ocorre em papéis dicotomizados. A principal diferença observada nas representações de gênero nos livros didáticos dos dois períodos (1990 à 1993 e 2000 à 2003) analisados foi o aumento do número de enunciados e ilustrações com tais representações no segundo período, porém com pouca diferença na forma e nas situações nas quais homens e mulheres são representados. Este fato demonstra que os livros didáticos não incorporaram as transformações sociais e, por conseqüência, as mudanças nas relações de gênero ocorridas nesta virada de milênio.

  • Centro Federal de Educação Tecnológica - Paraná
  • Mestrado
Tese
A voz e a escuta: encontros e desencontros entre a teoria feminista e a sociologia contemporânea

Na segunda metade do século XX, e particularmente a partir da década de 60, a teoria social ocidental passou por uma série de questionamentos e revisões, que incluíam novos debates sobre a relação entre as obras reconhecidas como o cânone das diversas áreas disciplinares e as mudanças que dariam lugar a um mundo social em alguns aspectos muito diferente daquele que formou o contexto histórico das obras canônicas. Por outro lado, a emergência dos novos movimentos sociais que permitiram uma nova voz a certos grupos sociais antes excluídos da produção do conhecimento acadêmico e intelectual, também conduziu a novas interpretações da história e das relações sociais no Ocidente e no resto do mundo. Neste cenário, um dos movimentos sociais e culturais mais importantes foi o movimento feminista, que produziu dentro e fora da academia novas interpretações da história e da sociedade, a partir das experiências das mulheres e de sua problematização do que vieram a se chamar relações de gênero. Esta tese tem por objetivo o estudo de um encontro particular deste contexto: o da teoria feminista e da sociologia contemporânea. Ao mesmo tempo que surge a teoria feminista contemporânea (nascida de esforços simultâneos e conexos realizados em diversas áreas das ciências humanas), também inicia-se uma ampla revisão das perspectivas clássicas na sociologia acadêmica. A questão central deste trabalho trata das formas pelas quais a contribuição feminista é recebida no campo disciplinar da sociologia (e, de maneira mais ampla, na teoria social), constatando-se que os canais de comunicação estão apenas parcialmente abertos. Por meio dos depoimentos e observações de teóricas feministas, são levantadas algumas explicações para tal resistência. Por sua vez, o exame do trabalho de importantes sociólogos da contemporaneidade, propiciam a descoberta de alguns dos mecanismos teóricos mais concretos da recepção, incorporação ou rejeição da perspectiva feminista na sua obra. A conclusão final é a de que, apesar das resistências, a teoria feminista conseguiu fazer uma contribuição fundamental para a ampliação do campo de visão da sociologia e seu discurso sobre a modernidade. Este trabalho oferece ainda algumas sugestões teóricas e práticas para a incorporação mais plena da teoria feminista e dos estudos pós-coloniais à sociologia contemporânea, que também se beneficiaria de uma troca mais aberta com outras áreas disciplinares das ciências humanas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
As armas de Marte no espelho de Vênus: a marca de gênero em ciências biológicas

Este estudo teve como objetivo analisar implicações de gênero na formação e no exercício profissional de mulheres biólogas que atuam como pesquisadoras. A abordagem teórica do tema proposto envolveu a análise histórico-filosófica da Ciência Moderna à luz da teoria feminista sobre o modelo dominante da construção do conhecimento, segundo a qual as escolas filosóficas que norteiam o pensamento científico não são neutras do ponto de vista de gênero, uma vez que teorias essencialistas sobre ser homem e ser mulher, apontam para uma pretensa dificuldade das mulheres frente aos desafios da produção de conhecimento, em função de sua suposta menoridade intelectual, sua subjetividade, a prevalência da emoção sobre a razão e a ausência da agressividade inerente à idéia de dominação exigida de um cientista diante de seu objeto de estudo. Neste sentido, a construção da identidade feminina e sua articulação como o mundo da ciência também foram objeto de análise. Considerando a importância do curso de graduação para a formação da cientista, no caso específico a bióloga pesquisadora, analisou-se também o curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia quanto à opção epistemológica e modelo de currículo. O relato das cientistas sobre sua experiência no campo profissional e de suas impressões sobre o curso que realizaram constitui a principal fonte de informação deste estudo, em consonância com a inspiração feminista que o caracteriza. Foram realizadas entrevistas com pesquisadoras biólogas formadas pelo Instituto de Biologia no período de 1973 a 2000, das quais emergiram as categorias de análise que nortearam a pesquisa: identidade feminina, identidade de cientista, concepção de Ciência, opção epistemológica e modelo de currículo do Curso de Ciências Biológicas e relações de poder no ambiente de trabalho associadas a estereótipos de gênero. Os resultados da pesquisa de campo confrontados com o referencial teórico sugerem como substancial a marca do gênero na academia, particularmente no universo onde se inserem as biólogas formadas pelo Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia. A análise dos dados permite a afirmação de que é de inspiração positivista a concepção do curso de Ciências Biológicas, assim como se caracteriza como tecnicista e conteudista o modelo de currículo adotado no curso desde sua criação e também por ocasião de suas reformas curriculares. As normas, os códigos, os valores e as condutas esperadas e estimuladas nos estudantes que se direcionam para a pesquisa científica são aqueles preconizados pelo pensamento hegemônico no mundo científico, embasados no racionalismo de Descartes e no positivismo de Comte, em que a Razão se afirma como faculdade primordial e suficiente para a apreensão dos fenômenos, como também na única possibilidade de elaboração de um método universalmente válido para desvendar a Natureza. As cientistas, em sua maioria, percebem a sua identidade feminina como uma possível ameaça à consecução de seus objetivos, uma vez que esta identidade se associa a aspectos da experiência humana que são precisamente aqueles considerados indesejáveis à prática de construção do conhecimento, como a emoção, a subjetividade, a ausência de agressividade ou competitividade e, sobretudo, a maternidade. As entrevistadas em sua maioria associam a identidade feminina à maternidade e ao cuidado, exatamente como vêm fazendo as mulheres de outras gerações. Os depoimentos refletem o conflito entre as exigências do trabalho científico e os encargos domésticos, configurando-se nas mentes dessas mulheres duas identidades separadas, antagônicas: a mulher e a cientista, sob a mesma ótica cartesiana impregnada em seu modo de ver o mundo. Quanto às relações de poder no mundo do trabalho, a pesquisa revelou que, embora sejam mais numerosas que os homens no campo das ciências biológicas, poucas são as mulheres que ocupam ou ocuparam posição de destaque enquanto cientistas nas suas respectivas instituições. As entrevistadas, em sua maioria, afirmaram não terem sido afetadas por preconceito ou discriminação explícita, atribuindo tal fato à adoção de uma postura desafiadora e confiante diante de seus pares. Esta "adequação" ao modelo masculino envolve atitudes mentais, aprendizados de técnicas e procedimentos, incremento da competitividade e principalmente, a negação daqueles elementos associados à identidade feminina que poderiam se constituir objeto de crítica ou censura de seus pares. Afirma-se, portanto, que as cientistas refletem ou assimilam certas características associadas ao masculino para se estabelecerem no ambiente científico marcado pelo viés androcêntrico já denunciado muitas vezes ao longo deste estudo. Afirma-se ainda que o grande desafio para as cientistas é a própria estrutura do campo da pesquisa científica, concebido e construído para os homens, dentro do modelo da sociedade patriarcal, que preconiza a liberdade irrestrita dos homens no mundo do trabalho, enquanto todos os encargos da vida familiar são de responsabilidade da mulher. Conclui-se, portanto, que a superação das dificuldades das mulheres no mundo da ciência e a correção das assimetrias históricas de gênero no seu campo de trabalho estão na dependência de uma mudança estrutural profunda na sociedade que altere a divisão de responsabilidades no exercício dos papéis de gênero.

  • Universidade Federal da Bahia
  • Doutorado

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